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maio 2007

Mudanças na política comercial americana

2007-05-17T00:00:00-03:00maio 17, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

No dia 10 de maio passado, membros do Partido Democrata e do governo Bush anunciaram, com pompa, o fim do longo impasse sobre acordos de livre comércio e o lançamento das bases de um entendimento bipartidário que permitiria ratificar acordos pendentes no Congresso americano, com países como o Peru e o Panamá. O que tem o Brasil a ver com isso? Tudo. No final de junho esgota-se o prazo concedido pelo Congresso americano ao Poder Executivo para negociar acordos comerciais internacionais (o chamado "fast track"), e sua renovação depende da construção dessa coalizão bipartidária. Além disso, apesar de não estar diretamente relacionado às negociações em curso na Organização Mundial do Comércio, nem às da Área de Livre Comércio das Américas, há muito estagnadas, é possível que o entendimento anunciado indique uma nova postura dos negociadores americanos em todos esses âmbitos. Vale a pena, portanto, esclarecer do que se trata, e chamar a atenção dos atores brasileiros - governamentais e não-governamentais - para a sua importância. A vitória do Partido Democrata nas últimas eleições legislativas deu-se, em parte, graças às críticas a uma política de negociação de acordos comerciais que não prestava atenção suficiente às suas conseqüências em termos de empregos e direitos trabalhistas, meio ambiente e soberania nacional. Não surpreende, portanto, que sejam esses justamente os temas que constam da agenda comum negociada por democratas e republicanos. Alguns aspectos merecem especial atenção. Em primeiro lugar, os acordos já negociados pelos Estados Unidos com o Peru e o Panamá seriam reabertos para incluir cláusulas em matéria de direitos trabalhistas e meio ambiente, dois temas prioritários para parlamentares democratas e suas bases de apoio. De acordo com o que foi ventilado até o momento, esses acordos passariam a garantir a trabalhadores cinco direitos fundamentais (direito à livre organização; à negociação coletiva; abolição do trabalho infantil; fim do trabalho forçado e da discriminação), proibiriam os países signatários de rebaixar os atuais níveis de proteção trabalhista e ambiental e, finalmente, adicionariam o respeito a sete acordos multilaterais ambientais, que teriam precedência inclusive sobre os demais dispositivos do acordo comercial (entre eles, o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio). A principal inovação, no entanto, diz respeito à proposta de que esses temas tenham mecanismos de solução de controvérsias semelhantes aos aplicados em relação às demais cláusulas dos acordos comerciais, e que sua violação seja, portanto, passível de sanções comerciais e multas. Com relação à propriedade intelectual, a nova postura é boa para os que vêm buscando uma maior abertura das regras para o comércio de genéricos Em segundo lugar, os acordos passariam a incluir mecanismos para garantir que a população mais pobre dos países signatários tenha acesso facilitado a medicamentos genéricos. A proposta defende uma revisão das cláusulas sobre propriedade intelectual, inclusive aquelas que garantem um maior período de proteção de patentes, incluídas em acordos comerciais prévios, para que os genéricos cheguem aos mercados mais rapidamente. Por ora, é difícil afirmar se o Brasil se beneficiaria ou não da nova atitude americana. Em relação às cláusulas trabalhistas e ambientais, o país não tem o que temer, já que há muito assumiu o compromisso de respeitar o conteúdo das principais convenções da Organização Internacional do Trabalho e de acordos multilaterais ambientais. O medo de que cláusulas trabalhistas e ambientais sejam utilizadas como mecanismos protecionistas, amplamente difundido em meios empresariais, sindicais e diplomáticos, é compreensível, mas a mudança no clima político americano indica, mais do que nunca, que se negar a negociar esses temas não é a postura mais adequada. Além do mais, como membros do Partido Republicano têm argumentado há tempos, essas cláusulas também poderiam ser utilizadas contra os Estados Unidos, que enfrentam muitos problemas, como, por exemplo, em matéria de respeito aos direitos trabalhistas de imigrantes. Já com relação ao tema da propriedade intelectual, a nova postura é boa notícia para todos os que vêm buscando uma maior abertura das regras para confecção e comércio de genéricos, como no caso dos remédios para tratamento da Aids. Mais polêmicas são algumas propostas de uso unilateral do poder americano. Propõe-se, por exemplo, incluir uma cláusula no acordo com o Peru que permita aos EUA investigarem a extração e comércio ilegal de mogno naquele país. Além disso, não está claro como exatamente se daria a investigação de violações a direitos trabalhistas e legislação ambiental, nem como funcionariam as instituições de solução de controvérsias e a implementação de sanções. Apesar do entendimento bipartidário contar com o apoio de uma coalizão ampla que inclui setores empresariais, há muita insatisfação por parte de organizações de peso, como a central sindical AFL-CIO. Há também divergências internas, tanto entre membros do Partido Democrata como entre filiados ao Partido Republicano, aqueles dizendo que a nova plataforma é excessivamente tímida, estes argumentando que se foi longe demais. É possível, portanto, que nos próximos meses a coalizão atual sofra ataques e que o conteúdo da sua agenda seja reformado. No entanto, em termos gerais, a tendência não mudará. Acordos comerciais deixaram, há muito, de versar unicamente sobre quotas e tarifas, e, pelo menos enquanto os democratas forem maioria no Congresso americano, dificilmente acordos comerciais serão ratificados pelos EUA sem que contenham novas cláusulas sobre direitos trabalhistas, meio ambiente, propriedade intelectual e investimentos. É bom que o governo brasileiro e as organizações da sociedade civil acompanhem de perto esse debate.

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O Brasil e a garantia de patente

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 17, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Como todos sabem, no quadro legal do Brasil contemporâneo, a principal lei sobre propriedade intelectual é a n.º 9.279, de 14 de maio de 1996, conhecida como Lei de Patentes. Ela corresponde a um novo código de propriedade industrial, que substitui a lei de 1971, e estabelece as novas regras para proteção de invenções (patentes), modelos de utilidades, desenho industrial, marcas e indicações geográficas. Uma das principais mudanças da nova legislação em relação à anterior foi aquela de que não poderia haver exclusão de matéria patenteável, ou seja, no nosso caso passou-se a estender a proteção para medicamentos, produtos químicos, ligas metálicas e microorganismos modificados. O Brasil, já há alguns anos, passa por um movimento de conscientização, onde percebe que a propriedade intelectual é a âncora de qualquer país em desenvolvimento, capaz de gerar riquezas com influências na balança comercial. Trata-se obviamente de política de interação científica e tecnológica, necessária, entre o setor público e o privado, somente podendo ser favorecida por meio de instrumentos legais, como a Lei de Marcas e Patentes, que dá segurança jurídica ao invento. Há menos de uma semana, o Brasil era reconhecido pela eficiência no combate ao contrabando e à pirataria, com a retirada do nome do país da Lista de Vigilância Prioritária. Depois desse avanço, inopidamente o governo federal assinou decreto, que denominou licença compulsória, do medicamento Efavirenz, usado no tratamento da Aids. O detentor da patente perdeu os direitos sobre o invento e receberá royalties arbitrados em 1,5% do valor pago pela importação, ou produção local. O governo optou por comprar cópias não-patenteadas, fabricadas por três laboratórios da Índia. Sem dúvida, duro golpe na garantia de patente no país. Pode-se alegar que a licença compulsória existe no artigo 68 da Lei 9.279/96. Realmente existe, como recurso extremo, e desde que se obedeça ao "devido processo legal", previsto na Lei 8.884/94, ou seja, a prova objetiva de que o titular da patente praticou "abuso de poder econômico". Todas as acusações teriam que ser provadas e demonstradas, administrativa ou judicialmente. Nada disso aconteceu. O ato oficial foi mais político do que jurídico. A imprensa divulgou negociações entre o governo e empresa privada para a redução de preço do produto Efavirenz, que representa apenas 17% do custo total do tratamento. Note-se que desde o lançamento em 1998 até hoje o preço já foi reduzido em 77%, representando 10% do valor cobrado nos Estados Unidos. Ninguém em sã consciência pode ser contra o remédio mais barato. É preciso saber, porém, que a patente não aumenta o preço de venda. O royaltie regulado por tratados internacionais não ultrapassa a média de 2% por período determinado. O custo médio da pesquisa de um novo medicamento é hoje superior a US$ 1 bilhão, bancado pela iniciativa privada. A patente apenas protege o inventor e estimula a pesquisa de produtos de última geração. Na cura das doenças, o consumidor não pode depender de produtos superados ou cópias sem garantia de qualidade. Ninguém investe em pesquisa com o risco de ser pirateado. Alguém colocaria o seu dinheiro numa poupança sem garantias? Sou defensor da patente. Trata-se de regra mundial, regulada por tratados. Ela protege o inventor, por um período determinado, não constituindo monopólio. Durante 50 anos - de 1945 a 14 maio de 1996 - os nossos cientistas bateram à porta de outros países para patentear os seus inventos. Tudo pelo fato de Getúlio Vargas ter suspendido as patentes farmacêuticas, quimiofarmacêuticas e de alimentos, sob o argumento de baixar o preço dos produtos. A Embrapa patenteou no Chile um feijão mais nutritivo, resultado da engenharia genética, e no Paraguai um vírus desenvolvido para combater praga da soja. O biólogo brasileiro Flávio Alterthum inventou na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, uma bactéria capaz de produzir álcool combustível a partir de restos de plantas. Depois, a Universidade da Flórida vendeu a licença de seu uso à empresa brasileira, que construía em Goiás uma usina de álcool. A gordura de aumentos provém dos elevados impostos, taxas e intermediação. O xis da solução do preço de medicamento no Brasil está na redução da carga tributária e da distância entre quem produz e o doente. Pelo menos nos medicamentos de uso contínuo. O governo precisa renunciar impostos para o pobre ter a garantia da cura com produtos modernos e atuais. Isso somente ocorrerá se o inventor e o investidor não forem amedrontados com ameaças veladas de perda da patente. Ambos têm que ter segurança de que o Brasil realmente mudou em relação ao seu passado recente. Ney Lopes Ex-deputado federal (DEM) e ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, é relator da atual Lei de Patentes

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O saudável direito da licença compulsória

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 17, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

17 de Maio de 2007 - O programa de combate à AIDS do Brasil é considerado pela Organização Mundial da Saúde referência internacional no enfrentamento dessa epidemia. Não sem razão. Depois de crescimento exponencial nas décadas de 80 e 90, a epidemia de AIDS no Brasil estabilizou-se, graças às campanhas de prevenção. Com efeito, desde 1998 que as taxas anuais de incidência de novos casos têm se mantido entre 18 e 19 por cem mil habitantes. Embora o ideal seja a redução dessas taxas, a estabilização em níveis relativamente baixos representa inegável avanço. Mais relevante é o tratamento eficaz e gratuito dos portadores do HIV, que aumentou sobremaneira a expectativa e a qualidade de vida desses cidadãos brasileiros e reduziu muito as caras internações devidas às infecções oportunistas.Primeiro no mundo a adotar essa estratégia, o programa brasileiro é reproduzido em países como Moçambique e Angola, contribuindo para o enfrentamento global à AIDS. Entretanto, o elogiado programa de combate à AIDS do Brasil tem seu calcanhar-de-Aquiles: o custo das drogas anti-retrovirais patenteadas. O país vem gastando cerca de R$ 1 bilhão/ano para tratar de 170.000 portadores do HIV. Desse total, 20% são destinados à compra de 7 medicamentos anti-retrovirais fabricados no Brasil, ao passo que 80% são usados para importar drogas patenteadas. Estudo do Ministério da Saúde de 2005 mostrava que a importação de apenas 3 anti-retrovirais (Efavirenz, Lopanivir e Tenofovir) consumia R$ 300 milhões do programa.O mesmo estudo demonstrava também que, caso o Brasil fabricasse essas drogas, o país economizaria R$ 1,8 bilhão ao longo de 5 anos. Pois bem, a decisão do governo de proceder ao licenciamento compulsório do Efavirenz provocou reações desinformadas. Protestou-se contra a "quebra dos contratos" e foram feitos alertas em relação à diminuição dos investimentos estrangeiros no país. Ora, o principal "contrato" que rege as patentes em nível internacional é o acordo TRIPS, da OMC. Embora tenha avançado em relação à abrangência e âmbito de proteção dos direitos de propriedade intelectual, o TRIPS buscou equilíbrio entre tais direitos privados e o interesse público dos Membros da OMC. Assim, o Artigo 31 do TRIPS dispõe sobre o uso de patentes sem a autorização do titular, em casos de "emergência nacional", "extrema urgência" e "uso público não-comercial". Não obstante terem existido dúvidas sobre o significado desse artigo, os países em desenvolvimento obtiveram, sob a liderança do Brasil, uma importantíssima vitória na Conferência Ministerial da OMC, de 2001. Nessa conferência, foi emitida a Declaração de Doha sobre o Acordo TRIPS e a Saúde Pública, que confirmou o direito dos Estados de conceder licenças obrigatórias sobre as patentes por motivos de saúde pública. Ademais, tal declaração esclareceu que cabe aos Estados determinar o que é "emergência nacional" ou "extrema urgência" e que a epidemia de AIDS pode ser considerada como tal. Com base nessa declaração, o Brasil negociou a redução do preço exorbitante de medicamentos anti-retrovirais, o que diminuiu o custo do tratamento anual da AIDS por paciente de US$ 3.464, em 2000, para US$ 1.336, em 2004. Porém, a introdução de novos medicamentos patenteados no tratamento elevaram o custo por paciente e forçaram o Brasil, ante a recusa do laboratório do Efavirenz de reduzir preços, a emitir, pela primeira vez, o licenciamento compulsório. Observe-se que, antes do Brasil, países como Canadá, Itália, África do Sul, Tailândia, Índia e Malásia tinham procedido da mesma forma, sem que tivessem sofrido retaliações. O Brasil não será prejudicado e o licenciamento compulsório, além de beneficiar um programa de grande alcance social, contribuirá com o desenvolvimento de nossa capacidade técnica na produção de medicamentos. Em relação à pesquisa, é preciso reconhecer que as patentes são fundamentais para o seu estímulo. Contudo, na conferência sobre patentes da OCDE de 2006,especialistas alertaram para o fato de que um sistema rígido de patentes pode inibir a inovação, devido aos monopólios de informação e ao patenteamento de materiais para pesquisas. Ao quebrar a patente do Efavirenz, o Brasil exerceu direito assegurado no principal contrato internacional sobre o tema, em benefício da saúde do seu povo. Ao fazê-lo, o país seguiu as regras do TRIPS. Pode-se exigir do país que assim proceda. Só não se pode demandar que a nação renuncie a um importante direito para a bem-estar de sua população. Afinal, pode-se licenciar tudo, menos o direito à vida.

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Visão de longo prazo

2007-05-15T00:00:00-03:00maio 15, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A questão é saber como as empresas interessadas em transformar o país num pólo farmacêutico receberão as decisões sobre patentes A POLÊMICA sobre a decisão do governo brasileiro de decretar a licença compulsória do medicamento usado no tratamento da Aids Efavirenz prende se menos ao fato em si, visto que o mecanismo é contemplado pela legislação e reconhecido pelos organismos internacionais, e mais ao seu significado mais amplo para o futuro da indústria farmacêutica no país e de todos os segmentos intensivos em tecnologia. Se, de fato, o governo pretende adotar medidas estratégicas de incentivo à inovação em geral, que contemplariam, entre outras ações, a criação de um complexo produtivo da saúde, o recurso à licença compulsória, nos termos em que se deu, precisa ser devidamente enquadrado. Até onde se sabe, o principal objetivo do licenciamento compulsório foi o de reduzir os gastos com a compra de um medicamento anti retroviral usado no Programa Nacional de DST e Aids mediante a mera troca de fornecedores internacionais ao menos no momento. Nesse contexto, a medida pode ser entendida como circunstancial. Teria como pano de fundo o subfinanciamento da saúde, as notórias dificuldades de gestão do poder público e a pressão social por melhores serviços na área da saúde. Seja qual for o motivo, a economia de dinheiro não pode justificar medidas de exceção, ainda que legítimas, sob pena de comprometer programas importantes e estratégicos para o desenvolvimento do país, de indústrias de ponta, como a farmacêutica. Cabe perguntar como a importação se harmoniza com a intenção manifesta do governo de fazer com que a indústria farmacêutica no país deixe de ser uma mera produtora de remédios comuns e passe a fazer grandes investimentos para a descoberta de novos produtos que resolvam o histórico problema do acesso da população aos medicamentos. É certo que o papel da propriedade intelectual como ferramenta fundamental do processo de geração de conhecimento e sua transformação em produtos úteis e economicamente vantajosos para a sociedade ainda é mal compreendido. Desenvolvimento tecnológico sem respeito à propriedade intelectual é simplesmente inviável. Qualificados integrantes da área econômica do governo sabem disso e manifestaram esse entendimento recentemente, ao afirmar que os segmentos inovadores (a indústria farmacêutica lidera a inovação mundial) devem "merecer estímulo e apoio sistêmico com empenho redobrado, como fazem os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento". O país precisa definir uma orientação clara a respeito da propriedade intelectual e sobre como adequá la a esses objetivos maiores, no sentido de garantir um ambiente econômico adequado à atração de projetos e investimentos. Todo processo de inovação depende das chamadas patentes, sobretudo na área farmacêutica, cujos produtos sofisticados demandam um longo período de maturação e vultosos recursos em pesquisa e desenvolvimento. Por isso, as leis que regem a propriedade intelectual e os mecanismos que a flexibilizam precisariam estar sintonizados com uma política de incentivo à modernização tecnológica do complexo produtivo da saúde. Nunca deveriam ser usados só como arma de pressão em negociações. É sabido que o país ainda não possui capacitação tecnológica para fabricar ou desenvolver medicamentos de ponta, seja para o tratamento da Aids, seja para o tratamento de outras enfermidades importantes. Os avanços alcançados por laboratórios públicos na produção de vacinas, por exemplo, só foram possíveis mediante acordos de transferência de tecnologia firmados com laboratórios internacionais e políticas de incentivo sustentadas no tempo, com persistência e foco no futuro. Nesse contexto, a grande questão é saber como atitudes controversas no campo da propriedade intelectual serão entendidas pelas empresas nacionais e internacionais interessadas em transformar o país num pólo farmacêutico forte e globalizado, que gere riqueza e produza aqui os medicamentos de que a população brasileira necessita. Um projeto assim, sustentável, requer visão de longo prazo, que lide com um horizonte mais amplo e objetivos maiores e duradouros. A harmonização dessa visão com as pressões sociais imediatas e a deficiência de meios para atendê las é o dilema clássico da gestão na saúde. Resistir às saídas fáceis é difícil, mas é o desafio dos verdadeiros estadistas.  CIRO MORTELLA, 49, é presidente executivo da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica).

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Fidel Castro apóia quebra de patente de remédio no Brasil

2007-05-15T00:00:00-03:00maio 15, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Havana, 14 mai (EFE).- O presidente cubano, Fidel Castro, apoiou a decisão do Governo brasileiro de quebrar a patente de um remédio para o tratamento da aids, além de falar sobre as negociações entre Brasil e Bolívia e sobre biocombustíveis, mas não comentou a situação de Cuba, em mensagem divulgada hoje em Havana por fontes oficiais. "Apoiamos totalmente o decreto de nacionalização da patente de uma transnacional farmacêutica para a produção e comercialização no Brasil de um remédio contra a Aids, o Efavirenz, de preço abusivamente alto, como muitos outros", disse Castro em seu artigo. No dia 4 de maio, o Governo brasileiro suspendeu a patente da droga fabricada pela multinacional Merck e passou a importar um genérico fabricado por um laboratório da Índia, mais de três vezes mais barato que o original. Castro também deu seu apoio à recente solução "mutuamente satisfatória do conflito entre Brasil e Bolívia sobre as duas refinarias de petróleo". "Reafirmo que sentimos profundo respeito pelo povo irmão do Brasil", afirmou. No novo artigo de "reflexões", o sétimo desde março e o terceiro em uma semana, Castro voltou a falar sobre a produção de etanol e a exploração da cana de açúcar, temas que tem criticado em seus editoriais. O chefe da revolução, que se recupera de uma doença mantida como segredo de Estado desde 31 de julho do ano passado, não comentou, mais uma vez, seu estado de saúde.

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Medida permite compra de genérico e produção local

2007-05-15T00:00:00-03:00maio 15, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O governo quebrou no início de maio a patente do Efavirenz, fabricado pela Merck e destinado ao tratamento de pacientes infectados pelo HIV. A justificativa da medida, inédita, foi a necessidade de assegurar a viabilidade financeira do programa de atendimento a pacientes com aids, considerado modelo no mundo. O decreto de licenciamento compulsório permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e a fabricação do remédio no País. Desde a gestão de José Serra, atual governador de São Paulo, na pasta da Saúde (1998-2002), o governo ameaçava os laboratórios com licenças compulsórias.

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Quebra de patente será defendida

2007-05-15T00:00:00-03:00maio 15, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Brasil defenderá hoje na Organização Mundial de Saúde (OMS) seu direito de quebrar patentes sempre que necessário e quando o diálogo fracassar. No discurso que fará na Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, tocará no tema das patentes perante ministros de 191 países mas sem um tom de ameaça e reiterando que o país prefere sempre a via da negociação. Antes de chegar a Genebra, ontem, Amorim esclareceu que a posição do Brasil em relação a patentes de medicamentos é a de "sempre negociar, sempre que for possível" com os laboratórios farmacêuticos. Mas, quando a negociação atingir a exaustão, o país exercerá seu direito legal se for necessário, como ocorreu no caso da Merck no início do mês, quando o governo decidiu pelo licenciamento compulsório do Efavirenz, usando no tratamento da Aids.

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As patentes e os dogmas

2007-05-14T00:00:00-03:00maio 14, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Quando se fala em medicamentos e China, duas notícias curiosas se repetem. Uma é o desrespeito aos direitos de propriedade intelectual no país, com uma pirataria recorde de remédios. Outra é a euforia das indústrias farmacêuticas com o mercado chinês, que fez do país um dos mais fervilhantes centros de pesquisa e produção do mundo. O paradoxo não indica que o Brasil deva seguir o exemplo chinês nessa matéria, mas recomenda menos ligeireza na análise de fatos como o recente licenciamento compulsório decretado pelo governo brasileiro para um remédio anti-aids. A China demonstra que o mercado farmacêutico e a discussão sobre propriedade intelectual não são assunto para se tratar por critérios abstratos, na base dos dogmas de livro-texto. O mercado farmacêutico é tipicamente falho; não se pode falar, nele, em ajustes ditados simplesmente pelo mecanismo de oferta e demanda. Há fatores, além da garantia de monopólio, a estimular a pesquisa científica e a inovação, a criação e instalação de laboratórios e a produção de remédios. Renda e mercado consumidor, por exemplo. As patentes, especialmente, impõem outra discussão, já que são um direito de monopólio, um golpe na concorrência, permitido aos inventores (ou a inovadores com espírito empresarial e inteligência para reclamar direitos sobre aperfeiçoamentos de invenções não patenteadas). Criada por liberais, para facilitar a disseminação do conhecimento e a produtividade econômica, a lógica da patente é garantir remuneração e monopólio na invenção, suficiente para recompensar devidamente os esforços do inventor. Mas sob condições e por tempo limitado, para que não se transforme em fator de atraso e ineficiência. Quando um país, como o Brasil, lança um programa com dinheiro público para compra de um medicamento, claramente amplia mercado para esse remédio e as receitas que seu inventor previa ao iniciar pesquisas para fabricá-lo. O sucesso desse programa leva a um aumento da receita dos fabricantes, e, como já demonstrou nesse jornal o repórter Daniel Rittner, pode criar também um problema fiscal, já que a sobrevivência de pacientes antes condenados à morte gera despesas crescentes, agravadas caso os detentores do monopólio na venda dos remédios não sejam submetidos a algum tipo de controle. Nesses casos, como aconteceu no Brasil, não se deve falar em "demagogia", como querem alguns críticos, mas em responsabilidade fiscal. O que está em jogo não são só os US$ 30 milhões economizados com o licenciamento do Efavirenz, mas o custo do programa de combate à aids para a sociedade e a lógica que deve orientar todos os laboratórios privados nas negociações de preço com o consumidor forçado, o Estado. Brasil não feriu leis no caso Efavirenz O Brasil é signatário do acordo internacional de direitos de propriedade intelectual, conhecido como Trips, e seu histórico de respeito ao tratado é inquestionável. Ao contrário do que se passa na China, onde, porém, segundo relato recente de uma publicação especializada, a "Genetic Engineering and Biotechnology News" todas as 20 maiores empresas farmacêuticas têm ativas subsidiárias ou joint-ventures. A Novartis monta lá um de seus maiores centros de pesquisa mundiais. Alinhando-se com o setor de ponta de pesquisa, a China desenvolve um inovador sistema de tratamento da aids, hoje em fase de testes, para bloquear a entrada do vírus nas células humanas. Nas negociações internacionais, países com fortes interesses em propriedade intelectual, como os Estados Unidos, têm tentado, legitimamente, ampliar prazos e a área de cobertura do monopólio garantido pelas patentes. O Brasil e outros países, também de forma legítima, têm se recusado a isso, e argumentado que o Trips já é suficiente. Os chamados acordos Trips-plus dificultam a disseminação do conhecimento. Universidades nos Estados Unidos debatem a crescente falta de comunicação entre grupos de pesquisa, provocada pelo temor de divulgação de informações patenteáveis. O argumento de que só o setor privado é capaz de promover pesquisas inovadoras nesse campo ignora convenientemente exemplos como o das inovadoras terapias médicas na ex-União Soviética e o da produção da vacina de meningite por Cuba a quem o Brasil, aliás, teve de recorrer na última epidemia da doença. A vacina de meningite motivou o primeiro e único caso de exceção ao bloqueio dos EUA contra Cuba, para que um laboratório britânico explorasse o know how científico da ilha. Há exageros e inverdades na discussão sobre a decisão recente do Ministério da Saúde de licenciar compulsoriamente para venda no país genéricos do medicamento Efavirenz, após o fracasso das negociações para redução dos preços do medicamento fornecido pelo detentor da patente, o laboratório Merck. A maior falácia na discussão é que classifica a decisão como uma quebra de contrato, ao arrepio das leis. "O Brasil usou as regras existentes, para um caso específico, e para uso interno do medicamento, pelo setor público", relaciona o senador Aloizio Mercadante, um dos primeiros a sair em defesa do governo, com argumentos sólidos, acessíveis aos que vêem os fatos sem as amarras dos dogmas acadêmicos. Foi o governo anterior, na gestão de José Serra no Ministério da Saúde (e Celso Amorim na representação do Itamaraty em Genebra), que atalhou um longo debate na OMC e eliminou dúvidas sobre o artigo que previa o licenciamento compulsório de medicamentos em casos específicos, por razões como emergência nacional ou interesse público. O licenciamento compulsório é previsto e já foi usado por países desenvolvidos, como a Itália e o Canadá, argumenta o senador. A diversidade étnica brasileira, o forte mercado consumidor e os mecanismos criados pelo governo, como a Lei de Inovação e as linhas de financiamento do BNDES são estímulos significativos às pesquisas e investimentos na área, lembra Mercadante. O Brasil não é uma China, mas tem seus atrativos. E bem menos conflitos em matéria de propriedade intelectual.

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BNDES quer financiar produção de medicamentos para a saúde pública

2007-05-14T00:00:00-03:00maio 14, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Rio de Janeiro - O licenciamento compulsório do medicamento contra aids Efavirenz, assinado pelo governo federal no dia 4, poderá repercutir de modo favorável sobre os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco espera – e está disposto a financiar – “qualquer iniciativa de capacitação da indústria nacional para fabricar esses medicamentos necessários aos programas estratégicos do Ministério da Saúde”, garantiu o chefe do Departamento de Produtos Intermediários Químicos e Farmacêuticos (Defarma) do banco, Pedro Pimentel. Pimentel disse que “o BNDES gostaria que essa ação de licenciamento compulsório [sobre o Efravirenz] resultasse na introjeção da produção do medicamento em território brasileiro”. Pimentel espera que essa fase de importação da droga genérica do Efavirenz pelo Brasil seja transitória, “até que nossos laboratórios oficiais, públicos ou privados, ganhem capacitação para produzir a droga, não só no seu estágio final do medicamento, mas para produzir o princípio ativo, farmoquímico”. O chefe do Defarma lembrou que o apoio à indústria farmoquímica brasileira é um dos objetivos do novo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para que a indústria nacional volte a ter competitividade nesse segmento. Pedro Pimentel relatou que o déficit comercial brasileiro na área de fármacos subiu de U$ 1,23 bilhão em 2003 para cerca de U$ 2 bilhões hoje. Segundo Pimentel, embora o cenário externo seja favorável e não existam restrições cambiais no Brasil, o déficit é um problema latente na opinião do banco. E como se trata de um setor de medicamentos, ligado a questões de soberania nacional, na visão do BNDES, “esse déficit ainda preocupa”. Daí o interesse demonstrado pelo banco em incentivar de alguma forma a fabricação local desses produtos de interesse à saúde pública, bem como de seus farmoquímicos. O déficit é causado pela grande importação. Pedro Pimentel disse que o Real apreciado tende somente a acentuar esse déficit “porque fica mais atraente, olhando do ponto-de-vista econômico-financeiro das empresas, principalmente as filiais de multinacionais, em vez de agregarem valor na produção local em território brasileiro, importar tudo pronto de suas matrizes. E não é raro ver a importação até das bulas, já traduzidas para o português”, destacou. O chefe da Defarma revelou que entre 2000/2002, a importação no setor estava concentrada em commodities que vinham da Ásia com baixo custo ou em produtos com tecnologia agregada e de valor tecnológico mais elevado. Hoje, a importação é ilimitada. “O Brasil está importado medicamentos prontos à vontade, quando nós temos competência técnica, de gestão e para financiar empreendimentos e produzir a maioria desses produtos importados aqui no Brasil”, afiançou. Pedro Pimentel garantiu que boa parte do que é importado já pode ser produzido no país. Referindo-se, em especial, a medicamentos de importância estratégica para a saúde pública, ele reiterou que “nós deveríamos produzi-los no Brasil”.

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OMS discute quebra de patentes por países pobres

2007-05-14T00:00:00-03:00maio 14, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O desafio lançado pelos países pobres ao sistema internacional de obtenção e proteção de remédios e vacinas, liderado pela Indonésia e Brasil, será o tema principal da 60ª Assembléia Mundial da Saúde, que começa nesta segunda-feira (14/5), em Genebra. A maior reunião do mundo sobre o tema, que a cada ano reúne os ministros de Saúde dos 193 países-membros da OMS, vai até 23 de maio. O plenário deverá aprovar um aumento de 15% no orçamento bienal, até US$ 4,2 bilhões. Um dos temas será a polêmica aberta pela Indonésia, o país com mais vítimas do H5N1, que se nega a compartilhar mostras do vírus causador da gripe aviária com a comunidade internacional. O país exige o acesso livre às vacinas. “Os assuntos principais serão a gripe aviária e a recusa da Indonésia a compartilhar as mostras, assim como a proteção da propriedade intelectual, dois temas relacionados”, reconheceu o porta-voz da organização, Iain Simpson. A Indonésia vai à reunião do principal órgão executivo da OMS convencida de que a sua decisão é apoiada pelos outros 12 países com vítimas do H5N1. Além disso, espera receber a “compreensão” da organização internacional, que, no entanto, "acredita que durante a Assembléia será possível solucionar o conflito", disse o porta-voz. A comunidade internacional teme uma pandemia mundial causada pelo H5N1. O vírus, por enquanto, foi capaz de matar, geralmente em menos de 10 dias, 78% das pessoas contaminadas, que tinham em média 20 anos. A Indonésia compartilhava gratuitamente suas mostras do vírus até receber de farmacêuticas privadas ofertas de vacinas elaboradas precisamente a partir de seu material, o que o Governo considerou inadmissível. “É inaceitável que boa parte do mundo não receba os benefícios do intercâmbio de vírus e não possa dispor das vacinas", declarou recentemente o chefe do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento no Ministério da Saúde indonésio, Triyono Sundoro. A Assembléia vai buscar uma solução para o conflito. A exigência indonésia tem sido muito criticada pelos países ricos e apoiada pelos pobres, que temem ficar sem vacinas em caso de pandemia. O problema não é só da gripe aviária. Ele questiona o sistema mundial de produção de remédios e vacinas. A pesquisa privada é financiada através do direito de patentes, cada vez mais pressionado pelos países em desenvolvimento, que querem retirar as proteções para baratear os produtos. Um exemplo é a decisão do Brasil de suspender a patente da multinacional Merck sobre o Efavirenz, um remédio para a Aids, e importar um genérico fabricado por um laboratório da Índia que cobra um preço três vezes menor que o do original. Com essa decisão, inédita na América Latina e uma das primeiras do mundo, o Brasil poderá poupar US$ 30 milhões este ano e US$ 237 milhões até 2012, quando vence a patente. Entre outros pontos a serem discutidos no encontro, a agenda inclui os avanços na erradicação do sarampo e da pólio, a melhora da saúde infantil e materna, o controle da tuberculose, o câncer e a febre amarela. As informações são da agência de notícias EFE.

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