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Especialistas em HIV/aids reunidos nesta quinta-feira em Buenos Aires, na Argentina, elegeram o Brasil como um país com política bem-sucedida de acesso universal a medicamentos anti-retrovirais. Eles participaram do seminário ‘Acesso universal: atenção e tratamento nos diferentes sistemas de saúde’, que também contou com a participação do diretor-adjunto do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Carlos Passarelli.
O diretor falou sobre a experiência do SUS (Sistema Único de Saúde), a produção nacional de anti-retrovirais e a participação da sociedade civil no controle social, fatores determinantes para o êxito da política brasileira de luta contra a aids.
“O SUS, na medida em que prevê e garante em seus princípios o acesso universal, serve como experiência exitosa. Mostra que um país em desenvolvimento é capaz de alcançar metas propostas pela iniciativa internacional de acesso a medicamentos anti-aids”, explicou Passarelli.
Ao expor a realidade do acesso à anti-retrovirais na América Latina e Caribe, Pedro Cahn, presidente da Sociedade Internacional de Aids, citou o Brasil para explicar que uma cobertura ampla reduz índices de mortalidade e reduz internações devido à aids.
“Países como Brasil e Argentina têm eficácia de terapia semelhante aos países em desenvolvimento”, avaliou Cahn. Antes de começar sua política de acesso universal, em 1991, o Brasil tinha prevalência de aids igual a da África do Sul. Dez anos depois, quando passou a oferecer tratamento a todos os que precisam, a prevalência baixou 300 vezes.
Pedro Cahn lembrou o desafio dos governos diante dos altos custos dos novos medicamentos anti-retrovirais. O impacto da entrada de novas drogas no orçamento dos governos é sentido no Brasil, onde três medicamentos são responsáveis por 80% dos gastos com anti-retrovirais. O país oferece 17 medicamentos anti-aids e produz oito deles.
Cooperação – A representante da sociedade civil que esteve presente ao seminário, que é coordenadora da Fundação Vencer, Mirta Ruiz, comentou o acesso precário à medicação na América Latina e Caribe.
“Que nenhum cidadão tenha de sair do seu país em busca de tratamento. No meu país, Paraguai, pessoas que vivem com aids cada vez mais buscam a fronteira para receber medicamentos no Brasil ou Argentina”, disse a ativista.
Ela agradeceu a cooperação brasileira, que complementa o tratamento oferecido aos paraguaios com anti-retrovirais produzidos no Brasil. A cooperação começou com 100 tratamentos e hoje o país oferece acesso universal para o Paraguai.