Por: Ullisses Campbell
Correio Braziliense
O Laboratório Farmacêutico Roche começou a cadastrar os pacientes brasileiros que estavam usando o medicamento Viracept (Nelfinavir). A idéia é acompanhá-los para atestar se desenvolverão células cancerígenas. O anti-retroviral fazia parte do coquetel para pacientes com HIV e estava sendo distribuído pelo governo federal até o início do mês, quando a Roche recolheu todos os lotes no Brasil por suspeita de contaminação. Cerca de 9 mil adultos e 250 crianças faziam uso do medicamento.
Em nota, a Roche anunciou que o cadastramento dos usuários brasileiros do remédio "faz parte de uma série de ações de acompanhamento dos pacientes estabelecida pelo laboratório". Há suspeita de que os lotes de Viracept que foram recolhidos tenham sido contaminados pela substância química cancerígena conhecida como ácido éster metanossufônico.
Os primeiros resultados ficarão prontos no final do ano.O governo exigiu do laboratório que a identidade dos pacientes que serão examinados seja mantida sob o mais absoluto sigilo.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já coletou amostras do Viracept para análise, que será feita pelo Instituto Nacional de Qualidade em Saúde da Fiocruz. Na Europa, a licença de comercialização desse medicamento também foi suspensa e os pacientes que faziam uso estão sendo chamados para realização de exames clínicos. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que está tomando providências para ser ressarcido, já que os lotes recolhidos pelo laboratório já estavam pagos.
Em nota, a diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Maiângela Simão, disse que "todos os pacientes de Aids em uso do Nelfinavir, que ainda não procuraram o serviço de saúde onde são atendidos, devem procurar imediatamente um médico para receber orientações e substituição do medicamento". Na nota, Mariângela ressalta também que "os pacientes que ainda não fizeram a substituição devem continuar tomando o medicamento", mesmo com a suspeita de contaminação. "O tratamento não deve ser interrompido", disse.