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maio 2007

A política sem caráter

2007-05-14T00:00:00-03:00maio 14, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O governo brasileiro exagerou em princípios da política mundial e pôs o Itamaraty à beira de um ataque de nervos. Foi o que o Brasil fez nas relações com a Bolívia e o governo desse país, chefiado por um espécime autêntico do Lula eleito pelos brasileiros em 2002, que desapropriou as refinarias da Petrobras ali sediadas. O criador falou em levar a criatura à Justiça internacional por esse ato. Claro, negócios são negócios, mas tais desavenças não poderiam ter surgido em hora pior para o Brasil. Enquanto a Petrobras chora as perdas, o próprio governo Lula, em rompante do ministro da Saúde, ameaça quebrar a patente de laboratórios estrangeiros, para usar, na marra, seus produtos no combate ao que os brasileiros chamam de Aids e o mundo lusófono de Sida, Síndrome Imunológica de Deficiência Adquirida. Atitude igual foi tomada no governo FHC, quando o ministro da Saúde era o atual governador José Serra, de São Paulo. Por motivos ignorados, tal quebra da patente acabou de outro modo e o mundo até aprovou a postura brasileira. O que não havia, então, era o caso da Bolívia. Pois é. Voltaire considerou o amigo Frederico II, imperador da Prússia, autor de O Anti-Maquiavel, um governante perfeito, por não admitir, nessa obra, simulações e dissimulações nas relações políticas internacionais. Sem falar da economia, Frederico II levou seu país às culminâncias da cultura universal, mas se afastou de sua histórica aliada, a Áustria, quando, já morto Voltaire, isso lhe conveio. Não se trata, em absoluto, de sugestão para Lula nem para Morales. Nem é, diga-se, em tempo, aceitação de golpes baixos e falsidades políticas. É simples mostra de quem age, ou não, com coerência. Dados os leilões da Amazônia e as incongruências sobre emprego e previdência social, a estrela do PT parece nortear tragédias. Bancários do Banco do Brasil revelam plano para demitir milhares de colegas. O ministro Marinho quer cortar pensões de pensionistas para salvar a Previdência. Antes das eleições, dizia-se que só a oposição, se vencesse, teria tal agenda. Mas Lula cooptou oposicionistas, faz o que quer, para o bem ou para o mal, com a força trágica da mais brasileira das comédias: a política sem caráter.

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Boston vive um pouquinho do Brasil

2007-05-13T00:00:00-03:00maio 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Harvard organiza encontros e no cardápio entram coxinha e brigadeiro Além de aumentar a presença do Brasil em seus currículos, a Universidade Harvard tem ajudado a valorizar a cultura, a história e os avanços do País para a comunidade de Boston e das cidades vizinhas. Quase toda semana, há um evento diferente, aberto ao público em geral - com coxinha, brigadeiro e banana frita no cardápio. Em abril, foi realizada a Brazil Week, que trouxe especialistas brasileiros e estrangeiros para falar sobre música e cinema, imigração, entre outros assuntos, durante uma semana. Uma roda de capoeira, com alunos da instituição, foi montada em um dos prédios da universidade. Um dos presentes na platéia era o cônsul do Brasil em Boston, Mario Saade. Para ele, Harvard ajuda a fazer um trabalho que o órgão oficial não consegue. 'Temos uma demanda tão grande de atividades consulares e uma estrutura tão pequena que não temos como organizar eventos desse tipo', diz. Não há dados oficiais porque muitos dos imigrantes são ilegais, mas estima-se que haja 350 mil brasileiros na região de Boston, uma das três maiores comunidades do País nos EUA. Para atrair participantes, a maioria dos eventos é em inglês. Em março, foi realizada uma conferência sobre tratamento e prevenção da aids no Brasil. Uma das palestras mais concorridas foi a do ex-diretor do Programa Nacional de DST-Aids Paulo Teixeira sobre a batalha com os EUA para a derrubada de patentes de remédios. Harvard organiza ainda os chamados bate-papos, uma oportunidade para estudantes de português praticarem a língua com convidados brasileiros.

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Guerra pela vida

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O licenciamento compulsório do Efavirenz é uma batalha decisiva do conflito global entre laboratórios, ONGs e governos O editorial do Wall Street Journal de 7 de maio exigiu do governo dos EUA que priorize, na assembléia da Organização Mundial da Saúde de 14 a 23 de maio em Genebra, o combate a uma epidemia que representa “um desastre para os pobres do mundo”. Não a Aids, como se poderia pensar, mas uma tal de “gripe tailandesa” que, na sexta-feira 4 de maio, alastrou-se para o Brasil com o licenciamento compulsório do Efavirenz da Merck. Antecipada por CartaCapital em Nas Mãos das Múltis, matéria de capa da edição 442, a medida proposta pelo ministro José Gomes Temporão foi chamada pelo jornal de “expropriação”, apesar de o laboratório estadunidense receber um royalty de 1,5% sobre o genérico importado da Índia ou produzido localmente. Foi ótima notícia para a Tailândia, tirada do isolamento. Seu ministro da Saúde, Mongkol Na Songkhla, fizera o mesmo em novembro de 2006. Três meses depois, foi a vez do Kaletra da Abbott – outra droga anti-retroviral da “segunda linha”, dez vezes mais cara que os medicamentos usuais, mas vital para pacientes que já deixaram de responder aos mesmos – e do Plavix da Sanofi-Aventis, antiplaquetar que devorava 20% do orçamento dos hospitais tailandeses do coração. Tudo dentro das regras da OMC que, ao contrário do que parece pensar o jornal, não restringem a medida a inesperadas emergências epidêmicas. A Itália, por exemplo, usou-a em 2005 com o Tienam da Merck, um antibiótico de uso geral. Mesmo assim, a Abbott, em represália, suspendeu o registro de novas drogas no país asiático – inclusive uma nova fórmula do Kaletra, resistente ao calor tropical – e recusou-se a levá-las ao país enquanto o governo não revogasse a medida. A posição da Tailândia é reforçada pela do Brasil, assim como o país asiático, ao levar a Merck a baixar o preço de seu produto naquele país, fortaleceu o governo brasileiro. Com dois países de certo peso a tomar essa atitude, terceiros países mais fracos, temerosos da retaliação de Washington, podem sentir-se encorajados a importar produtos indianos para atender os doentes. Washington apoiou a Abbott ao incluir a Tailândia na lista de países prioritariamente “vigiados” quanto ao respeito à “propriedade intelectual”, sem se decidir a levar o caso à OMC, cujo apoio à causa dos laboratórios seria incerto. A Câmara de Comércio dos EUA (Amcham) ameaçou o Brasil com suspensão de investimentos e exclusão do Sistema Geral de Preferências (que reduz as tarifas de alguns produtos exportados para os EUA) e diz em seu site ter o apoio dos ex-embaixadores Rubens Ricupero e Roberto Abdenur. Já ONGs como a Médicos Sem Fronteiras e a coalizão britânica Stop Aids Campaign, mais próximas das questões de vida e morte, aplaudem Brasil e Tailândia e exigem do G-8 e da União Européia que os respaldem. Michael Weinstein, presidente da estadunidense AIDS Healthcare Foundation, disse que o Brasil “mais uma vez lidera o caminho para o acesso a drogas para a Aids a preços acessíveis para todas as nações”. Outro apoio substancial veio do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, que, em 8 de maio, disse em Nova York serem “exorbitantes os preços cobrados em países de renda média como Brasil e Tailândia”. Não ficou só nas palavras: anunciou um acordo entre a Fundação Clinton e dois dos maiores laboratórios indianos, Cipla e Matrix, para fornecer medicamentos anti-retrovirais, o que inclui um coquetel de medicamentos de “segunda linha” (Tenofovir, Lamivudine e Efavirenz), por 339 dólares anuais, a 750 mil HIV-positivos de 25 países da África, Caribe e Ásia, inclusive a Tailândia. Os fabricantes originais não aviavam a receita por menos de 750 dólares – e isso só nos países mais miseráveis. Com pacientes de países de renda “média”, os laboratórios do Primeiro Mundo são ainda menos generosos: a Fundação teria de gastar 1.030 dólares anuais. Um custo excessivo, mesmo ante os 300 milhões de dólares a ser arrecadados em 2007 pelo Unitaid, com o qual a Fundação Clinton trabalhará em parceria. Trata-se do fundo de combate à Aids criado em setembro de 2006 a partir da proposta de Lula e Jacques Chirac, financiado por uma fração dos impostos sobre passagens aéreas recolhidos pelos países membros. O número de infectados pelo HIV no fim de 2006 era de 39,5 milhões no mundo, 37,4 milhões dos quais em países periféricos. Desses últimos, 7,1 milhões já necessitavam de medicação urgente, mas só 2,015 milhões a recebiam (1,34 milhão na África). Houve progresso em relação aos 400 mil medicados de 2003, mas foi insuficiente e a epidemia continua a crescer. Em 2006, 2,9 milhões morreram de Aids, 380 mil dos quais com menos de 15 anos. Ao mesmo tempo, outros 4,3 milhões contraíram a doença, 2,8 milhões dos quais (65%) na África Negra. Em seis países africanos, incluindo África do Sul, Zimbábue e Namíbia, a contaminação supera 20% da população adulta. Outros sete têm taxas de infecção entre 8% e 20%, incluindo Moçambique, Tanzânia e Guiné-Bissau. Já no Brasil, com estimadas 660 mil pessoas ou 0,6% dos adultos portando o vírus, proporção similar à dos EUA, 200 mil beneficiam-se do tratamento gratuito, iniciado em 1997. Na Tailândia, onde a taxa de infecção é de 1,5% (570 mil, em números absolutos) um sistema quase gratuito foi criado em 2001 pelo deposto primeiro-ministro Thaksin Shinawatra. A junta militar que o acusou de corrupção e o depôs em setembro de 2006 não ousou reverter essa medida: pelo contrário, aboliu a taxa simbólica que vinha sendo cobrada. Em países com renda per capita de poucas centenas de dólares, um atendimento médico universal só seria concebível se custeado pelos países ricos. Nas condições atuais, mesmo a redução de 750 dólares anuais para 339 pode, quando muito, ampliar a limitada fração das populações alcançadas pelas ONGs, sem atender a grande maioria dos necessitados. Já em países como Brasil e Tailândia, com renda intermediária e um sistema público de saúde abrangente – por mais que deixe a desejar –, algumas centenas de dólares por paciente fazem a diferença entre um tratamento viável e milhões de mortes precoces. Mais que isso, fazem a diferença entre uma epidemia relativamente contida e uma pandemia. No início dos anos 90, o Brasil era um dos piores casos no mundo: as projeções indicavam que sua juventude estaria devastada por volta de 2000, como de fato se deu em muitos países africanos. Desafiar os laboratórios com a produção de genéricos – e as igrejas com a distribuição de preservativos e seringas – evitou uma catástrofe humanitária e o caos econômico. Segundo o Banco Mundial, a Aids abate, a cada ano, de 0,3% a 1,5% da renda per capita de metade dos países africanos, alguns deles já desesperadamente pobres. Por volta de 2020, muitos deles terão perdido não só milhões de jovens como mais de 20% de sua renda per capita. Segundo os laboratórios dos países ricos, a redução dos seus preços os desestimulará a criar medicamentos para países pobres, mas seus esforços nesse sentido já não são significativos, pois doenças crônicas comuns em países ricos, notadamente a impotência e a depressão, são muito mais atrativas para investimentos privados. Só universidades e órgãos públicos podem priorizar a pesquisa de doenças tropicais e epidêmicas de países pobres. Mesmo no caso da Aids, as drogas hoje existentes foram pesquisadas tendo em vista os 2,1 milhões de HIV-positivos da América do Norte e Europa Ocidental, que, segundo o relatório anual do laboratório britânico Shire, ainda em 2005 responderam pela “vasta maioria” dos 8,1 bilhões de dólares das vendas globais de anti-retrovirais – e, obviamente, por uma maioria ainda mais vasta dos lucros. Enquanto isso, os países periféricos enfrentam a epidemia mais grave desde meados do século passado, quando as vacinas e os antibióticos controlaram a maioria das doenças infecciosas. Seus doentes pouco têm a ganhar com a hipotética disposição dos laboratórios de pesquisar novas drogas. Se depender do livre-mercado e da sacralização das patentes, todos estarão mortos antes que tais medicamentos estejam ao seu alcance.

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Lula fez bem ao quebrar a patente de um medicamento para aids?

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Genérico indiano substitui remédio da Merck Após negociações frustradas com o laboratório Merck Sharp & Dohme, o presidente Lula assinou um decreto de licenciamento compulsório do Efavirenz, remédio para tratamento da aids. Ele será substituído por um genérico indiano, comprado por intermédio do Unicef. O governo estima economizar US$ 30 milhões por ano, valor que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com aids. Autoridades americanas disseram que, com a decisão, o Brasil vai perder investimentos. Resultado da enquete: Sim> 72% Não> 28% Confira a próxima enquete O QUE PENSAM OS ESPECIALISTAS “O governo acertou ao priorizar a saúde da população brasileira” RENATA REIS ASSESSORA DE PROJETOS DA ASS. BRAS. INTERDISCIPLINAR DE AIDS Os preços dos medicamentos produzidos pelas empresas farmacêuticas multinacionais inviabilizam programas de acesso a medicamentos em todo o mundo. A patente possibilita a exclusividade de produção e comercialização ao laboratório. Prevista pelas leis internacionais de comércio, a licença compulsória (quebra de patente) já foi utilizada por países como EUA, Canadá, Tailândia e Itália. Os preços de medicamentos patenteados podem ser até 40 vezes mais altos nos países de renda média, como o Brasil, pela falta de concorrência. O sucesso do Programa Nacional de HIV/AIDS se deve em grande parte à produção de genéricos. O acesso aos medicamentos é fundamental para a vida das pessoas que vivem com o HIV e para a sustentabilidade do programa. A licença do Efavirenz não afastará investimentos em pesquisa no País, já que a Merck receberá os royalties devidos e a empresa pouco investe nessa área em países como o Brasil. O governo adotou a medida certa ao priorizar a saúde da população brasileira diante dos preços abusivos cobrados pela Merck. “O paciente brasileiro não terá acesso a medicamentos inovadores” GABRIEL TANNUS PRES. DA ASS. DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE PESQUISA O governo errou ao decretar licença compulsória, pois a medida não promove o acesso a medicamentos. Para quem convive com altos riscos, como a indústria farmacêutica de pesquisa (de cada 10 mil moléculas pesquisadas, apenas uma tornar-se um medicamento), haverá uma mudança na percepção dos investidores em relação ao Brasil. O fato acontece justamente no momento em que o País perde cinco posições no ranking mundial de competitividade, segundo estudo do International Institute for Management Development (IMD), diferentemente de Cingapura que, cada vez mais, atrai investimentos por respeitar marcos regulatórios e, na pesquisa do IMD, está atrás apenas dos Estados Unidos. Ao decretar a licença compulsória de um medicamento, o governo está desestimulando a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a ciência. Contraria, inclusive, a política industrial que o Brasil planeja implantar e, sobretudo, prejudica o paciente brasileiro que não terá acesso a medicamentos inovadores, que salvam e dão qualidade de vida às pessoas atendidas. O QUE PENSAM OS LEITORES Recado dado Com a licença compulsória, o Brasil vai poder adquirir mais medicamentos com o mesmo recurso, significando que mais pacientes poderão ter acesso a esse medicamento tão importante. Além disso, marca posição, sinalizando à indústria multinacional que, caso mantenham seus lucros astronômicos, o País poderá emitir mais licenças compulsórias. O dólar caiu, mas os preços dos medicamentos que são produzidos fora do País ou utilizam matéria-prima importada não. Marcelo Tavares Salvador Arma eleitoral Como sempre, não sabemos como foram as negociações e quais os argumentos da empresa prejudicada. É bom lembrar que o Brasil tem esse gasto todo com remédios porque não investe em pesquisa. Empresas trabalham esperando retorno de seus investimentos. Se começarem a ter patentes quebradas, vão parar de pesquisar e perdemos todas. O pior é que, se a população apoiar, essa medida será usada como arma eleitoral para compra de votos, e não como estratégia de defesa dos interesses do País, assim como o Bolsa Família e o ProUni. Daniel Aversa Osasco, SP Inadmissível Com certeza. Já não era sem tempo. O enriquecimento à custa da vida de milhares de pessoas é inadmissível. Celso Elias Zanelatto Porto Velho Tiro no pé É o mesmo que pirataria. O certo seria negociar a redução de preços via incentivos fiscais e tributários ou ação similar. O presidente deu um tiro no pé e sua atitude revela que nosso país não respeita os direitos privados. Sidney Galvão Monteiro Manaus Remédio suspeito Deixasse como estava. Não conhecemos a origem do novo medicamento que será importado. O anterior é conceituado. Maria Estela de Souza São Paulo Grande passo Um grande passo no sentido de não se submeter à exploração das farmacêuticas, recolocando o ser humano em primeiro plano. Daniel Brazil São Paulo Autoritarismo Toda indústria, de qualquer ramo, investe em pesquisa para obter lucros. O que o Lula fez é roubo. O Brasil é capitalista. A quebra de patente é autoritarismo, comunismo. Depois desse ato do presidente, que tipo de empresa investirá em pesquisas no País? Qual é o peso dos impostos nos medicamentos? Seria mais bonito isentar o remédio, isso estimularia outros laboratórios a investir em pesquisa nesse seguimento de droga. Tornaria o remédio mais barato, e certamente não necessitaria de quebra de patente. Walmyr de Gusmão Ribeirão Preto, SP Exploração da pobreza As empresas americanas exploram a pobreza no mundo inteiro. Os laboratórios não fogem à regra. Tudo o que vem deles é mais caro. O governo fez muito bem em tomar essa atitude, considerando que o ser humano e maior que o capitalismo. Reinaldo Barros Tatuí, SP Gesto danoso O significado do gesto é muito mais danoso do que a pequena economia feita. Sérgio Castello Branco São Paulo Dentro das normas Com toda certeza. Preferiu defender a população. E fez isso dentro das normas internacionais, dentro da lei. Há quem defenda os laboratórios. Toda a campanha contra a atitude de Lula cai no descrédito, pois quem foi beneficiado com a medida sabe a diferença. Luiz São Paulo Questão de saúde Qual a margem de lucro dessas empresas farmacêuticas? Sei que não são casas de caridade, mas é uma forma de pressão do governo para o lucro ser menor, numa situação envolvendo saúde pública e doença gravíssima, que, para variar, acomete principalmente os mais pobres. Márcio d'Ávila Ribeiro Ribeirão Preto, SP Dever cumprido Toda ação governamental que vise melhorar as condições de vida dos doentes é válida e esperada. É dever do governo promover o bem-estar do cidadão. Rita Maria de Macedo Alves Presidente Prudente, SP Cartel Qualquer governo deveria quebrar patentes de medicamentos independentemente da doença, desde que seja por abuso de preço, como o que se viu com o remédio para aids. O que não se pode tolerar são os preços praticados pelo cartel formado por donos de laboratórios que impiedosamente praticam preços abusivos sem levar em conta o sofrimento das pessoas. Izabel Avallone São Paulo Quebra de confiança Com tanto dinheiro sendo jogado fora com a corrupção, poderíamos investir em pesquisas e descobrirmos medicamentos mais eficazes contra doenças. Assim não seria preciso roubar direitos de outros que gastaram tanto, estudaram tanto, pesquisaram tanto. É uma desgraça para nosso país. Quem vai confiar na gente agora? Joa Gil de Oliveira Presidente Epitácio, SP Lucro absurdo Sim! Uma coisa é ter um negócio e obter lucros justos, de acordo com seus investimentos, mas lucrar absurdamente em cima da desgraça alheia abre espaço para intervenção! Esses laboratórios vêm para a nossa terra, patenteiam para si as nossas plantas e nos vendem os medicamentos a preços terrivelmente altos. Perdi três amigos com aids porque os medicamentos estavam faltando nos hospitais públicos; a morte deles foi atestada pelos médicos como conseqüência da falta do medicamento. Quebre outros, Lula. Parabéns! Fábio Sales Recife Acordo Quem é que vai pagar os milhões de dólares que são necessários para as descobertas da medicina? Querem matar a galinha dos ovos de ouro? Lula tinha que fazer um acordo negociando o melhor preço possível. Silvio José Macedo Itajaí, SC Medidas drásticas O objetivo principal das empresas multinacionais é obter lucro, não se importando se as drogas são para tratar essa ou aquela doença. O que se espera de um governo correto é garantir o acesso das camadas pobres da população a medicamentos essenciais. E para isso são necessárias, às vezes, medidas drásticas, sendo a quebra de patentes uma delas. Luciano Harary São Paulo Outras patentes Sim. O governo poderia considerar a quebra de patente de outros medicamentos importantes. Marta Lago Rio de Janeiro

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O ministro que gosta de briga

2007-05-13T00:00:00-03:00maio 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Quem é José Gomes Temporão, o auxiliar do presidente Lula que está à frente de algumas das iniciativas mais polêmicas do segundo mandato UM MINISTRO AGITADO Temporão em seu gabinete, em Brasília. Polêmicas, conselhos da mulher e a promessa de tirar a saúde das páginas policiais dos jornais O ministro da saúde, José Gomes Temporão, diz ouvir a mulher antes de tomar grandes decisões. A psicanalista Liliane Penello, casada com o ministro há 33 anos, é a pessoa a quem ele diz recorrer quando tem qualquer tipo de dúvida, mesmo as profissionais. “A qualquer momento, peço a ela que me ajude a pensar em soluções.” Foi de uma conversa com Liliane que Temporão tirou a idéia de uma frase dita na semana passada, às vésperas da chegada do papa Bento XVI ao país, que voltou a inflamar o debate sobre um plebiscito a respeito da legalização do aborto no Brasil. “Há um viés muito machista na discussão do aborto”, disse Temporão. “As mulheres têm de falar nesse processo, porque são elas que sofrem. Se os homens engravidassem, essa questão já estaria resolvida há muito tempo.” Essa inspiração feminina é uma surpresa para quem conhece apenas o lado público do ministro. Seu jeito direto de quem está sempre disposto a comprar brigas é mais associado ao estereótipo masculino. Em apenas dois meses no cargo, Temporão já arrumou confusão para um mandato inteiro. Por defender o debate sobre a legalização do aborto, atraiu a ira da Igreja Católica. Tem defendido a ampliação das restrições a publicidade de bebidas alcoólicas. Temporão atacou até o cantor Zeca Pagodinho. Chamou-o de “patético”, por estrelar comerciais de cerveja, numa declaração que pode ser confundida com um gesto de censura. Também mostrou seu viés intervencionista: irritado com a facilidade com que se compram medicamentos no país, Temporão disse que o Brasil tem farmácias demais. De todas as frentes de batalha abertas por Temporão, ele foi mais longe no contencioso com a indústria farmacêutica internacional. O ministro levou o governo brasileiro a quebrar a patente do efavirenz, medicamento anti-aids produzido pelo laboratório americano Merck Sharp & Dohme. O Brasil já havia ensaiado essa medida várias vezes antes, durante a gestão do ex-ministro José Serra, no governo Fernando Henrique Cardoso. Mas foi a primeira vez que a levou a cabo para conseguir uma redução nos preços de remédios usados no tratamento da aids. Com o licenciamento compulsório – nome técnico da quebra da patente –, o Brasil importará um genérico mais barato da Índia e poderá conseguir uma economia de US$ 250 milhões até 2012, segundo as projeções do Ministério da Saúde. Cada comprimido de efavirenz custava aos cofres públicos US$ 1,59, enquanto seu genérico indiano será importado por US$ 0,45 (leia o quadro na seqüência da matéria). O licenciamento compulsório foi decidido de acordo com as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), que permite a quebra de patente por países em casos especiais para proteger sua população. A medida foi aplaudida pelo Unaids, o órgão das Nações Unidas para o tratamento da aids. Essa é também uma causa popular porque a cruzada contra uma suposta falta de transparência nos custos da indústria farmacêutica é uma das principais bandeiras de várias organizações não-governamentais e celebridades mundiais. Na semana passada, a decisão do governo brasileiro ganhou um aval de peso. O ex-presidente americano Bill Clinton anunciou um acordo de sua fundação com laboratórios indianos para a venda a 66 países, a preços mais baixos, de 16 medicamentos de segunda geração, usados no tratamento da aids. Mesmo assim, a quebra da patente expõe o Brasil à possibilidade de sérias retaliações comerciais. Após a decisão do governo Lula, Mark Smith, diretor-gerente para assuntos do hemisfério ocidental da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, ameaçou liderar um movimento para colocar o Brasil na lista dos violadores das regras do comércio internacional. “O Brasil decidiu se igualar à junta militar da Tailândia (país que também quebrou a patente)”, disse Smith. “Essa decisão vai tornar muito mais difícil apoiar a permanência do Brasil no Sistema Geral de Preferências (SGP).” O SGP é um programa de benefícios fiscais pelo qual o país exporta US$ 3,5 bilhões por ano para os EUA. Uma medida das pressões que o Brasil vai sofrer, por causa da quebra da patente, foi dada pelo Wall Street Journal, o influente diário econômico americano. Em editorial, o jornal classificou a medida de “roubo de propriedade intelectual” e “um tapa na cara da OMC”. “O sinal emitido nos preocupa”, diz Fernando Mattos, diretor-presidente do movimento empresarial Brasil Competitivo. “Abre a possibilidade de o mercado internacional entender que o Brasil não respeita propriedade intelectual.” Temporão reagiu às críticas com o ânimo de quem gosta de uma rinha. Classificou as declarações de Smith de “descabidas, grosseiras e ignorantes” e desdenhou da possibilidade de o laboratório Merck Sharp & Dohme vir a suspender investimentos no Brasil. “Que investimentos? Esse laboratório fatura US$ 23 bilhões, investe 20% em pesquisa, mas só 0,7% no Brasil”, disse o ministro. “Minha obrigação é defender a saúde pública, então essa é uma briga boa de comprar.” Segundo Temporão, seu principal desafio no governo Lula será tirar “a saúde das páginas policiais e devolvê-la às páginas sociais”. É uma referência à série de escândalos brotados dentro do Ministério da Saúde durante o primeiro mandato do presidente Lula, que popularizaram as figuras dos vampiros e das sanguessugas da saúde.

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Saúde para comprar brigas e criar polêmicas

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Há 40 dias no cargo, Temporão se notabilizou por defender discussão sobre aborto e anunciar quebra de patente BRASÍLIA. Há apenas 40 dias no cargo, o ministro da Saúde, o médico sanitarista José Gomes Temporão, conquistou um espaço dentro do governo, e também na imprensa, que poucos auxiliares do presidente Lula alcançaram em tão pouco tempo. Uma notoriedade obtida ora por medidas de impacto do governo — como a quebra da patente de um medicamento anti-Aids —, ora por estar no centro de polêmicas, como a da legalização do aborto. Temporão comprou brigas com os setores mais diversos. Ele desagradou à Igreja ao propor plebiscito sobre o aborto e foi alvo de uma passeata de religiosos conservadores. O ministro atacou também a proliferação descontrolada de farmácias pelo país e acusou esses estabelecimentos de venderem bugigangas e sandálias, em vez de promover políticas de saúde. O ministro encerrou a semana desafiando setores de comunicação e publicidade incomodados com sua iniciativa de regulamentar a propaganda de bebidas alcoólicas. Ele anunciou que comprará essa briga. Quer proibir artistas e atletas de estrelar esse tipo de campanha publicitária. Briga agora com ações judiciais de pacientes Temporão não pára e já mira em outros alvos. Ele quer solução para conter o grande número de ações judiciais de pacientes, que recorrem ao Judiciário para ter acesso a medicamentos caros, de alta complexidade e que precisam ser importados. Somente este ano, o governo deverá pagar R$ 25 milhões na compra desses remédios, um gasto quase equivalente à economia de R$ 30 milhões com o licenciamento compulsório do Efavirenz, remédio do coquetel de combate à Aids. Quando perguntado sobre os mais variados temas, ele tem um estilo bate-pronto. Durante encontro no Conselho Nacional de Saúde, na quintafeira, não economizou palavras. Perguntado por um representante de portadores de deficiência sobre a política para essa área, respondeu: — É lamentável que uma pessoa dependa de doação de um animador de auditório para obter uma cadeira de rodas. Outro conselheiro levantou o tema da pesquisa com célula-tronco, que está sendo contestada no Supremo Tribunal Federal (STF). — Seria um gigantesco retrocesso (o veto à pesquisa). Colocaria o Brasil numa posição muito delicada. Outros países estão investindo em pesquisa e temos capacidade científica para avançar — disse, sem receio de ter uma posição firme sobre um tema que pode, novamente, confrontálo com a Igreja. Temporão repete com freqüência que gosta de desafios. Despacha com Lula com bastante freqüência. O presidente está satisfeito com seu desempenho e o apoiou na polêmica do aborto ao dizer que como presidente é contrário a essa prática, mas disse que se trata de um caso de saúde pública. O embate com o laboratório Merck, que culminou com a quebra da patente, foi uma vitória de Temporão. Uma disputa que pode gerar frutos. Após o episódio, pelo menos dois outros laboratórios internacionais que fabricam remédios anti-Aids avançaram na discussão sobre redução de preços com o governo. Ao falar sobre a proposta da Merck de um desconto de apenas 2% no Efavirenz, o ministro disse: — Não gostaria nem de adjetivar o que é isso.

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Urgente interesse público

2007-05-13T00:00:00-03:00maio 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

As patentes de inventos, medicamentos e outras criações intelectuais foram instituídas para proteger os inventores, criadores, garantindo-lhes reconhecimento e remuneração por seu trabalho. Têm um significado e um valor relativos, não absolutos. Tanto que patentes e direitos autorais caem em domínio público após período determinado por lei (a patente de remédios é protegida por 20 anos em nosso País, muito mais do que em outros). As patentes como as de medicamentos estão numa área extremamente sensível, que é a da saúde. Por esse motivo, países desenvolvidos tiveram o máximo cuidado na adesão a convenções internacionais de patentes, e só o fizeram com ressalvas e depois de muita negociação. O governo brasileiro, freqüentemente desatento aos interesses nacionais, apressou-se em aderir aos dos laboratórios farmacêuticos multinacionais, na administração passada, sem maiores exames e negociações. É dentro desse contexto que se deve considerar o recente licenciamento compulsório (que não é exatamente uma quebra de patente) do medicamento Efavirenz pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Genéricos do remédio, que faz parte do coquetel antiaids, podem ser importados da Índia, e laboratórios públicos brasileiros, como o da Fiocruz e o pernambucano Lafepe, também têm condições de produzi-lo. Daí o ter entrado em negociações com o laboratório estadunidense Merck, Sharp & Dohme, que detém a respectiva patente. O laboratório acusa o governo brasileiro de ter sido intransigente nessas negociações ao fixar o preço aceitável do comprimido de 600mg do medicamento em US$ 0,65. O que é contestado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para quem a intransigência foi da Merck, que teria se mostrado "pouco profissional" e não tratara o Brasil com seriedade. A empresa Merck vende o produto no Brasil por US$ 1,59 e em outros países, por US$0,65. Disse ainda o ministro que a declaração do diretor-gerente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Mark Smith, igualando o governo brasileiro à junta militar da Tailândia (que quebrou a patente do remédio) é "grosseira", "descabida" e "ignorante". O executivo americano também ameaçou o Brasil com retaliações. Não se justifica tal reação. O governo brasileiro negocia há tempo com o grupo farmacêutico, sem resultados. E fechou acordos com o laboratório Abbott, que produz outro remédio do coquetel antiaids, o Kaletra, cujo preço caiu 45% no Brasil, e também com a Gilead Science, que reduziu o preço de seu produto Tenofovir, também antiaids, em 50,52%. A Organização Mundial do Comércio (OMC) permite o recurso ao licenciamento compulsório em quatro casos: uso abusivo da patente, falta de fabricação ou fabricação insuficiente, interesse público, e emergência nacional. O uso abusivo da patente é comum nos preços exorbitantes cobrados pela indústria farmacêutica no Brasil. O interesse público e a emergência nacional estão evidentes no combate à aids, que tem no nosso País um dos programas públicos mais elogiados do mundo. Com o decreto assinado por Lula, o preço do Efavirenz pode ser reduzido em 72%. E, obedecendo a determinação da OMC, o Brasil vai pagar à Merck 1,5% de royalties sobre o volume de recursos gastos com a compra do medicamento dos laboratórios indianos. Finalizamos com palavras do embaixador do Brasil nos EUA, Antonio Patriota, o qual acredita que ninguém naquele país "contesta que a medida brasileira está em perfeita conformidade com os compromissos e leis internacionais", acrescentando que "Itália e Canadá quebraram patentes, e os Estados Unidos consideraram fazer isso quando houve o pânico relacionado ao antraz". Por que o Brasil não poderia fazê-lo, por interesse público e numa emergência?

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Aids: governo agora deve fazer acordo com Glaxo

2007-05-10T00:00:00-03:00maio 10, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Idéia é baixar preço de comprimido do Abacavir para US$ 2 BRASÍLIA. Uma semana depois de quebrar a patente do remédio anti-Aids Efavirenz, produzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, o governo se prepara para fechar, até amanhã, um acordo de redução do preço do Abacavir (também anti-Aids), produzido pela Glaxo. Segundo fontes do Ministério da Saúde, o objetivo é baixar de US$ 2,75 (R$ 5,57) para US$ 2 o valor do comprimido, redução de 27,3%. O Ministério da Saúde não revelou de quanto será a economia da União — que distribui o remédio gratuitamente. Antecipou apenas que o contrato com a Glaxo prevê 3,6 milhões de unidades a US$ 2 cada, totalizando US$ 7,2 milhões. Em audiência pública no Senado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o licenciamento compulsório do Efavirenz não afastará investidores da indústria farmacêutica. Segundo ele, a Merck vendia ao Brasil por um preço bem mais alto do que para outros países. — O Brasil coloca a saúde pública acima de qualquer questão e exige um preço justo.

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Governo fará acordo para diminuir preço de remédio anti-Aids

2007-05-10T00:00:00-03:00maio 10, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Quebra de patente permitirá importação ou fabricação de Efavirenz, diz Temporão BRASÍLIA - Cinco dias depois da quebra da primeira quebra de patente de um medicamento no País, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou nesta quarta-feira que o governo firmará em breve um "excelente acordo" com um laboratório estrangeiro para diminuir o preço de um remédio do coquetel anti-Aids. Temporão disse que o acordo será mais uma prova de que a quebra de patente do Efavirenz, fabricado pela empresa americana Merck, foi um "fato isolado", porque o laboratório "não apresentou uma proposta séria" ao governo. A quebra da patente permitirá ao Ministério da Saúde importar ou fabricar genéricos do Efavirenz, que também faz parte do coquetel usado por portadores do vírus HIV. A assessoria de imprensa do Programa de DST/Aids do Ministério da Saúde informou que está em curso uma negociação com o laboratório americano Abbott, mas não detalhou o nome do medicamento, a redução no valor e se haverá quebra de patente antes do prazo previsto. Segundo a assessoria, o ministério e o Abbott firmaram outro acordo, em 2005, que reduziu o preço do anti-retroviral Kaletra. A assessoria de imprensa do Abbott também disse ter conhecimento apenas do acordo já firmado e lembrou que o laboratório anunciou, no dia 10 de abril, uma nova política de preços que reduzirá o custo dos remédios vendidos nos países pobres e em desenvolvimento, entre os quais o Brasil. "Posso dizer que as negociações estão indo muito bem e vão se concluir com nível satisfatório para o governo brasileiro e para a empresa. O ministério sempre negociou nesses últimos anos com laboratórios e sempre conseguiu acordos vantajosos para o país e evidentemente adequados para as empresas. No caso específico do Efavirenz, não foi possível esse acordo", afirmou o ministro, que participou de audiência pública no Senado. Segundo Temporão, o governo "exige por parte das empresas um posicionamento transparente e preço justo". O ministro classificou como "frágil" o argumento dos laboratórios estrangeiros de que a quebra da patente vai reduzir os investimentos em pesquisa no Brasil. "Essas empresas já não investem em pesquisa no Brasil", sustentou. Temporão se disse satisfeito com declarações do ex-presidente americano Bill Clinton de que "o governo brasileiro paga preços abusivos" por medicamentos. "Se o ex-presidente da capital do capital disse, fico muito contente", afirmou o ministro aos senadores. Temporão disse que representantes do governo e do Merck tiveram sete reuniões antes da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de quebrar a patente do Efavirenz, mas que não chegaram a um acordo. "O laboratório vende (o remédio) para a ditadura militar da Tailândia três vezes mais barato que para a jovem democracia brasileira", reclamou Temporão. Cada unidade do Efavirenz é vendida a US$ 0,65 para a Tailândia e a US$ 1,59 para o Brasil. Álcool Na audiência pública, Temporão defendeu que o governo e o Congresso aumentem o rigor na regulamentação da propaganda de bebidas alcoólicas e defendeu que não seja permitida a presença de artistas e de atletas neste tipo de anúncio. O ministro apoiou a restrição no horário da veiculação das propagandas, com o argumento de que atualmente há anúncios até para estimular as crianças a, no futuro, serem consumidoras de bebidas alcoólicas. Temporão chegou a fazer um apelo ao sambista Zeca Pagodinho, estrela de comercial de cerveja. "Sou admirador do Zeca Pagodinho, mas ele tem que parar de fazer essa propaganda. Chega a ser patético. A questão do álcool é dramática", afirmou o ministro.

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Saúde negocia redução de preço de outro remédio

2007-05-10T00:00:00-03:00maio 10, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) revelou que o ministério está concluindo de forma satisfatória negociações com um laboratório farmacêutico visando a redução do preço de um medicamento para tratamento da aids. O resultado deve ser divulgado nos próximos dias. Sem revelar o nome do laboratório ou do medicamento, disse que "as negociações estão indo muito bem e com certeza vão se concluir com um nível satisfatório para o governo brasileiro e para a empresa", afirmou. De acordo com o ministro, o bom andamento das negociações em curso demonstram que "não existe nenhum tipo de postura do governo antiempresa". Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de licenciamento compulsório do medicamento contra a aids Efavirenz o que corresponde à quebra de patente -, por não ter conseguido sucesso na negociação com o fabricante, o laboratório Merck, para obter diminuição do preço. "Foi um fato isolado, mas que mostra que este governo é sério, para o qual a saúde pública está acima de todas as outras questões e exige por parte das empresas um posicionamento transparente, preço justo e respeito", disse o ministro. Temporão afirmou que o governo brasileiro já desencadeou o processo de aquisição do medicamento dos produtores indianos e ele espera que os primeiros lotes cheguem entre oito e dez semanas.

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