Folha de Pernambuco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, ontem, a quebra da patente para o medicamento anti-AIDS Efavirenz. Não que uma empresa não deva ter lucro após investir milhões de dólares em pesquisas para desenvolver o medicamento. O que não dá para aceitar é que o Brasil pague US$ 1,65 pela unidade junto ao fabricante Merck, enquanto a Índia produz um similar por US$ 0,44. Pressionada, a Merck ofereceu 30% de desconto, insuficiente para cobrir o valor do remédio indiano. Somente no País, são 200 mil brasileiros afetados pela AIDS e que são atendidos gratuitamente pelo governo. A economia pode chegar a US$ 30 milhões anuais, recursos que serão revertidos para o tratamento e prevenção da AIDS em todo o País. A Merck, em um comunicado oficial, disse que o fato "é um sinal perturbador" e que isso "pode afetar seus investimentos em medicamentos para doenças que afetem os países pobres", como se a AIDS não existisse na Europa ou nos Estados Unidos. Os grandes laboratórios nunca tiveram interesse em produzir, por exemplo, vacinas contra a malária, dengue ou a esquistossomose, doenças típicas de países pobres. O comunicado deixa claro que o lucro vem antes da saúde, algo que chega a soar quase como um "quem não tiver dinheiro que se lixe". Ninguém fica doente por opção, mas entre a saúde e o lucro, a primeira opção é a que deve ser levada em consideração.

Estaleiro – A paralisação das obras de acesso à Ilha de Tatuoca, onde está sendo erguido o estaleiro Atlântico Sul, está deixando o ainda nascente setor naval estadual com os cabelos em pé. O atraso na execução dos trabalhos está começando a atrapalhar o cronograma de implantação do estaleiro e das indústrias satélites no local. A infra-estrutura pública está orçada em R$ 89 milhões. O atraso estaria ligado justamente à liberação destes recursos.