Diário Comércio, Indústria & Serviços (DCI)
A indústria farmacêutica vem se preparando para inverter o saldo negativo que historicamente acumula na balança comercial com outros países. Para tanto, está ampliando as suas relações com países como Argentina, Chile, Venezuela e Colômbia, o que deve proporcionar um incremento de 26% nas exportações este ano, em comparação com 2005. Para este ano, Laura Gomes, gerente de comércio exterior da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), acredita atingir um volume equivalente a US$ 596 milhões. Até outubro, as exportações já haviam ultrapassado o valor de 2005 em 15%. De acordo com Laura, se esse ritmo de crescimento for mantido, a capacidade da indústria farmacêutica brasileira para o mercado externo dobrará em 20 anos. Apesar desse cenário favorável, o déficit ainda é considerável, ultrapassando de longe o valor das exportações. Até outubro o saldo comercial do setor estava negativo em US$ 1,3 bilhão.
A Novartis pretende equilibrar sua balança comercial até 2010. Para tanto, está investindo R$ 54 milhões em uma fábrica de farmacoquímicos em Rezende, no interior do Rio de Janeiro, totalmente voltada para exportação. Ela fica pronta até abril do ano que vem. Em 2006, a empresa fecha o ano com US$ 48 milhões em exportações, 140% a mais que em 2005. Esse resultado é influenciado pelos investimentos de R$ 190 milhões na filial de Taboão da Serra, em São Paulo, onde também foi construída uma planta exportadora. “Nós pretendemos atingir US$ 250 milhões em exportação até 2010, zerando nossa balança comercial. E Taboão passará a exportar apenas genéricos”, aponta Nelson Mussolini, diretor corporativo da Novartis. Hoje, a Novartis importa cerca de US$ 285 milhões.
O principal mercado de destino dos produtos da Novartis é a Europa, seguida pela América Latina. No caso dos genéricos, os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar, com Europa em segundo. Para o próximo ano, o diretor espera que seja um ano tão bom quanto esse, tendo em vista que a empresa lançará quatro novos produtos.
“Estamos diversificando a pauta, explorando a Europa, principalmente o leste europeu. Lá, eles investem muito em medicamentos para idosos e para a população de baixa renda, o que pode ser um bom nicho para o País. Entretanto, temos que nos consolidar na América Latina primeiro”, afirma Laura da Febrafarma.
A gerente ressalta a questão da dependência brasileira das matérias-primas. Apesar de em 2006 ter ocorrido uma pequena queda de 5% nas importações, a tendência não é a permanente redução. “Para reverter esse quadro, o Brasil precisa produzir fármacos e isso não deve acontecer num curto prazo”, diz Laura. Para ela, porém, a importação não é assim tão negativa. “Países desenvolvidos apresentam déficits importantes também. E nós temos uma capacidade produtiva instalada muito boa e o fato de estarmos exportando bastante é prova disso”, aponta a gerente.
Buscando o equilíbrio
A Medley também está investindo na ampliação da fábrica já existente, tanto para aumentar a capacidade produtiva em atender o mercado interno, como para suprir as demandas externas. Esse ano, a empresa, que exporta somente desde 2003, pretende fechar com US$ 4 milhões em exportações, mas para 2007 a meta é dobrar esse montante. “Esse objetivo ambicioso deve-se ao fato de que a indústria farmacêutica brasileira em geral não inova. A Medley faz exatamente o oposto: nós oferecemos para o mercado externo aquilo que é novidade”, afirma Klaus Villela Larcen, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Medley. A empresa exporta apenas para a América Latina, mas a Europa também faz parte dos planos. “Para internacionalizar, nós primeiro temos que buscar os mercados próximos, depois nós expandimos”, aponta o gerente.
Em relação a pesquisa, Mussolini diz que “não adianta o Brasil querer virar uma potência exportadora agora. O melhor a fazer é procurar um ramo, ligado à indústria farmacêutica, que possa render muito mais como a pesquisa”. A gerente da Febrafarma também concorda com essa visão, tendo em vista que as indústrias farmacêuticas brasileiras apresentam uma capacidade ociosa de 60%. “Por esse motivo é que existe certa displicência com o ramo. Não tem porque o governo investir pesado se tem capacidade ociosa”, diz Laura.
Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), também vê a pesquisa como um ramo promissor e até como uma forma de tornar o setor superavitário. “Nós temos ótimos pesquisadores que podem nos mostrar como produzir fármacos dentro do País. Infelizmente, a burocracia atrapalha”, ressalta Pereira.
Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6659
Consultado em 22/02/2007