No último dia 26 de agosto, a exibição do primeiro episódio da série Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente reuniu elenco, criadores e pessoas que vivenciaram o início da epidemia de HIV/AIDS no Brasil. Realizado no Centro Cultural da Justiça Federal, o encontro foi marcado por emoção, memória coletiva e pela reafirmação do compromisso da sociedade civil com a defesa da vida.
A série resgata uma memória essencial que não pode ser esquecida. A defesa da vida sempre foi, e continua sendo, um compromisso compartilhado — coletivo, em comunidade e em rede. Baseada em fatos reais, retrata a chegada dos primeiros antirretrovirais ao Brasil: diante da negligência governamental e vendo amigos morrerem sem acesso ao tratamento, um grupo de comissários de bordo arriscou tudo para contrabandear o AZT — primeiro medicamento eficaz contra a AIDS. Em um cenário de abandono e estigma, solidariedade e resistência se transformaram em atos fundamentais de sobrevivência.

Roda de conversa com a médica infectologista Marcia Rachid, elenco e produtores da série
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente também nos lembra que a luta pelo direito à saúde ainda não terminou. Hoje, 9,3 milhões de pessoas em todo o mundo continuam sem acesso a tratamento antirretroviral, enquanto o fim da ajuda humanitária dos EUA ameaça condenar milhões à morte. No Brasil, a situação segue alarmante: mais de 10 mil pessoas ainda morrem de AIDS todos os anos, e mais de 45 mil são infectadas anualmente.
Além disso, novos medicamentos chegam ao mercado com preços abusivos e inacessíveis. O Cabotegravir, da farmacêutica ViiV/GSK, custa cerca de US$ 4 mil por dose em farmácias privadas no Brasil. Já o Lenacapavir, da Gilead, ainda indisponível no país, chega a valores entre US$ 27 mil e US$ 40 mil nos Estados Unidos.
O acesso a medicamentos é um direito humano. A série resgata uma memória fundamental da luta contra a AIDS no Brasil e aponta para os desafios atuais: a luta pelo acesso universal ao tratamento é contínua, coletiva e indispensável.