O Globo
Previsão era fabricar 10 bilhões de medicamentos no ano de 2007, mas só serão feitos 1,9 bilhão de unidades
Em agosto de 2004, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Rio para anunciar a compra, por US$ 6 milhões, da antiga fábrica de medicamentos da Glaxo, em Jacarepaguá. A unidade seria incorporada à Farmanguinhos, que aumentaria a produção de medicamentos de 1,4 bilhão para 10 bilhões de unidades até 2007, a um custo muito menor. Três anos depois, o discurso virou placebo: a nova fábrica vai produzir apenas 1,9 bilhão de unidades este ano, menos de 20% do previsto pelo presidente.
Com dificuldades para fazer a mudança, Farmanguinhos está terceirizando a maior parte de seu trabalho. Em apenas uma licitação no fim do ano passado, a unidade contratou por R$ 24,8 milhões quatro empresas para fazer os processos de “fracionamento, pesagem e mistura” de medicamentos do coquetel anti-aids. Este é justamente o trabalho que Farmanguinhos deveria fazer.
Para fabricar 23 milhões de unidades de lamivudina + zidovudina (150 + 300 mg), o laboratório Mappel venceu a concorrência com preço de R$ 14,490 milhões. O preço é de R$ 0,63 por unidade. Já a Blanver Farmoquímica venceu concorrência para fabricar lamivudina 150 mg com o preço de R$ 6,270 milhões para 15 milhões de unidades (R$ 0,418 a unidade).
Presidente diz que fará a mudança este ano. A Blanver também venceu a concorrência nos itens nevirapina 200 mg (R$ 2,950 milhões para fabricar seis milhões de unidades, R$ 0,49 a unidade) e zidovudina 100 mg (R$ 1,1 milhão para fabricar cinco milhões, R$ 0,22 a unidade). As empresas tiveram prazos entre 60 e 120 dias para iniciar a entrega dos produtos.
Eduardo Costa, diretor de Farmanguinhos, afirmou que as terceirizações são feitas quando há problemas de produção ou de etapas da produção. Segundo ele, isso é comum na indústria farmacêutica e até as empresas privadas fazem o mesmo. Ano passado, a nova fábrica de Jacarepaguá produziu apenas 1,160 bilhão de medicamentos. O restante dos 1,621 bilhão, foi feito na fábrica de Manguinhos.
— No caso particular desse ano é que a área de produção de Farmanguinhos, que estava locada no campus de Manguinhos, na Avenida Brasil, está sendo transferida para a fábrica nova em Jacarepaguá — explicou Eduardo. Eduardo também garante que não faltarão medicamentos do coquetel Anti-aids no período da mudança. Segundo ele, a programação de licitações do ano passado foi feita justamente pensando na mudança que seria feita este ano.
Ele lembra que, antes do início de sua gestão, em janeiro de 2006, o ministério vinha recebendo menos do que o contratado de Farmanguinhos: — Demos prazos longos para a entrega dos produtos porque não queremos que se estraguem no estoque ou que percam a validade.