Gazeta Mercantil
Em 2005, o lucro líquido global da Pfizer atingiu US$ 8,08 bilhões e a receita US$ 51,29 bilhões, a mesma prevista para este ano. A cifra bilionária, no entanto, não agradou aos acionistas da maior farmacêutica do mundo, já que o lucro foi bastante inferior ante os US$ 11,36 bilhões de 2004. A queda nos resultados foi apurada também no primeiro semestre de 2006 e uma recuperação começou a ser vista apenas no terceiro trimestre, fruto da reestruturação anunciada em fevereiro, que prevê corte de custos de US$ 4 bilhões até 2008, o que inclui redução de fábricas e postos de trabalho.
O objetivo é concentrar esforços na pesquisa de medicamentos, pois até 2010 a Pfizer perderá a proteção de patentes de remédios que representam hoje cerca de US$ 14 bilhões em vendas, segundo levantamento de Bruno Iared, analista da Frost & Sullivan, especializada em consultoria e inteligência de mercado.
No total, o analista estima em cerca de US$ 100 bilhões as vendas de medicamentos que devem ter suas patentes expiradas até 2010, e que poderão virar genéricos por isso, afetando um bom número de indústrias. Somente no Brasil, conforme o IMS Health, o mercado de patentes a vencer nos próximos cinco anos é de US$ 330 milhões. As vendas mundiais de medicamentos, contudo, continuarão crescendo, em torno de 8% por ano, e chegarão a US$ 900 bilhões em 2010, disse Iared.
Hoje, a maior velocidade no vencimento de patentes em relação a de lançamento de remédios, especialmente os que são bons em vendas, é o que mais tem prejudicado os grandes laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. O diretor de marketing da subsidiária brasileira da Pfizer, Mariano Garcia-Valiño, disse que isso tem afetado o crescimento global da companhia e estima que até 2008 serão mais patentes vencidas que drogas novas no mercado. Somente nos próximos dois anos, analistas prevêem que a empresa perderá a proteção de patentes de medicamentos que hoje vendem US$ 9,3 bilhões.
O presidente-executivo da Interfarma – Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, Gabriel Tannus, observou que este é o motivo que tem levado às empresas a fusões, aquisições e parcerias nos últimos anos. "As indústrias buscam hoje ganhar sinergias em pesquisa e desenvolvimento, enquanto as fusões na década de 1970 eram para conquistar participação de mercado."
Garcia-Valiño ressaltou também que os lançamentos atualmente são muito específicos, para nichos de vendas menores, já que os grandes mercados estão bastante cobertos. Para o analista Iared, este talvez seja o principal problema das indústrias. "Há muitas novas drogas, e de alto valor agregado, mas de baixos volumes. A medicina diagnóstica avançou muito. Por isso, as empresas estão escolhendo segmentos e direcionando as pesquisas para áreas específicas, acompanhando a tendência da demanda e a fim de aumentar a produtividade em P&D, que estava muito baixa."
É cada vez mais difícil a descoberta de um medicamento "arrasa quarteirão", como um Viagra ou Lípitor, produtos que revolucionam mercados ou abrem segmentos, disse Tannus, listando que a escala de moléculas lançadas nos últimos anos é ascendente. Entre 1965 e 1974, o FDA, órgão que regula o setor nos Estados Unidos, aprovou 134 novas drogas, número que subiu para 190 de 1975 a 1984. De 1985 a 1994, foram 220 produtos e entre 1995 e 2004, 307.
Para Tannus, a curva só deverá reverter a favor dos lançamentos a partir de 2012. "Tem muitos produtos saindo do forno." Somente na área de oncologia há 241 medicamentos em pesquisa; em doenças mentais são 197; doenças infecciosas, 185; na cardiovascular, 146; e HIV, 82. "Estão em vários estágios. As principais empresas estão trabalhando nisso, mas produto novo e blockbuster é loteria", afirmou Tannus.
Conforme Iared, apesar dos percalços da Pfizer e das adversidades que ainda tem a enfrentar, seu pipeline (drogas em estágio avançado de pesquisa) mostra que ela busca cada vez mais reduzir a dependência dos remédios mais fortes em vendas. Além disso, a reestruturação, com corte de custos e venda de divisões que não se enquadram em seu novo perfil de atuação; o direcionamento dos investimentos para pesquisa nas áreas focos; e as aquisições e parcerias que tem feito para reforçar o pipeline, entre outras ações, indicam que fez a lição de casa e está no caminho certo. "Ela tem produtos em estudo que atendem as demandas existentes. No longo prazo não perde destaque."
Em julho, a Pfizer anunciou que reservou US$ 17 bilhões para adquirir novos remédios ou terapias biotecnológicas durante os próximos dois anos e ontem informou que aumentou em 60% o número de drogas em experiência, para 242 moléculas.
Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6647
Consultado em 23/02/2007