A Tarde

Combate ao vírus do HIV no Brasil, como em outros países, está sendo inviabilizado pelos preços dos medicamentos

AGÊNCIAS ESTADO E FOLHAPRESS

SÃO PAULO E BRASÍLIA – Os resultados obtidos até agora pelo programa “3 por 5” da Organização Mundial de Saúde indicam duas providências urgentes: o esforço para reduzir o preço dos medicamentos e o aumento da produção de anti-retrovirais, avalia o coordenador do Programa Nacional de DST-Aids, Pedro Chequer. “É preciso ampliar a oferta mundial de anti-retrovirais. Caso contrário, haverá escassez de medicamentos”, avisa.

Chequer cita com exemplo a falta de medicamentos enfrentada pelo Brasil no início do ano. O coordenador admite que foram vários os problemas, mas a dificuldade em obter matéria-prima ajudou a retardar a normalização do atendimento. Por isso, defende, o Brasil tem de lutar pela autonomia da produção de medicamentos, da matéria-prima ao produto final.

O coordenador teme que o aumento do consumo – esperado e revelado pela pesquisa da Unaids (Programa da ONU para a Aids) – possa trazer impactos negativos para o mercado. “Além da escassez, o aumento da demanda poderá fazer com que preços subam de forma incontrolada”, disse. “Para isso não ocorrer, é preciso que a ampliação do acesso seja acompanhada do aumento da produção”.

No Brasil, a situação não é diferente. Ele afirma que o País há tempos desenha um plano para ganhar autonomia na produção de anti-retrovirais. “Temos orquestra. O que falta é um maestro com uma bela batuta”, afirmou, numa referência aos interesses e atribuições distintas em várias áreas do governo. “Para atingirmos esse objetivo, é preciso de atividades no Ministério da Ciência e Tecnologia, da Indústria e Comércio, da Saúde. Esperamos que agora, com a ministra Dilma Rousseff assumindo a Casa Civil, a orquestra toque de forma harmônica”.Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado ontem, aponta o Brasil como o segundo país com maior número de portadores de HIV entre os usuários de drogas na América Latina, além de ser uma das principais rotas do tráfico de cocaína. O estudo, que abrange o período 2003-2004, indica ainda que quase 50% daqueles que usam algum tipo de droga no Brasil estão infectados com o vírus HIV.

Contágio – De acordo com a organização, o contágio entre usuários de drogas foi uma das principais razões da velocidade com que a Aids se disseminou durante a década de 80 no País. Entre esse grupo, duas capitais brasileiras se destacam: São Paulo (75% dos casos) e Rio de Janeiro (25% dos casos).

A falta de cuidado dos usuários de drogas injetáveis é um fator preocupante na hora de controlar a disseminação do vírus HIV. No Brasil, estudo feito com esse grupo mostrou que apenas 12,5% usam camisinha durante o ato sexual – mas 77,7% deles tomam a iniciativa de lavar a seringa usada por outra pessoa antes de usá-la novamente.

Os efeitos da despreocupação com o assunto atingem ainda mais as mulheres: 40% delas foram contaminadas com o vírus HIV por manter relações sexuais com parceiros usuários de drogas. De acordo com o estudo da ONU, usuários de heroína geralmente passam por longos períodos de abstinência sexual, o que não acontece com aqueles que consomem cocaína, usada em maior escala no Brasil.

Fonte: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=65754
Consultado em 13/02/2007