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maio 2007

A difícil decisão de quebrar patente de medicamentos

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do remédio Efavirenz, anti-retroviral usado no tratamento da Aids, fabricado pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, foi tomada após seis meses de negociações sem que se conseguisse chegar a um entendimento, e dentro dos limites das regras internacionais relativas aos direitos da propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio (OMC). Desde novembro de 2006, informou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foram realizadas nove reuniões entre governo brasileiro e a Merck para negociar uma redução de preço. O Brasil vinha pagando US$ 1,59 por comprimido, o laboratório chegou a concordar com US$ 1,10 e o governo reivindicava uma redução para US$ 0,65, mesmo preço praticado pela Merck na Tailândia (país que também quebrou a patente do medicamento). O Efavirenz é usado hoje por cerca de 75 mil pacientes de Aids na rede pública do país, a um custo de US$ 43 milhões por ano. Esta foi a primeira vez que o governo brasileiro optou pelo licenciamento compulsório de um medicamento, embora já tivesse ameaçado, tanto em 2001 quanto em 2003, a quebrar as patentes de outros anti-retrovirais produzidos pelos laboratórios Roche e Abbott. Nestes casos, porém, as empresas reduziram suficientemente o preço de venda ao governo, foi possível um acordo e a patente foi mantida. A proposta final da Merck foi rejeitada pelo Ministério da Saúde que, diante do impasse prolongado, enviou ao gabinete do presidente Lula, na tarde de quinta feira, a alternativa do licenciamento compulsório do remédio, cujo genérico será importado da Índia (podendo ser também produzido no Brasil). Em solenidade no Palácio do Planalto, na sexta-feira, o ato foi assinado por Lula. O programa brasileiro de Aids tornou-se uma vítima do seu próprio sucesso. O número de infectados beneficiados pelo tratamento não pára de crescer. Atualmente os pacientes têm sobrevida maior, a resistência ao vírus aumentou ao longo do tempo e novas drogas foram surgindo. Estas, hoje, são mais potentes, trazem menos efeitos colaterais, mas custam caro e são protegidas por patentes. O programa, com distribuição universal dos medicamentos, tem custo crescente. Em 2006 o orçamento para a compra dos medicamentos superou R$ 1 bilhão, colocando em risco a própria sustentabilidade do programa, ao mesmo tempo em que a cada ano cerca de 15 mil novos pacientes entram em tratamento na rede pública. Segundo cálculos de organizações não-governamentais, cerca de 60% dos recursos são destinados à compra de apenas três medicamentos patenteados - o Kaletra, o Efavirenz e o Tenofovir. O Kaletra, fabricado pelo laboratório Abbott, foi objeto de acordo em 2005 e o custo da cápsula caiu de US$ 1,17 para US$ 0,63. Na ocasião o governo brasileiro comprometeu-se com o laboratório americano a não quebrar a patente do medicamento e a não alterar as cláusulas do contrato até 2011. Ao governo, restavam três opções: quebrar patentes e baixar o custo de compra dos remédios, enfrentando o riscos de represálias comerciais; aumentar substancialmente os recursos fiscais destinados ao tratamento da Aids; ou reduzir o alcance do programa. Como ameaça, a estratégia de quebrar patentes já havia forçado a reduções ocasionais dos preços. Posta em prática, tem o potencial de gerar conflitos comerciais indesejáveis. É crescente, porém, o consenso internacional de que os governos nacionais têm que ter alguma margem de manobra para a execução de políticas públicas de saúde. José Serra, quando ministro da Saúde, em 2001, brigou por isso na reunião de Doha (Qatar) da OMC, abrindo espaço para negociações sem retaliações em casos de emergência de saúde pública (como Aids, tuberculose e malária). O argumento das empresas não é menos relevante: medidas como a quebra de patentes tornam pouco atrativos os investimentos em pesquisa e produção de medicamentos dessa natureza. Razão pela qual o governo só deve lançar mão do licenciamento compulsório de forma madura e quando todos os canais de negociação estiverem esgotados. Se a negociação foi até o limite, e o governo estava convencido de que havia abuso de preço, não restava ao poder público outra saída.

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Ativistas temem bloqueios a novas drogas

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA REVISTA DA FOLHA O que realmente preocupa especialistas como Brook Baker, que acompanham a questão da propriedade intelectual de medicamentos essenciais, são ações como a que outro laboratório norte-americano, o Abbott, tomou após as quebras de patentes da Tailândia. A empresa desistiu dos processos de registro de sete novas drogas no mercado tailandês, entre elas a versão termoestável (que não precisa de refrigeração) do remédio contra a Aids Kaletra, batizada de Aluvia, melhoria essencial em países tropicais e em desenvolvimento como a Tailândia. Tanto o Kaletra quanto o Aluvia são drogas utilizadas quando o paciente HIV positivo já apresenta resistência a outros medicamentos. Ainda na lista de novos remédios que não serão lançados estão drogas contra a dor, antibióticos, remédios contra artrite e pressão alta, entre outros. "A decisão da Abbott traz riscos à saúde pública mundial de uma maneira sem precedentes", afirmou Baker. "A farmacêutica está utilizando uma nova tática de proteção de patentes, enviando uma mensagem poderosa a todos os países em desenvolvimento, de que eles não devem utilizar mecanismos legais de flexibilização de patentes." A Abbott, que apontou desrespeito ao sistema de patentes para justificar a decisão, tem destacado que manteve as negociações de preços para a Tailândia, onde ofertou valores menores em relação ao Kaletra após a retaliação. Ricos também usam Em artigo divulgado na última sexta-feira na internet sobre o caso brasileiro de licenciamento compulsório, James Love, conhecido ativista da ONG CPTech, com sede em Washington, destaca que também ricas e grandes empresas, como Toyota e Microsoft, têm buscado na Justiça dos EUA o licenciamento compulsório para seu benefício. Nesses casos, no entanto, diz Love, somem os tradicionais discursos contra países pobres que quebram patentes, de que estariam violando os direitos de propriedade intelectual. "Fora dos EUA, quando a Tailândia ou o Brasil decidem permitir o uso não voluntário de uma patente, chamamos isso de "licenciamento compulsório" e falamos da falta de respeito à propriedade intelectual em países em desenvolvimento. Mas, quando utilizamos isso, aqui, chamamos apenas de "reformas" necessárias no sistema de patentes", resumiu Love.

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Indústrias tentam desacreditar o país, afirma consultor

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para Brook Baker, da Universidade de Northeastern (EUA), menção à junta militar da Tailândia indica essa estratégia Professor diz que suposta ameaça à pesquisa e críticas aos genéricos são parte de um conhecido discurso contra a quebra de patentes  DA REVISTA DA FOLHA Vincular a decisão de quebrar patentes de remédios a regimes autoritários faz parte das conhecidas estratégias da indústria farmacêutica contra a medida que ameaça seus lucros. Essa é a opinião de Brook Baker, professor de direito da Universidade de Northeastern, em Boston, e conhecido defensor do licenciamento compulsório de remédios. Segundo ele, foi esse um dos meios de taxar de ilegítima a decisão tailandesa de licenciar compulsoriamente três produtos. Agora, é utilizado contra o Brasil. Mas o fato é que, nos dois países, a luta de entidades de direitos humanos para garantir acesso a medicamentos ajudou a convencer civis e militares de que valia pena, conclui. Consultor da ONU no projeto que fixou as metas do milênio e da ONG norte-americana Health Gap, que luta pelo acesso a medicamentos essenciais, Baker elogiou a opção brasileira. "A dinâmica de preços com a competição dos genéricos tem sido sempre melhor a longo prazo do que negociar valores." Leia outros trechos da entrevista concedida via e-mail. FOLHA - A Câmara Comercial Americana comparou o Brasil à junta militar que governa a Tailândia, em razão do licenciamento compulsório do Efavirenz. BROOK BAKER - Uma das maneiras que o governo norte-americano, a Câmara de Comércio e as grandes indústrias farmacêuticas usaram para desacreditar os licenciamentos compulsórios na Tailândia foi apontar para o fato de a autorização ter vindo de um governo militar. No entanto, movimentos sociais na Tailândia têm pressionado por isso desde 1999 e o governo democrático da Tailândia também trabalhou com esse objetivo durante três anos. Da mesma maneira, movimentos sociais no Brasil tiveram um importante papel no convencimento do governo de que a sustentabilidade do programa de Aids é dependente da disponibilidade de terapias. Acredito que as forças comerciais dos EUA não conseguirão classificar a decisão brasileira como ilegítima, mas tentarão desacreditar o Brasil por priorizar a saúde dos cidadãos no lugar do monopólio das grandes farmacêuticas. FOLHA - Outro argumento é o de que o licenciamento poderá afastar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. BAKER - As indústrias de medicamentos estão focando a América Latina e a Ásia, especialmente países de renda média que possam explorar com preços altos. Mesmo assim, os mercados de países em desenvolvimento representam apenas 11% das vendas globais dessa indústria. Até agora, no entanto, jamais investiram em pesquisa e desenvolvimento no Brasil para o desenvolvimento de drogas somente. Da mesma forma, mesmo quando eles instalam suas fábricas, o que raramente ocorre em países em desenvolvimento, é apenas para ter vantagens com os custos menores de produção. FOLHA - A qualidade dos remédios genéricos é ruim, como diz a indústria de medicamentos? BAKER - A indústria farmacêutica sempre busca diminuir a qualidade dos genéricos. No entanto, a qualidade das versões indianas do Efavirenz foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde durante seu projeto de pré-qualificação, que inclusive confirmou a bioequivalência e as boas práticas de fabricação de pelo menos três produtores. A questão da qualidade é uma cortina de fumaça que a indústria utiliza para tentar justificar seus preços.

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Para Temporão, Merck foi intransigente

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde também rebateu críticas do diretor-gerente da Câmara do Comércio dos EUA, chamando-as de "grosseiras' Mark Smith havia afirmado que a decisão do governo de quebrar patente de remédio equipara o Brasil à "junta militar da Tailândia" DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Dois dias depois do licenciamento compulsório do remédio anti-Aids Efavirenz, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) rebateu as críticas ao governo brasileiro e afirmou que o laboratório americano Merck Sharp&Dohme, dono da patente, foi "intransigente", "pouco profissional" e não tratou o país com seriedade. Segundo ele, o Brasil sinalizou que não aceita mais exploração, e a repercussão negativa está marcada por uma "postura política de retaliação". Para o ministro, a equiparação do governo brasileiro à junta militar da Tailândia [país que também quebrou a patente do mesmo remédio], feita pelo diretor-gerente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Mark Smith, em entrevista publicada ontem na Folha, foi uma declaração "grosseira", "descabida" e "ignorante". E não haveria uma hipótese de que o país enfrente retaliações no comércio com os EUA. FOLHA - O diretor da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Mark Smith, igualou o Brasil à junta militar da Tailândia. O que o sr. achou da declaração? JOSÉ GOMES TEMPORÃO - Foi uma declaração grosseira e descabida, revelando inclusive uma profunda ignorância em relação a todo o processo no qual se deu o licenciamento compulsório. Caberia a ele a pergunta: qual mistério faz com que se venda esse produto 60% mais barato a um país governado por uma junta militar e 60% mais caro para uma democracia robusta como é a do Brasil? FOLHA - Ele também alega que o governo não deveria ter interrompido as negociações. TEMPORÃO - Isso é uma inverdade. Na realidade, a empresa demonstrou nunca querer negociar com o governo brasileiro. Em sete reuniões, o único desconto oferecido foi de 2%. Depois que publiquei a portaria de interesse público para o licenciamento compulsório, aí sim, houve a proposta de 30%. O ministério considerou insatisfatória e respondeu que não tínhamos mais interesse em sentar para conversar, mas que aguardávamos uma resposta séria e consistente dentro do prazo. FOLHA - O laboratório achou que o governo estava blefando? TEMPORÃO - O Brasil mudou. O governo é sério, coloca o interesse público e a saúde acima de qualquer questão. Se o laboratório fez essa avaliação, errou grosseiramente. Por parte da Merck houve sempre intransigência, pouca seriedade e pouco profissionalismo. Inclusive houve um problema de falta de qualidade dos executivos brasileiros da Merck, que nunca levaram a sério nossa proposta e nunca nos trataram com a seriedade que o Brasil merece. FOLHA - Os investimentos serão afugentados? TEMPORÃO - Todos os nossos dados mostram o contrário. O mercado brasileiro está entre os dez maiores no mundo, movimenta US$ 10 bilhões por ano e está em crescimento. FOLHA - O Brasil quer investimentos, mas não exploração? TEMPORÃO - Exatamente. Queremos regras justas, preços justos e uma relação transparente. FOLHA - E o efeito negativo em investimentos em pesquisa? TEMPORÃO - Tenho dados demolidores. A Merck usa 20% de seu faturamento mundial em pesquisa e desenvolvimento, quase US$ 5 bilhões por ano. No Brasil gasta apenas 0,7%. FOLHA - A Câmara de Comércio também disse que o Brasil pode sair do Sistema Geral de Preferências, um programa de benefícios fiscais [pelo qual o país exporta US$ 3,5 bilhões aos EUA]. TEMPORÃO - Isso é uma visão específica desse senhor, ele não fala em nome do governo americano. Não há indicação longínqua de que isso possa acontecer. Há uma tentativa de desqualificar e aproximar a decisão do governo brasileiro à pirataria e à quebra de patente. A decisão do Brasil está totalmente dentro da legalidade. São argumentos altamente ideologizados, uma postura política de retaliação. FOLHA - A Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) disse que o genérico da Índia não tem qualidade e pode encurtar a sobrevida de pacientes de Aids em até dois anos. TEMPORÃO - É mentira. Temos documentos da Organização Mundial da Saúde que garantem a qualidade dos genéricos. É mais uma declaração irresponsável que cria um clima de insegurança para os pacientes. FOLHA - Alguma chance de voltar à mesa com a Merck? TEMPORÃO - Por enquanto, silêncio total. Já estamos fazendo o processo de compra dos genéricos.

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Brasil anuncia que vai fabricar remédio anti-aids

2007-05-06T00:00:00-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou neste sábado que o Brasil vai fabricar o remédio que o Brasil comprava de um laboratório norte-americano e que teve a patente quebrada na última sexta-feira. De acordo com matéria veiculada pelo Jornal Nacional deste sábado, na opinião do ministro, a fabricação do remédio no Brasil trará ganhos ao Programa Nacional de Combate a aids. "Isso reduz uma certa vulnerabilidade da política social brasileira, que é a grande dependência da tecnologia externa. A gente, permanentemente, tem que estar importando remédios a preços muitas vezes abusivos. Isso tem duas dimensões: a econômica, porque se reduz os custos e se garante estar respondendo as demandas da política de saúde, e tem a dimensão de conhecimento, de grande valor, que é a independência tecnológica." O remédio em questão, o Efavirenz, é um dos principais dos usados no coquetel anti-aids.

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Brasil produzirá remédio que teve patente quebrada

2007-05-06T00:00:00-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Laboratórios de Rio e PE vão fabricar medicamento anti-Aids O Brasil produzirá o Efavirenz, remédio usado no tratamento da Aids, que teve a patente quebrada anteontem por decisão do presidente Lula. A informação foi dada ontem pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo. Segundo o ministro, o remédio será produzido por Farmanguinhos/Fiocruz, no Rio, e pelo Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco. Até que isso ocorra, será importado da Índia. O licenciamento compulsório do anti-retroviral, produzido pelo laboratório americano Merck Sharp & Dohme, permitirá, de acordo com o governo, uma redução de 72% no preço do remédio e uma economia de US$ 30 milhões no ano. Hoje, o Brasil paga US$ 1,59 por comprimido do Efavirenz. O laboratório ofereceu 30% de desconto, mas o governo considerou o percentual insatisfatório, já que a Merck vende o remédio na Tailândia por US$ 0,65. — Reduziremos, assim, uma certa vulnerabilidade da política social brasileira, que é uma grande dependência de tecnologia externa — afirmou Temporão, acrescentando que essa dependência, muitas vezes, acarreta em compras por “preços abusivos”. De acordo com o “JN”, a produção nacional do remédio deve começar no primeiro semestre do ano que vem. A quebra da patente foi comemorada por parlamentares e ONGs, mas criticada pela Merck e pela Câmara de Comércio dos EUA.

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“Brasil se igualou à junta militar da Tailândia”

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Opinião é de diretor da Câmara do Comércio dos EUA, que reúne 3 milhões de empresas Para Mark Smith, ao economizar US$ 30 milhões com a quebra da patente do Efavirenz, país colocará em risco US$ 3,5 bilhões  DE WASHINGTON A decisão de quebrar a patente de um remédio anti-Aids da empresa norte-americana Merck Sharp & Dohme iguala o governo brasileiro à junta militar que comanda a Tailândia desde 2006. O país do sudeste asiático foi o último a tomar ação semelhante, em novembro e em janeiro últimos. A avaliação é de Mark Smith, diretor-gerente para assuntos do hemisfério ocidental da Câmara Comercial dos EUA, que tem na farmacêutica de Nova Jersey uma das afiliadas. Além disso, segundo ele, a decisão do governo Lula pode ter um custo financeiro alto ao país. "Para economizar potencialmente US$ 30 milhões com a quebra de uma patente, o Brasil pode estar colocando em jogo US$ 3,5 bilhões", diz Smith. Solução alternativa Voltar à mesa de negociações com o laboratório Merck Sharp & Dohme para buscar uma solução alternativa à quebra de patente do Efavirenz é o melhor caminho para o Brasil, na opinião de Smith. Ele lembra que o país acabou de sair da categoria de "prioridade máxima" da lista de combate à pirataria do governo norte-americano. De acordo com Smith, a retirada foi algo "muito, muito importante". Uma das razões para isso ter acontecido foi o trabalho intenso da Câmara Comercial dos Estados Unidos, segundo ele. Leia a seguir a entrevista concedida à Folha. FOLHA - Como a decisão do governo brasileiro pode afetar a relação comercial entre empresas brasileiras e americanas? MARK SMITH - É uma pena, mas negativamente. Ainda mais do ponto de vista da Câmara, que é uma reunião de várias empresas e organizações norte-americanas que trabalharam muito, muito duro para preservar o Brasil no SGP [Sistema Geral de Preferências, programa de benefícios fiscais pelo qual o país exporta US$ 3,5 bilhões anualmente para os EUA]. Isso em dezembro. E uma das razões de nosso sucesso foi o apoio da indústria farmacêutica, que é muito importante politicamente aqui em nosso país. Essa decisão vai tornar muito mais difícil apoiar a permanência do Brasil no SGP. Vamos nos encontrar numa situação em que teremos membros da câmara a favor e contra, e será mais difícil sair a público com a bandeira do apoio, como aconteceu em 2006. Ou seja, para economizar potencialmente US$ 30 milhões com a quebra de uma patente, o Brasil pode estar colocando em jogo US$ 3,5 bilhões. FOLHA - Quais foram as primeiras reações de empresas participantes da câmara? SMITH - Há muita preocupação, não só com a decisão, mas com a maneira como foi tomada. Isso assustou principalmente as grandes empresas. Porque a Merck havia mandado ao Ministério de Saúde uma contraproposta, e havia uma reunião prevista para quarta-feira. Em vez de se encontrar e discutir a contraproposta, o ministério cancelou o encontro e avisou que iria quebrar a patente. A solução negociada permitiria aos dois lados ganharem algo, mas o Brasil decidiu se igualar à junta militar que comanda a Tailândia e quebrar a patente. É muito triste pensar que ainda havia tempo para negociar, que havia uma contraproposta na mesa, e que o Brasil tomou essa decisão. Não estamos dizendo que o governo não tenha o direito de decidir o que tem de fazer, mas não havia necessidade de ser decidido dessa maneira. FOLHA - O sr. ainda acredita em um recuo do governo? SMITH - Espero que sim. Sei que ainda vai haver negociações sobre outros aspectos da questão, então minha esperança é que as partes voltem à mesa de negociações e achem uma nova solução. Não há necessidade de o Brasil colocar uma pecha de mercado negro em seu "currículo", especialmente em um momento em que o país tem feito tanto progresso nessa área. FOLHA - Quantas empresas sua entidade representa? SMITH - Mais de 3 milhões. Somos a maior organização desse tipo do mundo.

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Droga tem menos efeitos colaterais

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A chegada do medicamento Efavirenz, em 1998, que inibe a proliferação do vírus HIV no organismo, trouxe alívio para os soropostivos. Acostumados a tomar dezenas de comprimidos de anti-retrovirais (como são chamados entre os médicos) com ação semelhante ao Efavirenz por dia, os pacientes foram favorecidos pela redução do número de cápsulas ingeridas diariamente. Apenas uma cápsula do Efavirenz por dia tomada em conjunto outras duas drogas que fazem parte do coquetel anti-AIDS é suficiente para ajudar no combate à doença. O Efavirenz também apresentou menos efeitos colaterais que outras drogas com o mesmo efeito. É mais tolerado pelos pacientes completa Eduardo Sprinz, coordenador do Ambulatório de HIV/AIDS do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Segundo Sprinz, o tratamento anti-HIV no Brasil é semelhante ao dos países desenvolvidos. Uma pesquisa realizada no Clínicas mostrou que os soropositivos brasileiros têm a mesma qualidade de vida de pacientes europeus e norte-americanos. Depois da chegada do coquetel há uma década, estima-se que a expectativa de vida de um soropositivo seja, em média, de 35,5 anos. Não há, porém, como confirmar essa previsão na prática já que o primeiro caso de AIDS foi registrado em 1982, ou seja, há 25 anos. Tratamento depende da política de acesso Na opinião de organizações não-governamentais que defendem os interesses de portadores do HIV, grande parte desse sucesso no tratamento se deve à política de acesso gratuito aos anti-retrovirais do governo. O país é um dos poucos a manter a gratuidade no fornecimento desse tipo de medicamento. Por isso, a importância do decreto de licenciamento compulsório que permite aos país comprar o Efavirenz genérico a um custo três vezes inferior. É um passo importante para a sustentabilidade da política de acesso universal aos medicamentos anti-AIDS. A decisão também estimula a produção de remédios pela indústria farmacêutica nacional avalia Cristina Pimenta, coordenadora-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar da AIDS. Opiniões Sandra Perin, psicóloga e conselheira do Gapa-RS "A quebra de patente é um marco histórico para o movimento que defende os interesses dos portadores do HIV. É uma luta antiga. O alto custo dos anti-retrovirais coloca em risco o fornecimento gratuito desses medicamentos." José Gomes Temporão, ministro da Saúde "Não acredito (em retaliação). Não tenho nenhum receio que possa haver algum tipo de interesse desse laboratório (Merck) de se retirar de um mercado tão importante e que cresce ano a ano." Cristina Pimenta, coordenadora-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS "O Brasil não está infringindo a lei. O licenciamento compulsório está previsto no acordo de comércio mundial. O país é um grande comprador de anti-retrovirais porque fornece esses medicamentos gratuitos. Os grandes laboratórios perderiam muito deixando de vender para o país." Eduardo Sprinz, coordenador do Ambulatório HIV/AIDS do Hospital de Clínicas de Porto Alegre "Com essa decisão, os laboratórios podem ficar receosos em investir no Brasil e optar em não trazer as inovações para cá."

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Para o inferno

2007-05-06T00:00:00-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Lula tomou ontem uma medida que já deveria ter tomado há muito tempo. Quebrou a patente de medicamento contra a Aids. O laboratório queria que o Brasil pagasse mais do que outros países e Lula fez a coisa certa: mandou esta gente para o inferno, que é o lugar dela.

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Remédio para AIDS cai 72%

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Com quebra de patente, preço de cada comprimido reduz de R$ 3 para R$ 1 O governo quebrou a patente do medicamento Efavirenz, produzido pelo laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado no combate ao vírus HIV. O decreto com a licença compulsória foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem. A decisão garante uma redução de cerca de 72% no preço pago pelo remédio, usado no tratamento de cerca de 75 mil pessoas no Sistema Único de Saúde (SUS). O governo brasileiro comprava o medicamento do laboratório norte-americano, dono da patente. Por um comprimido, pagava mais de R$ 3. Agora, importará de três laboratórios indianos, que cobram cerca de R$ 1 por unidade. O laboratório Merck ofereceu um desconto de 30% para continuar fornecendo o medicamento. Mas, segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a redução do preço do remédio deveria ser de, no mínimo, 60% para garantir viabilidade ao Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS. Segundo Temporão, o laboratório Merck alegou que não poderia conceder a redução solicitada por causa da política de vendas mundial. De acordo com o , o custo anual por paciente cairá de US$ 580 para aproximadamente US$ 163. O preço do medicamento vendido ao Brasil era 136% maior na comparação com o valor de venda à Tailândia. É a primeira vez que o Brasil adota esse tipo de medida. Temporão explicou que o governo continuará pagando 1,5% de royalties ao Merck. Com a medida, o governo prevê economizar US$ 30 milhões que serão reinvestidos no programa DST/AIDS. Lula destacou que, se preciso, o Brasil vai repetir a decisão em outras situações. "Pagamos US$ 1,60 quando o mesmo remédio é vendido para outro país a US$ 0,60. É um desrespeito", afirmou. O governo americano afirmou ontem estar "desapontado" com o fracasso das negociações. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos informou que ainda está examinando os detalhes do anúncio de quebra de patente. A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) afirmou, em nota, que a decisão levanta dúvidas em relação a manifestações recentes do governo, de criar um complexo industrial da saúde no País. "Como alcançar essa meta ao optar pela mera importação de medicamentos e matérias-primas para anti-retrovirais a pretexto de reduzir gastos?", questionou. A entidade reconhece que o País ainda não tem capacitação tecnológica para fabricar ou desenvolver medicamentos de ponta para o tratamento da AIDS. Quem utiliza o remédio comemorou a decisão. "Hoje a gente consegue trabalhar com uma tranqüilidade de acesso aos anti-retrovirais, como um dos componentes da nossa política pública de saúde", disse Ana Paula Prado, 36 anos, integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS e usuária do Efavirenz há quatro anos.

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