Aids: Farmanguinhos reafirma independência do País
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, inaugurou, ontem, uma nova área de produção de medicamentos antiretrovirais, usados no tratamento da Aids, no Instituto de Tecnologia em Fármacos, a Farmanguinhos, fábrica de medicamentos da Fundação Oswaldo Cruz, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. A iniciativa permitirá o aumento da capacidade de produção da fábrica de 4,5 bilhões para 6 bilhões de medicamentos por ano. Segundo o diretor da insitituição, Eduardo Costa, o projeto compreende a penúltima parte do investimento de R$ 50 milhões que será feito no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A expansão do parque industrial incluirá uma nova área de 12 mil metros quadrados readequados para a produção de antiretrovirais, cremes, pomadas e comprimidos. Com o aumento da produção, o País poderá exportar os medicamentos e até mesmo ajudar outros países no tratamento da Aids. Entretanto, segundo o ministro Temporão, a meta principal é poder garantir maior flexibilização na demanda do Ministério da Saúde para a fabricação dos medicamentos que abastecem o Sistema Único de Saúde (SUS). "O Brasil sempre tem atendido aos países irmãos da África e da América Latina em situações de crise. Faz parte da postura brasileira. Mas, o objetivo fundamental é suprir as necessidades dos programas de saúde pública do Ministério da Saúde" afirmou o ministro. Temporão acrescentou que durante este mês irá apresentar uma proposta para ampliar a produção de medicamentos considerados estratégicos, como os antiretrovirais, no chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde, além de vacinas, equipamentos, reagentes e material médico-hospitalar. A intenção é reduzir a vulnerabilidade da política social e a dependência em áreas críticas da tecnologia desenvolvida fora do País. "A ampliação da capacidade estratégica do Brasil, seja através dos laboratórios estatais, seja através dos laboratórios privados, se inserem no contexto mais amplo de redução de dependência e ampliação da capacidade do Estado de melhorar as condições de saúde da população brasileira" disse. Durante o evento, o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, comentou ainda sobre a futura expansão dos trabalhos da instituição no restante do País e a instalação de um escritório em Moçambique, na África. "Nós temos que dar um retorno a este continente tão sofrido, onde ocorrem parte das grandes tragédias que a gente vive contemporaneamente, e queremos também continuar servindo à sociedade brasileira com muito compromisso", citou Buss. Quebra de patente Ao inaugurar a nova área de produção de antiretrovirais, o ministro Temporão avaliou que "a experiência do licenciamento compulsório do Efavirenz foi bastante didática". Segundo ele, o País teve que lançar mão de um instrumento legal para poder garantir a viabilidade do coquetel anti-Aids, distribuído pela rede pública a todos os pacientes portadores do vírus HIV. Atualmente, Farmanguinhos produz medicamentos e vacinas para doenças como Aids, tuberculose, hanseníase, hipertensão e diabetes. Anteriormente, a fábrica ocupava uma área de 6 mil metros quadrados em Manguinhos, Zona Norte do Rio, sendo transferida, em 2004, para a Zona Oeste, em Jacarepaguá. O Efavirenz, que está sendo sintetizado por pesquisadores da Fiocruz e do Laboratório Farmacêutico de Pernambucano (Lafepe), deve começar a ser produzido em Farmanguinhos a partir de abril do ano que vem, segundo estimativa do presidente da Fiocruz, Paulo Buss. À espera da regulamentação da emenda 29 O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, está pedindo mais recursos da União no orçamento da Saúde, através de uma proposta de regulamentação da emenda 29, que apresentará até o fim da semana aos ministros da Casa Civil, Dilma Roussef; Planejamento, Paulo Bernardo; e Fazenda, Guido Mantega, juntamente com os outros projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Saúde, que deve ser lançado no final do mês. Temporão disse que a proposta do governo é regulamentar a definição do que são ações e serviços de saúde, impedindo que governos e prefeituras incluam gastos sociais na prestação de contas da saúde. A declaração foi feita antes de participar de cerimônia de inauguração de uma nova área de produção de medicamentos antiretrovirais no Instituto de Tecnologia em Fármacos - Farmanguinhos, fábrica de medicamentos da Fundação Oswaldo Cruz. "Estamos discutindo a possibilidade de um esforço do governo federal para colocar recursos adicionais, que eu proponho que estejam vinculados ao PAC Saúde, inovando nos mecanismos de repasses a estados e Municípios", afirmou Temporão. O ministro propõe que os novos recursos sejam transferidos através de um contrato que permita maior fiscalização da aplicação e controle dos gastos. A emenda constitucional número 29 foi aprovada em 2000, e define de onde devem vir os recursos para a saúde. O problema é que até hoje a emenda não foi regulamentada, o que deve ser feito através de lei complementar. A regra atual determina que o governo federal deve aplicar o valor executado no ano anterior acrescido da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) - o que dá atualmente um acréscimo anual de R$ 4 bilhões. Os estados devem aplicar 15% dos seus orçamentos, e os municípios, 12%. Caso a lei fosse aplicada, no entendimento do governo, o orçamento da saúde teria mais R$ 5,7 bilhões vindos de Estados e municípios.