Gazeta Mercantil
São Paulo, As vendas foram puxadas pelo desempenho no Brasil, onde faturou R$ 140 milhões. A estabilidade político-econômico verificada nos últimos anos na maior parte dos países da América Latina tem feito as vendas da divisão de diagnóstico da empresa suíça Roche saltarem na região, informou o presidente da Roche Diagnóstica Brasil, Walter Baxter. O Brasil – onde o câmbio tem favorecido as importações e, em conseqüência, a modernização da rede de saúde, bastante dependente de tecnologia importada – foi um dos motores desse crescimento. No primeiro semestre deste ano, a divisão cresceu 16% no mercado latino-americano e o mesmo percentual de alta foi verificado no País, cujo faturamento acumulado no período foi de R$ 140 milhões, quase 50% do apurado na região.
"A América Latina tem despontado como grande parceira da Roche e o crescimento neste ano ficou acima da média mundial, de 6% a 7% no semestre em mercados como Europa e Estados Unidos", disse Baxter. No ano passado, as vendas na América Latina cresceram 14% e no Brasil, 9%. Baxter explicou que aqui teria sido 13%, se a empresa não tivesse perdido uma grande licitação. A região latino-americana responde por 5% do total de vendas da Roche Diagnostics no mundo, que foi de 8,7 bilhões de francos suíços (US$ 7,13 bilhões) em 2006. Contudo, mesmo crescendo menos, o faturamento na Europa ainda representa a maior fatia do bolo, de 50%.
Apesar de já ter alcançado 16% de aumento no volume de negócios, para o ano cheio o executivo trabalha com uma perspectiva de alta de 14%, tanto no Brasil quanto na região latino-americana. Além das condições macroeconômicas favoráveis, o lançamento de produtos de maior valor agregado, que fogem das comoddities, é outro fator que está impulsionando os resultados, observou Baxter.
Septicemia e HPV
Entre os lançamentos, Baxter ressaltou o SeptiFast, um teste que reduz o tempo de diagnóstico da sepse, que leva à septicemia – processo infeccioso generalizado e a principal causa de morte em unidades de terapia intensiva (UTI), sendo responsável por mais de 30% dos casos. Segundo a Roche, baseada em dados do Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas), no Brasil, a taxa de mortalidade alcança 50% dos casos de sepse. Baxter explicou que o SeptiFast reduz o tempo de análise da presença de agentes infecciosos no sangue, que levam ao problema, de média de três a sete dias, pelos métodos tradicionais, para cerca de seis horas. "Pode ser a diferença entre a vida e a morte."
O teste, que já está no mercado nacional, identifica 25 tipos de agentes, um universo de 90% dos que causam a infecção, e qual a resistência deles a antibióticos, informou. O produto fará parte de um estudo, que a empresa desenvolverá em parceria com o Hospital Albert Einstein e com início previsto para agosto próximo, de prevenção da doença. O teste será aplicado em todo paciente após um processo cirúrgico de grande porte. Se um agente for identificado, o paciente é tratado antes de o problema se agravar. "Assim, vamos poder assinalar as vantagens em termos de custos de tratamento e social, já que vidas podem ser salvas."
É da Roche também o teste para detectar o Papiloma Vírus Humano (HPV) por meio de biologia molecular – que identifica, também rapidamente, o DNA ou RNA do agente infectante. O HPV é o principal causador de câncer de cólo do útero. "Mas o maior crescimento da empresa depende de conseguirmos criar demanda. Fazer com que médicos solicitem os exames e que os convênios e governo reembolsem esses gastos, que evitam outros maiores, com internações e medicamentos, por exemplo.
US$ 1 bi em aquisição
No final do mês passado, a Roche Diagnostics concluiu a compra, sua terceira em 2007, da BioVeris Corporation, por US$ 600 milhões, totalizando mais de US$ 1 bilhão em aquisições neste ano. Antes havia adquirido a 454 LifeScience, de instrumentos para seqüenciamento do genoma, por US$ 140 milhões; e a NimbleGen, de microchips de DNA, por US$ 272,5 milhões. O movimento da Roche segue em oposição ao momento atual do mercado, em que empresas especializadas em equipamentos médico-hospitalares têm comprado essas divisões de companhias que têm foco também na área farmacêutica, como a holding suíça.
Conforme Baxter, a Roche quer solidificar cada vez mais a posição de líder mundial do mercado de diagnóstico in vitro. A compra da Bioveris, por exemplo, é um dos pilares do crescimento futuro da empresa, que estima alta de ao menos 6% este ano, acima do previsto antes da aquisição, por causa do novo negócio. Com a BioVeris, a Roche obteve acesso a tecnologia, e a patente, da plataforma que já utilizava, e pagava royalties, para sua linha de imunologia, além de ampliar sua atuação neste campo, antes restrita por contrato.