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junho 2007

Estrangeiros não acordaram, diz ministro

2007-06-26T00:00:00-03:00junho 26, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a indústria farmacêutica multinacional não "acordou" para o interesse do governo federal em firmar acordos de transferência de tecnologia no país. Temporão afirmou que a indústria estrangeira nunca fez pesquisas em inovação no Brasil e criticou o interesse das empresas apenas em realizar pesquisas clínicas. "A intenção do governo é trazer para o país etapas nobres do processo de desenvolvimento de medicamentos." Como bom exemplo, citou o acordo firmado neste ano entre o Instituto Butantan e a Sanofi Pasteur para transferência da tecnologia, em cinco anos, de produção local de vacinas antigripais. O ministro disse que o déficit comercial de insumos, matérias-primas e medicamentos aumentou de US$ 600 milhões há dez anos para mais de US$ 5 bilhões. "Os remédios prontos já embalados representam US$ 1 bilhão." "O governo precisa usar seu poder de compra do Estado, o que nunca usou", disse ele, lembrando que o poder público no Brasil é responsável pela compra de 25% dos medicamentos, 80% das vacinas e 50% dos equipamentos médicos. Temporão participou de debate promovido pelo jornal "Folha de S. Paulo". O ministro da Saúde disse ainda que o governo fechou um novo acordo com o laboratório americano Abbott, que será assinado ainda nesta semana, para redução em 30% do preço do Kaletra, um medicamento que faz parte do coquetel para o tratamento de aids. Segundo o ministro, o acordo trará uma economia anual de US$ 10 milhões por ano até 2011. Em abril, a Abbott anunciou que diminuiria voluntariamente o preço do Kaletra em 40 países, incluindo o Brasil. Temporão, que assumiu o ministério em março, propôs o licenciamento compulsório do remédio anti-aids Efavirenz, produzido pela americana Merck, que criticou a decisão. Ontem, ele disse ter ficado feliz com o fato de o ex-presidente americano Bill Clinton ter elogiado a decisão do governo brasileiro. (AV)

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Governo quer facilitar uso da pílula do dia seguinte

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 26, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse em sabatina da Folha que o governo pretende distribuir a pílula do dia seguinte, sem exigir receita médica, nos programas de planejamento familiar. A idéia, segundo ele, é facilitar o acesso a métodos contraceptivos. O ministério já distribui a pílula do dia seguinte desde 2004, mas é necessário apresentar prescrição médica. SABATINA FOLHA / JOSÉ GOMES TEMPORÃO Ministério quer facilitar acesso à pílula do dia seguinte Titular da pasta de Saúde pretende distribuir o medicamento nos programas de planejamento familiar , sem a necessidade de apresentar uma receita médica; objetivo, segundo ele, é facilitar o acesso a métodos contraceptivos  O titular da pasta da Saúde respondeu a perguntas sobre planejamento familiar, saúde do homem, financiamento para o setor, reajustes dos planos de saúde e novas regras para o funcionamento de farmácias. Temporão anunciou ainda que o governo fecha nesta semana um acordo com o laboratório Abbot que vai reduzir o preço do Kaletra, um medicamento do coquetel anti-Aids, em 30%, o que vai significar uma economia anual de US$ 10 milhões. ABORTO CLANDESTINO O número de abortamentos clandestinos no Brasil foi de 1,040 milhão em 2005. Para cada três crianças que nascem foi realizado um aborto induzido. Como estamos atendendo no sistema de saúde 220 mil curetagens pós-aborto, se há crime, teríamos que prender todos os dias 780 mulheres, mais os médicos e enfermeiros. É uma discussão [aborto] que vai para o campo da religião, da filosofia, da moral, fica uma coisa abstrata. Mas não trabalho com abstrações, trabalho com as 170 mulheres que morreram em 2005 -quarta causa de óbito materno. CONTRACEPÇÃO O ministério usará sim a pílula do dia seguinte, ela é uma arma importante no sentido da prevenção da gravidez indesejada. O que houve na política que lançamos é que, como estamos ampliando o acesso ao anticoncepcional na rede de farmácias, e esse programa pressupõe receita médica, e a utilização da pílula do dia seguinte pressupõe a não necessidade de apresentar uma receita médica -seria um disparate você ter que procurar um médico para prescrever-, minha equipe está vendo como encaixar a pílula do dia seguinte em nossa estratégia, em que estará, com certeza absoluta. INÍCIO DA VIDA Ninguém defende o aborto por si só. Nosso problema são mulheres que engravidaram e se defrontam com uma situação difícil, na maioria das vezes dramática, e como é que o Estado apóia esse processo. Apóio [aborto induzido] até o início do desenvolvimento do sistema nervoso central, em torno da 12ª semana de gravidez. Porque até ali não há consciência, não há sofrimento, não há dor. Há um conjunto de especialistas, médicos e até filósofos, que apóiam essa perspectiva. A única coisa que não aceito nessa discussão é alguém negar que essa é uma questão de saúde pública. Aí tem a visão da igreja, da família, do cidadão, mas negar que essa é uma questão de saúde pública, que mata mulheres, que traz sofrimento e dor, é uma irresponsabilidade. VERBAS Acho que o Brasil gasta pouco em saúde. Se pegarmos o orçamento do antigo Inamps, em 1983, e trouxermos esse valor corrigido, o ministério teria de ter um orçamento duas vezes maior hoje, de R$ 80 bilhões. Hoje o ministério paga R$ 7 por uma consulta. Se pagássemos o mesmo valor de 1983, teríamos de pagar R$ 22. Há um evidente subfinanciamento. No caso do governo federal, nos anos 1980, a participação era de 70% dos recursos. Hoje são 50%. Houve uma perda real. Estamos trabalhando [em fixar para o setor] com 10% da receita bruta da União e a vinculação com o crescimento do PIB. A idéia é que apresentemos ao presidente uma proposta de crescimento real dos gastos ao longo de quatro anos. Uma estratégia gradualista, mas que possa reverter em aumento significativo dos recursos. ÁLCOOL De 2005 para 2006 o consumo de cerveja no Brasil cresceu 7,5%, e os brasileiros beberam a mais dois litros por capita por ano. A indústria jura que não é por causa da propaganda, é o aumento da renda. Com a propaganda de cigarro havia a mesma discussão, de liberdade de expressão. Acho que a gente poderia até ser mais ousado, é uma polêmica saudável. Outra polêmica saudável é que os artistas deveriam refletir mais sobre seu papel na sociedade. Como você coloca sua imagem, seu talento, e a serviço do quê. Tem uma música nova que diz que a solução é latinha na mão. Não dá. SAÚDE NO BRASIL Não há caos na saúde no Brasil. Má qualidade de atendimento, fila de espera, tem. Heterogeneidade é uma marca que o sistema de saúde brasileiro tem.O que o governo tem que fazer, junto com a sociedade, é trabalhar para aperfeiçoar o sistema. Mas os que não usam o sistema é que o avaliam pior. Tenho dados exaustivos de que o sistema de saúde é muito bem avaliado pela população que o utiliza. O sistema tem méritos. PLANOS As empresas gritam dizendo que o reajuste que a gente dá não cobre a variação dos custos do setor, e os consumidores reclamam que está muito acima da inflação. O setor deve discutir porque os custos sobem acima da inflação. É uma equação difícil. Mas acertei com a ANS que, para 2008, vamos criar um grupo para refinar melhor essa apropriação dos custos, para darmos uma resposta mais consistente à sociedade.

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Mais barato

2007-06-26T00:00:00-03:00junho 26, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Quase dois meses depois de quebrar pela primeira vez a patente de um remédio do tratamento da Aids, o Brasil conseguiu o barateamento de mais um medicamento. Nesta semana, o governo assinará um novo contrato com o laboratório americano Abbott, que fabrica o Kaletra. Números A redução do valor do remédio Kaletra significará uma economia de US$ 10 milhões por ano aos cofres públicos.

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Roche vai acompanhar pacientes

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 26, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Laboratório Farmacêutico Roche começou a cadastrar os pacientes brasileiros que estavam usando o medicamento Viracept (Nelfinavir). A idéia é acompanhá-los para atestar se desenvolverão células cancerígenas. O anti-retroviral fazia parte do coquetel para pacientes com HIV e estava sendo distribuído pelo governo federal até o início do mês, quando a Roche recolheu todos os lotes no Brasil por suspeita de contaminação. Cerca de 9 mil adultos e 250 crianças faziam uso do medicamento. Em nota, a Roche anunciou que o cadastramento dos usuários brasileiros do remédio "faz parte de uma série de ações de acompanhamento dos pacientes estabelecida pelo laboratório". Há suspeita de que os lotes de Viracept que foram recolhidos tenham sido contaminados pela substância química cancerígena conhecida como ácido éster metanossufônico. Os primeiros resultados ficarão prontos no final do ano.O governo exigiu do laboratório que a identidade dos pacientes que serão examinados seja mantida sob o mais absoluto sigilo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já coletou amostras do Viracept para análise, que será feita pelo Instituto Nacional de Qualidade em Saúde da Fiocruz. Na Europa, a licença de comercialização desse medicamento também foi suspensa e os pacientes que faziam uso estão sendo chamados para realização de exames clínicos. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que está tomando providências para ser ressarcido, já que os lotes recolhidos pelo laboratório já estavam pagos. Em nota, a diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Maiângela Simão, disse que "todos os pacientes de Aids em uso do Nelfinavir, que ainda não procuraram o serviço de saúde onde são atendidos, devem procurar imediatamente um médico para receber orientações e substituição do medicamento". Na nota, Mariângela ressalta também que "os pacientes que ainda não fizeram a substituição devem continuar tomando o medicamento", mesmo com a suspeita de contaminação. "O tratamento não deve ser interrompido", disse.

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Antiaids fica 30% mais barato

2007-06-26T00:00:00-03:00junho 26, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Laboratório Abbott oferece desconto de Kaletra a governo brasileiro Quase dois meses depois de quebrar pela primeira vez a patente de um remédio do tratamento da aids, por causa do valor elevado cobrado pelo fabricante, o Brasil conseguiu o barateamento de mais um medicamento do coquetel antiaids. Ainda nesta semana, o governo assinará um novo contrato com o laboratório americano Abbott, que fabrica o medicamento Kaletra. De acordo com o Ministério da Saúde, o remédio ficará 30% mais barato, o que significará uma economia anual de US$ 10 milhões (cerca de R$ 19,3 milhões) aos cofres públicos. Atualmente, as 17 drogas do coquetel antiaids custam R$ 1 bilhão ao ano. No início de maio, o governo brasileiro quebrou a patente do Efavirenz, produzido pelo laboratório americano Merck. A decisão, inédita e polêmica, foi tomada após várias tentativas, sem sucesso, de reduzir o preço do medicamento. O Brasil deixou de comprar o remédio produzido pelo laboratório que o criou. Passou a comprar uma versão genérica - muito mais barata - produzida na Índia. "Depois daquele licenciamento compulsório (a quebra de patente), os outros laboratórios foram procurados para discutir os preços. Este (a redução do preço do Kaletra) é o primeiro resultado", afirmou ontem o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, numa sabatina realizada em São Paulo pelo jornal Folha de S.Paulo. O governo brasileiro já havia ameaçado quebrar a patente do Kaletra. A ameaça, em 2005, só não foi concretizada porque o laboratório conseguiu negociar uma redução do valor que agradou ao Ministério da Saúde. Temporão fez questão de destacar que, desta vez, o laboratório Abbott não foi ameaçado. O Brasil foi, em 1996, o primeiro país da América do Sul a fornecer tratamento gratuito aos doentes de aids. O programa nacional de distribuição de medicamentos antiaids alcança hoje 180 mil pessoas. HPV FORA DO CALENDÁRIO No evento de ontem, o ministro afirmou que não pretende, pelo menos por ora, incluir a vacina contra o HPV no calendário anual de vacinação do governo. O HPV é o vírus responsável por 70% dos casos de câncer de útero. A vacina, indicada para meninas e pré-adolescentes, acaba de ser desenvolvida pelo laboratório Merck e já é bastante procurada no Brasil na rede privada de saúde. "É um produto que só está registrado em meia dúzia de países. Ainda não existe clareza sobre seus efeitos, principalmente a longo prazo", disse Temporão. Além disso, segundo o ministro, há o motivo econômico. Todas as vacinas oferecidas pelo governo custam hoje R$ 700 milhões por ano. Apenas a vacina contra o HPV, se dada às meninas brasileiras de 9 a 12 anos de idade, custaria R$ 1,8 bilhão. APLAUSOS E VAIAS José Gomes Temporão foi aplaudido pela platéia que assistia à sabatina quando disse que artistas deveriam ter responsabilidade e não fazer propaganda de bebidas alcoólicas. Logo em seguida, porém, foi vaiado pela mesma platéia ao dizer que não existe "caos" no sistema público de saúde. O assunto surgiu quando ele foi questionado sobre como reagiria se tivesse de ser atendido num hospital do governo. "Eu tenho uma saúde muito boa", respondeu, de pronto. Logo em seguida, defendeu o sistema público citando um exemplo: "No Rio, se você sofrer um acidente ou levar uma bala, vai ser muito bem atendido num pronto-socorro municipal. Fico incomodado quando leio manchetes que dizem que existe caos na saúde." Diante da reação hostil da platéia, Temporão começou a citar números - "fazemos 12 milhões de internações por ano, 2,2 milhões de partos, 1 bilhão de procedimentos diagnósticos, 300 mil consultas, 15 mil transplantes" - e a comparar o Brasil com outros países - "na Inglaterra, é preciso esperar meses para fazer uma cirurgia". "Não existe caos na saúde. Existem situações localizadas da mau atendimento, existe espera demasiada por determinados procedimentos... Caos é absoluto descontrole, as pessoas não sendo atendidas. Eu não vejo isso. Os que falam do caos são os que não usam o sistema."

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Folha sabatina amanhã ministro da Saúde

2007-06-24T00:00:00-03:00junho 24, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

José Gomes Temporão responderá a perguntas dos entrevistadores e da platéia no Teatro Folha durante duas horas Público ainda pode se inscrever por e-mail ou por telefone para participar; é preciso informar nome, número para contato e RG A Folha sabatina amanhã o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. As inscrições para o evento ainda estão abertas. A sabatina será realizada das 15h às 17h, no Teatro Folha (Shopping Pátio Higienópolis). Durante duas horas, Temporão responderá a perguntas de quatro entrevistadores e da platéia em São Paulo. Temporão será sabatinado por Vinicius Mota, editor de Opinião da Folha, pelo médico, escritor e colunista Moacyr Scliar e pelas repórteres Laura Capriglione e Cláudia Collucci. Os interessados em participar da sabatina com o ministro da Saúde podem se inscrever pelo telefone 0/xx/11/3224-3473, amanhã, das 11h às 14h, ou pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br. É preciso informar nome, número de telefone e RG. Polêmicas Aos 55 anos, Temporão -mestre em saúde pública e doutor em medicina social- assumiu o Ministério da Saúde em março deste ano e já esteve no centro de pelo menos três assuntos bastante polêmicos. O primeiro deles foi a defesa da realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto no Brasil. Em abril, o ministro afirmou que a rejeição dos brasileiros à descriminalização do aborto resulta de um debate "ainda muito precário" sobre o assunto no país. Pesquisa Datafolha mostrou que 65% são contra mudanças na lei. Segundo Temporão, o aborto precisa ser analisado pela ótica da saúde pública. Na véspera da visita do papa Bento 16 ao Brasil, Temporão criticou a Igreja Católica. "[O aborto] é um tema que deve ser tratado com delicadeza. Não tenho percebido isso em alguns setores da igreja, que fizeram declarações muito agressivas e bastante distantes dos ensinamentos de Jesus", disse. A segunda polêmica foi o licenciamento compulsório do remédio anti-Aids Efavirenz. Foi Temporão quem enviou ao Palácio do Planalto a proposta. Por fim, o ministro defendeu restrições na publicidade de bebidas alcoólicas. Entre outras medidas, Temporão pretende que artistas e esportistas sejam proibidos de fazer propaganda desse tipo de bebida. Temporão será o quarto a participar do ciclo de sabatinas da Folha neste ano. Antes dele, o jornal sabatinou o climatologista Carlos Nobre (março), o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer (abril), e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (maio).

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Médicos não devem fazer greve

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 24, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para o ministro, estabilidade dos funcionários da Saúde contraria interesses da população O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, parece ter um gosto todo especial pela polêmica. Logo depois que tomou posse, ele defendeu a realização de um plebiscito que discutisse a legalização do aborto. Provocou como reação uma passeata na porta do seu Ministério. Mais recentemente, criticou o sambista Zeca Pagodinho, um dos artistas preferidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por fazer propaganda de cerveja. Agora, ele resolveu comprar briga com os médicos e servidores do seu próprio Ministério: Temporão pretende alterar a forma de administração dos hospitais públicos. Sua idéia é criar uma fundação que gerisse esses hospitais com regras do setor privado. Nessa nova lógica, os médicos e demais funcionários perderiam a estabilidade que o serviço público garante. Passariam a ser contratados pela CLT e poderiam ser demitidos a qualquer momento. Para Temporão, é a segurança da estabilidade, associada com a burocracia da administração pública, que torna ineficientes o atendimento e o funcionamento de muitos hospitais do Sistema Único de Saúde. Nessa entrevista a ISTOÉ, o médico sanitarista de 55 anos, nascido em Monção, no norte de Portugal, com 27 anos de dedicação ao setor de saúde, aborda ainda outras questões polêmicas. Volta a brigar com as fábricas de bebidas ao pregar uma intervenção governamental no conteúdo das suas propagandas. Cutuca a indústria farmacêutica ao defender a quebra da patente do medicamento contra a Aids Efavirenz e a falta de investimentos desses laboratórios multinacionais no País. E provoca o próprio governo ao cobrar mais verbas e critica a falta de definição da saúde como uma política de Estado. ISTOÉ - O presidente Lula disse há algum tempo que a saúde brasileira estava perto da perfeição. O sr. concorda com esse diagnóstico? José Gomes Temporão - Evidentemente, eu não vou discordar do presidente. Hoje, nós temos um sistema de saúde cuja amplitude não tem paralelo em lugar nenhum do mundo. E o acesso é muito fácil. Mas é claro que há problemas. Especialmente nas grandes regiões metropolitanas, onde a questão da violência, da marginalização, da pobreza e da falta de infra-estrutura se soma à ausência de uma estratégia do Estado de oferecer saúde. Um bom exemplo são os morros do Rio de Janeiro. Nós estamos num conflito bélico, numa guerra declarada. Como é que eu garanto que aquela população tenha acesso aos serviços de saúde? Existem fragilidades no primeiro atendimento de urgência e emergência. Existem fragilidades na questão da atenção básica, da saúde da família. Existem muitas localidades com estrutura precária de equipamentos, de prédios. Tudo isso existe. Essa heterogeneidade é que dá singularidade ao sistema de saúde brasileiro. ISTOÉ - Como reduzir essas disparidades? Temporão - Estamos propondo a criação de uma fundação estatal, de direito privado, para substituir o modelo de administração direta dos hospitais. O que fundamentalmente vai mudar com a criação dessa fundação é que os servidores passarão a ser contratados pela CLT, sem estabilidade, com princípios de gerência moderna. ISTOÉ - O sr. acha, então, que servidor na área de saúde não deve ter estabilidade como os demais funcionários públicos? Temporão - Em serviços como educação, na saúde e assistência social, eu não vejo como se possa justificar a estabilidade. Se você defende uma carreira estável para o servidor de saúde, fica amarrado a um outro conjunto de regras e normas que regem o serviço público. E eles não são compatíveis com o atendimento à população. Eu preciso ter um atendimento eficiente e ágil. Que eu não tenho na administração direta, na qual a estabilidade se dá. Se hoje um equipamento quebra, pode ter certeza que a burocracia o fará ficar quebrado dois meses. Se você tem uma instituição com uma estrutura mais ágil, pode resolver isso num prazo mais curto. Outro exemplo: se eu tenho um diretor de hospital que conseguiu economizar 10% do seu orçamento melhorando a gestão, hoje ele tem de devolver esse dinheiro ao Tesouro. Se eu tivesse outro modelo, eu poderia premiar os funcionários do hospital com um pagamento adicional pelo bom desempenho. Ou poderia reinvestir essa sobra na própria instituição. ISTOÉ - Há uma discussão no governo, levantada pelo próprio presidente, com relação às greves no serviço público, especialmente nos setores essenciais. O sr. acha que é preciso mais rigor para evitar greves na saúde? Temporão - Fazer greve na saúde é punir de forma muito violenta as pessoas que estão sofrendo. É claro que os trabalhadores têm direito à organização e à defesa dos seus direitos. Mas eu sou contra greve na saúde. A sociedade tem que ter salvaguardas com relação a isso. Mas acho que o setor médico já entendeu que é um pouco difícil convencer a alguém que está com dor e não será atendido que a sua reivindicação é mais justa. ISTOÉ - O Brasil gasta pouco com saúde? Temporão - Gasta pouco. Enquanto a Inglaterra utiliza 70% dos seus gastos totais com saúde, no Brasil esse porcentual é de 45%. Há um subfinanciamento que eu tenho que enfrentar. ISTOÉ - O sr., então, fica obrigado a pressionar os donos da chave do Orçamento. Temporão - Sem dúvida, há uma dimensão econômica que tem de ser considerada. A saúde no Brasil nunca foi tratada como uma política de Estado. E ela tem uma importância econômica que precisa ser considerada, independentemente do gasto. O setor de saúde movimenta cerca de 10% do Produto Interno Bruto, gera 7,5 milhões de empregos diretos e indiretos. Somos o décimo mercado de medicamentos do mundo. A participação do Estado nesse setor é muito grande. São 70 mil estabelecimentos. É uma área que inova muito em tecnologia. Que tem muito emprego qualificado. E nunca investimos muito nisso. Quando você olha a balança comercial setorial, o somatório do que a gente exporta com relação ao que a gente importa na indústria médica, no final dos anos 80 era negativa em US$ 600 milhões. Hoje, chega a US$ 6 bilhões/ano. Ou seja: a nossa dependência do Exterior está aumentando, o que aumenta a nossa vulnerabilidade. Nós precisamos criar uma política para alterar isso. Por exemplo: um medicamento que tenha grande impacto do ponto de vista de saúde pública e nos gastos do Ministério. Se houver condições de infra-estrutura, tecnológicas e de conhecimento para produzir no Brasil, para que importar? ISTOÉ - É nessa lógica que se tomou a decisão de quebrar a patente do Efavirenz, remédio do coquetel de Aids? Que conseqüências essa decisão já trouxe? Temporão - A conseqüência prática e objetiva é que com essa medida nós garantimos a manutenção do programa. Nós vamos economizar US$ 30 milhões por ano. Era uma questão de se exigir um tratamento equânime. Não é possível que o preço do medicamento aqui seja mais alto do que num país da Ásia. Na semana que vem, vamos assinar um acordo com outro laboratório que voluntariamente está reduzindo o preço de outro medicamento do coquetel de Aids. Disseram que estávamos dando um tiro no pé, comprando uma briga com os laboratórios. Que a indústria ia se afastar de nós, parar de investir no País. Não está se vendo nada disso. Há um laboratório em negociação para instalar no Brasil uma fábrica de vacinas hipermoderna. No mês passado, inauguramos uma fábrica de insulina em Minas e outra de genéricos em Campinas. E, quando dizem que a indústria multinacional vai deixar de fazer pesquisa no Brasil, aí a história é diferente: ela nunca fez pesquisa no Brasil. ISTOÉ - Cerca de 30% dos doentes que usam medicamentos de alto custo só conseguem recebê-los gratuitamente a partir de decisões judiciais. A lista de remédios está desatualizada, é de 2002. Como resolver isso? Temporão - Quando a indústria farmacêutica lança um novo medicamento no Estado, ela trabalhou com três critérios: os investimentos com a inovação, a proteção da sua patente e os gastos com comercialização e marketing. Esses últimos são gigantescos. Estima- se que correspondam a 30% do que você paga no preço do remédio na farmácia. É evidente que a intenção da indústria é vender mais produtos. Nós precisamos avaliar a diferença que pode haver entre o direito público e o privado. Imagine, por exemplo, um medicamento para pacientes terminais de um determinado tipo de câncer. Você tem um produto que usa e que tem um determinado resultado. Aí, a indústria lança um novo produto que dá ao paciente uma sobrevida média de mais dois meses. Mas o custo se multiplica por dez. Se você olha pela perspectiva do cidadão que está com câncer, é claro que ele quer tomar o novo medicamento e ganhar mais dois meses de vida. Mas, do ponto de vista da política pública, é impossível fazer isso. Se a equação fosse outra, se o medicamento, digamos, curasse a doença, nós estaríamos diante de uma nova discussão. É importante chamar a atenção para o fato de que as pressões que existem por trás da incorporação de um novo produto são várias. Agora, nós precisamos, de fato, fugir dessa situação dramática das decisões judiciais que dão liminares para que se compre, às vezes, remédios que nem têm registro no Brasil ou cuja eficácia ainda não está comprovada. Daí a necessidade de uma legislação que seja mais clara com relação a isso. ISTOÉ - O que o governo pode fazer para coibir os abusos dos planos de saúde? Temporão - A legislação hoje garante bem os planos novos. Nesses, as empresas já estão obrigadas a cobrir todos os casos. Mas há coisas que precisam ser reformuladas. Uma delas é a garantia da portabilidade: você poder levar para um novo plano as condições que o plano anterior lhe assegurava. Se hoje estou num plano e avalio que ele não me dá um serviço de qualidade com relação ao que pago, se eu troco, tenho que cumprir um novo período de carência. É uma questão polêmica, mas nós estamos estudando mudar isso. Isso aumentaria a competição e melhoraria a qualidade. ISTOÉ - O sr. se arrepende de ter proposto um plebiscito sobre a legalização do aborto? Temporão - Ao contrário do que muitos pensam, não foi uma estratégia pensada propor isso. Eu sempre digo que não fui eu quem escolheu o tema, foi o tema que me escolheu. Isso era uma questão tão latente na sociedade que a discussão aflorou. Acho que o saldo foi positivo. O Congresso Nacional terá que se posicionar sobre mudar a nossa legislação sobre o tema, que é da década de 40. O que se percebe em todos os países que mudaram é que cai o número de gestações indesejadas. ISTOÉ - Como está a discussão sobre a restrição aos comerciais de bebidas alcoólicas? Temporão - Há uma proposta de regulação que altera o horário e muda o conceito de bebida alcoólica. Hoje, é proibida a propaganda de bebidas que têm mais de 13 graus de teor alcoólico. Agora, será meio grau. Vai incluir cervejas e essas bebidas que misturam vodca com refrigerante. Não dá para deixar para a indústria a autoregulamentação. A prova de que não funciona são os próprios anúncios que são veiculados. Hoje, não há uma informação clara de que aquele produto é potencialmente nocivo. A propaganda passa uma mensagem subliminar de que a bebida leva a uma situação idílica, altamente prazerosa, de gente bonita e saudável. E só no final rapidamente recomenda que a pessoa beba com moderação. Precisa haver uma restrição de horário. Você não pode expor crianças a essas propagandas. E precisa haver uma intervenção no conteúdo. Houve essa mesma discussão quando se proibiu a propaganda de cigarro. O mundo acabou ou as coisas melhoraram?

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Roche iniciará cadastro de usuários do Viracept

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A companhia farmacêutica Roche anunciou ontem que iniciará um processo de registro dos brasileiros que usaram o medicamento Viracept, anti-retroviral que faz parte do coquetel para pacientes com HIV, distribuído pelo governo brasileiro. Eles podem ter sido expostos à substância química ácido etil éster metanossulfônico. A licença de comercialização foi suspensa na Europa, pela autoridade européia de saúde EMEA, onde o medicamento foi recolhido. A medida é resultado de reclamações de que lotes de Viracept 250 mg estariam com odor estranho. No Brasil, a produção está suspensa desde o dia 6 de junho. Em nota, a Roche anuncia que o cadastramento dos usuários no Brasil "faz parte de uma série de ações de acompanhamento dos pacientes estabelecida pela Roche imediatamente após o anúncio de recolhimento dos lotes de Viracept." O medicamento está no mercado nacional desde 1997. O laboratório afirma que está conduzindo estudos para avaliar os possíveis efeitos colaterais da impureza química encontrada no medicamento.A empresa reforça que os pacientes devem procurar os serviços de saúde onde é feito o acompanhamento, para que o Viracept seja substituído por outro medicamento anti-retroviral. A farmacêutica pôs à disposição o telefone 0800 7733 310 e o site para mais esclarecimentos.

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HPV: respostas de Temporão

2007-06-22T00:00:00-03:00junho 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Ontem chamamos a atenção do ministro José Gomes Temporão para o exorbitante preço da vacina contra o HPV, que a rede pública não oferece ainda gratuitamente, como propõe, por exemplo, a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE). O ministro e seu secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Oliveira Penna, esclareceram a questão. — O HPV e o câncer de útero são prioridades do ministério, mas a solução ainda não passa pela distribuição da vacina — diz o ministro, explicando por quê. A vacina existente só funciona se aplicada nas jovens antes de qualquer contato com o vírus. Logo, antes do início da atividade sexual. Os estudos indicam que esta imunização duraria apenas cinco anos, e ainda cobriria apenas seis dos 18 tipos de vírus. O custo da vacinação anual de todas as meninas na faixa de 9 a 12 anos seria de R$ 1,8 bilhão. Com todas as outras vacinas, o ministério gasta cerca de R$ 750 milhões. De fato, a vacina do HPV representaria um gasto imenso e de baixíssimo benefício. Se ela imuniza por apenas cinco anos, até estimularia o sexo inseguro, pois as mulheres se achariam protegidas quando já não o fossem mais. — Nossa meta é ampliar ao máximo a oferta do exame de papanicolau, que permite a descoberta deste tipo de câncer ainda na fase inicial — diz o ministro. Mas ele concorda: as campanhas educativas põem muito mais foco na necessidade de evitar HIV do que HPV. Se o parceiro não é de grupo de risco para HIV, as pessoas se descuidam.

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O Brasil e o licenciamento compulsório de medicamentos

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Durante a 54ª Assembléia Mundial de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), 191 países votaram a favor — apenas os Estados Unidos votaram contra — de uma resolução proposta pelo Brasil. A proposta brasileira é uma estratégia ambiciosa de combate à AIDS que prevê o tratamento universal aos doentes e cujo aspecto mais polêmico é o licenciamento compulsório de medicamentos. A resolução aborda até ajuda técnica aos países pobres que lancem mão do licenciamento compulsório. A aprovação maciça foi uma vitória importante para o Brasil. Alguns dias antes de tomar a iniciativa na OMS, o Brasil deu outro passo ousado em relação à mesma questão: decidiu licenciar compulsoriamente o medicamento Efavirenz, produzido pelo laboratório Merck, após fracassadas tentativas de negociação com a empresa, nas quais tentou-se diminuir o preço do remédio. O Efavirenz compõe o coquetel antiretroviral utilizado no tratamento de portadores do vírus HIV. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o montante economizado pelo Brasil com o licenciamento compulsório do medicamento seria de US$ 30 milhões. Pode-se dizer que o gesto é simbólico no que se refere a seu impacto financeiro, mas é de extrema ousadia política. Há suficientes argumentos para sustentar que a medida brasileira está em conformidade com as normas internacionais existentes. O Acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio (Acordo TRIPs, sigla em inglês) contém disposições que estabelecem as exceções aos direitos de exclusividade das patentes e a possibilidade de licenciamento compulsório. Essas mesmas exceções e essa mesma possibilidade são confirmadas por uma declaração emitida pelo Conselho TRIPs — órgão da OMC que analisa questões relacionadas à Propriedade Intelectual — em 2001, a Declaração de Doha sobre o Acordo TRIPs e Saúde Pública. Também a legislação brasileira prevê o licenciamento compulsório. Note-se que, contrariamente a outros países, o Brasil promulgou em 1996 sua Lei de Propriedade Industrial, que adequou nossa legislação aos padrões mínimos de proteção exigidos pelo Acordo TRIPs, apenas um ano após a celebração do acordo internacional, sem valer-se do prazo de cinco anos, facultado pelo próprio Acordo TRIPs, para proceder à atualização de sua legislação nacional. A Índia, por exemplo, fez uso dessa janela temporal, e fomentou uma indústria farmacêutica nacional competitiva. O Brasil, voluntariamente, abriu mão dessa vantagem e adiantou-se na proteção patetaria. Não obstante as autorizações legais, o licenciamento obrigatório é raramente utilizado pelos países e, neste caso, o Brasil valeu-se dele pela primeira vez em matéria de medicamentos. A razão disso está no custo político e, possivelmente também econômico, envolvido em um licenciamento compulsório de patente. O discurso dominante sustenta que as patentes são de fundamental importância para garantia dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. Assim, o licenciamento obrigatório passa a ser visto como um desestímulo ao investimento e estigmatiza o país que dele lança mão como um país que desrespeita o “mercado”.Apesar desse custo possível, e apesar de ter sido célere na adequação das normas nacionais relativas à propriedade industrial, o Brasil tem estado, há bastante tempo, à frente de um movimento que tende a flexibilizar os rigores da exclusividade patetaria, especialmente no que concerne aos medicamentos e à saúde pública. Há muito o Brasil utiliza-se da ameaça do licenciamento compulsório como instrumento de negociação com diversos laboratórios para levá-los a praticarem preços mais baixos. Ao finalmente licenciar compulsoriamente o Efavirenz, o país dá mais um passo importante, no qual firma sua posição internacional em relação a questão tão controversa. Dá outro, ainda, quando leva a questão das patentes e da saúde pública à OMS. Não resta dúvida de que a questão contrapõe dois valores distintos: a proteção do interesse privado e da propriedade intelectual sobre o produto do investimento em pesquisa; e a proteção do interesse do Estado de fazer valer meios que promovam a saúde pública. Em um cenário internacional no qual a lógica prevalecente é a da liberdade dos mercados e da proteção dos interesses econômicos e privados, o Brasil ousou ao levar o debate para uma arena na qual o foco é a saúde e os argumentos do interesse público podem mais naturalmente prosperar. E ao conseguir aprovação maciça da resolução que apresentou, conseguiu cercar sua posição de grande legitimidade.  * Com a colaboração de Mônica Guise

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