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novembro 2004

Ministro não quis quebrar patente, diz gestão antiga

2016-02-02T20:46:08-03:00novembro 30, 2004|Categories: Acervo|

Os ex-coordenadores do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Paulo Teixeira e Alexandre Grangeiro disseram ontem que as patentes de medicamentos de Aids só não foram quebradas no fim do ano passado porque o ministro Humberto Costa (Saúde) não quis. "A proposta havia sido discutida no grupo técnico que envolve os ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, mais o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. O grupo técnico tinha aprovado, toda a documentação estava pronta. A decisão era para os ministros, e, antes que ela estivesse encaminhada, o ministro [Costa] resolveu que não deveria, que valeria a pena aguardar a produção do medicamento nacional", afirmou Grangeiro. Segundo o ex-coordenador, a quebra de patentes se daria para trazer o medicamento nelfinavir a preços mais em conta da Índia, onde já é copiado. Teixeira, que acompanhou o processo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), diz acreditar que Costa preferiu uma postura "mais branda". Teixeira está cotado para assumir a área relacionada aos programas contra a Aids na gestão José Serra (PSDB) na Prefeitura de São Paulo. Por meio de sua assessoria, Costa afirmou que a quebra era a última alternativa e que não ocorreu porque as negociações com os laboratórios foram vantajosas. Destacou que a legislação que permitiria a importação da Índia foi aprovada em sua gestão. Segundo a assessoria, ocorreu uma economia de R$ 299 milhões. Os dois ex-coordenadores afirmaram ontem que discordam da avaliação do atual titular da área, Pedro Chequer, sobre as negociações de preços de remédios. Em entrevista à Folha, Chequer, que assumiu há três meses, afirmou que a política dos últimos anos, centrada na redução direta de preços, sem o desenvolvimento da indústria nacional das drogas, levou o programa de distribuição de remédios a um situação de quase insolvência. Chequer também colocou que, se não for iniciada a produção nacional das drogas, pode haver um colapso no programa, que atende hoje mais de 100 mil pacientes. "Eu discordo", afirmou o ex-coordenador Paulo Teixeira. "Não tenho dúvidas de que a política foi agressiva e vantajosa. Em relação a quebra de patentes [dos medicamentos], não houve oportunidade porque as negociações foram satisfatórias." O Ministério da Saúde divulgou ontem uma nota em que assegura a continuidade da distribuição gratuita de medicamentos para as pessoas com Aids.

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Governo vê colapso em programa de Aids

2016-02-02T20:46:08-03:00novembro 29, 2004|Categories: Acervo|

O coordenador de DST/Aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, prevê um colapso na distribuição gratuita de medicamentos contra a doença no ano que vem e diz que o país iniciará a produção nacional de remédios hoje importados. Ou seja, quebrará patentes (licenciamento compulsório) ou iniciará a produção com a colaboração dos laboratórios (licenciamento voluntário). Na última sexta-feira, Chequer afirmou que a política das gestões anteriores, centrada na negociação de preços, é responsável pela situação de "quase insolvência" do programa. O país tem o maior programa de distribuição gratuita e universal de remédios contra a Aids do mundo, com um total de 15 drogas disponíveis. Hoje, 151 mil pessoas estão em tratamento a um custo que deve chegar a R$ 600 milhões neste ano. Cerca de 80% do orçamento é gasto com os remédios importados. Conhecido por ter uma posição mais radical quando o assunto é negociação com laboratórios farmacêuticos, Chequer afirma que os preços praticados pelas empresas são abusivos e que a legislação que dificulta o acesso universal aos remédios está a serviço de "interesses escusos". No passado, o ministério já falou em quebrar patentes e em ter capacidade para a produção nacional das drogas importadas, mas o discurso foi utilizado apenas para barganhar com as empresas multinacionais. "Estamos avançando numa situação tal que não vamos estar simplesmente tentando informar que temos condições [de produzir] para reduzir preço. Até porque entendemos que essa posição é um suicídio. Nós não estamos trabalhando nessa linha no sentido de barganha ou de ameaça", completa. A quebra imediata das patentes é o coro das ONGs que defendem os portadores do HIV no dia mundial de combate à doença, comemorado na próxima quarta-feira. "Negociar não serve mais", afirma Michel Lotrowska, representante da campanha de acesso a medicamentos essenciais da Médicos Sem Fronteiras. Folha - Como está a negociação com os laboratórios? Pedro Chequer - O problema é que as multinacionais colocam os preços de modo exorbitante, já com o objetivo de criar a falsa idéia que nós conseguimos economizar. A negociação de preços é importante, até porque temos de pensar no orçamento imediato, mas a médio e longo prazo não representa aquilo que se entende como interesse nacional na auto-suficiência. Por que isso? Se tomarmos 1998 e 1999 como referência, em torno de 50% do orçamento do Brasil para medicamentos contra a Aids era para remédios importados. Hoje, 2004, situação essa que se agrava mais ainda em 2005, estamos gastando 80% do orçamento em compras das multinacionais. Isso significa que, a curto prazo, mantida a atual situação do Brasil de apenas produzir o que não está sob patente, nós vamos comprometer seriamente a capacidade de o país manter a política de acesso universal. Mantida a atual situação, no ano que vem talvez alcancemos 90% ou 85%. Cada vez mais, nós estamos utilizando menos o medicamento produzido no Brasil, até porque, à medida que novas drogas entram, as antigas caem em desuso. E aí significa o quê? Que o Brasil vai ser refém da indústria multinacional, e aí a negociação é outra. Na medida que está refém e não tem capacidade para produzir, o preço define quem vende. Temos de apostar na redução de preços, mas não como única alternativa, até porque apenas essa política quase nos levou a uma situação de insolvência numa perspectiva imediata para o próximo ano. É decisão fortalecer os laboratórios estatais, fazer parcerias com a indústria nacional privada, de repente pode ser algo como a PPP [parceria público privada] da área farmacêutica. Sem isso, não tenha dúvida de que nós vamos entrar em colapso em breve. Em breve. Folha - O que foi feito até agora? Chequer - A partir de agosto estivemos com o Lafepe [laboratório público de Pernambuco], a indústria privada nacional e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Chegamos à conclusão de que há condições técnicas hoje, a curto prazo, de avançarmos na produção de novos medicamentos. Folha - Quais medicamentos serão produzidos? Chequer - Não seria prudente informar. De três a cinco. Avançaremos nesse sentido, seguindo as normas da OMC [Organização Mundial do Comércio], mas, acima de tudo, considerando o interesse nacional de garantir que o paciente de Aids tenha o acesso. Nenhuma lei internacional pode estar acima ou sobrepor o compromisso ético de assistir nossa população. Se existe essa lei, ela está a serviço de interesses econômicos escusos. Folha - No ano passado já houve menção de que se poderia produzir, mas nada aconteceu. Chequer - Estamos avançando numa situação tal que não vamos simplesmente tentar informar que temos condições [de produzir] para reduzir preço. Até porque entendemos que essa posição seja um suicídio. Não estamos trabalhando nessa linha no sentido de barganha ou de ameaça, e sim no sentido consistente de o país implantar nova politica de anti-retrovirais que seja sustentável e que garanta no futuro que o Brasil mantenha sua política de acesso universal. Folha - Vai haver licenciamento compulsório [quebra de patente sem a concordância da empresa]? Chequer - Bem, havendo necessidade, sim. O país caminhará nessa linha, e há um entendimento muito claro em relação a essa questão. Porque de repente podemos ter uma situação em que as empresas façam voluntariamente. Mas que não nos venham com licenciamento que seja apenas barganha de postergar a decisão de ser auto-suficiente. Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISDA56F374ITEMIDC126E9C0A2684544B77A6D27ED5BC847PTBRIE.htm Consultado em 13/02/2007

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Vacina brasileira consegue conter HIV em 18 pessoas

2016-02-02T20:46:08-03:00novembro 29, 2004|Categories: Acervo|

Uma vacina desenvolvida e testada no Brasil conseguiu ativar o sistema imunológico de 18 pacientes infectados com o HIV, vírus causador da Aids, reduzindo neles a presença do patógeno em pelo menos 80%. Em oito dos voluntários, chegaram-se a registrar níveis indetectáveis do vírus. O resultado é considerado extremamente promissor no desenvolvimento de terapias alternativas à contenção da infecção, mas ainda precisa percorrer um longo caminho de pesquisa antes de ser adotado pelos médicos. "Precisamos tomar muito cuidado com o desencadear de ilusões. Ainda temos um longo caminho pela frente", diz Luiz Cláudio Arraes, pesquisador da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e co-autor do estudo, publicado on-line ontem pelo prestigioso periódico científico britânico "Nature Medicine" (medicine.nature.com). O trabalho, realizado com pacientes no Recife que não haviam ainda recebido prescrição de medicamentos para combater a infecção, foi realizado em parceria com cientistas da Universidade de Paris 5 e financiado com uma doação de um paciente francês. "A novidade da abordagem foi que não nos concentramos em bater no vírus, como faz a maioria dos remédios, mas em estimular, organizadamente, o sistema imunológico", conta Arraes. A estratégia foi extrair de cada paciente uma certa quantidade de células dendríticas --unidades do sistema imunológico que são responsáveis por "denunciar" os invasores às células de defesa--, assim como uma amostra do vírus com que o paciente estava contaminado. Dentro do organismo, normalmente, o HIV consegue matar as células dendríticas antes que elas executem seu trabalho. Fora, os cientistas não pretendiam deixar que isso ocorresse. Desativaram a amostra do vírus quimicamente, de modo que ele se tornasse inócuo, mas ainda assim reconhecível. Colocaram-no então junto com as células dendríticas por dois dias, de modo que as "fiscais" do organismo pudessem obter um belo "retrato falado" do delinqüente. Depois disso, voltaram a injetar as células, já treinadas para "dedurar" o vírus, no paciente. Deu resultado. Ao que tudo indica, o sistema imunológico aprendeu a identificar mais rapidamente o HIV e a combatê-lo. Não foi o suficiente para erradicá-lo (não se trata, portanto, de uma cura), mas pelo menos fez baixar radicalmente a carga viral no organismo. Dos 18 pacientes testados, todos tiveram uma redução média de pelo menos 80%. Nos oito com melhores resultados, a carga viral teve uma redução de mais de 90% e, em alguns momentos, chegou a dar "traço" (indetectável). Os pacientes foram acompanhados por um ano e mantiveram alguma melhora durante todo o período. Além disso, não apresentaram efeitos colaterais significativos, além de um inchaço dos nódulos linfáticos. Esse foi um estudo de fase 1, das quatro pelas quais passa qualquer novo medicamento. Qualificado pelos próprios pesquisadores de "preliminar", ele tem por meta verificar a segurança da administração da vacina terapêutica, mais até do que sua eficácia. Os pesquisadores agora se preparam para a condução da fase 2, que também ocorrerá no Recife e terá cerca de 20 pacientes. O objetivo desta vez será determinar a dose mais adequada para a realização do tratamento. Fonte: http://www.aids.gov.br/main.asp?ViewID=%7BDA56F374%2D128A%2D40FB%2DB16F%2DD08A1F5DD07B%7D&params=itemID=%7B3E8212B7%2D6B64%2D4776%2DA956%2DD25586E7E22F%7D;&UIPartUID=%7BD90F22DB%2D05D4%2D4644%2DA8F2%2DFAD4803C8898%7D Consultado em 15/02/2007

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Entre 300 mil doentes, só 5 mil recebem tratamento

2016-02-02T20:46:08-03:00novembro 28, 2004|Categories: Acervo|

Moçambique não é o país mais dizimado pela aids na África, mas é o retrato melhor acabado da epidemia. Doença, desinformação, miséria e fome se misturam à corrupção que corrói as ajudas internacionais e alimenta uma elite que circula em caminhonetes com cabine dupla e ar-condicionado aos olhos de uma população que não ganha US$ 1 por dia. O país, com cerca de 20 milhões de habitantes, tem menos de 500 ''médicos de hospital'', como são chamados, contra mais de 72 mil curandeiros, os ''médicos tradicionais''. O Brasil entrou em Moçambique com o projeto Ntwanano, que em língua changana, a mais falada na região da capital Maputo, quer dizer ''aliança, entendimento''. As promessas de ajuda internacional para o período 2003-2007 passam dos US$ 500 milhões. O projeto Ntwanano significa US$ 300 mil para dois anos, financiados pela Fundação Ford. A diferença é que, em lugar de distribuir dinheiro que escapa ao controle do governo e determinar como e em que o dinheiro deve ser usado, o programa brasileiro se dedica a prestar assessoria. O projeto tem duas frentes. Uma de tratamento, em que o Brasil oferece medicamento a cem doentes, e que serve para ensinar médicos moçambicanos a lidar com o coquetel, um conjunto de drogas anti-retrovirais que requer monitoramento especializado. Rosana Del Bianco, de 47 anos, infectologista do Hospital Emílio Ribas, comanda esse treinamento. Entre as funções da equipe está a de decidir quem vai receber ou não o tratamento. Moçambique tem 300 mil doentes e infectados precisando do coquetel, mas apenas 5 mil recebem a medicação. É uma espécie de ''escolha de Sofia'', em que se decide quem terá chances de viver e quem certamente morrerá. ''Trazemos para Moçambique as lições que aprendemos no Brasil'', diz Rosana. Nesses dias que antecedem o 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, o Brasil é citado pelos organismos internacionais como um modelo no combate à epidemia. A outra frente do projeto Ntwanano é uma assessoria a organizações não-governamentais que trabalham com prevenção e que cuidam de pacientes vivendo com HIV ou aids. O grupo de três profissionais, sociólogo, antropólogo e médico, está ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Moçambique tem 1,5 milhão de pessoas vivendo com HIV ou aids. Cerca de 14% da população está infectada. Em algumas regiões, a taxa chega a 35%. Estima-se que 100 mil pessoas devam morrer da doença apenas este ano, enquanto 500 novas infecções ocorrem todos os dias. Cerca de 80 crianças nascem com HIV transmitido por suas mães, diariamente. Entre 19 e 24 anos, há três mulheres infectadas para cada homem. Na população em geral, 60% dos infectados são mulheres. Por conta da aids, a expectativa de vida já caiu de 45 para 39 anos. Fonte: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=61233 Consultado em 14/02/2007

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Moçambique, retrato fiel da epidemia de aids – 29/11/2004

2017-01-10T17:18:28-03:00novembro 28, 2004|Categories: Acervo|

País africano tem 1,5 milhão de infectados. Expectativa de vida caiu de 45 para 39 anos MAPUTO - As rodovias que levam do Zimbábue e de Malavi ao porto de Nacala, na região central de Moçambique, formam o mais importante corredor de cargas e a principal porta de entrada da aids naquele país. Os caminhoneiros dormem nos vilarejos à beira da estrada, muitos trazendo algum dinheiro e o HIV. A pousada de Agnostino Santos, em Namialo, a 107 quilômetros de Nacala, é uma das últimas paradas antes do porto. As mulheres assistem a novelas brasileiras numa TV embaçada da pousada e se oferecem ao equivalente a R$ 10, o suficiente para a mandioca e o milho dos filhos no dia seguinte. No Estado de Gaza, no sul do país, os homens saem para trabalhar nas minas de ouro e diamante da vizinha África do Sul. Sem dinheiro, as mulheres trocam o sexo por qualquer quantia. Os maridos voltam com dinheiro bastante para dormir com mulheres em cada parada e levam para a casa o vírus da aids. Quando descobrem que sua mulher está doente, abandonam a casa e os filhos ou mandam a mulher de volta para os pais. Os homens se recusam a fazer o teste de HIV. Se fizerem, poucos terão acesso a um tratamento. Adoecem e morrem em algum lugar. Na periferia de Maputo, a Associação para o Desenvolvimento da Família (Amodefa) faz um trabalho de visita domiciliar a centenas de doentes. A quinta-feira era dedicada à região norte da capital, onde vivem quase mil órfãos, dezenas deles morando sozinhos. Camal Fernando Tila perdeu os pais há três anos, quando tinha 13 anos. Desde então, cuida dos sete irmãos - um já morreu de aids. Irene Naftal Buquê, de 67 anos, e Albertina Joaquim Machaila, de 51, levam o que podem, geralmente analgésico, antibiótico, gaze, luvas e uma ficha preparada com técnicos brasileiros. Cacilda Pedro Mandlate, de 27 anos, foi mandada embora pelo marido, que também levou os dois filhos, depois que descobriu que a mulher estava doente. Cacilda está há seis meses sem poder andar e é cuidada pela mãe. RETRATO DA EPIDEMIA Moçambique não é o país mais dizimado pela aids na África, mas é o retrato mais bem acabado da epidemia. Doença, desinformação, miséria e fome se misturam à corrupção que corrói as ajudas internacionais e alimenta uma elite que circula em caminhonetes com cabine dupla e ar-condicionado aos olhos de uma população que não ganha US$ 1 por dia. O país, com cerca de 20 milhões de habitantes, tem menos de 500 "médicos de hospital", como são chamados, ante mais de 72 mil curandeiros, os "médicos tradicionais". São 14 línguas e mais de 40 dialetos, uma infinidade de crenças e superstições. Boa parte da população só acredita naquilo que vê e, como o vírus HIV é invisível, acham que o mal é sobrenatural. Sendo assim, só o curandeiro pode curar. "As organizações internacionais que trabalham aqui se recusam a aprender e a aceitar essas culturas", diz Eduarda Cipriano, diretora da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), uma das instituições mais poderosas do país, presidida por Graça Machel, viúva do herói Samora Machel e mulher de outro mito africano, Nelson Mandela. As dezenas de programas milionários de cooperação, que vão de fundos do Banco Mundial, Fundação Bill Clinton, dinheiro do governo americano, ONGs e grupos religiosos internacionais, estabeleceram ali uma nova espécie de colonialismo. "Ainda estamos tentando assumir o controle do dinheiro que entra e dos programas que essas organizações desenvolvem", diz Diogo Milagre, de 38 anos, secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Sida (aids), organismo interministerial a quem cabe traçar as diretrizes do combate à epidemia. Segundo Milagre, o dinheiro do governo Bush, que chega por meio da Usaid, não pode ser empregado em campanhas que pregam o uso do preservativo. "Para eles, a abstinência sexual e o retardo no início das relações são o mais importante." Num país de práticas sexuais liberais, tal pregação soa inútil. Ajudas de algumas organizações religiosas pregam a mesma prática. Somadas às novelas e às pregações dos bispos da Igreja Universal - presentes em templos e no canal internacional da Rede Record -, Moçambique se vê diante de uma nova colonização, dizem os especialistas. "Somos dependentes até na corrupção", diz Mia Couto, o maior escritor moçambicano. "A parcela corrupta da elite substituiu os colonizadores." PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA O Brasil entrou em Moçambique com o Projeto Ntwanano, que em língua changana, a mais falada na região da capital, Maputo, quer dizer "aliança, entendimento". As promessas de ajuda internacional para o período 2003-2007 passam dos US$ 500 milhões. O Projeto Ntwanano significa US$ 300 mil para dois anos, financiados pela Fundação Ford. A diferença é que, em lugar de distribuir dinheiro que escapa ao controle do governo e determinar como e em que o dinheiro deve ser usado, o programa brasileiro se dedica a prestar assessoria. O projeto tem duas frentes. Uma de tratamento, em que o Brasil oferece medicamento a cem doentes e serve para ensinar médicos moçambicanos a lidar com o coquetel, um conjunto de drogas anti-retrovirais que requer monitoramento especializado. Rosana Del Bianco, de 47 anos, infectologista do Hospital Emílio Ribas, comanda esse treinamento. Entre as funções da equipe está a de decidir quem vai receber ou não o tratamento. Moçambique tem 300 mil doentes e infectados precisando do coquetel, mas apenas 5 mil recebem a medicação. É uma espécie de "escolha de Sofia", em que se decide quem terá chances de viver e quem certamente morrerá. "Trazemos para Moçambique as lições que aprendemos no Brasil", diz Rosana. Nestes dias que antecedem o 1.º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, o Brasil é citado pelos organismos internacionais como um modelo no combate à epidemia. A outra frente do Projeto Ntwanano é uma assessoria a organizações não-governamentais que trabalham com prevenção e cuidam de pacientes vivendo com HIV ou aids. O grupo de três profissionais - sociólogo, antropólogo e médico - está ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Aqui em Moçambique, o portador do HIV ou doente de aids não tem uma identidade, como já se firmou no Brasil. Aqui eles não são pessoas vivendo com aids, são pessoas morrendo com aids", diz Fernando Seffner, educador, historiador e integrante do projeto. O objetivo é organizar a sociedade civil para que pressione o governo e os parlamentares a conceder direitos aos pacientes. E, enquanto o coquetel não chega a todos, garantir que morram com um mínimo de dignidade. DOENÇA PROLONGADA Para agravar a situação, a sociedade e a mídia escondem a doença. Nas páginas de necrologia dos jornais, diz-se apenas que as vítimas da aids morreram de doença prolongada. Moçambique tem 1,5 milhão de pessoas vivendo com HIV ou aids. Cerca de 14% da população está infectada. Em algumas regiões, a taxa chega a 35%. Estima-se que 100 mil pessoas devam morrer da doença apenas este ano, enquanto 500 novas infecções ocorrem todos os dias. Cerca de 80 crianças nascem com HIV transmitido pelas mães, diariamente. Entre 19 e 24 anos, há três mulheres infectadas para cada homem. Na população em geral, 60% dos infectados são mulheres. Por conta da aids, a expectativa de vida já caiu de 45 para 39 anos. No Brasil, são cerca de 600 mil portadores do HIV para uma população próxima de 180 milhões de habitantes. A taxa de infectados é de 0,34% e todos os que precisam de medicamentos estão, oficialmente, sendo tratados. Fonte: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=61213 Consultado em 13/02/2007

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China vai testar em humanos vacina contra a Aids

2017-01-10T17:18:28-03:00novembro 27, 2004|Categories: Acervo|

Medicamento foi aplicado com sucesso em macacos. Aproximadamente 840 mil chineses são portadores do vírus HIV Pequim - A China aprovou a realização de testes em humanos de uma vacina experimental contra o vírus causador da Aids. O medicamento foi desenvolvido no próprio país. Trinta voluntários com idades entre 18 e 50 anos participarão. ¿Os cientistas infectaram um macaco com o vírus da Aids após terem aplicado a vacina, e não ocorreu qualquer reação anormal¿, relatou a agência Nova China, citando fonte da Administração Estatal de Alimentação e Medicamentos. A vacina experimental foi desenvolvida por uma equipe de cientistas chineses que desde 1996 pesquisam o assunto. Os especialistas alertam, no entanto, que a realização de testes ¿não significa necessariamente que a vacina venha a ser um sucesso¿, e o público também não deve esperar que vacinas deste gênero ¿estejam disponíveis no curto prazo¿. Autoridades chinesas afirmam que vão acelerar o processo de aprovação de qualquer tipo de medicamento contra a Aids para ajudar as pesquisas. Cerca de 840 mil chineses são portadores do HIV, segundo estimativas do governo chinês e da Organização Mundial de Saúde (OMS). O número de chineses infectados poderá subir para os 10 milhões em 2010 ¿se não forem tomadas medidas necessárias¿, conforme alerta das Nações Unidas. A Iniciativa Internacional de Vacinas contra Aids disse que dezenas de vacinas potenciais estão sendo testadas em mais de 70 pessoas, mas nenhuma conseguiu combater o vírus HIV. Pesquisadores americanos e tailandeses também testam uma vacina experimental contra a Aids em 16 mil voluntários da Tailândia. Fonte: http://www.aids.gov.br/main.asp?ViewID=%7BDA56F374%2D128A%2D40FB%2DB16F%2DD08A1F5DD07B%7D&params=itemID=%7BC736FA34%2D02D9%2D48AF%2D8712%2D75FCC884C1DF%7D;&UIPartUID=%7BD90F22DB%2D05D4%2D4644%2DA8F2%2DFAD4803C8898%7D Consultado em 15/02/2007

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setembro 2004

Brasil abre uma nova batalha de patentes com Estados Unidos

2017-01-10T17:18:28-03:00setembro 9, 2004|Categories: Acervo|

O Brasil, com o apoio da Argentina e da Bolívia, está iniciando o que promete se transformar em mais uma complicada batalha comercial-ideológica com os Estados Unidos (e outros países desenvolvidos), em torno do respeito à propriedade intelectual. Desta vez, o campo da batalha não é a OMC (Organização Mundial do Comércio), mas a Ompi (Organização Mundial de Propriedade Intelectual), também sediada em Genebra, como a OMC. Brasil, Argentina e Bolívia apresentaram projeto pelo qual a Ompi deveria levar em conta em suas regulamentações uma "agenda do desenvolvimento", tal como, ao menos retoricamente, foi assumido pela OMC e é a prática histórica da Unctad --o braço da ONU para Comércio e Desenvolvimento. A fundamentação para incorporar a "agenda do desenvolvimento" foi assim formulada, no documento dos três países sul-americanos: "A inovação tecnológica, a ciência e a atividade criativa em geral são corretamente reconhecidas como importantes fontes de progresso material e de bem-estar. No entanto, apesar de importantes avanços científicos e tecnológicos, uma significativa brecha de conhecimento, assim como uma brecha digital, continua a separar as nações ricas das pobres". Até aí, é retórica, que dificilmente sofrerá reparos de quem quer que seja. São constatações já feitas em inúmeras reuniões internacionais, com concordância generalizada. O ponto para a polêmica futura vem a seguir, quando o projeto pede limites para o respeito à propriedade intelectual, ao dizer que ela "não pode ser vista como um fim em si mesmo" e que a harmonização das leis de propriedade intelectual, que levaria a um padrão mais elevado de proteção em todos os países, não pode deixar de levar em conta os diferentes níveis de desenvolvimento. "A proteção à propriedade intelectual é um instrumento político cuja operação pode, de acordo com a prática, produzir benefícios assim como custos, que podem variar de acordo com o nível de desenvolvimento de um país." Análise individual Por isso, o trio de países do Sul requer que, em vez de uma harmonização de regras, que levaria os padrões mais altos dos países ricos a servirem de parâmetro, haja uma análise "caso a caso". Traduzindo: países menos desenvolvidos teriam o direito de serem menos rígidos na proteção à propriedade intelectual, tese que provoca furor nos EUA e nos países em que há elevado nível de inovação tecnológica. Todos eles acusam países mais pobres ou mesmo países médios como o Brasil de praticar pirataria. A nova batalha em torno da propriedade intelectual tem um antecedente próximo: na Conferência Ministerial da OMC em Doha, há quase três anos, o Brasil defendeu a tese de que o respeito às patentes de medicamentos não poderia sobrepor-se ao direito dos países pobres de fabricarem e/ou importarem medicamentos a preços mais baixos, para atender "objetivos de saúde pública". O antecedente, não por acaso, está citado no projeto apresentado por Brasil, Argentina e Bolívia. O texto diz que a Ompi está envolvida em discussões sobre normais em vários comitês técnicos e acrescenta: "Algumas dessas atividades poderiam levar países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos (LDCs, no jargão diplomático) a concordar com padrões de proteção à propriedade intelectual que excedam amplamente as obrigações existentes no acordo Trips da OMC, embora tais países ainda estejam lutando com o custoso processo de implementação do próprio Trips" (sigla em inglês para Acordo sobre aspectos da Propriedade Intelectual Relativos ao Comércio). O alvo central da crítica dos três países é o SPLT (sigla em inglês para Tratado de Lei Substantiva sobre Patentes), que "aumentaria consideravelmente os padrões de proteção às patentes, criando novas obrigações que os países em desenvolvimento dificilmente estariam em condições de implementar". Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u88684.shtml Consultado em 16/02/2007

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março 2004

Remédios estão mais caros a partir de hoje

2016-02-02T20:46:08-03:00março 31, 2004|Categories: Acervo|

PREÇOS Os preços de 12 mil medicamentos serão reajustados a partir de hoje. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou um aumento médio de 5,7% nos preços desses remédios, que correspondem a 90% do total vendido no país. A correção, no entanto, não poderá ser superior a 6,2%. Ou seja, para reajustar no percentual máximo autorizado, o laboratório terá que usar uma variação menor ou até mesmo reduzir os preços dos demais produtos. Este é o primeiro reajuste autorizado este ano para os medicamentos que têm preços controlados pelo governo e será o último até março de 2005, segundo a CMED, formada pelos ministérios da Justiça, Saúde, Fazenda e Casa Civil. Ao definir o percentual, o governo levou em conta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulado entre setembro de 2003 e fevereiro deste ano - 3,34%, além de 2,28% decorrentes do fim da isenção tributária sobre o Imposto de Importação de medicamentos. Este é o terceiro aumento autorizado pelo governo Lula para o setor. Em março do ano passado, os preços subiram, em média, 8,6% e em setembro houve um aumento de 2%. O governo ameaça abrir processo administrativo contra as empresas que ultrapassarem o índice permitido, com multa de R$ 212 a R$ 3 milhões por infração. “Se encontrarmos algum problema vamos notificar a empresa”, avisa o secretário-executivo da CMED, Luiz Milton Veloso. O reajuste desagradou tanto a indústria farmacêutica quanto os consumidores. Em nota, a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), que representa a indústria, reclama que o índice não cobre o aumento de custos do setor. De acordo com o documento, entre dezembro de 2000 e fevereiro de 2004, o Índice de Preços por Atacado (IPA-DI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), somou 64,49%. No mesmo período, o índice de reposição de custos do setor farmacêutico, autorizado pelas autoridades, foi de cerca de 44,10%. Os consumidores reclamam dos preços que já estão altos. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) reclama da definição de um mesmo índice de reajuste para genéricos e remédios de marca. O instituto defende que sejam usados parâmetros diferentes.”Há medicamentos que custam 199% a mais do que o genérico. Então há espaço para esses preços caírem”, afirma o consultor econômico do Idec, Léo Sztutman. O aumento preocupou a ambulante Nalda Rodrigues, que todos os meses compra quatro tipos diferentes de medicamentos para a mãe, Raimunda de Sousa, de 78 anos, que tem mal de Parkison. O gasto mensal com o remédio nunca é inferior a R$ 150. Os produtos são comprados com o que sobra da pensão de um salário mínimo que a mãe recebe. Nalda teme que daqui pra frente a ajuda de seu marido, que ganha R$ 600 como pedreiro, se torne mais frequente. “Não é todo dia que arrumo quem fique com ela para que possa trabalhar, então meu marido é quem tem que ajudar a comprar os remédios. Se aumentar, não sei como vai ser”, afirma a vendedora de cosméticos. Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISDA56F374ITEMID595C8F08EC994559AAC0F5E1C8036C99PTBRIE.htm Consultado em 13/01/2007

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Remédios só devem subir após dia 12 de abril

2017-01-10T17:18:29-03:00março 31, 2004|Categories: Acervo|

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMed) prorrogou de hoje para até o dia 8 de abril o prazo para que as indústrias apresentem suas tabelas com reajustes máximos de 6,2%. Os laboratórios que já enviaram seus pedidos e as planilhas à Cmed já poderão cobrar os aumentos. Mas, na prática, os remédios só deverão subir para o consumidor a partir do dia 12 porque as farmácias ainda aguardam os cadernos com as novas listas de preços. A Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (Abcfarma), que produz as listagens, esperou até ontem as novas tabelas com as alterações das indústrias. Com a maior parte das listas já enviadas pelas indústrias, a empresa espera enviar os cadernos de preços de abril a partir da próxima quinta-feira. O secretário-executivo da Cmed, Luiz Milton Costa, explicou que os reajustes já entram em vigor hoje para os remédios dos laboratórios que apresentaram as solicitações de reajustes. Mas admitiu que a maioria das farmácias vai mesmo esperar o caderno de preços para cobrar os aumentos. - Prorrogamos o prazo apenas para atender as indústrias que não conseguiram enviar as tabelas. O prazo realmente foi curto. Mas, das 12 milhões de apresentações de medicamentos no mercado, já recebemos nove milhões com alterações. Vamos analisar todas e se houver distorções, os laboratórios terão que recuar nos preços As indústrias não poderão corrigir os preços de todos os seus produtos pelo teto de 6,20%. A correção é limitada à média de preços de 5,7%. Ou seja, para reajustar um remédio sob controle em 6,2%, o laboratório terá que dar um percentual menor ou mesmo reduzir os preços dos demais produtos para que a média de correção fique em 5,7%. Esta será a única correção de preços autorizada pela CMED para vigorar até março de 2005. O último reajuste autorizado pela CMED foi de 2%, em setembro de 2003. A desobediência do ajuste autorizado acarretará abertura de processos administrativos contra as empresas, com penalidades que variam de R$ 212,00 a R$ 3 milhões por infração. Em caso de dúvidas ou denúncias sobre preços, o consumidor poderá telefonar para 0800 6440644. Fonte: http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=113987 Consultado em 13/02/2007

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Plano de Bush para combater o HIV/aids ignora vidas para proteger lucros dos laboratórios

2016-02-02T20:46:09-03:00março 29, 2004|Categories: Acervo|

Combinação tripla de anti-retrovirais genéricos em doses fixas é quatro vezes mais barata que os medicamentos de marca usados individualmente. Mesmo assim, governo dos EUA tenta impedir países de utilizarem essa importante ferramenta contra a aids. O tão esperado Plano Global dos Estados Unidos para combater o HIV/aids, divulgado no dia 23 de fevereiro, demostra claramente que a administração Bush é contra o uso de genéricos de qualidade, incluindo as combinações de doses fixas, que são remédios com dois ou três anti-retrovirais numa única pílula. Além disso, o coordenador do Plano, um ex-executivo da multinacional farmacêutica Eli Lilly & Co, Randall Tobias, já questionou publicamente, inúmeras vezes, a qualidade dos genéricos utilizados para tratar portadores do HIV/aids em países em desenvolvimento, ignorando os padrões de qualidade definidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e acusando os fornecedores desses genéricos de colocar em risco a vida dos pacientes. MSF está bastante preocupada que a administração dos EUA não permita que países e programas interessados em financiamentos do Plano Global tenham acesso aos recursos do Plano para compra de remédios de qualidade a preços acessíveis, em particular em combinações de doses fixas. Essa combinação, até cinco vezes mais barata que os remédios de marca, já recebeu o certificado internacional de qualidade, segurança e eficácia da OMS, e é produzida pelos mesmos laboratórios farmacêuticos que fabricam centenas de genéricos usados pelos americanos diariamente. As combinações de doses fixas são amplamente reconhecidas como sendo um instrumento importante para se aumentar o uso de anti-retrovirais em países em desenvolvimento e, com base nas experiências de fornecer anti-retrovirais nesses países, MSF vem se tornando uma grande defensora da combinação tripla de doses fixas. Mais de 50% dos pacientes atuais de MSF e 70% dos pacientes mais recentes estão sendo tratados com base nas recomendações da OMS de se utilizarem as combinações triplas de doses fixas. Os resultados clínicos até o momento têm sido excelentes. Atualmente a OMS recomenda que a combinação tripla de doses fixas seja produzida por fabricantes de genéricos porque as patentes dos medicamentos usados na combinação são de diferentes indústrias. A combinação tripla, aprovada pela OMS, mais barata custa 140 dólares por paciente/ano e pode ser administrada na forma de uma única pílula duas vezes ao dia. No entanto, caso os mesmos remédios fossem adquiridos da indústria de marca, individualmente, o preço seria de 562 dólares por paciente/ano e o paciente ainda teria que ingerir seis pílulas por dia, o que dificulta a adesão ao tratamento. Em outras palavras, os programas de HIV/aids têm de fazer uma opção: para cada 500-600 dólares que eles gastam com anti-retrovirais, ou eles podem prolongar a vida de uma pessoa oferecendo medicamentos de marca que o paciente terá que tomar na forma de seis comprimidos, ou eles prolongam a vida de quatro portadores do HIV/aids, oferecendo uma única pílula duas vezes ao dia, produzida por fabricantes de genéricos. A administração Bush parece ignorar o fato de que essas ferramentas no combate ao HIV/aids existem hoje e estão sendo amplamente usadas em programas pelo mundo. MSF está preocupada que a Conferência sobre Combinação de doses fixas a ser realizada em Botsuana, entre os dias 29 e 31 de março, com patrocínio do governo americano, não leve ao desenvolvimento, ao estudo e à considerações sobre a segurança, eficácia e qualidade dessas combinações. Ao contrário, MSF acredita que esta conferência irá enfraquecer as recomendações da OMS e atrasar, impedir ou colocar em dúvida o uso de genéricos de qualidade a preços acessíveis. A administração Bush está isolada na sua visão sobre as recomendações da OMS já que não existe base médica ou científica para os ataques contra os medicamentos genéricos aprovados pela OMS. As recomendações da OMS têm o apoio de agências internacionais da ONU tais como a UNICEF, UNAIDS e UNFPA, assim como do Banco Mundial, do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, Universidade Columbia, Fundação Clinton entre outros. A única explicação plausível para a posição adotada pela administração Bush sobre as recomendações da OMS é que os EUA estão mais interessados em proteger as suas indústrias farmacêuticas do que em expandir o tratamento com anti-retrovirais para um número ainda maior de pessoas. MSF oferece atualmente anti-retrovirais para mais de 11.000 pessoas vivendo com HIV/aids em mais de 20 países da África, Asia, América Latina e Leste Europeu e espera que o número de pessoas que recebem os medicamentos nos seus programas chegue a 25.000 pessoas em 25 países até o final deste ano. Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=276 Consultado em 13/02/2007

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