Gazeta Mercantil

Depois da entrada no Brasil das gigantes indianas do setor farmacêutico, como a Ranbaxy, Torrent e Dr. Reddy`s, agora é a vez dos laboratórios de menor porte da Índia apostarem no mercado brasileiro. No início do ano, a Maneesh Pharmaceuticals comprou o Laboratório Sanobiol, com fábrica em Pouso Alegre (MG). Negócio avaliado em US$ 10 milhões. Hoje, estão em curso negociações entre o Grupo Cimed, com unidades fabris em São Paulo e Pouso Alegre, e a Unichem, sediada em Goa, conforme informações do jornal indiano "The Economic Times" reproduzidas há cerca de dez dias pela "Reuters". O empresário e diretor comercial da Cimed, João Adibe, disse ontem que a companhia estuda no momento vários tipos de acordos com um laboratório indiano.

Um deles envolve a venda das instalações de uma das empresas do grupo brasileiro, a Neckerman Indústria Farmacêutica. Conforme especialistas do setor farmacêutico, aquisição é a melhorar maneira de entrar no País e a maior parte das indianas presentes aqui comprou um laboratório pequeno ou fez parcerias. A aquisição encurta a entrada no mercado, pois remédios e linhas de produção já estão validados pelos órgãos reguladores.

Adibe mantém em sigilo o nome do possível futuro parceiro, por motivos contratuais. O empresário também não revela valores envolvidos no negócio. Segundo o chairman da Unichem, P.A. Mody, ouvido pelo jornal indiano, a cifra de aquisição giraria em torno de US$ 25 milhões.

A Neckerman tem uma fábrica na capital paulista pouco utilizada atualmente – só produz injetáveis -, afirmou Adibe. A maior parte da sua linha de produtos é terceirizada na unidade do grupo em Pouso Alegre. Os medicamentos que levam a marca da empresa estão fora das negociações.

O acordo poderá incluir ainda parceria na distribuição, já que o Grupo Cimed tem distribuição própria, e terceirização à empresa brasileira da produção dos indianos, que têm interesse em explorar o mercado de genéricos, uma área bastante atrativa também para o Cimed. O acordo, se vingar, deverá ser celebrado logo após o Carnaval. O estágio atual é de análises de balanço.

A Cimed, especializada em similar, entrou no segmento de genéricos no final de 2005 e quer dar neste ano "a grande arrancada", disse Adibe, observando que a companhia tem estudado parcerias com outras fabricantes do setor para se fortalecer nessa área e deverá transformar boa parte de suas marcas de similares em genéricos até o final do ano. "Vamos lançar 30 produtos nesse segmento em 2007 e alguns são similares que revalidaremos para transformá-los em genéricos." Em 2006, a empresa lançou 20 genéricos.

Indianos e Cimed estão de olho no crescimento das vendas do segmento, que somaram mais de US$ 1 bilhão no ano passado, um aumento de 52%.

Fundado em 1976 e fruto da fusão de quatro indústrias, o Grupo Cimed anunciou ontem aumento de 16% no faturamento do ano passado em comparação a 2005. As vendas somaram R$ 223 milhões e a expectativa de Adibe, que se divide entre a administração da empresa e corridas de automóveis, é de crescimento de 30% neste ano, para perto de R$ 290 milhões.
Adibe informou que hoje os genéricos respondem por 10% do faturamento, a linha de remédios de venda livre (OTC) fica com 40% e a de similar, com o restante. "O crescimento do mercado de genérico é muito maior que o de similar." Na área de OTC, ele prevê 12 novos produtos para 2007 e a entrada no segmento de cosmecêuticos, com sabonete íntimo feminino e posterior ampliação da linha.

Para comportar o crescimento, a Cimed finaliza daqui a cerca de dois meses a expansão da fábrica em Pouso Alegre, que passa de 61 milhões de unidades (caixas) por ano para 100 milhões e recebeu investimento de R$ 26 milhões. "A nossa demanda é maior que a produção. Em 2006, vendemos 64 milhões de unidades, um crescimento de 21%." Conforme Adibe, as principais áreas de atuação da companhia são a produção de anti-hipertensivos, antibióticos e antiinflamatórios, que respondem por 50% do faturamento.

Para revalidar os similares, as empresas têm de fazer testes de biodisponibilidade e bioequivalência exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que, explicou o empresário, são realizados pela própria Cimed em seu instituto de pesquisa e desenvolvimento, localizado em Pouso Alegre. Adibe calcula investimento de aproximadamente R$ 5,7 milhões este ano somente nos testes. Outros R$ 5 milhões serão aplicados em marketing esportivo. 

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/divulga/imprensa/clipping/2007/fevereiro/020207.pdf
Consultado em 2202/2007