maio 2007

Aids: governo agora deve fazer acordo com Glaxo

2007-05-10T00:00:00-03:00maio 10, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Idéia é baixar preço de comprimido do Abacavir para US$ 2 BRASÍLIA. Uma semana depois de quebrar a patente do remédio anti-Aids Efavirenz, produzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, o governo se prepara para fechar, até amanhã, um acordo de redução do preço do Abacavir (também anti-Aids), produzido pela Glaxo. Segundo fontes do Ministério da Saúde, o objetivo é baixar de US$ 2,75 (R$ 5,57) para US$ 2 o valor do comprimido, redução de 27,3%. O Ministério da Saúde não revelou de quanto será a economia da União — que distribui o remédio gratuitamente. Antecipou apenas que o contrato com a Glaxo prevê 3,6 milhões de unidades a US$ 2 cada, totalizando US$ 7,2 milhões. Em audiência pública no Senado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o licenciamento compulsório do Efavirenz não afastará investidores da indústria farmacêutica. Segundo ele, a Merck vendia ao Brasil por um preço bem mais alto do que para outros países. — O Brasil coloca a saúde pública acima de qualquer questão e exige um preço justo.

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Saúde negocia redução de preço de outro remédio

2007-05-10T00:00:00-03:00maio 10, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) revelou que o ministério está concluindo de forma satisfatória negociações com um laboratório farmacêutico visando a redução do preço de um medicamento para tratamento da aids. O resultado deve ser divulgado nos próximos dias. Sem revelar o nome do laboratório ou do medicamento, disse que "as negociações estão indo muito bem e com certeza vão se concluir com um nível satisfatório para o governo brasileiro e para a empresa", afirmou. De acordo com o ministro, o bom andamento das negociações em curso demonstram que "não existe nenhum tipo de postura do governo antiempresa". Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de licenciamento compulsório do medicamento contra a aids Efavirenz o que corresponde à quebra de patente -, por não ter conseguido sucesso na negociação com o fabricante, o laboratório Merck, para obter diminuição do preço. "Foi um fato isolado, mas que mostra que este governo é sério, para o qual a saúde pública está acima de todas as outras questões e exige por parte das empresas um posicionamento transparente, preço justo e respeito", disse o ministro. Temporão afirmou que o governo brasileiro já desencadeou o processo de aquisição do medicamento dos produtores indianos e ele espera que os primeiros lotes cheguem entre oito e dez semanas.

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Governo fará acordo para diminuir preço de remédio anti-Aids

2007-05-10T00:00:00-03:00maio 10, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Quebra de patente permitirá importação ou fabricação de Efavirenz, diz Temporão BRASÍLIA - Cinco dias depois da quebra da primeira quebra de patente de um medicamento no País, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou nesta quarta-feira que o governo firmará em breve um "excelente acordo" com um laboratório estrangeiro para diminuir o preço de um remédio do coquetel anti-Aids. Temporão disse que o acordo será mais uma prova de que a quebra de patente do Efavirenz, fabricado pela empresa americana Merck, foi um "fato isolado", porque o laboratório "não apresentou uma proposta séria" ao governo. A quebra da patente permitirá ao Ministério da Saúde importar ou fabricar genéricos do Efavirenz, que também faz parte do coquetel usado por portadores do vírus HIV. A assessoria de imprensa do Programa de DST/Aids do Ministério da Saúde informou que está em curso uma negociação com o laboratório americano Abbott, mas não detalhou o nome do medicamento, a redução no valor e se haverá quebra de patente antes do prazo previsto. Segundo a assessoria, o ministério e o Abbott firmaram outro acordo, em 2005, que reduziu o preço do anti-retroviral Kaletra. A assessoria de imprensa do Abbott também disse ter conhecimento apenas do acordo já firmado e lembrou que o laboratório anunciou, no dia 10 de abril, uma nova política de preços que reduzirá o custo dos remédios vendidos nos países pobres e em desenvolvimento, entre os quais o Brasil. "Posso dizer que as negociações estão indo muito bem e vão se concluir com nível satisfatório para o governo brasileiro e para a empresa. O ministério sempre negociou nesses últimos anos com laboratórios e sempre conseguiu acordos vantajosos para o país e evidentemente adequados para as empresas. No caso específico do Efavirenz, não foi possível esse acordo", afirmou o ministro, que participou de audiência pública no Senado. Segundo Temporão, o governo "exige por parte das empresas um posicionamento transparente e preço justo". O ministro classificou como "frágil" o argumento dos laboratórios estrangeiros de que a quebra da patente vai reduzir os investimentos em pesquisa no Brasil. "Essas empresas já não investem em pesquisa no Brasil", sustentou. Temporão se disse satisfeito com declarações do ex-presidente americano Bill Clinton de que "o governo brasileiro paga preços abusivos" por medicamentos. "Se o ex-presidente da capital do capital disse, fico muito contente", afirmou o ministro aos senadores. Temporão disse que representantes do governo e do Merck tiveram sete reuniões antes da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de quebrar a patente do Efavirenz, mas que não chegaram a um acordo. "O laboratório vende (o remédio) para a ditadura militar da Tailândia três vezes mais barato que para a jovem democracia brasileira", reclamou Temporão. Cada unidade do Efavirenz é vendida a US$ 0,65 para a Tailândia e a US$ 1,59 para o Brasil. Álcool Na audiência pública, Temporão defendeu que o governo e o Congresso aumentem o rigor na regulamentação da propaganda de bebidas alcoólicas e defendeu que não seja permitida a presença de artistas e de atletas neste tipo de anúncio. O ministro apoiou a restrição no horário da veiculação das propagandas, com o argumento de que atualmente há anúncios até para estimular as crianças a, no futuro, serem consumidoras de bebidas alcoólicas. Temporão chegou a fazer um apelo ao sambista Zeca Pagodinho, estrela de comercial de cerveja. "Sou admirador do Zeca Pagodinho, mas ele tem que parar de fazer essa propaganda. Chega a ser patético. A questão do álcool é dramática", afirmou o ministro.

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Aids

2007-05-09T00:00:00-03:00maio 9, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Indústria farmacêutica internacional não digeriu decisão do presidente Lula quanto à compra do genérico de Efavirenz, da Merck Sharp. O remédio é usado no tratamento da Aids. O Brasil estava pagando muito caro e optou pelo genérico fabricado na Índia. Diante do protesto dos laboratórios internacionais, vai pedir intermediação do Unicef na compra de 13,5 milhões de unidades. É que a aquisição tem fins humanitários, já que o medicamento será distribuído gratuitamente.

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Custo de remédio importado representa 72%

2007-05-09T00:00:00-03:00maio 9, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

País produz quase metade das drogas que compõem coquetel antiaids, mas produtos são os mais antigos BRASÍLIA Das 19 drogas usadas no "coquetel" de medicamentos destinados a pacientes com aids no Brasil, nove são produzidas por laboratórios nacionais. Apesar do aparente equilíbrio, as dez drogas importadas representam 72% dos gastos para aquisição de medicamentos para o programa, cujo orçamento este ano será de R$ 960 milhões. A desproporção é fruto principalmente do fato de as drogas produzidas no Brasil serem mais antigas e cópias de remédios desenvolvidos por outros países. O programa brasileiro de prevenção e controle da aids é considerado modelo no mundo, entre outros motivos por conseguir atender um alto porcentual de pacientes com medicamentos gratuitos. Na última semana, o governo decretou a licença compulsória do Efavirenz, um dos remédios que compõem o "coquetel". "Esperamos que haja uma otimização dos laboratórios nacionais com a licença compulsória para que possamos encontrar a rota sintética de outros fármacos", disse a ex-diretora de Farmanguinhos Eloan dos Santos Pinheiro. "O pontapé para a retomada da política industrial de fármacos no País", completou. Eloan, que também trabalhou na Organização Mundial da Saúde (OMS), há tempos afirma que o Brasil precisa melhorar de forma significativa a produção de medicamentos, incorporar novas tecnologias e, assim, reduzir a dependência de fornecimento de medicamentos de empresas internacionais. "A expectativa é que várias políticas de incentivo, o Profarmaco, do BNDES, e financiamentos da Finep sejam de fato implementadas", disse. "Sem falar da Lei de Inovação, as parcerias com instituições de pesquisa", completa. Horas antes de embarcar para Berlim, onde deve participar de um encontro de instituições sobre o embate entre preços altos de medicamentos com patentes e licença compulsória, a especialista afirmou que a redução da dependência somente será possível se houver vontade efetiva de se impulsionar a indústria de fármacos no País. E isso somente será conquistado com financiamentos, parcerias entre centros de pesquisa universitários e iniciativa privada. O primeiro passo, no entanto, é tentar encontrar formas de desenvolvimento dos fármacos, a chamada rota de síntese das moléculas químicas usadas nos medicamentos - a substância ativa. Com tais cópias na prateleira, afirma, o governo não ficaria sem opção caso empresas detentoras de patentes insistissem em cobrar preços excessivos do País. "A produção do farmoquímico - o remédio em cápsulas, em drágeas ou xaropes - teria de contar com a colaboração da indústria privada", disse Eloan. Em sua avaliação, laboratórios oficiais atualmente não têm condições de produzir em grande escala farmoquímicos (fármacos processados, prontos para consumo) sozinhos. A pesquisadora tem um levantamento de quais os medicamentos essenciais para a política farmacêutica brasileira. Nele estão incluídos não só anti-retrovirais, usados para o tratamento da aids, mas drogas para tratamento de câncer e hepatite. "O simples desenvolvimento da rota de síntese não implica uma eventual licença compulsória. É uma garantia para uma eventualidade", observou. Para a pesquisadora, o argumento de que laboratórios internacionais usam para cobrar ao longo de vários anos altos preços por drogas das quais eles detêm patentes não sobrevive a uma análise mais profunda. "Não são laboratórios que desenvolvem toda a linha de pesquisa", assegurou. Ela lembra que, nos Estados Unidos, empresas são beneficiadas por investimentos governamentais maciços feitos pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), para desenvolvimento de novas moléculas. "As empresas investem na produção dos farmoquímicos, a pesquisa básica fica por conta do governo", completou. Além de uma competição injusta, ela lembra que muitas empresas farmacêuticas muitas vezes se valem de um recurso pouco inventivo - mas muito lucrativo - para "perpetuar" as patentes. Fazem pequenas variações às fórmulas de fato criadas e a registram, como se fosse nova invenção. "Trata-se, na verdade, de um remédio numa versão melhorada, mas não é criação. É adaptação, melhoramento e, portanto, não deveria ter direito a uma nova patente."

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O bem de todos

2007-05-08T00:00:00-03:00maio 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Não é pequena a contribuição que a indústria farmacêutica tem dado para a saúde e o bem-estar das pessoas. Drogas poderosas aliviam o sofrimento e curam doenças, numa escala jamais observada na História. Mas indústria farmacêutica é indústria. Tem seus interesses e luta por eles, recorrendo às patentes como forma de proteção. Patente, contudo, não é sagrada. Pode ser suspensa pelo licenciamento compulsório, medida prevista no acordo de propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio e que é praticada abundantemente, inclusive nos Estados Unidos. É o que o Brasil acaba de fazer com um medicamento anti-Aids, o Efavirenz, do laboratório Merck. A medida já tinha sido aplicada na África do Sul em 2001. No mesmo ano, no Brasil, o ministro da Saúde, José Serra, iniciou um processo similar, que só não foi adiante porque os grandes laboratórios negociaram preços com o governo. O episódio repetiu-se em 2003, com o ministro Humberto Costa, e depois em 2004 e 2005, sempre resultando em substancial redução de preços. No caso do Efavirenz, a proposta do laboratório, redução de 30%, foi considerada insuficiente; daí o licenciamento compulsório. O Brasil poderá comprar na Índia um substituto do Efavirenz por US$ 0,44 a unidade, contra US$ 1,65 cobrados pelo laboratório Merck antes do início das negociações. A decisão tem várias conotações. Muitos dirão que Lula está agindo como um mini-Chávez, juntando-se, ainda que de forma mais moderada, à onda antiamericana que percorre parte do continente. Não é isto o que diz o presidente: ele declara estar defendendo a saúde dos brasileiros em relação a uma sombria doença que ameaça boa parte da população. Uma outra ponderação é de natureza econômica: o Brasil poderia, com esta atitude, afastar investidores estrangeiros. Ao fim e ao cabo é uma questão de preço: se os laboratórios cobrassem menos, o governo brasileiro não teria motivos para recorrer ao licenciamento compulsório. A indústria diz que tem de cobrar muito para recuperar o investimento feito na pesquisa. Mas não é só isso. Existem também os lucros, que não são pequenos. Investimento é justificável; já o lucro pode ser discutido, por exemplo no que se refere aos astronômicos salários pagos aos grandes executivos das multinacionais. Por outro lado, uma doença como a Aids se constitui em verdadeira emergência de saúde pública. Tudo isso acaba compondo um jogo de mercado. E, no jogo, ao menos uma coisa tem de estar clara: as regras. Quando se trata de saúde, as regras são muito simples. O controle de uma doença com potencial epidêmico não pode depender de interesses comerciais. É preciso definir explicitamente em que casos o licenciamento compulsório é aplicável. E aí os laboratórios tomarão suas providências. O desconto deve ser feito antes do confronto, antes que as condições de negociação se deteriorem. Isto será bom para todos. E o bem de todos é o que a saúde pública, afinal, busca.

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O conflito dos remédios

2007-05-08T00:00:00-03:00maio 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A decisão do governo brasileiro de quebrar a patente de um medicamento do coquetel anti-Aids reatualiza o debate sobre a extensão do direito à proteção sobre propriedade intelectual em contraposição ao direito dos países e da sociedade de torná-lo precário sempre e quando isso for indispensável para a defesa do interesse público. Depois de longas negociações, o governo brasileiro decidiu quebrar a patente do medicamento Efavirenz, produzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme. Mesmo que na Tailândia o medicamento esteja sendo vendido a US$ 0,65 por comprimido, os fabricantes ofereceram-no ao governo brasileiro ao preço de US$ 1,59, depois baixado para US$ 1,10. Trata-se de um preço considerado abusivo. Para manter o programa anti-Aids, o Brasil gastou, apenas em 2006, mais de R$ 1 bilhão. O custo dos medicamentos sob proteção de patentes ameaça a própria continuidade de um projeto de saúde pública que o Brasil vem desenvolvendo e cujos resultados são celebrados em todo o mundo. Os argumentos brasileiros nessa questão, que sustentam e justificam o ato drástico de quebrar a patente de um medicamento, são amplamente defensáveis. A Organização Mundial da Saúde definiu, ainda em 2001, que o acesso aos medicamentos de combate à Aids era um direito humano fundamental. O próprio governo norte-americano concordou, sob pressão internacional, em retirar a queixa que apresentara contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio, reconhecendo o direito de nosso país de fabricar medicamentos sem autorização dos detentores das patentes, em caso de emergência nacional. Além disso, do ponto de vista da doutrina jurídica, o direito à vida e à saúde prevalece sobre quaisquer outros. O ideal numa situação de conflito de interesses como a que se verifica neste caso seria a obtenção de uma solução negociada. A pura e simples precarização do direito à propriedade intelectual abre um precedente perigoso, que deixa o país vulnerável em foros internacionais nos quais a proteção a esse direito é defendida como garantia de investimentos e sua segurança. Só em casos de excepcional relevância e face a situações de claro abuso do poder econômico é que se justifica uma medida radical como a anunciada. A pesquisa, a produção e a venda de medicamentos não integram um negócio qualquer. São parte de um esforço da própria comunidade humana em busca de saúde e de bem-estar, esforço especialmente necessário quando se enfrentam epidemias ou pandemias, como no caso da Aids. Há, portanto, interesses em jogo que não podem nem devem ser tratados pelos padrões que regem outras transações comerciais. Neste caso, mais do que aspectos jurídicos rotineiros, está em causa uma decisão com grave e imediata repercussão sobre vidas humanas. Custo Informações de ONGs ligadas ao combate à Aids revelam que mais de metade dos recursos destinados a esse objetivo é gasta na compra de três medicamentos patenteados: o Tenofovir, o Kaletra e o Efavirenz.

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Unicef vai intermediar compra de 13,5 milhões de unidades de Efavirenz

2007-05-08T00:00:00-03:00maio 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Aquisição do genérico torna mais difícil reviravolta na negociação com laboratório Merck, fabricante do remédio  BRASÍLIA O Brasil deve formalizar amanhã com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) o pedido para a compra de 13,5 milhões de unidades do genérico do Efavirenz - medicamento destinado a pacientes com aids e que teve sua licença compulsória decretada na sexta-feira pelo governo brasileiro. O organismo internacional vai intermediar a compra do remédio anti-retroviral de uma empresa indiana. "A expectativa é que as primeiras partidas do medicamento cheguem ao País no fim de junho, começo de julho", afirmou a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão. A notícia afasta os rumores de que o Brasil poderia enfrentar, com a licença compulsória, o desabastecimento do remédio. O estoque do medicamento é suficiente para atender pacientes até agosto. "Temos uma margem de segurança significativa", disse. Com a medida, fica mais difícil a possibilidade de haver reviravolta na negociação entre Brasil e Merck, laboratório americano que produz o Efavirenz. Após decretada a licença compulsória, a empresa criticou a atuação do governo, o que acabou dificultando ainda mais as relações. Apesar de críticas mútuas, Mariangela foi enfática ao dizer que o País não está fechado ao entendimento. Uma amostra de que as ações estão adiantadas é o fato de o governo ter fixado também a porcentagem que pagará pelos royalties do remédio - uma espécie de compensação pelo direito do uso da patente. O Brasil decidiu que pagará à Merck 1,5% do valor que será destinado para a compra dos lotes de remédios genéricos. Isso significa que, a cada US$ 100 pagos para produtores indianos, outro US$ 1,50 deve ser pago para a Merck. Pelas regras internacionais, esse porcentual pode variar entre 0,5% e 2%. MERCADO Quando as negociações com a empresa Merck, detentora da patente do Efavirenz, começaram a caminhar para um impasse, o governo iniciou uma pesquisa de preços e prazos para abastecer o mercado, caso a licença compulsória fosse decretada. Nessa pesquisa, três empresas indianas produtoras - que têm certificação prévia de qualidade do genérico do Efavirenz - garantiram ser capazes de cumprir entregas num prazo de oito semanas depois de realizado o pedido. Os preços foram pesquisados com a AuroBindo, a também indiana Ranbaxy e com a Cipla. Além do Unicef, o governo brasileiro fará a compra de genéricos do Efavirenz com a intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Cada um dos organismos internacionais fará metade das compras da necessidade anual do País - 27 milhões de unidades do remédio. O Brasil solicitou ao Unicef e à Opas que intermediassem a compra por ser uma forma de garantir a qualidade do produto e preço mais baixo, além de ter a chancela de organismos internacionais. O preço médio da proposta do Unicef/Opas para cada unidade do medicamento varia entre U$ 0,44 e U$ 0,46 - contados custos de importação. "Acreditamos que a formalização do acordo com a Opas não deverá demorar muito. A diferença das datas ocorreu apenas por questão de o processo com o Unicef estar mais adiantado", disse Mariangela. Na sexta-feira, o Brasil decretou a licença compulsória do Efavirenz por cinco anos, prorrogáveis por mais cinco. Adotou a mesma medida para a matéria-prima usada para fazer o medicamento. A patente do Efavirenz vale até 2012 e a da matéria-prima, até 2016. Indicado para pacientes que iniciam o tratamento antiaids, o Efavirenz foi lançado em 1992 e passou a ser oferecido a pacientes brasileiros cinco anos depois. Hoje, ele é o medicamento importado mais usado no tratamento da aids: 38% dos doentes utilizam. Estima-se que, até o fim deste ano, 75 mil pacientes devam usar o Efavirenz.

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Aids: Brasil compra remédio na Índia

2007-05-08T00:00:00-03:00maio 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O governo brasileiro encomendou à Índia 27 milhões de comprimidos da versão genérica, que devem chegar ao País no dia 30 de junho e abastecer os pacientes por um ano. A decisão do governo de decretar o licenciamento compulsório - a patente pertence ao laboratório americano Merck Sharp&Dohme - recebeu o apoio da UNAids, programa da ONU para o setor.

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Remédio amargo (Brasil S/A)

2007-05-08T00:00:00-03:00maio 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Não há ideologia na quebra de patente, só o sinal de que o governo não é uma rede de farmácia  cidadebiz@correioweb.com.br É manifestação descarada de cinismo associar a decisão do governo de quebrar a patente do remédio para tratamento da Aids Efavirenz, do laboratório Merck Sharp & Dohme, com alguma mudança da política de proteção à propriedade intelectual. O tema é controverso, mas é mais comum nas negociações internacionais sobre a saúde do que os porta-vozes do capital internacional possam querer sugerir. O governo apenas reagiu, respeitando as regras da legislação de patentes permitidas pela Organização Mundial do Comércio, a OMC, à empáfia da direção do laboratório no Brasil durante as negociações estritamente comerciais tocadas pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para o desconto no preço do medicamento. A decisão de virar a mesa pode ter sido radical. Mas, depois que nenhum resultado razoável apareceu, mesmo envolvendo o Itamaraty, o embaixador dos EUA e as conversas chegarem à direção mundial da empresa, se tornou necessária uma sinalização forte de que não se negociava com uma rede de farmácia. Mas com o governo de um país, que, além disso, é grande comprador e não passa recibo de bobo. A pílula do Efavirenz, comercializada no mercado nacional por US$ 1,59 (cerca de R$ 3,21), é vendida na Tailândia por US$ 0,65. E na Índia, de onde virão os futuros suprimentos até que se inicie aqui a produção local, o genérico do mesmo medicamento custa US$ 0,44. Apesar dessa relação de preços, a Merck propôs, segundo Temporão, um desconto de apenas 2%. Depois, a direção mundial ofereceu 30% e a transferência de tecnologia em 2010, mas condicionada a que toda a matéria-prima fosse fornecida por ela e sem margem para a venda em outros mercados que não o brasileiro. Exigência demais para uma patente concedida em 1992 e com custos, objetivo maior da proteção intelectual, totalmente recuperados. Fez-se assim o desenlace. Não havia e não há nenhum componente ideológico na questão. Como dizem os americanos: "It's just business". Pode-se alegar em favor da direção do laboratório que lhe faltou competência para perceber a mudança de qualidade de gestão na área da saúde pública federal. Grande comprador no atacado de remédios para distribuição gratuita por meio dos programas assistenciais, o Ministério da Saúde foi um dos buracos negros no primeiro governo Lula, com presença assídua no noticiário sobre escândalos políticos e eventos policiais. Vai ver que os laboratórios achavam que a farra continuaria. A Saúde era opaca Estão aí, ainda com os processos inconclusos, os escândalos dos vampiros e da máfia dos sanguessugas, para citarmos apenas os dois mais notórios. Para lidar com este tipo de gente na pasta da Saúde e licitações opacas, as multinacionais farmacêuticas, mas também as nacionais, acostumaram-se a nomear para dirigi-las executivos com perfil comercial, além de lobistas nas entidades setoriais que as representam. Comparem-nas com setores como o automobilístico e outros com forte presença estrangeira: o diálogo com os governos é mais construtivo e menos comercial. Esta análise é pragmática, mas é disso que se trata o problema. A área de saúde pública, como grande demandante no mercado, há muito tempo se tornou objeto de cobiça de partidos, políticos e as redes mafiosas que orbitam o Estado sempre em busca de brechas. Não foi por outro motivo que Lula nomeou para o ministério um médico sem origem partidária e com fama de administrador. O tempo, assim como os laboratórios e as empresas de suprimento hospitalar, dirá se a providência foi eficaz. O golpe contra o Efavirenz sugere que sim. Os lobbies nos EUA Que o Itamaraty esteja atento. Está claro que as diretorias dos laboratórios americanos tentarão turvar as relações bilaterais por meio da articulação de seu poderoso lobby no Capitólio, a sede do Congresso dos EUA. Um dirigente da Câmara de Comércio dos EUA em Washington, Mark Smith, disse à Folha que "o Brasil se igualou à junta militar que comanda a Tailândia", o que é um exagero, até porque lá, como lembrou Temporão, a Merck foi mais compreensiva e vende o Efavirenz por 40% do que cobra no Brasil. Ameaças não vão levar a lugar algum um tema polêmico até nos EUA, existindo o senso de que, sem prejuízo do privilégio patenteável, é preciso achar meios que reduzam o custo da saúde para os pobres do mundo, e investir mais em pesquisa de doenças tropicais. A última edição da revista Foreign Policy, editada pela Carnegie Endowment, uma fundação de Washington mantida por fundos públicos e privados, por exemplo, traz uma seção especial com "21 soluções para salvar o mundo". Uma delas trata de "medicina para os pobres" e o autor, do influente Council on Foreign Relations, defende que o benefício da patente nos EUA deveria condicionar-se à renuncia por quem a requeira de proteção nos países com rendas per capita inferior a US$ 1 mil/ano. Sebastian Mallaby, defensor da tese, diz que bastam os mercados ricos para garantir os lucros de monopólio. Isso já diz por si que a questão das patentes de remédios é mais complexa do que um contencioso de pirataria, problema enfrentado pelo governo e por isso reconhecido pelos EUA. De todo o episódio, o que destoou foi a solenidade preparada no Palácio do Planalto para Lula anunciar o licenciamento compulsório do medicamento. A medida soaria melhor pela boca do ministro da Saúde, e sem o tom triunfalista, totalmente inapropriado para o desfecho do que não passou, segundo o governo, de uma decisão comercial, não política.

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