INVESTIMENTO // Unidade no pólo farmacoquímico em Goiana terá custo de R$ 500 mi

A Novartis, indústria suíça de vacinas, vai instalar uma fábrica em Goiana, município localizado a 63 km de Recife que sediará o pólo farmacoquímico pernambucano. O anúncio do investimento foi feito ontem em Brasília, no Palácio do Planalto, onde estavam presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Eduardo Campos, representantes da prefeitura local e o presidente da Novartis no Brasil, Alexander Triebnigg. Segundo o governo do estado, o investimento na construção desta unidade, que ficará às margens da BR-101, será de U$S 500 milhões.

Além da geração de 500 empregos diretos, fala-se ainda que a empresa pretende exportar 80% de sua produção, o equivalente a cerca de U$S 800 milhões, quase todo o volume do estado, que deve fechar 2007 em U$S 700 milhões. A Novartis recebeu do estado um terreno de 50 hectares e isenção de 95% do ICMS, por doze anos.

A empresa não divulgou qual o prazo para que a indústria entre em operação, nem a sua capacidade de produção. Esses dados deverão ser oficialmenteinformados na manhã de hoje, quando o presidente da Novartis irá lançar o projeto em Goiana. "Se a fábrica vai afetar fortemente a economia do nosso estado, dobrando o nosso volume de exportações, imagine qual será o impacto dessa indústria em um pequeno município como Goiana", afirmou por telefone o secretário de Planejamento da cidade, Cláudio Manguinho, minutos antes de entrar na cerimônia no Palácio do Planalto. Segundo o secretário, o próximo plano do município é investir em cursos técnicos para uma máxima absorção da população local na mão-de-obra a ser empregada. "Outra preocupação nossa é estudar os impactos ambientais do projeto", contou.

O Brasil se tornou um mercado estratégico para a venda de vacinas. No ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) investiu cerca de R$ 170 milhões na aquisição do remédio para atender quatro mil pacientes. Dos 103 itens do programa de alto-custo (Programa de Medicamentos de Dispensação Excepcional), a Novartis fornece seis de forma exclusiva por serem patenteados.Além da fábrica em Pernambuco, a empresa anunciou ontem que irá trabalhar em Parceria Público-Privada com a Fundação Oswaldo Cruz, transferindo tecnologia para a produção e desenvolvimento de vacinas para meningites C, febre amarela e poliomielite. A Novartis também produz vacinas contra gripe, raiva, encefalite, caxumba, sarampo, rubéola, difteria, tétano e coqueluche.

Em julho deste ano, a empresa anunciou o investimento de R$ 223 milhões na expansão da produção das fábricas brasileiras, localizadas nas cidades de Resende, no Rio de Janeiro, e Taboão da Serra, em São Paulo. A empresa também possui uma unidade em Cambé, no Paraná, para a produção de medicamentos genéricos. Em 2006, a empresa faturou R$ 1,7 bilhão no Brasil. A Novartis surgiu em 1996, da fusão da Ciba-Geicy e da Sandoz, companhias suíças do setor de pesquisa e desenvolvimento de produtos da área de saúde.

Goiana vai receber 3 empreendimentos

A Novartis estava sendo disputada por países como Índia, China, Cingapura e Itália. Para o governador Eduardo Campos, a vinda da Novartis é fruto da integração entre as equipes dos governos estadual e federal, "que se dispuseram a desenvolver no Nordeste um pólo farmacoquímico importante para a saúde pública e para o desenvolvimento econômico da região". Agora já são três grandes empreendimentos no pólo farmacoquímico de Goiana, que além da Novartis, já tinha confirmada a instalação do Lafepe e da Hemobrás. Hoje, Pernambuco dá mais um passo em direção à consolidação do pólo, com o repasse de R$ 3 milhões como contrapartida estadual para iniciação das obras da Hemobrás, um aporte de U$S 80 milhões (R$ 141 milhões, aproximadamente).

Mesmo representando um investimento menor em relação a Novartis, a Hemobrás continua sendo a empresa âncora do pólo. A empresa vai produzir testes de ácido-nucléico para o diagnóstico da Aids e hemoderivados, ocupando um espaço de 25 hectares. A idéia é que o pólo farmacoquímico seja um conglomerado de empresas voltadas para a produção de medicamentos, promovendo uma aliança entre a pesquisa acadêmica e a indústria. O Lafepe, que pertence a Secretaria de Saúde do estado, ficará com 20 hectares, e representa um investimento de R$ 40 milhões.

A Novartis, no entanto, vai fortalecer o projeto do pólo farmacoquímico do estado. "Essa indústria vai fortalecer a cadeia. Em vez de importar, ela poderá comprar vários insumos brasileiros", declara o presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais, Carlos Alexandre Geyer. Fornecedores de resinas e aditivos, embalagens, máquinas e equipamentos são alguns dos produtos que poderão ser fornecidos.