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maio 2007

Fígado de quem?

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A economia brasileira vive hoje curiosos contrastes. De um lado, espetacular desempenho das contas externas, controle da inflação e aumento da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). De outro, claudicante decolagem de projetos difusamente enquadrados em opaca estratégia de crescimento, soluções de varejo para notórias insuficiências no marco regulatório e na legislação tributária e inapetência na formulação das reformas institucionais. A progressiva apreciação do real tem estimulado a explicitação de 'soluções' que mostram desalentadora propensão a repetir erros do passado. Há pelo menos dois grupos de pressão advogando ou a flexibilização da política monetária ou a adoção de medidas creditícias, tarifárias ou tributárias em benefício de setores específicos. E, é claro, há os que defendem a superposição das duas 'soluções'. Os críticos mais radicais da política de juros insistem no mito de que a apreciação cambial decorre exclusivamente da diferença entre juros no Brasil e no resto mundo, a despeito dos maciços saldos na conta comercial. Dado que a política de juros decorre das metas inflacionárias fixadas, os críticos mais audaciosos sugerem que as metas inflacionárias poderiam ser flexibilizadas e que algum aumento da inflação seria mal menor, 'perfeitamente tolerável'. Seria reconfortante se tais recomendações não tivessem partido exatamente daqueles que há quase 30 anos defendiam 'um pouco mais de inflação' e que se viram, logo em seguida, obrigados a defender a estabilidade da inflação de 200% como grande feito da política econômica. Dado o compromisso explícito do presidente Lula com a política monetária responsável, ganham força as 'soluções' microeconômicas. Em uma situação em que a redução acelerada dos juros requereria uma combinação agressiva de redução de tarifas de importação, cortes de gastos e reforma tributária, o que se vê é a reincidência em erros do passado. Trata-se de esporte no qual a experiência brasileira é notável: eficácia de determinados setores na extração de vantagens seletivas, dificuldades de desmame dos extratores de benesses do Estado, pobreza dos resultados almejados pela política de escolha de vencedores. Comentando o lado real da economia, um dos mais loquazes hierarcas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mencionou o 'câmbio mergulhante' e que há os que ganham com 'esse pileque... mas (que) o fígado é o da indústria de transformação'. Além de os dados sobre desempenho da indústria não justificarem tal destempero, depois de décadas de excessos protecionistas custeados pelos consumidores brasileiros, seria o caso de perguntar se ter fígado é privilégio da indústria de transformação. No atropelo da busca de compensações aos setores que, se alega, estão sendo especialmente atingidos pela apreciação cambial, a caravana dos que pleiteiam favores especiais engrossa a cada dia. Mesmo no caso de setores indubitavelmente ameaçados pela concorrência de importações - vestuário e calçados -, o debate público tem sido marcado por grande avareza de informações e o leque de medidas propostas é essencialmente paliativo. O ministro do Desenvolvimento, contrariando declarações iniciais animadoras quanto à resistência à adoção de medidas de apoio a setores ineficientes, incluiu entre os setores que mereceriam medidas especiais de apoio governamental as indústrias naval, de mobiliário e automotiva. Neste último caso a melhor justificativa encontrada pelo ministro é de que 'para o setor automotivo, chegar ao limite da capacidade produtiva é o fim do mundo'. Trata-se realmente de um setor peculiar: quer concessões do governo quando tem capacidade ociosa e também quando tem capacidade plenamente utilizada... Dado que a tarifa sobre importações de automóveis de 35% já é a máxima permitida, presume-se que as benesses pretendidas sejam de natureza tributária e via financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É a consagração das medidas discricionárias em detrimento das medidas horizontais e a confirmação do setor automotivo como cliente privilegiado das benesses do governo. O ranço protecionista tem implicações sobre outras políticas públicas. Recentemente o governo determinou o licenciamento compulsório da droga para tratamento da aids Efavinrez, produzida pela Merck Sharp & Dohme, em vista do interesse de saúde pública e do fracasso nas negociações com a empresa detentora da patente para redução de preço. A decisão é estritamente legal, de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre propriedade intelectual, mas seria igualmente importante que fosse percebida como razoável, para que se preserve a credibilidade das autoridades brasileiras. Declarações despropositadas do ministro da Saúde sobre política industrial e substituição de importações de fármacos, drogas e equipamentos médicos - entre outras incontinências - acabaram por pôr em dúvida a qualidade do processo decisório na sua esfera de competência. A percepção que prevalece é de enorme oportunidade que se vai perdendo para colocar o País de volta no caminho do crescimento. Se continuar a demonstrar incompetência em relação às reformas, o governo acabará por comprometer as conquistas alcançadas no terreno macroeconômico.  Marcelo de Paiva Abreu, Ph.D. em Economia pela Universidade de Cambridge, é professor-titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

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Tailândia/Brasil (Toda Mídia)

2007-05-21T00:00:00-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Mais da Ásia. Na Tailândia, o "Bangkok Post" anunciou que o país deve assinar um acordo de cooperação com o Brasil, segundo o ministro da saúde, que também quebrou a patente de remédio antiAids.

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A quebra de patentes da Merck, pelo Brasil sob, o regime do Trips

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

De acordo com o disposto no Decreto 6.107 de 4 de maio de 2007, o Brasil decretou o licenciamento compulsório de duas patentes do medicamento Efavirenz, de titularidade do laboratório estadunidense Merck, Sharp & Dohme. A medida foi tomada após terem resultado infrutíferas as negociações para o estabelecimento de um preço aceitável para o governo brasileiro, que distribui o remédio gratuitamente para pacientes contaminados pelo vírus da AIDS. Um impasse como esse era, desde há muito, previsível pela absoluta inadequação do acordo multilateral de regência da propriedade intelectual, o Acordo sobre Aspectos Ligados ao Comércio da Propriedade Intelectual, mais conhecido como Trips, acrônimo derivado da respectiva denominação em língua inglesa. De fato, o Trips, como lembro em meu livro “A OMC e os tratados da rodada Uruguai”, trata de matéria já coberta há mais de 100 anos por outros tratados internacionais e foi celebrado à margem de outro organismo multilateral, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Ocorre, todavia, que os países desenvolvidos andavam descontentes com a OMPI, durante a Rodada Uruguai do GATT, que foi de 1986 até 1994, porque aquele organismo agia com independência e equilíbrio entre o monopólio das patentes e o impacto social do seu uso. A referida postura descontentava em muito os países desenvolvidos, que buscavam a afirmação absoluta do monopólio, bem como a exeqüibilidade internacional dos direitos dele decorrentes, em intransigente defesa de interesses de fortes setores dos grandes negócios de suas economias. Dessa maneira, os países desenvolvidos conseguiram moldar no Trips um sistema que atendia perfeitamente os seus interesses, deixando de lado diversas questões fundamentais de interesse dos direitos humanos em geral e dos países em desenvolvimento, em particular. Dentre essas, coloca-se a importante matéria da implementação de políticas de saúde pública, uma omissão imperdoável que afeta os direitos humanos de bilhões de pessoas. Essa matéria já havia sido objeto de consultas, no âmbito do sistema de resolução de disputas da OMC, entre o Brasil e os Estados Unidos da América, ante a possibilidade do primeiro decretar o licenciamento compulsório de medicamentos, não materializada em função de acordo na ocasião. Porém, o potencial de conflito esteve sempre presente. O tratamento jurídico do Trips tornou-se tão inadequado que a própria UNCTAD reconheceu a necessidade de se encontrar, no âmbito da Rodada Doha da OMC, presentemente em andamento, uma forma tanto eficaz quanto permanente para lidar com a questão da saúde pública, de modo a facilitar o acesso à medicação essencial. Outros organismos internacionais, como a OMS, manifestaram-se no mesmo sentido. No âmbito da Rodada, no entanto, permanecem intransigíveis os países desenvolvidos. Enquanto isso, o Brasil agiu, na conformidade do autorizado pelos artigos 30 e 31 do Trips, decretando o licenciamento compulsório das patentes da Merck, nos termos e nas condições elencadas no texto do referido tratado, inclusive a de remuneração. Ao fazê-lo, o Brasil pode ter deflagrado um grande processo contencioso internacional, que tenderá a se desdobrar em diversas frentes. Em primeiro lugar, para além das reações do cartel do setor, o País deverá lidar com as ações unilaterais norte-americanas, represálias arbitrárias que caracterizam a ação do governo dos EUA. Acresce que o Brasil poderá ser questionado perante o sistema de resolução de disputas da OMC. Terá valido a pena? Impõe-se a resposta afirmativa. A luta pela decência nas relações comerciais internacionais, pelo equilíbrio dos interesses entre Estados e pela afirmação dos direitos humanos nos foros globais compensa e deve ser sempre uma missão dos governos brasileiros.  Durval de Noronha Goyos é advogado.

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Brasil fará remédio anti-Aids

2007-05-20T00:00:00-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Dois laboratórios públicos já se preparam para fabricar o genérico do medicamento Efavirenz, de combate à Aids, cuja patente foi quebrada há dias pelo presidente Lula: Farmanguinhos, no Rio, da Fundação Oswaldo Cruz, e o laboratório Lafepe, de Pernambuco. Enquanto a produção não começa, o governo vai mesmo importar o genérico da Índia, que, aprovado pela Organização Mundial de Saúde, dispensa autorização da Anvisa.

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Guerra pelos remédios

2017-01-10T17:18:18-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Governo luta para derrubar liminares que o obrigam a fornecer medicamentos de graça para pacientes. Gastos aumentaram 211,4%  Depois de comprar briga com a indústria farmacêutica ao quebrar a patente do Efavirenz, o Ministério da Saúde começa nova guerra. E, desta vez, tem o apoio dos secretários de saúde e do Conselho Federal de Medicina para enfrentar a “indústria de ações” que tem levado a Justiça a impor ao setor público a compra, a preços altos, dos últimos lançamentos da indústria farmacêutica. São medicamentos novos que, muitas vezes, nem foram testados adequadamente. De acordo com o Ministério da Saúde, os gastos em função de decisões judiciais aumentaram 211,4% de 2005 para 2006. Por trás das ações judiciais estão as indústrias de medicamentos, que utilizam todos os recursos para vender seus produtos, inclusive a contratação de advogados para patrocinar as ações na Justiça em nome dos pacientes. “A pressão é enorme”, conta Dirceu Barbano, diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde. O tema coloca em xeque a conduta ética de médicos. “Tornamo-nos reféns das grandes indústrias multinacionais”, reclama o secretário de Saúde de Santa Catarina, Dado Cherem, que tem em mãos 3 mil ordens judiciais, obrigando o estado a fornecer medicamentos. No ano passado, o governo catarinense gastou R$ 36 milhões com a compra de medicamentos por ordem da Justiça. Em 2005, foram R$ 25 milhões. “É uma coisa que nos preocupa, porque está crescendo como uma bola de neve e criando a cultura do processo judicial”, comenta. Ele alerta: “Daqui a pouco o orçamento vai estar tão comprometido que vamos deixar de atender a população por causa dos tratamentos de alto custo.” O presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus, afirma que “é papel da indústria pressionar o governo”. Ele lembra que as empresas “gastam milhões em pesquisa” para desenvolver um produto que traz benefícios aos doentes. Segundo Tannus, a discussão levada pelo governo camufla o verdadeiro problema: falta de dinheiro para a saúde. “Os recursos são finitos. Não é fácil administrar essa escassez”, observa. “O Brasil tem adiado por razões orçamentárias a incorporação de novas tecnologias”, acrescenta. O Distrito Federal é uma exceção: o volume de ações judiciais caiu 14% de 2006 para 2007, informa Milton Menezes, subsecretário de Atenção à Saúde. Mesmo assim, a Secretaria de Saúde do DF criou uma farmácia somente para fornecer os medicamentos por ordem da Justiça. É conhecida entre os funcionários do GDF como “Farmácia de Ações”. A preocupação é tão grande que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde decidiu fazer um seminário na terça-feira especificamente para tratar do caso. Os secretários convidaram representantes do Judiciário, do Ministério Público e das associações médicas. O problema é maior pela falta de conhecimento técnico dos juízes para analisar os casos. Desinformação Barbano cita exemplos absurdos que mostram que o juiz decide sem um mínimo de informação. Segundo o diretor do Ministério da Saúde, em São Carlos (SP) uma ordem judicial determinou o fornecimento, em 48 horas, de remédio que deveria ser usado três vezes ao dia. Como ninguém conseguia decifrar a letra do médico, foram procurá-lo e ele explicou que não tinha receitado medicamento nenhum e sim “fazer alongamento três vezes ao dia”. Na avaliação de Barbano, a indústria farmacêutica usa o Judiciário, os médicos e organizações não-governamentais para forçar a venda de seus produtos. A preocupação com a saúde está em segundo plano. Há casos de medicamentos que ainda não tiveram sua eficácia comprovada cientificamente. Barbano cita um exemplo em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou dois remédios para tratamento da hipertensão pulmonar, mas ainda não há “estudos de evidência científica” para que o governo os inclua nos programas de saúde pública. A Justiça, porém, manda fornecer, embora as únicas informações disponíveis sejam do próprio laboratório. Segundo o diretor do Ministério da Saúde, Dirceu Barbano, a União muitas vezes é obrigada a ceder às pressões, incorporando um determinado produto à lista de medicamentos fornecidos pelo SUS. Desperdício milionário O presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde, Osmar Terra, afirma que 20% dos medicamentos de alto custo comprados pelo setor público não têm surtido efeito. Anualmente, são gastos R$ 2 bilhões com remédios de alto custo — produzidos com tecnologia de ponta e recém-descobertos pela indústria. “A garantia de acesso aos medicamentos e de tratamento integral é um grande avanço, mas não pode ser usado para aumentar o faturamento dos laboratórios”, reclama Terra, secretário de Saúde do Rio Grande do Sul. O governo gaúcho, representantes do Judiciário e do Ministério Público estabeleceram procedimentos para evitar que a indústria use a Justiça para forçar a compra de medicamentos sem eficácia ou ainda não testados. A expectativa é que isso evite o crescimento acelerado do número de ações. “Os laboratórios estão empurrando para os estados os custos das pesquisas”, afirma. A indústria alega que o custo dos novos medicamentos é alto porque de 10 pesquisas apenas uma chega a um resultado. “O Estado não pode financiar as pesquisas dos laboratórios”, ressalta Terra. Por isso, o governo gaúcho decidiu não comprar mais medicamentos experimentais. Diretor de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Marcos Antônio Ferreira afirma que há desperdício de dinheiro público também com medicamentos vencidos. Em Brasília, a “Farmácia de Ações” faz aquisições com base em ordens judiciais. Só que muitos pacientes mudam, morrem ou não buscam o remédio. A secretaria está estudando a possibilidade de contratar, por licitação, uma empresa, que se encarregaria de fornecer todos os medicamentos determinados pela Justiça. Lista Presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus reclama que há mais de quatro anos o governo federal não atualiza a lista de medicamentos. Nesse período, foram incorporados apenas quatro novos produtos pela União. Diversos outros remédios estão disponíveis, mas o setor público não os fornece aos doentes. Tannus admite que há casos de medicamentos ainda em fase experimental. “Mas são raros”, comenta. Ele reclama que o assunto tem sido tratado de forma “negativa”, embora o acesso ao medicamento seja assegurado pela Constituição.

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Quebra de patente

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Causou espécie no mercado de medicamentos o anúncio de que o governo brasileiro quebrara a patente do medicamento Efavirenz produzido pela Merck Sharp Dohme (MSD) e utilizado para o tratamento da AIDS. Eu mesma, apesar de não ser infectologista e de não trabalhar em nenhuma das partes em questão: governo ou indústria farmacêutica, fui várias vezes questionada a esse respeito. Então, respondendo às solicitações... Segundo a Constituição Federal cabe ao Estado atender a todas as necessidades fundamentais do cidadão como é o caso da saúde. Entretanto, é fato que, apesar da elevada taxa tributária, não se tem alcançado tal objetivo. O SUS garante acesso universal à saúde, mas o que se vê é bem diferente da utopia preconizada nas belíssimas palavras de seu estatuto. Assim, se não é possível garantir a todos tratamento para qualquer tipo de enfermidade, será fundamental estabelecer prioridades e traçar políticas de saúde sérias que promovam a prevenção. Não deve ser surpresa para o leitor o fato de que cada real gasto com prevenção gera uma economia de outros três em medicamentos, leitos hospitalares e toda a estrutura que envolve o processo curativo, além de, é claro, reduzir a perda monetária gerada pela falta ao serviço. Não sou contra que o SUS distribua gratuitamente medicamentos anti-retrovirais para pacientes infectados pelo vírus HIV, a questão é que a AIDS deixou há muito de ser meramente uma questão de saúde pública para virar um meio de dar notoriedade a certos políticos. E por isso é hoje uma prioridade em detrimento de outras doenças ainda tão prevalentes na população brasileira como é o caso da tuberculose. Mas, tendo dito isso, existe um outro lado. Uma vez definido que drogas anti-retrovirais serão fornecidas pelo SUS, há que se negociar as melhores condições para que esse fornecimento não seja interrompido e possam sobrar recursos para outros investimentos em saúde. Não é justo que a compra de medicamentos para tratamento de uma única doença comprometa parte significativa do orçamento da saúde em um país tão carente como o nosso. Ademais, houve da parte do governo a intenção explícita de negociar com a referida indústria um preço razoável antes do anúncio da quebra da patente. Preço esse que já é praticado em outros países como a Tailândia. Não havendo acordo, achou por bem o governo - respaldado por determinações da própria OMC sobre propriedade intelectual - comprar a mesma medicação da Índia a um valor muito menor. Nada mais razoável. Mas, como perder a fatia do bolo não parece ser agradável, houve choro e ranger de dentes após o anúncio da quebra da patente. Quem ouviu o presidente da MSD falar na rádio chegou quase a ter pena desse mega-conglomerado industrial que certamente já lucrou espetacularmente por aqui só com o Efavirenz que vendeu para o governo até então. Não creio que abandonará o enorme mercado brasileiro, porque ainda que a quebra de determinada patente possa representar um desestímulo para a pesquisa de novas drogas, produzir medicamentos não deixará tão cedo de ser uma atividade extremamente lucrativa, principalmente em países como o Brasil. Surpreendentemente a margem de lucro da maioria das indústrias farmacêuticas transnacionais é maior aqui do que nos Estados Unidos ou Europa. Então, a conclusão é bem simples: é certo que defendamos a patente como o estímulo necessário para a criação de novas linhas de pesquisa, mas não é justificável que os preços praticados sejam exorbitantes, principalmente quando tratamos de doenças como a AIDS.  Ana Karina Bartmann é médica ginecologista

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Remédios e humanismo

2007-05-20T00:00:00-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

"As ameaças de sanções comerciais ainda são armas de política econômica - a lei do mais forte" O presidente Lula assinou decreto que concede licenciamento compulsório -usualmente chamado quebra de patente - ao medicamento Efavirenz, de titularidade do laboratório Merk, utilizado no tratamento contra a aids. As normas de proteção à propriedade intelectual dos fármacos trazem à baila duas paisagens. Uma é relacionada à exclusividade das patentes para obtenção de lucros e retorno do investimento em pesquisa. A outra refere-se ao acesso aos medicamentos, à proteção da saúde pública e aos direitos humanos. Patente de remédio é título de propriedade concedido pelo Estado para a exploração econômica exclusiva e temporária na forma da lei. Em conseqüência, os laboratórios têm prerrogativa de definir preços e formas de licenciamento comercial dos medicamentos. No cenário internacional, o acordo TRIP´s, ratificado pelo Brasil e celebrado no âmbito da Organização Mundial do Comércio, elenca as regras sobre patentes de medicamentos. Seu art. 8º determina que seus membros ´podem adotar medidas necessárias para proteger a saúde e a nutrição pública e para promover o interesse público em setores de vital importância para o seu desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico´. Alguns medicamentos são solução única para a cura de determinadas doenças. A garantia dos direitos fundamentais à vida e à saúde devem ser respeitados, desafiando os altos preços de remédios, inacessíveis para usuários e governos. A licença compulsória, prevista no art. 31 do TRIP´s, consiste na autorização do Estado para uso de patente de medicamento sem aquiescência do titular. Há previsão na legislação brasileira desse licenciamento nos arts. 68 a 74 da Lei 9.279/96 e nos Decretos 3.201/99 e 4.830/03. Há, ainda, a possibilidade de importação paralela, salvaguarda do acordo TRIP´s que consiste na possibilidade de importação de produto protegido, que esteja em mercado de outro país, colocado pelo titular da patente, sem majoração de valor. A desigualdade econômica entre os pólos envolvidos em procedimento de licenciamento compulsório é fator determinante. Os países desenvolvidos têm mais força política, assessorias legal e administrativa especializadas e experiência no ramo. As ameaças de sanções comerciais ainda são armas de política econômica utilizadas contra pedidos de licença compulsória - a lei do mais forte. A proteção à vida é a forma mais emblemática de reconhecimento do direito natural. A regra é a prevalência da proteção à propriedade intelectual de remédios. A exceção dá-se quando a cura de enfermidades graves depende, unicamente, de determinada patente. Nestas circunstâncias, a descoberta desprende-se do descobridor para salvar o ser humano - a lei dos justos.  * Advogado, Conselheiro Estadual da OAB-CE, Presidente da Comissão de Cultura da OAB -CE e Diretor do CIC - Centro Industrial do Ceará - ricardo@ricardobacelar.com.br

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Grandes laboratórios contra-atacam quebra de patentes

2007-05-18T00:00:00-03:00maio 18, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A imprensa da Tailândia está publicando paginas inteiras com anúncios pagos por grandes companhias farmacêuticas advertindo que quebrar as patentes de remédios contra a aids em nome da saúde pública é “a receita equivocada”. De acordo com tais anúncios, a decisão do governo tailandês, amparada por normas da Organização Mundial do Comércio, está cheia de erros. Por exemplo, “A Tailândia rechaça a tecnologia médica dos Estados Unidos e da Europa em prejuízo dos pobres e doentes”. Além disso, segundo a instituição que assina esses anúncios, USA Innovation, “a maioria dos pacientes de aids da Tailândia ficariam sem acesso aos melhores medicamentos do mundo”. Porém, os anúncios estão fracassando se sua intenção era assustar pessoas como Boripat Dornmon, de 40 anos que há 11 vive como o HIV (vírus da deficiência imunológica humana, causador da aids). “Discordo da USA Innovation. Os anúncios demonstram que os grandes laboratórios não se importam com pessoas como eu”, disse à IPS. Boripat reflete as opiniões do grupo ao qual pertence, a Rede Tailandesa de Pessoas que Vivem com HIV/aids. Esta organização apóia a decisão governamental de quebrar patentes para garantir aos pacientes o acesso a medicamentos genéricos, mais baratos do que os produzidos pelas empresas donas das patentes, mas como o mesmo princípio ativo. “Necessitamos de remédios novos e baratos para vivermos mais”, disse Boripat. Esse sentimento estava presente em um anúncio, também de página inteira, pago por uma coalizão de ativistas contra a Aids, organizações humanitárias e uma universidade para contrapor-se à campanha da USA Innovation. Os medicamentos anti-retrovirais produzidos por laboratórios estatais representaram “uma fenomenal contribuição para reduzir as mortes entre pacientes de aids tailandeses de 7.282 por ano, entre 2001 e 2004, para 3.862, em 2005, e 1.613, no ano passado”, afirmaram os ativistas. Funcionários da governamental Administração de Alimentos e Medicamentos confirmaram, em reunião com representantes do laboratório Abbott, que não cederiam à pressão das companhias farmacêuticas e do governo norte-americano. É possível, também, que o governo quebre patentes para encomendar a uma companhia indiana a fabricação de uma versão genérica do Aluvi, remédio contra o HIV também patenteado pelo Abbott. “Se o Ministério compra medicamentos mais caros do que os oferecidos por outras fontes, deve ter uma boa justificativa para apresentar ao público”, disse o chefe do painel sobre licenças compulsórias do Ministério da Saúde, Vichai Chokewiwat, ao jornal Bangkoc Post. Os esforços da Tailândia também foram apoiados na Assembléia Mundial da Saúde, que acontece em Genebra, onde o ministro Mongkol na Nongkhla defende a posição de seu país. Representantes de “organizações internacionais como a Rede do Terceiro Mundo e de nações, como Brasil, Alemanha, Filipinas, Índia e Malásia, se reuniram com o ministro para elogiá-lo”, afirmou a governamental Agência Tailandesa de Notícias. A Tailândia começou a mostrar sua determinação no final do ano passado, quando quebrou a patente do anti-retroviral Efavirenz, produzido pelo laboratório Merck Sharp and Dhom. Depois, fez o mesmo para a produção do anti-retroviral Kaletra, do Abbott, e em janeiro foi a vez do anticoagulante Palvis, da empresa Sanofi-Adventis. O laboratório Abbott negou-se em março a colocar o Aluvia e mais seis medicamentos na Tailândia, em represália pelo uso por parte do governo das previsões especiais da OMC para casos de emergências de saúde pública. Mas, na semana passada, a companhia recebeu um duro golpe: em uma cerimônia realizada em Nova York, na presença do ministro Mongkol, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton aplaudiu a decisão da Tailândia. “Nenhuma companhia sobreviverá ou morrerá se ficar sem as altas comissões dos medicamentos contra aids nos países de renda média. Mas, muitos pacientes viverão ou morrerão”, afirmou Clinton. O Abbott anunciou em abril que baixaria o custo anual do tratamento com Kaletra na Tailândia de US$ 2.200 para US$ 1mil. Porém, a Fundação Clinton respondeu que tinha um preço ainda menor. O laboratório Matrix, da Índia, produzia sua versão genérica por US$ 695 ao ano.

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Sobre o licenciamento compulsório

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 18, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Na sexta-feira, 4 de maio, o presidente da República, decretou o licenciamento compulsório do efavirenz, medicamento contra o HIV utilizado pelo programa brasileiro de aids. O objetivo essencial do ato do presidente foi o de garantir a continuidade, com qualidade, desse programa e o bem-estar dos 180 mil cidadãos e cidadãs brasileiros que convivem com o vírus. Desde então, a empresa detentora da patente do medicamento, algumas associações corporativas e a câmara que representa os interesses comerciais do país-sede daquela empresa no Brasil vêm levantando alguns argumentos contra o ato do presidente. Este artigo visa esclarecer a opinião pública. O primeiro argumento fala da intransigência do Ministério da Saúde nas negociações para a redução do preço do efavirenz. Decididamente não procede. Entre novembro de 2006 e a data do decreto ocorreram nove reuniões visando à conciliação de interesses, sendo oito com as áreas temáticas específicas do Ministério da Saúde (MS), incluindo em quatro delas o seu primeiro escalão, e adicionalmente reunião do presidente da filial brasileira com os dois ministros, o da Saúde, José Gomes Temporão, e o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge. Nas sete primeiras reuniões e mesmo após a reunião com os ministros, a posição da empresa foi a de conceder apenas 2% de abatimento sobre o último preço pago pelo MS (US$ 1,54 por comprimido de 600 mg). Apenas depois da publicação da Portaria 886/2007 do ministro Temporão, em 25 de abril, declarando o medicamento como de interesse público para o licenciamento, houve uma nova proposta reduzindo o preço em 30% (US$ 1,10 o mesmo comprimido). Na nona reunião o MS fez saber que a proposta ainda era insatisfatória face aos preços praticados pela empresa em alguns países em desenvolvimento (US$ 0,65). O MS possui extensa documentação sobre o processo, inclusive todas as atas das reuniões de negociação. Vale ainda lembrar que as negociações do MS com os diversos laboratórios produtores de medicamentos têm sido permanentes e sempre bem-sucedidas. Em algumas ocasiões, a iniciativa de propor redução de preços partiu do próprio fabricante, como um gesto de reconhecimento da excelência do programa brasileiro contra o HIV-AIDS. O segundo argumento afirma que a quebra da patente é um ato de pirataria. Também não procede. A pirataria é um ato unilateral sem qualquer respaldo legal. O licenciamento compulsório é uma salvaguarda prevista no artigo 31 de Acordo sobre os Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS) da Organização Mundial do Comércio. O decreto brasileiro está 100% respaldado pelo que rezam o acordo TRIPS e a lei brasileira de propriedade intelectual. O terceiro argumento fala de um suposto ambiente de "insegurança jurídica" decorrente do ato do presidente. Esse ambiente afugentaria investimentos no Brasil por parte da indústria farmacêutica internacional. Não é razoável. Em primeiro lugar, porque o ambiente econômico atual não sustenta esse temor. Há semanas uma empresa dinamarquesa, Novo Nordisk, inaugurou sua nova planta de envasamento de insulina no Brasil, em Montes Claros (MG), com um investimento de mais de US$ 200 milhões. O BNDES tem oferecido recursos crescentes para o financiamento de infra-estrutura, em particular nos setores prioritários da política industrial, entre os quais o farmacêutico e farmoquímico. Mas o temor também não se sustenta quando se sabe que o mercado brasileiro no setor farmacêutico não é nada desprezível, valendo hoje cerca de US$ 10 bilhões. Para não mencionar a estabilidade política do país, que racionalidade empresarial sustentaria a decisão de abandonar um mercado desse porte numa conjuntura econômica tão favorável? Países como o Canadá e a Itália já realizaram licenciamentos compulsórios, isso não gerou insegurança jurídica e não houve redução de investimentos em conseqüência delas. O quarto argumento sugere que as empresas farmacêuticas serão desestimuladas a realizar atividades de pesquisa no Brasil. Seria, de fato, muito negativo se isto acontecesse, mas de qualquer modo vale a pena quantificar e qualificar a pesquisa que o setor farmacêutico multinacional realiza entre nós. Segundo suas próprias fontes, o dispêndio mundial com pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizado pela empresa detentora da patente do efavirenz está acima de 20% de seu faturamento. No entanto, os gastos da filial brasileira com P&D em relação ao faturamento no Brasil ficam abaixo de 1%. A maior parte da atividade de pesquisa realizada pela empresa no Brasil é de pesquisa clínica, importante sem dúvida, mas pobre em termos de potencial de criação de conhecimento. Em linhas gerais, são protocolos prontos e fechados desenvolvidos na matriz da empresa e os dados coletados são analisados na sua totalidade por pesquisadores na matriz. Em outras palavras, a principal ênfase da pesquisa patrocinada pela indústria farmacêutica no Brasil é a de remunerar pesquisadores para captar pacientes nacionais para testar drogas desenvolvidas na matriz das patrocinadoras. O governo brasileiro e a comunidade científico-tecnológica há muito tempo reivindicam uma participação maior dessas empresas líderes mundiais em tecnologia na geração de conhecimento no Brasil. Conhecimento dirigido aos objetivos empresariais, por certo, mas que pudessem capacitar o nosso país em alguns campos essenciais onde ainda temos lacunas importantes como, por exemplo, a toxicologia e a química médica. Cabe mencionar ainda a possibilidade da construção de parcerias equilibradas para a identificação de novas moléculas bioativas oriundas da rica biodiversidade brasileira. Para tanto, será necessária uma visão mais aberta e cooperativa, visando empreendimentos conjuntos entre as empresas e os nossos institutos de pesquisa e universidades. O fato é que em outros setores industriais essas iniciativas têm prosperado mais do que no setor farmacêutico. O quinto argumento é que a economia decorrente do licenciamento compulsório é pequena. O fato é que, com o licenciamento compulsório do efavirenz, cada comprimido adquirido de laboratórios indianos pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde custará entre US$ 0,44 e US$ 0,46, contra o preço unitário de US$ 1,10 apresentado na última proposta da detentora da patente. Isso significa que até 2012, ano da expiração da patente, a economia será de cerca de US$ 166 milhões, que serão revertidos para tratar pacientes com co-infecção, por exemplo HIV e Hepatites. Por ocasião da assinatura do decreto, o presidente da República reafirmou seus compromissos com a saúde da população brasileira. Entendemos que as empresas farmacêuticas instaladas no Brasil têm um papel a cumprir nesse compromisso e o MS espera que o clima de entendimento que tem prevalecido na imensa maioria dos casos continue a ocorrer.  Reinaldo Guimarães, médico, é secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Gerson Penna é secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

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Mudanças na política comercial americana

2007-05-17T00:00:00-03:00maio 17, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

No dia 10 de maio passado, membros do Partido Democrata e do governo Bush anunciaram, com pompa, o fim do longo impasse sobre acordos de livre comércio e o lançamento das bases de um entendimento bipartidário que permitiria ratificar acordos pendentes no Congresso americano, com países como o Peru e o Panamá. O que tem o Brasil a ver com isso? Tudo. No final de junho esgota-se o prazo concedido pelo Congresso americano ao Poder Executivo para negociar acordos comerciais internacionais (o chamado "fast track"), e sua renovação depende da construção dessa coalizão bipartidária. Além disso, apesar de não estar diretamente relacionado às negociações em curso na Organização Mundial do Comércio, nem às da Área de Livre Comércio das Américas, há muito estagnadas, é possível que o entendimento anunciado indique uma nova postura dos negociadores americanos em todos esses âmbitos. Vale a pena, portanto, esclarecer do que se trata, e chamar a atenção dos atores brasileiros - governamentais e não-governamentais - para a sua importância. A vitória do Partido Democrata nas últimas eleições legislativas deu-se, em parte, graças às críticas a uma política de negociação de acordos comerciais que não prestava atenção suficiente às suas conseqüências em termos de empregos e direitos trabalhistas, meio ambiente e soberania nacional. Não surpreende, portanto, que sejam esses justamente os temas que constam da agenda comum negociada por democratas e republicanos. Alguns aspectos merecem especial atenção. Em primeiro lugar, os acordos já negociados pelos Estados Unidos com o Peru e o Panamá seriam reabertos para incluir cláusulas em matéria de direitos trabalhistas e meio ambiente, dois temas prioritários para parlamentares democratas e suas bases de apoio. De acordo com o que foi ventilado até o momento, esses acordos passariam a garantir a trabalhadores cinco direitos fundamentais (direito à livre organização; à negociação coletiva; abolição do trabalho infantil; fim do trabalho forçado e da discriminação), proibiriam os países signatários de rebaixar os atuais níveis de proteção trabalhista e ambiental e, finalmente, adicionariam o respeito a sete acordos multilaterais ambientais, que teriam precedência inclusive sobre os demais dispositivos do acordo comercial (entre eles, o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio). A principal inovação, no entanto, diz respeito à proposta de que esses temas tenham mecanismos de solução de controvérsias semelhantes aos aplicados em relação às demais cláusulas dos acordos comerciais, e que sua violação seja, portanto, passível de sanções comerciais e multas. Com relação à propriedade intelectual, a nova postura é boa para os que vêm buscando uma maior abertura das regras para o comércio de genéricos Em segundo lugar, os acordos passariam a incluir mecanismos para garantir que a população mais pobre dos países signatários tenha acesso facilitado a medicamentos genéricos. A proposta defende uma revisão das cláusulas sobre propriedade intelectual, inclusive aquelas que garantem um maior período de proteção de patentes, incluídas em acordos comerciais prévios, para que os genéricos cheguem aos mercados mais rapidamente. Por ora, é difícil afirmar se o Brasil se beneficiaria ou não da nova atitude americana. Em relação às cláusulas trabalhistas e ambientais, o país não tem o que temer, já que há muito assumiu o compromisso de respeitar o conteúdo das principais convenções da Organização Internacional do Trabalho e de acordos multilaterais ambientais. O medo de que cláusulas trabalhistas e ambientais sejam utilizadas como mecanismos protecionistas, amplamente difundido em meios empresariais, sindicais e diplomáticos, é compreensível, mas a mudança no clima político americano indica, mais do que nunca, que se negar a negociar esses temas não é a postura mais adequada. Além do mais, como membros do Partido Republicano têm argumentado há tempos, essas cláusulas também poderiam ser utilizadas contra os Estados Unidos, que enfrentam muitos problemas, como, por exemplo, em matéria de respeito aos direitos trabalhistas de imigrantes. Já com relação ao tema da propriedade intelectual, a nova postura é boa notícia para todos os que vêm buscando uma maior abertura das regras para confecção e comércio de genéricos, como no caso dos remédios para tratamento da Aids. Mais polêmicas são algumas propostas de uso unilateral do poder americano. Propõe-se, por exemplo, incluir uma cláusula no acordo com o Peru que permita aos EUA investigarem a extração e comércio ilegal de mogno naquele país. Além disso, não está claro como exatamente se daria a investigação de violações a direitos trabalhistas e legislação ambiental, nem como funcionariam as instituições de solução de controvérsias e a implementação de sanções. Apesar do entendimento bipartidário contar com o apoio de uma coalizão ampla que inclui setores empresariais, há muita insatisfação por parte de organizações de peso, como a central sindical AFL-CIO. Há também divergências internas, tanto entre membros do Partido Democrata como entre filiados ao Partido Republicano, aqueles dizendo que a nova plataforma é excessivamente tímida, estes argumentando que se foi longe demais. É possível, portanto, que nos próximos meses a coalizão atual sofra ataques e que o conteúdo da sua agenda seja reformado. No entanto, em termos gerais, a tendência não mudará. Acordos comerciais deixaram, há muito, de versar unicamente sobre quotas e tarifas, e, pelo menos enquanto os democratas forem maioria no Congresso americano, dificilmente acordos comerciais serão ratificados pelos EUA sem que contenham novas cláusulas sobre direitos trabalhistas, meio ambiente, propriedade intelectual e investimentos. É bom que o governo brasileiro e as organizações da sociedade civil acompanhem de perto esse debate.

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