Por: Josie Jeronimo

Jornal do Brasil

centro produtor de vacinas e kits para diagnóstico de doenças infecto-parasitárias da América Latina, a Farmanguinhos, no Rio, já fabrica boa parte dos medicamentos que compõem o coquetel anti-Aids distribuído pelo governo brasileiro a portadores do HIV. Com o anúncio de quebra de patente realizado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – ligada ao Ministério da Saúde – pode se tornar referência mundial na produção do anti-retroviral genérico do Efavirenz, produzido pela Merck, Sharp & Dohme.

O investimento pesado em pesquisa para a produção dos medicamentos anti-Aids começou em 2001, quando o então ministro da Saúde, José Serra, ameaçou quebrar a patente de outro anti-retroviral, o Nelfinavir. À época, Serra pretendia estimular o Laboratório Farmoquímico Cristália, localizado na cidade de Itapira, a 180 quilômetros de São Paulo, a produzir o princípio ativo de quatro medicamentos anti-retrovirais. O Cristália foi o primeiro laboratório no Brasil a fazer a síntese da composição química da matéria-prima usada na produção desses medicamentos.

Até então, a maioria dos insumos era importada. Além dos remédios anti-Aids, Farmanguinhos também negocia com um instituto ucraniano fabricante de insulina o registro do produto – usado por mais de 600 mil brasileiros – para produzi-lo na unidade da Fiocruz. A estimativa é que em quatro anos a economia chegará a mais de R$ 300 milhões e, em 15 anos, a cerca de R$ 1,2 bilhão.