Gazeta Mercantil

Receita da divisão farma deve subir 8% este ano sobre os R$ 1,4 bi de 2005,e 10% em 2007. A gigante mundial do setor farmacêutico Pfizer, líder no comércio global de medicamentos, decidiu falar sobre os negócios no País, após um longo silêncio, período em que perdeu a primeira colocação e outras posições importantes no mercado brasileiro.

"Não vejo a Pfizer voltando à liderança imediatamente no Brasil e isso não é relevante. Estamos crescendo, mais que a empresa no global (veja matéria abaixo), e com muitos planos", disse o diretor de marketing do Laboratórios Pfizer, Mariano Garcia-Valiño. No planejamento, estão o lançamento no País de produtos de receitas vultosas e a nacionalização de parte da produção de remédios importantes, como a da insulina inalável Exubera e do medicamento antitabagismo Champix, que devem chegar ao mercado no primeiro semestre do próximo ano.

Garcia-Valiño observou que, como são produtos novos, recém-lançados nos Estados Unidos, o processo de nacionalização vai exigir investimentos, não revelados, em transferência de tecnologia, o que demandará tempo de implantação.

Por isso, inicialmente, a empresa importará os medicamentos para abastecer o Brasil. Para a nacionalização de Exubera, que deverá ser transformado em comprimidos na fábrica da Pfizer em Guarulhos (SP) – ela tem também outra unidade em Jandira (SP) – ainda não há previsão de data, mas já será embalada no País desde o início das vendas, disse. A previsão de empacotar Champix aqui também é já em 2007.

Esses medicamentos vão ajudar a engordar o faturamento no Brasil da divisão farma da Pfizer em 2007, cuja alta é prevista em cerca de pelo menos 10% pelo executivo, para perto de R$ 1,7 bilhão. Neste ano, prevê incremento de 8%, alcançando algo em torno de R$ 1,51 bilhão ante os R$ 1,4 bilhão faturados em 2005. "Talvez ultrapassemos a estimativa de 8%, mas este ano foi muito difícil, tivemos poucos produtos novos; 8% é um desempenho bom, se levarmos em conta ainda a concorrência forte aos principais medicamentos em vendas: Lípitor (para colesterol) e Viagra (contra a impotência sexual)", disse Garcia-Valiño, destacando que o ideal para se manter uma empresa de pesquisa e alta tecnologia como a Pfizer é crescimento de dois dígitos.

A estimativa para Champix, que chegará ao mercado em maio de 2007, é de aproximadamente US$ 8 milhões em receitas no primeiro ano. Valor que Garcia-Valiño espera que seja de US$ 50 milhões por ano dentro de 5 ou 6 anos. "Vamos investir muito para isso", disse, mantendo a quantia em sigilo. O plano da Pfizer é vender Champix junto com uma campanha de suporte para os dependentes, com apoio pela internet e por telefone, e também em pacotes de tratamento em clínicas, com apoio médico-psicológico. "Não queremos ser donos de clínicas, é claro. Pensamos em criar um sistema de franquias para clínicas independentes: o Sistema Champix."

O medicamento vai quase triplicar o faturamento do mercado brasileiro de produtos antitabagismo, hoje em torno de US$ 5 milhões por ano nas mãos, principalmente, do antidepressivo Ziban e do repositor de nicotina Nicorette, segundo o executivo. "Champix é o único que ataca a dependência ao tabaco agindo diretamente no cérebro onde age a nicotina. Ele tira a vontade de fumar, elimina o prazer que se tem com o cigarro. Com ele, as chances de uma pessoa parar de fumar são quatro vezes maiores."

Já a insulina inalável Exubera, que chega ao Brasil em março próximo, poderá render US$ 60 milhões por ano para os cofres da Pfizer brasileira, dentro de 5 ou 6 anos. Para o primeiro ano de vendas a previsão de Garcia-Valiño é de US$ 5 milhões. "Mas se o governo cobrir o tratamento de diabetes com esse tipo de insulina, as vendas anuais podem chegar a US$ 300 milhões." A insulina inalável tem a vantagem de dispensar as injeções, o que pode atrair para o tratamento pacientes com aversão a picadas de agulhas. Para o final de 2007, estão previstos ainda os lançamentos de um antifúngico, uma versão de Viagra que dissolve na boca e uma versão sublingual do ansiolítico Frontal.

"Nos últimos anos, a Pfizer tem lançado uma média de três a quatro drogas por ano, mas são produtos técnicos, para mercados pequenos, que não causam grandes impactos em vendas, o que será diferente com Exubera e Champix", disse o executivo. De impacto, e prestes a sair do forno, a multinacional tem ainda um "Lípitor melhorado", que deverá ser submetido aos órgãos reguladores norte-americanos no próximo ano e tem lançamento mundial previsto para 2008.

"Os estudos mostram que ele abaixa em 50% o colesterol nocivo e aumenta em 40% o bom." Trata-se de uma união da substância ativa do Lípitor, a atorvastatina, que atua no mau colesterol (LDL), com o torcetrapib, que age no bom. "Não existe produto hoje no mercado que eleva o colesterol bom." Segundo Garcia-Valiño, a Pfizer já gastou mais de US$ 800 milhões nas pesquisas e no desenvolvimento dessa droga e já terão sido mais de US$ 1 bilhão quando ela chegar ao mercado.

Se a droga vingar, será uma sobrevida para Lípitor, cuja patente vence em quatro anos e as receitas atuais são fundamentais para a Pfizer. Lípitor do jeito que está é o medicamento mais vendido da indústria farmacêutica no geral e seu faturamento gira em torno de US$ 13 bilhões por ano. No Brasil, nos últimos doze meses até setembro, faturou US$ 61,6 milhões, um crescimento de 24% ante igual intervalo anterior.
Vendas que, segundo as estimativas, Champix e Exubera deverão levar cinco anos para conquistar. Lípitor detém 31% do mercado de estatinas (substância ativa de uma classe de medicamentos para o controle de colesterol) do País, que movimentou US$ 198,7 milhões nos últimos doze meses encerrados em setembro. "Mercado que poderia ser maior. Tem muita gente que não trata o problema e que não sabe que Lípitor é distribuído nos postos de saúde."

Reforço em vendas

A subsidiária tem como estratégia de crescimento ainda reforçar as equipes de Viagra e Lípitor. Cerca de 200 pessoas fazem parte atualmente da força de vendas de Lípitor. Número que passará a ser de aproximadamente 350. Em Viagra, são 137 pessoas trabalhando hoje e mais 50 serão contratadas.

Consolidações derrubam a empresa no ranking

O Laboratórios Pfizer perdeu o primeiro lugar no ranking brasileiro farmacêutico em 2004, após a fusão das indústrias francesas Sanofi-Synthélabo e Aventis Pharma. No ano passado, a situação se complicou com a aquisição da Biosintética Farmacêutica pelo Aché Laboratórios e o crescimento do Grupo EMS-Sigma Pharma, um dos líderes do segmento de genéricos. Neste ano, foi a vez de outra multinacional, a suíça Novartis, conquistar maior participação no Brasil, o que empurrou a Pfizer para a quinta colocação.

Além das consolidações e da concorrência a produtos como Viagra e Lípitor, o diretor de marketing da subsidiária, Mariano Garcia-Valiño, atribui a queda no ranking ao crescimento das empresas de genéricos, como foi o caso da EMS; do próprio incremento desse segmento, que concorre cada vez mais acirradamente com o de medicamentos de referência; e também a maneira como o mercado é medido e o ranking elaborado. "Os dados do IMS Health (que audita as vendas do setor) não refletem toda a realidade. Tudo o que se vende para o governo, por exemplo, não aparece."

O IMS verifica as vendas das indústrias para os distribuidores e, segundo essa análise, a Pfizer faturou no ano passado R$ 931,2 milhões no Brasil, uma queda ante os R$ 984,9 milhões apurados em 2004. Entretanto, foram R$ 1,78 bilhão, 11,25% mais que o R$ 1,6 bilhão do ano anterior.

Do total do faturamento de 2005, R$ 1,4 bilhão vieram da divisão farma (cerca de 90% de participação), R$ 220 milhões foram provenientes da área de saúde animal e R$ 160 milhões obtidos com as vendas de produtos de consumo. Esta última divisão, que respondeu por 9% do faturamento de 2005, foi vendida este ano pela multinacional, por US$ 16,6 bilhões, à Johnson & Johnson, dentro do seu programa de reestruturação global, que envolve corte de custos e investimento em áreas foco. "Essa venda não impacta muito os negócios no Brasil."

A divisão de consumo agrega produtos como o anti-séptico bucal Listerine e Nicorette, de reposição de nicotina. Alguns dos produtos continuam sendo fabricados nas unidades brasileiras e a subsidiária ainda não sabe como será a transição para a Johnson. "Por enquanto, tudo continua normal." 

Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6647
Consultado em 23/02/2007