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setembro 2007

Aids: Farmanguinhos reafirma independência do País

2007-09-18T00:00:00-03:00setembro 18, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, inaugurou, ontem, uma nova área de produção de medicamentos antiretrovirais, usados no tratamento da Aids, no Instituto de Tecnologia em Fármacos, a Farmanguinhos, fábrica de medicamentos da Fundação Oswaldo Cruz, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. A iniciativa permitirá o aumento da capacidade de produção da fábrica de 4,5 bilhões para 6 bilhões de medicamentos por ano. Segundo o diretor da insitituição, Eduardo Costa, o projeto compreende a penúltima parte do investimento de R$ 50 milhões que será feito no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A expansão do parque industrial incluirá uma nova área de 12 mil metros quadrados readequados para a produção de antiretrovirais, cremes, pomadas e comprimidos. Com o aumento da produção, o País poderá exportar os medicamentos e até mesmo ajudar outros países no tratamento da Aids. Entretanto, segundo o ministro Temporão, a meta principal é poder garantir maior flexibilização na demanda do Ministério da Saúde para a fabricação dos medicamentos que abastecem o Sistema Único de Saúde (SUS). "O Brasil sempre tem atendido aos países irmãos da África e da América Latina em situações de crise. Faz parte da postura brasileira. Mas, o objetivo fundamental é suprir as necessidades dos programas de saúde pública do Ministério da Saúde" afirmou o ministro. Temporão acrescentou que durante este mês irá apresentar uma proposta para ampliar a produção de medicamentos considerados estratégicos, como os antiretrovirais, no chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde, além de vacinas, equipamentos, reagentes e material médico-hospitalar. A intenção é reduzir a vulnerabilidade da política social e a dependência em áreas críticas da tecnologia desenvolvida fora do País. "A ampliação da capacidade estratégica do Brasil, seja através dos laboratórios estatais, seja através dos laboratórios privados, se inserem no contexto mais amplo de redução de dependência e ampliação da capacidade do Estado de melhorar as condições de saúde da população brasileira" disse. Durante o evento, o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, comentou ainda sobre a futura expansão dos trabalhos da instituição no restante do País e a instalação de um escritório em Moçambique, na África. "Nós temos que dar um retorno a este continente tão sofrido, onde ocorrem parte das grandes tragédias que a gente vive contemporaneamente, e queremos também continuar servindo à sociedade brasileira com muito compromisso", citou Buss. Quebra de patente Ao inaugurar a nova área de produção de antiretrovirais, o ministro Temporão avaliou que "a experiência do licenciamento compulsório do Efavirenz foi bastante didática". Segundo ele, o País teve que lançar mão de um instrumento legal para poder garantir a viabilidade do coquetel anti-Aids, distribuído pela rede pública a todos os pacientes portadores do vírus HIV. Atualmente, Farmanguinhos produz medicamentos e vacinas para doenças como Aids, tuberculose, hanseníase, hipertensão e diabetes. Anteriormente, a fábrica ocupava uma área de 6 mil metros quadrados em Manguinhos, Zona Norte do Rio, sendo transferida, em 2004, para a Zona Oeste, em Jacarepaguá. O Efavirenz, que está sendo sintetizado por pesquisadores da Fiocruz e do Laboratório Farmacêutico de Pernambucano (Lafepe), deve começar a ser produzido em Farmanguinhos a partir de abril do ano que vem, segundo estimativa do presidente da Fiocruz, Paulo Buss. À espera da regulamentação da emenda 29 O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, está pedindo mais recursos da União no orçamento da Saúde, através de uma proposta de regulamentação da emenda 29, que apresentará até o fim da semana aos ministros da Casa Civil, Dilma Roussef; Planejamento, Paulo Bernardo; e Fazenda, Guido Mantega, juntamente com os outros projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Saúde, que deve ser lançado no final do mês. Temporão disse que a proposta do governo é regulamentar a definição do que são ações e serviços de saúde, impedindo que governos e prefeituras incluam gastos sociais na prestação de contas da saúde. A declaração foi feita antes de participar de cerimônia de inauguração de uma nova área de produção de medicamentos antiretrovirais no Instituto de Tecnologia em Fármacos - Farmanguinhos, fábrica de medicamentos da Fundação Oswaldo Cruz. "Estamos discutindo a possibilidade de um esforço do governo federal para colocar recursos adicionais, que eu proponho que estejam vinculados ao PAC Saúde, inovando nos mecanismos de repasses a estados e Municípios", afirmou Temporão. O ministro propõe que os novos recursos sejam transferidos através de um contrato que permita maior fiscalização da aplicação e controle dos gastos. A emenda constitucional número 29 foi aprovada em 2000, e define de onde devem vir os recursos para a saúde. O problema é que até hoje a emenda não foi regulamentada, o que deve ser feito através de lei complementar. A regra atual determina que o governo federal deve aplicar o valor executado no ano anterior acrescido da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) - o que dá atualmente um acréscimo anual de R$ 4 bilhões. Os estados devem aplicar 15% dos seus orçamentos, e os municípios, 12%. Caso a lei fosse aplicada, no entendimento do governo, o orçamento da saúde teria mais R$ 5,7 bilhões vindos de Estados e municípios.

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Setor farmacêutico quer garantias para investimentos

2017-01-10T17:18:14-03:00setembro 16, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para executivos, manutenção de projetos em países emergentes depende de estabilidade política e econômica, segurança jurídica e proteção intelectual BASILÉIA (Suíça) - Quebra de patente. Estas três palavras nunca causaram tantos arrepios à indústria farmacêutica mundial. A última conferência de imprensa para América Latina da multinacional suíça Novartis foi uma demonstração clara de que o setor está preocupado. Sem meias palavras, os principais executivos da empresa - a terceira do mundo no setor, com um lucro líquido global de US$ 7,2 bilhões (R$ 14,4 bilhões) -, deixaram evidente que estão dispostos a continuar investindo nos países emergentes, porém, condicionam os novos aportes à garantia de que não sofrerão interferências de governos. Querem segurança jurídica, estabilidade política e econômica e, sobretudo, proteção intelectual. Pernambuco tem muito a ver com essa discussão (ver matéria vinculada). Neste esforço para garantir que seus investimentos serão devidamente remunerados, já há um "exemplo negativo" que vem sendo citado pelos laboratórios: a Índia. No ano passado, o país não concedeu à Novartis a patente do Glivec, medicamento usado no tratamento da leucemia. A multinacional recorreu a todas instâncias possíveis, mas não teve sucesso. No mês passado, um tribunal de Chennai, no sul da Índia, rejeitou o recurso da empresa. "Não vamos aumentar nossos investimentos na Índia. Trata-se de uma oportunidade perdida. Podemos aumentar nossos investimentos, por exemplo, no Brasil. Se um país tem a pretensão de ser competitivo, deve proteger a propriedade intelectual", disse ao JC o presidente mundial da Novartis, Daniel Vasella. Anualmente, a gigante suíça, que opera em 140 países, investe US$ 5,36 bilhões (R$ 10,6 bilhões) apenas em pesquisa e desenvolvimento. Suas vendas anuais somam US$ 37 bilhões (R$ 74 bilhões). O governo da Índia não concedeu a patente argumentando que o Glivec é "só uma nova fórmula de drogas já conhecidas". Ao rejeitar a patente, a Índia permite que qualquer laboratório produza o remédio, normalmente a um custo bem mais baixo. Instituições humanitárias, como a Médicos Sem Fronteira, apoiaram a decisão do governo indiano. A Novartis, por sua vez, se sentiu prejudicada porque não poderá vender o medicamento num dos países com maior mercado consumidor do mundo. Alega que para desenvolver uma nova droga investe, em média, US$ 1 bilhão em pesquisas que duram cerca de 10 anos. "Temos que proteger as patentes, do contrário não teremos resultado, não teremos investimentos, não vamos gerar empregos e não teremos como desenvolver medicamentos para as populações mais pobres", defende John Gilardi, diretor de relações públicas da multinacional suíça. O Brasil também contrariou os interesses dos laboratórios multinacionais. Pela primeira vez, o governo brasileiro quebrou uma patente. Em maio passado, após uma frustrada negociação sobre preço com a Merck Sharp&Dohme e interessado em reduzir os custos do remédio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o licenciamento compulsório do Efavirenz, usado no tratamento da aids. Mas o Brasil não representa um risco. Pelo menos para a Novartis. Luiz Villalba, presidente da empresa para América Latina, diz que a companhia recebeu a garantia de Lula e do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que todas as patentes serão respeitadas. Na Novartis, pelo menos oficialmente, a questão do Efavirenz é considerada como um fato isolado.

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Mais medicamentos (Do Alto da Torre)

2007-09-07T00:00:00-03:00setembro 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, inaugura, na próxima segunda-feira, uma nova área de produção de medicamentos para o tratamento da Aids em Farmanguinhos, no Rio de Janeiro. A expansão do parque industrial compreenderá área de 12 mil metros quadrados, com três pavimentos readequados para a fabricação de anti-retrovirais. Segundo o diretor da instituição, Eduardo Costa, o projeto compreende a penúltima parte do investimento de R$ 50 milhões que será feito no Complexo Tecnológico de Medicamentos, e que garantirá maior flexibilidade para suprir a demanda do Ministério da Saúde na fabricação dos medicamentos que abastecem o SUS.

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Brasil em semana quente na OMC

2017-01-10T17:18:14-03:00setembro 3, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Preparando se para uma semana agitada, o diretor geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, telefonou, de Genebra, na sexta feira, para Brasília. Mas boa parte de sua conversa com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tratou de assunto diferente das delicadas negociações da chamada Rodada Doha, de liberalização comercial e derrubada de subsídios que distorcem o mercado internacional. Lamy insistiu para que Amorim participe da conferência " Mobilizando Ajuda para o Comércio " , que a OMC promoverá em Lima, na próxima semana. Lamy argumenta que o Brasil é " peça chave " no esforço da OMC para dar assessoria a países menores em matéria de comércio internacional. Com experiência reconhecida em matéria de comércio e negociações comerciais internacionais e em tecnologia de produção agrícola, o país já patrocina projetos de cooperação, ainda em seus primeiros passos, com países da África e América Latina, além de ações com ex-colônias no Caribe. Amorim, porém, não vai a Lima, pois acompanhará o presidente Lula aos países nórdicos. Prometeu mandar um representante de alto nível. O Brasil é visto como um potencial aliado estratégico por Lamy, em sua mobilização " Aid for Trade " , destinada a dar maior capacidade aos governos dos países menores para aproveitar a liberalização do mercado internacional (e, de quebra, fornecer uma resposta às organizações não governamentais que vêem na OMC um dos monstros defensores dos ricos no processo de globalização dos mercados). Enquanto espera dos países europeus e outras nações desenvolvidas o financiamento para essas ações, o diretor geral da OMC vê no Brasil um interessante aliado político da idéia de ajuda para o comércio e, principalmente, potencial fornecedor de experimentados técnicos e diplomatas para projetos de assistência e cooperação. O convite de Lamy deve envaidecer Amorim, por seu óbvio endosso à tese de que a provocadora participação do Brasil nos fóruns mundiais garantiu ao país um protagonismo nunca antes visto na história das negociações comerciais ainda que, é bom lembrar, foi no governo Fernando Henrique Cardoso que o Brasil obteve sua primeira grande vitória moral na OMC, ao garantir o acordo sobre Aids e patentes, que facilitou a licença compulsória de medicamentos em caso de ameaça à saúde pública. O Brasil, de fato, está nos cruzamentos das estradas por onde caminha a discussão multilateral de comércio. Lamy vê país como potencial aliado Lamy estará, nesta semana, em Sidney, Austrália, para a reunião dos governos da Apec - Cooperação da Ásia e do Pacífico - onde uma das principais discussões se trava por um importante movimento, à margem da OMC: a proliferação de acordos regionais e bilaterais de comércio. O Brasil, infelizmente, está à margem dessa discussão, e aparentemente ainda alheio às conseqüências da crescente integração dos mercados na Ásia e entre os asiáticos e países americanos com menores interesses defensivos na indústria, como o Chile e o México. Lamy e Amorim argumentam que alguns dos principais interesses do Brasil nas negociações não podem ser atendidos em acordos bilaterais. Potência agrícola, Brasil e seus sócios do Mercosul amedrontam potenciais parceiros em acordos de comércio, que costumam resistir a apelos por maior liberalização de seus mercados de alimentos em acertos bilaterais; além disso, são os bilionários subsídios dos países ricos a seus produtores rurais - não apenas tarifas de importação - que dificultam o acesso de mercadorias do agronegócio brasileiro a boa parte dos mercados mundiais. Essas questões, assim como regras menos arbitrárias para os mecanismos anti dumping (usadas pelos EUA contra produtos como o aço e o suco de laranja brasileiros), são tema a ser resolvido só em uma discussão multilateral, como a da OMC. Lamy, até por força do cargo, mostra otimismo. Em agosto, garantiu ter razões para crer no "necessário e factível" êxito da rodada Doha. Foi contestado pela ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, e pela comissária européia para o comércio, Mariann Fischer Boel, que alertaram para divergências ainda inconciliáveis em matéria de redução de tarifas para produtos industriais e de queda de tarifas e subsídios agrícolas. Nesta semana, os negociadores em Genebra indicarão quem tem razão, ao começar o debate sobre os textos básicos sobre agricultura e indústria formulados pelos coordenadores das negociações. Há fortes resistências, contra ambos os textos, e, principalmente, enormes dúvidas sobre a disposição do governo dos Estados Unidos, especialmente do Congresso americano, em comprometer se com um limite aceitável para os subsídios à produção agrícola local. Além de ser um dos principais interlocutores nas negociações, o Brasil traz, sobre os ombros, uma responsabilidade perigosa: diplomatas e funcionários da OMC, em Genebra, acreditam na proclamada liderança brasileira na América do Sul, a ponto de depositar no governo de Lula a expectativa de que será capaz de controlar arroubos protecionistas em países como a Argentina e Venezuela. Um tropeço nas discussões com os vizinhos pode causar danos à imagem do país nessas negociações. Mais lisonjeira é a percepção dos negociadores sobre o papel decisivo do Brasil na afirmação do sistema de solução de controvérsias da OMC tema de discussão na rodada Doha, que vai além, no entanto, das atuais negociações. Até o fim do primeiro semestre de 2008, se decidirá o caso aberto pelo Brasil contra os subsídios ao algodão americano. Embora, contrariamente à percepção geral, os EUA tenham um bom histórico de cumprimento de acordos, esse é um dos primeiros casos que contestam no alicerce o distorcivo sistema de subsídios agrícolas locais, e, pela primeira vez, um país ameaça retaliar em uma área sensível aos americanos, a dos direitos de propriedade intelectual. É grande a expectativa sobre essa disputa. Mas não é possível garantir que a torcida esteja toda com o Brasil. Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas feiras sergio.leo@valor.com.br

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agosto 2007

“Quebra de patente” da indústria farmacêutica

2017-01-10T17:18:14-03:00agosto 30, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O licenciamento compulsório (popularmente conhecido como "quebra de patente") tem sido um meio proveitoso para se obter um medicamento a um preço mais baixo do que o cobrado, em condições normais, pela indústria farmacêutica titular da patente. Diversas questões sobre esta matéria na área farmacêutica têm promovido um progressivo movimento mundial com o objetivo de facilitar o acesso a medicamentos. O Brasil foi um dos primeiros países a inserir a discussão de licença compulsória de remédios para o tratamento da Aids em sua agenda de debates, pois com o programa que assegura ao povo os medicamentos anti-retrovirais de forma gratuita, em atividade desde 1996, o governo tem tido despesas elevadas com a aquisição dos mesmos. No caso específico de medicamentos anti-retrovirais, à medida que o tempo passa, os pacientes em tratamento precisam mudar as combinações, devido à resistência do HIV aos medicamentos utilizados, passando a usar medicamentos desenvolvidos mais recentemente, com alta especificidade, o que envolve maior eficácia e menor toxicidade. No caso específico do vírus da Aids, os estudos devem progredir rapidamente, já que, com certeza, os medicamentos de hoje poderão não ter muita eficácia brevemente. A pesquisa e o desenvolvimento para elaboração de novos produtos ou processos (no sentido mais abrangente) requerem, na maioria das vezes, grandes investimentos. Se não houver a concessão de direitos exclusivos (patentes) para estes produtos ou processos durante um prazo determinado, terceiros podem usar esse processo e/ou vender esse produto a um preço mais baixo, uma vez que não tiveram gastos com o desenvolvimento da invenção. Essa é uma das grandes razões para a existência do sistema de patentes. Os estudos para a elaboração de um novo medicamento envolvem um projeto arriscado para qualquer empresa, visto que apenas três dentre cada dez novos medicamentos recuperam os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Somente 20% dos medicamentos são responsáveis por 70% do retorno em vendas dos laboratórios farmacêuticos. Desta forma, o governo concede direitos de exclusividade temporários ao inventor com a finalidade de estimular a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos e/ou processos, promovendo o crescimento econômico e tecnológico do País e beneficiando a sociedade. Entretanto, fatores sócio-econômicos, como, por exemplo, o alto preço cobrado pelos medicamentos, podem eventualmente prevalecer sobre essa forma de retribuição do desenvolvimento tecnológico, colocando em debate questões sobre a licença compulsória. A licença compulsória é uma das ferramentas de que o Estado pode utilizar para interferir na exclusividade de uma patente, a todo momento que o interesse público necessitar. Ela possibilita que, em algumas situações, terceiros utilizem a matéria patenteada, por meio de um pagamento (royalties) arbitrado pelo Estado. Sob a ótica jurídica, a exclusividade da patente é substituída por esse direito de obter um ressarcimento financeiro pela utilização do invento. Até agora, a licença compulsória parece ser o recurso legal disponível para uma diminuição dos preços destes medicamentos. Vários outros países têm utilizado este instrumento de barganha, entre eles os Estados Unidos, que consideraram esta possibilidade quando negociaram o preço do Cipro, da Bayer, depois dos ataques com antraz em 2001. Desde esta época, o governo brasileiro vem conseguindo a redução dos preços apenas com a ameaça da licença compulsória, mas este ano foi publicada a primeira licença deste tipo para o efavirenz (Stocrin), da Merck. Ainda que admitida legalmente, a licença compulsória não pode ser a única saída para reduzir os preços dos medicamentos e melhorar seu acesso, até porque com relação a medicamentos novos, cujos processos até este momento, não são conhecidos no Brasil e que, logo, não estão subordinados a este modo de licenciamento, a negociação com os titulares das patentes tem se apresentado ineficiente. Isto deveria ser garantido por meio de investimentos apropriados em pesquisa e desenvolvimento e cooperação técnica entre empresas inovadoras. Certamente, o país deve estimular ao máximo o desenvolvimento de novos medicamentos anti-retrovirais, atraindo investimentos privados e interesse de pesquisadores brasileiros. Esta sim, é a única maneira de assegurar meios eficazes para auxiliar a salvar pacientes com Aids no Brasil.

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País estuda suspensão de direito de propriedade intelectual para retaliar EUA

2007-08-24T00:00:00-03:00agosto 24, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

De Brasília O governo brasileiro começou a preparar os instrumentos legais para, se necessário, suspender direitos de propriedade intelectual de empresas ou cidadãos americanos, como retaliação pelos subsídios ilegais dos EUA aos seus produtores de algodão. No primeiro semestre do próximo ano, a Organização Mundial de Comércio (OMC) deverá concluir o chamado caso do algodão, em que já deu ganho de causa ao Brasil na acusação aos EUA de darem subsídios ilegais aos produtores locais. Falta comprovar que, como é evidente pela nova lei agrícola americana, os EUA desacataram as determinações da OMC, e autorizar o Brasil a adotar represálias. Se optar por retaliar os EUA no campo da propriedade intelectual e for autorizado pela OMC (o que se chama no jargão comercial "retaliação cruzada"), o Brasil poderá suspender direitos de patente, marcas e de autor, de empresas ou cidadãos americanos; fornecer licenças para fabricação de produtos e serviços hoje protegidos por direitos de propriedade intelectual, permitir uso de indicações geográficas protegidas, ou, até, antecipar o fim de patentes. "O Brasil já pediu autorização à OMC para a retaliação cruzada, mas ainda não decidimos se a usaremos, ou como", explica o subsecretário-geral para assuntos de comércio e tecnológicos do Ministério das Relações Exteriores, Roberto Azevedo. "O importante é termos os instrumentos, caso decidamos." Apesar da reticência do diplomata, há forte entusiasmo no governo com a idéia, que, se bem-sucedida, traria um inédito instrumento de pressão para os países em desenvolvimento na OMC. Os diplomatas acreditam que a ameaça de causar danos aos detentores de direitos de propriedade intelectual é arma mais eficaz para pressionar o governo dos EUA a cumprir as normas da OMC do que os mecanismos tradicionais de retaliação. Em geral, seguindo critérios da OMC, os países retaliam com aumentos de tarifas de importação que terminam por causar pequeno impacto em países de grandes economias, e prejudicar o autor das retaliações, com alta nos custos de importação. Na quarta-feira, os ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, encarregaram um grupo de especialistas dos próprios ministérios a prepararem o modelo a ser aplicado caso o Brasil aplique a retaliação cruzada. Embora o grupo não tenha data fixada para concluir os trabalhos, os ministros querem, dos técnicos, definições até o fim do semestre, para orientar as possíveis ações do governo em 2008. Na próxima semana, a estratégia do governo chega ao Congresso, com a apresentação, pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), de um projeto de lei alterando a lei brasileira de propriedade intelectual, para evitar problemas legais em caso de suspensão de direitos no campo da propriedade intelectual. Teixeira, que tomou a iniciativa de procurar o Itamaraty, por sua antiga militância no combate à Aids e facilitação do acesso a medicamentos para a doença, apoiou-se em estudos da especialista da Universidade de São Paulo Maristela Basso, que aponta dificuldades na aplicação da medida, mas a considera uma forma eficaz de pressão contra países que violam as normas da OMC, como os EUA. "Fiz uma fórmula ampla, que permite ao governo suspender ou diluir diretos em obras de autoria, direitos de artistas e intérpretes, produtores de fonogramas e organismos de radiodifusão, marcas, indicações geográficas, patentes, desenhos industriais", lista o deputado. Maristela sugere, entre as medidas possíveis, escolher produtos que tenham patentes próximas ao fim do prazo para antecipar o fim dos direitos a esses bens. "A princípio, penso que as retaliações deverão ser aplicadas na mesma área. No caso do algodão com os EUA, poderia ser contra produtos transgênicos, por exemplo", exemplifica Teixeira. (SL)

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Um novo olhar

2007-08-17T00:00:00-03:00agosto 17, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Temporão também está investindo contra outro poderoso cartel, o dos remédios, hoje dependentes de importação. Sua primeira vitória foi na compra de medicamentos para AIDS. Pelo menos um laboratório já foi enquadrado, o Merck, que produz o Efavirenz, para o qual o governo pagaria este ano R$ 49 milhões, beneficiando 75 mil portadores de HIV. Com a quebra da patente, a situação mudou e não era para menos: o Brasil vinha pagando 1,59 dólar por comprimido e queria uma redução para 0,65 centavos de dólar, mesmo preço praticado pela Merck na Tailândia. É a partir do confronto com os verdadeiros sanguessugas da saúde que o governo poderá redefinir suas políticas e vencer os desafios da manipulação das doenças. A nós outros, repito, cabe dar o apoio indispensável a alguém que pode nos dias de hoje ter para o País o mesmo papel transformador que o médico Pedro Ernesto teve para o antigo Distrito Federal.

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Shire abre filial no País e analisa oportunidades de novos negócios

2017-01-10T17:18:14-03:00agosto 15, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

São Paulo, A Shire Human Genetic Therapies (Shire HGT), braço de biotecnologia do grupo farmacêutico Shire, acaba de se instalar no Brasil e deverá investir cerca de US$ 20 milhões nos próximos anos para fincar bases aqui. No plano, além da colocação no mercado brasileiro de seus medicamentos voltados a tratamentos de doenças raras, está também a busca de oportunidades de outros negócios, disse Michael Sweeney, diretor da Shire HGT para a AméricaLatina e Ásia Pacífico. Sweeney informou que a empresa tem um programa de licenciamento de drogas que poderá interessar o governo brasileiro, com o qual já está iniciando negociações. Sem adiantar detalhes, o executivo explicou que são cerca de cinco medicamentos em portfólio que a Shire não produz e apenas os licencia nos diversos mercados aonde atua. Entre eles, estão o Interferon do tipo alpha e beta, utilizados em tratamentos de hepatites virais, HIV e esclerose múltipla, que a companhia acredita que podem vir a ser licenciados para produção em laboratórios públicos do País. A farmacêutica também estuda as linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinadas à área de biotecnologia. "Se houver oportunidade e um momento favorável para a produção local, temos interesse em estabelecer uma unidade no País", afirmou o executivo, que esteve no Brasil semana passada para a inauguração da subsidiária, sediada em São Paulo. Aquisição de empresas, produtos e desenvolvimento conjunto de pesquisas de novas drogas também devem ser prospectados pela farmacêutica no Brasil. "A Shire cresceu fazendo aquisições e elas não se restringem somente aos EUA e Europa. Foram sete compras nos últimos dez anos e se tiver algum negócio aqui que se encaixe no perfil da empresa, vamos tentar concretizá-lo", afirmou Sweeney, observando que o Brasil está no foco de interesse do laboratório. "Vimos uma transformação consistente no Brasil nos últimos 100 anos. Em alguns lugares o chamam de País em desenvolvimento, mas em outros já é visto como parte do primeiro mundo, em termos de tecnologia, de profissionais e do potencial maior de crescimento que tem em relação a outros mercados", observou Sweeney, um irlandês que vive há mais de 20 anos nos Estados Unidos e que antes da Shire trabalhava na concorrente norte-americana Genzyme Corporation, a primeira empresa de biotecnologia a se instalar no Brasil, há 10 anos, e com a qual agora também vai disputar o mercado local. Da Genzyme saiu também Roberto Marques, que comanda as operações brasileiras da Shire. Conforme o executivo, boa parte dos investimentos aqui, cujo valor total ainda está em estudo, será direcionada para diagnosticar pacientes. As doenças raras, genéticas, são muitas vezes de identificação difícil até para médicos e as empresas investem muito até em formação de profissionais para conseguir identificar pacientes. Segundo Sweeney, a presença da Shire no Brasil é uma alternativa para médicos, pacientes e governos. A empresa, disse, é a única do mundo que produz a Elaprase, terapia para a Mucopolissacaridose tipo II (MPSII), ou Síndrome de Hunter, provocada pela deficiência de uma enzima e que se manifesta por alterações faciais, maior volume da cabeça e do abdômen, entre outros problemas sérios, como comprometimento das válvulas do coração, que podem levar à morte. O remédio, aguardando registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), deverá chegar ao mercado no próximo ano. Em setembro próximo, a Shire entrará na Anvisa com pedido de registro para Replagal, indicado para doença de Fabry, também genética. A Shire tem fábricas e sedes nos Estados Unidos e na Inglaterra. Em 2006, faturou US$ 1,79 bilhão e investiu US$ 389,9 milhões em pesquisa e desenvolvimento. Sua estratégia de crescimento global contempla uma subsidiária no México, em 2008.

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julho 2007

Patente: prêmio à inteligência

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 30, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

"Jogar para a platéia" e colocar em risco a garantia do inventor será política suicida e isolacionista do Brasil Já há alguns anos, o Brasil passa por um movimento de conscientização que dá outra visão à Lei de Marcas e Patentes (lei nº 9.279, de 14/5/1996). A norma não é mais vista como subserviência aos países ricos, mas como indispensável garantia aos nossos inventores, além de um estímulo à pesquisa e à capacidade de gerar riquezas com influência na balança comercial. O nosso povo jamais terá razões para propagar sentimento de inferioridade. Inventos mundialmente conhecidos tiveram origem no país, mas não contaram com o registro de patente. Em 1894, por exemplo, o jesuíta gaúcho Roberto Landell de Moura realizou as primeiras transmissões e recepções eletromagnéticas e luminosas sem fio do mundo. Entretanto, a história registra como "pai da radiodifusão" o jovem italiano Guglielmo Marconi. Mesmo tendo realizado a primeira transmissão pública um ano depois, Marconi patenteou sua descoberta na Inglaterra. Antes da nossa legislação patentária, outras injustiças ocorreram com invenções de brasileiros, como o "biofio" (substituto na recomposição da pele humana em queimaduras), o medicamento SB 73, de combate à Aids, e o plástico degradável. Até 1997, o Brasil não reconhecia patentes de produtos farmacêuticos e processos industriais, produtos químicos, produtos e processos de alimentos, ligas metálicas e microrganismos transgênicos, desde que atendam aos requisitos da novidade, atividade inventiva e aplicação industrial (artigo 18). Isso criou obstáculos à inserção do país na economia global. A nova legislação, que foi aprovada em 1996, definiu o tempo de proteção de cada uma dessas classes; regulamentou a licença voluntária e compulsória; a transferência de tecnologia; o registro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial); a concorrência desleal; as sanções administrativas e penais. Ela inovou ao proteger o cientista empregado, tornando comum a propriedade de invenção (artigo 91) para efeito de lucro na exploração. Em certas ocasiões, ouve se o discurso tonitruante de que a legislação patentária nem ao menos exigiu que os "gringos" instalassem suas fábricas no país. Grave equívoco. A lei vigente obriga o detentor da patente a fabricar aqui no Brasil, gerando empregos e riquezas. No entanto, há casos que não dependem isoladamente da lei brasileira. A economia de escala é um fenômeno mundial. As patentes constituem normas reguladoras de nível internacional, e não da política industrial de cada país isoladamente. Se ficar provado que fabricar algum produto em nosso país representa perda de qualidade ou aumento de custo ou for insuficiente para atender à demanda, o que fazer? Produzi lo mais caro e onerar o consumidor? Após três anos de exploração da patente por importação e sendo justificada a impossibilidade de fabricação local com fundamento na inviabilidade econômica, não se aplica a sanção da licença compulsória (uso da patente de forma abusiva). Em tal caso, será facultada a importação do produto (artigo 68, parágrafo 4º) não só pelo titular mas também por terceiros. A Lei de Marcas e Patentes de 1996 estabeleceu o prazo de um ano para a transição. No período de mais de 50 anos, não houve explosão de pesquisa nem de inovação, sobretudo na indústria farmacêutica nacional, com raras exceções. Por que penalizar quem acreditou no país? Durante mais de quatro anos, dediquei a minha atividade parlamentar para relatar a legislação de marcas e patentes, que foi referendada por todos os países presentes à convenção internacional de Paris, em 1883, inclusive o Brasil. Em 1996, a lei nº 9.279/96 foi aprovada na Câmara dos Deputados, por consenso de todos os partidos, sem exceção. Preocupou me na relatoria do projeto de lei a tão falada possibilidade da patente colaborar para o aumento do preço final. Por essa razão é que o texto legal assegurou exclusivamente a propriedade do invento, sem nenhuma alteração nas regras que coíbem a dominação dos mercados, a eliminação da concorrência ou o aumento arbitrário dos lucros. Aperfeiçoar a legislação é tarefa permanente. Porém, "jogar para a platéia" e colocar em risco a garantia do inventor será política suicida e isolacionista do Brasil, gerando até sanções internacionais na OMC. E esse risco não devemos correr. NEY LOPES , 62, advogado e jornalista, é ex deputado federal (pelo então PFL RN, atual DEM). Foi relator da Lei de Marcas e Patentes e presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados. Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

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“Não confie nos laboratórios”

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 28, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ex-executivo da Pfizer diz que as práticas da indústria farmacêutica são ilegais e antiéticas Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma. Edward L. Glaeser QUEM É Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa VIDA PESSOAL Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos O QUE PUBLICOU The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande... Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram. ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça? Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito. ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa? Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema. ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou? Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar. ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial? Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo. “Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas” ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios? Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal. ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações? Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência. ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres? Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada. ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real? Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral. ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia? Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito. ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida? Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

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