Gazeta Mercantil

São Paulo, Companhias registram alta de 7% no faturamento, para US$ 15,5 bilhões em 2006. O setor industrial de química fina iniciou 2007 com a expectativa de que seu déficit comercial possa cair em até US$ 1 bilhão este ano caso sejam retomadas as negociações sobre regras para o setor com os novos ministros do governo Lula – em contagem regressiva para serem anunciados. O déficit comercial do setor fechou em US$ 4,34 bilhões em 2006. Houve queda de 2% em relação a 2005 principalmente devido ao arrefecimento dos negócios no ano passado e ao câmbio. O faturamento subiu 7%, para US$ 15,5 bilhões. Bem menos do que os 18% de 2005. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas especialidades (Abifina) e serão divulgados na próxima semana.

As conversações sobre novas regras estiveram em maturação durante todo o primeiro mandato do governo Lula e foram interrompidas durante o ano passado com as denúncias de corrupção e as conseqüentes mudanças de ministros. As regras discussão envolvem modificações na Lei de Licitações, no aumento de alíquotas do Imposto de Renda para produtos químicos importados de alto valor agregado, ou já prontos, e também o aumento de fiscalização sanitária sobre princípios ativos de medicamentos ou insumos de agroquímicos importados no País.

"Estava tudo no ponto de entrar em operação. Estas conversas vinham fazendo otimista o setor e, para se ter uma idéia de como a estagnação das discussões afeta comercialmente o setor, reduzimos um ritmo de crescimento no ano passado porque o segundo e o terceiro trimestre foram penalizados pelas denúncias contra o governo", disse o vice presidente da Abifina, Nelson Brasil de Oliveira.

De acordo com o executivo, durante o segundo e terceiro trimestre do ano passado as indústrias consumidoras da química fina estagnaram suas compras e pararam a formação de estoques, em alerta com o risco de que todas as medidas que estavam para entrar em operação pudessem ser anuladas.

A indústria de química fina é formada por empresas que produzem volumes baixos, porém de valor elevado, destinados a alimentos, bebidas, medicamentos, fármacos entre outros fins. "São empresas de faturamento alto porém de investimento em ativos menores. Por isso pode-se decidir não produzir mais em um local de forma rápida", disse Oliveira.

Segundo o presidente da entidade, as mudanças em discussão com o governo, principalmente na Lei de Licitações e também na redução do tempo de análise de patentes no País, fará com que as indústrias nacionais possam entrar com maior competitividade em licitações do governo e com isso trazer uma fatia da verba governamental que hoje é direcionada produtores estrangeiros de química fina, principalmente de fármacos e medicamentos.

"Hoje o governo compra anualmente US$ 2 bilhões. Se conseguirmos colocar em operação medidas que já estavam prontas e discutidas, podemos trazer para a química fina nacional metade deste dinheiro e reduzir diretamente em US$ 1 bilhão nosso déficit comercial", disse Oliveira.

Na opinião do empresário, caso as negociações sejam retomadas agora com a nomeação dos novos ministros e alguma regra entre em operação até junho, as empresas podem se articular para reduzir o déficit comercial em até US$ 1 bilhão até o final do ano.

"Há projetos em articulação que podem alavancar negócios como é o caso da associação entre produtores locais de princípios ativos como a Biolab ou a Cristália e laboratórios nacionais como a Farmanguinhos. Eles devem fechar parceria para atender mercados com demanda por medicamentos para combater o HIV em países africanos", afirmou.

Segundo o levantamento da Abifina, a estagnação de vendas durante parte do ano passado deixou as empresas operando a níveis baixos de capacidade. "Estamos utilizando nossa capacidade em menos de 50% em alguns casos", disse.