O fim da patente do Ozempic no Brasil marca uma mudança importante no acesso a medicamentos utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. A partir desta sexta-feira (20), a semaglutida, princípio ativo também presente no Wegovy, deixa de ter exclusividade de produção, abrindo caminho para que outras empresas passem a fabricar versões genéricas ou similares do medicamento.
Na prática, o fim da patente da semaglutida tende a ampliar a concorrência no mercado farmacêutico. Com mais fabricantes autorizados a produzir o medicamento, a expectativa é de aumento na oferta e, consequentemente, de redução de preços nos próximos anos. Esse movimento já foi observado em diversos outros casos, especialmente com a entrada de genéricos e similares, que tornam os tratamentos mais acessíveis para a população .
Esse cenário é especialmente relevante porque estamos falando de medicamentos essenciais para o cuidado de condições crônicas. O Ozempic é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, enquanto o Wegovy é voltado ao tratamento da obesidade. Em ambos os casos, o acesso contínuo ao tratamento é fundamental, o que torna o preço um fator determinante para garantir que pacientes consigam manter o uso adequado ao longo do tempo.
Durante o período de vigência da patente, a exclusividade de mercado permite que uma única empresa detenha o monopólio da produção e comercialização, frequentemente resultando em preços elevados. Esse modelo limita o acesso, especialmente em países como o Brasil, onde grande parte da população depende do Sistema Único de Saúde (SUS) ou de gastos diretos do próprio bolso para adquirir medicamentos.
Para Susana van der Ploeg, coordenadora do GTPI, o fim da patente expõe um problema estrutural do sistema: “O caso da semaglutida mostra como o monopólio garantido por patentes pode restringir o acesso a tratamentos essenciais. Quando essa barreira cai, abre-se a possibilidade de concorrência, redução de preços e ampliação do acesso. Medicamentos não podem ser tratados como mercadorias comuns quando estão diretamente ligados ao direito à saúde”.
Nesse sentido, o fim da patente do Ozempic reforça a importância de políticas públicas que priorizem o acesso a medicamentos e o fortalecimento do SUS. A entrada de novos produtores pode não apenas reduzir preços, mas também viabilizar a futura incorporação desses tratamentos no SUS. Mais do que uma mudança de mercado, trata-se de uma oportunidade concreta de ampliar o acesso e garantir que mais pessoas possam se tratar com dignidade.