Valor Econômico

Pouco mais de quatro décadas atrás Gaetano Zambon já pressentia que restringir seus negócios à Itália não era exatamente um acerto. Mesmo distante um longo tempo do que se chama hoje de globalização, o fundador do laboratório farmacêutico Zambon resolveu se aventurar. Arrumou suas malas, elaborou um projeto e desembarcou no Brasil para montar o que seria uma das suas primeiras filiais da farmacêutica fundada em 1906 em Vicenza, na Itália, que na década de 80 se expandiria pela Europa e outros países.

Presente em 16 países, número que é elevado para 20 nações quando se contabiliza as operações realizadas com distribuidores, o Zambon se auto-define como um laboratório de porte médio, avesso à fusões, disposto a manter sua independência e sem planos para o mercado de capitais por ora. Crenças essas que foram ditas ao Valor por uma das herdeiras, Elena Zambon. Ao lado lado da irmã Margherita, da principal executiva global, Paola Pellegrini, e do presidente no Brasil, Waldir Eschberger Jr., ela detalhou por mais de uma hora os planos da farmacêutica para o país e para o mundo.

Com uma receita global de 410 milhões de euros no segmento farmacêutico e de 80 milhões de euros na operação de química fina, o Zambon objetiva modificar a relação entre medicamentos que necessitam de prescrição médica e remédios sem receita (chamados de OTC), além de dobrar suas vendas no Brasil.

"Segundo dados de 2005, o OTC representa 20% do faturamento mundial da divisão farmacêutica, enquanto que o receituário responde pelo restante. Em três anos, portanto, desejamos que essa relação fique 30% com OTC e 70% com medicamentos de prescrição", afirmou Paola.

No Brasil, a duplicação de receita tem exigido um esforço nada desprezível. Isso, porque a meta é dobrar as vendas obtidas em 2005, que foram de R$ 82 milhões, até o fim de 2008. A julgar pelo desempenho do ano passado, Elena Zambon, que atualmente preside o conselho de administração da multinacional, e Paola podem ficar esperançosas. A receita cresceu 17% e alcançou R$ 96 milhões, quando a previsão feita inicialmente era de um incremento de 15% para 2006.

"Nossa estratégia está apoiada em aquisição, licenciamento e lançamento de medicamentos", disse Eschberger Jr. Sendo assim, o executivo revela que pretende elevar o portfólio de produtos da companhia dos atuais 30 para 38 remédios até 2008. E espera incrementar a receita deste ano em 18%.

Com uma operação instalada em São Paulo (SP), capaz de produzir até 13 milhões de unidades por ano e cuja ociosidade é de 40%, a empresa vai concentrar os investimentos em marketing, vendas e aquisições. Além de querer entrar com força em OTC, o Zambon estuda investir ao redor de 25% do seu faturamento no Brasil para viabilizar lançamentos de medicamentos, realizar ações de marketing e comercial.

Contudo, tanto no Brasil como no mundo, o Zambon elegeu como foco as áreas de medicamentos respiratórios, de saúde feminina e dor, além de apostar em um modelo de pesquisa e desenvolvimento de remédios, que consome 8% do seu faturamento global. Os recursos são usados para viabilizar parcerias com a comunidade científica para desenvolver remédios, sendo que a companhia costuma receber 100 projetos por ano.

Neste jogo de crescimento, o Zambon sabe que o Brasil é peça-chave. Tanto assim que atualmente a operação local ocupa a quarta colocação, atrás da líder Itália, da vice-colocada Espanha e da terceira França. Outro ponto favorável ao país é que há uma fábrica instalada aqui, fato que só acontece também na Suiça, na Itália e na China. Não há planos, segundo a principal executiva da corporação, de abrir outras operações pelo mundo.

Esse planejamento é tratado de perto pela corporação. Tanto que um dos motivos da família ter se afastado do dia-a-dia do negócio foi justamente para que pudessem pensar os rumos da companhia. "Tomamos essa decisão em 1999 e a meta era nos concentrarmos na estratégia", afirma Elena. A família Zambon detém 80% da companhia, sendo que os 20% restantes pertencem a outra parte da família, cujo nome não foi revelado. Foi a primeira vez que o conselho da companhia se reuniu no Brasil. 

Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6688
Consultado em 22/02/2007