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maio 2007

Lula quebra patente de remédio contra AIDS e ameaça laboratórios

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Lula assinou ontem decreto de licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz, do laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento de pacientes com AIDS, e avisou que tomará a mesma decisão se outros medicamentos forem vendidos a preços fora da realidade brasileira. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e a fabricação do medicamento no país, o que pode ocorrer em um segundo momento. É a primeira vez que o governo conclui o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por 45 centavos de dólar, valor inferior ao 1,56 dólar cobrado pelo Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará 30 milhões de dólares por ano com os genéricos, dinheiro que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório chega a 42,9 milhões de dólares ao ano. O ministério pagará ao Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos, o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo quebra de patente. O presidente criticou o laboratório, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. Pagar 1,6 dólar por um remédio vendido em outro país por 60 centavos de dólar é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico , disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade e aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. Entusiasmado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não foi possível um acordo com o Merck, que propôs reduzir em 30% o valor do medicamento.

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Merck diz que baixou o preço

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O laboratório Merck Sharp & Dohme, que fabrica o medicamento anti-AIDS Efavirenz, avaliou ontem que a quebra de patente determinada pelo governo brasileiro é um sinal negativo para a comunidade internacional. Em nota, a empresa argumenta que a medida desrespeita acordos firmados em fóruns internacionais. No texto, o laboratório informa ter reduzido o preço do remédio em 77% desde seu lançamento, em 1998, e sustenta que o valor proposto para o mercado brasileiro é de 1,57 dólar, enquanto outros países, de economia similar, pagam 1,80. O Merck Sharp & Dohme reclama que o encerrou as negociações de forma prematura. Ressalta que, em seis anos de tratativas com o governo brasileiro, foi possível fixar um preço para o Efavirenz que corresponde a 10% do que é cobrado nos Estados Unidos. O produto só custaria mais barato na África subsaariana e na Tailândia. O laboratório salienta que esse acerto permitiu ao atender 155 mil pacientes com o produto em 2004, gastando R$ 570 milhões. Em 1999, conforme a empresa, o remédio havia sido disponibilizado para 78 mil pessoas, com despesas de R$ 622 milhões. O Efavirenz é citado como o medicamento de menor preço entre todos os que fazem parte do coquetel anti-AIDS comprado pelo Brasil. O fabricante alega que é preciso manter as patentes para preservar os investimentos em pesquisas, que podem chegar a 1 bilhão de dólares.

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Remédio para AIDS cai 72%

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Com quebra de patente, preço de cada comprimido reduz de R$ 3 para R$ 1 O governo quebrou a patente do medicamento Efavirenz, produzido pelo laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado no combate ao vírus HIV. O decreto com a licença compulsória foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem. A decisão garante uma redução de cerca de 72% no preço pago pelo remédio, usado no tratamento de cerca de 75 mil pessoas no Sistema Único de Saúde (SUS). O governo brasileiro comprava o medicamento do laboratório norte-americano, dono da patente. Por um comprimido, pagava mais de R$ 3. Agora, importará de três laboratórios indianos, que cobram cerca de R$ 1 por unidade. O laboratório Merck ofereceu um desconto de 30% para continuar fornecendo o medicamento. Mas, segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a redução do preço do remédio deveria ser de, no mínimo, 60% para garantir viabilidade ao Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS. Segundo Temporão, o laboratório Merck alegou que não poderia conceder a redução solicitada por causa da política de vendas mundial. De acordo com o , o custo anual por paciente cairá de US$ 580 para aproximadamente US$ 163. O preço do medicamento vendido ao Brasil era 136% maior na comparação com o valor de venda à Tailândia. É a primeira vez que o Brasil adota esse tipo de medida. Temporão explicou que o governo continuará pagando 1,5% de royalties ao Merck. Com a medida, o governo prevê economizar US$ 30 milhões que serão reinvestidos no programa DST/AIDS. Lula destacou que, se preciso, o Brasil vai repetir a decisão em outras situações. "Pagamos US$ 1,60 quando o mesmo remédio é vendido para outro país a US$ 0,60. É um desrespeito", afirmou. O governo americano afirmou ontem estar "desapontado" com o fracasso das negociações. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos informou que ainda está examinando os detalhes do anúncio de quebra de patente. A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) afirmou, em nota, que a decisão levanta dúvidas em relação a manifestações recentes do governo, de criar um complexo industrial da saúde no País. "Como alcançar essa meta ao optar pela mera importação de medicamentos e matérias-primas para anti-retrovirais a pretexto de reduzir gastos?", questionou. A entidade reconhece que o País ainda não tem capacitação tecnológica para fabricar ou desenvolver medicamentos de ponta para o tratamento da AIDS. Quem utiliza o remédio comemorou a decisão. "Hoje a gente consegue trabalhar com uma tranqüilidade de acesso aos anti-retrovirais, como um dos componentes da nossa política pública de saúde", disse Ana Paula Prado, 36 anos, integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS e usuária do Efavirenz há quatro anos.

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Remédio caro em relação à Índia desafia indústria local

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Aos 44 anos, a professora Maria Aparecida Lemos decidiu mudar de carreira e, como gostava de viajar, fez um curso de turismo. Mas seus planos foram bruscamente interrompidos pela descoberta de que tinha sido contaminada com o vírus HIV durante um namoro de dois anos e meio. Em 2001, ela perdeu para sempre a visão, atacada por uma doença que se instalou em seu organismo graças a baixa imunidade causada pela Aids. Hoje, aos 52 anos, Cida, como prefere ser chamada, viaja o mundo. Esteve em Nova York, representando o Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). Nas próximas semanas, vai a Salvador para um congresso do Movimento de Cidadãs PositHIVas. Ela conta que é independente: mora sozinha em um apartamento no Rio de Janeiro e tem um "paquera". Para dar conta do agitado dia-a-dia, utiliza três "armas secretas", que "enganam" o vírus e impedem sua multiplicação: dois comprimidos de Lamivudina e um de Tenofovir de manhã e um comprimido de Efavirenz à noite. "Meus remédios são parceiros, companheiros", diz. A Lamivudina é fabricada no Brasil, enquanto os outros medicamentos, mais modernos, são importados das farmacêuticas detentoras das patentes. Todos são distribuídos gratuitamente nos postos de saúde, o maior mérito do programa brasileiro contra a Aids desde uma lei aprovada em 1996. O tratamento de Cida com a Lamivudina custa aos cofres públicos US$ 214 por paciente/ano. Se esse remédio fosse importado da Índia, que o produz em larga escala, sairia por US$ 51 por paciente/ano. Nesse caso, o preço nacional é 320% mais alto que o indiano. Dos 17 medicamentos entregues pelo governo hoje aos 180 mil pacientes em tratamento contra a Aids, oito são produzidos no país. Na comparação dos gastos com cada paciente por ano, o tratamento com drogas nacionais fica entre 140% e 360% mais caro que com o mesmo remédio feito na Índia, conforme levantamento do Valor com base nos dados do Ministério da Saúde e do guia de preços da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras. A maior parte dos dados considera os medicamentos indianos pré-qualificados pela Organização Mundial de Saúde. Sem esse filtro, a diferença seria ainda maior. O programa brasileiro de combate a Aids vive hoje o paradoxo de colher elogios ao redor do planeta, enquanto a indústria nacional desses medicamentos é pouco desenvolvida. A diferença de preços entre Brasil e Índia abre uma discussão sobre a competitividade da produção de anti-retrovirais no Brasil, que foi pioneiro e começou a fabricar a Zidovudina (AZT) no início da década de 90. Hoje, as indústrias brasileiras operam com baixa escala, voltadas para o mercado interno e inovam pouco. A pergunta é: essas empresas sobreviverão à concorrência das múltis e de países fabricantes de genéricos, cada vez mais competitivos? "A indústria é pequena, voltada para o atendimento público. Mas a produção nacional é estratégica", defende Mariângela Simão, diretora do programa nacional DST-Aids, do Ministério da Saúde. "A indústria brasileira perdeu o bonde da história", critica Gabriel Tannus, presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). No Brasil, cinco laboratórios públicos (Farmanguinhos, Lafepe, Furpe, Lifal e Iquego) e um privado (Cristalia) produzem remédios similares anti-Aids. O programa brasileiro de combate à doença está atingindo níveis insustentáveis para o orçamento público. O custo subiu de R$ 346 milhões em 1998 para R$ 987 milhões em 2006. E a curva é ascendente. "A cada ano surge uma nova droga, mais cara e protegida por patente", diz Mariângela. Após algum tempo, os doentes se tornam resistentes ao tratamento e precisam de medicamentos modernos, que também provocam menos efeitos colaterais. Esses remédios são mais caros, devido aos gastos em pesquisa. Apesar da Zinovudina e da Lamuvidina serem a base do tratamento e chegarem a 110 mil pacientes, a produção nacional, que está restrita aos remédios mais simples, significa 20% dos custos do programa. Os medicamentos importados representam 80% do total. Por isso, o governo optou pela licença compulsória do Efavirenz e por negociar o preço do Kaletra. Segundo Mariângela, substituir os medicamentos nacionais por importados indianos alteraria pouco o quadro. Quando o programa brasileiro surgiu, a produção nacional de remédios foi importante para baixar o custo do tratamento. Ao fabricar Didanosina e Lamivudina, os laboratórios ofereceram esses medicamentos ao governo por um preço 70% mais baixo que o das múltis na época. O problema é que o custo dos remédios nacionais caiu pouco ao longo do tempo, quando comparado com a Índia. Entre 2000 e 2006, os preços dos remédios brasileiros contra a Aids cederam, em média, 40%. No ano passado, graças à alta do custo do princípio ativo, matéria-prima para os medicamentos, chegaram a subir entre 3% e 4,5% ante 2005. Eduardo de Azeredo Costa, diretor de Farmanguinhos, reconhece que os laboratórios nacionais enfrentam dificuldades para reduzir os preços. Ele explica que a maior parte dos princípios ativos é importada da Índia ou China. "E a Índia nos vende quase pelo preço do produto acabado", diz. A qualidade do princípio ativo também deixa a desejar, elevando os custos totais. Outro problema é a baixa escala de produção, já que o Brasil está voltado para o mercado interno, enquanto a maior demanda está na África e na Ásia. As indústrias farmacêuticas de Brasil e Índia começaram praticamente juntas na década de 80, mas percorreram caminhos distintos. Em 1994, no fim da Rodada Uruguai, da Organização Mundial de Comércio, os países assinaram o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips), que obrigou as nações em desenvolvimento a reconhecer patentes para medicamentos. O Brasil promulgou a lei das patentes em 1996, com efeitos retroativos, acertando em cheio a produção de anti-retrovirais, que surgiu na década de 90. "A Índia é competitiva porque investiu em tecnologia. Enquanto o Brasil, apressada e equivocadamente, abriu mão", diz Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. O acordo da OMC garantia aos países dez anos para a adaptação. A Índia aproveitou esse prazo e apoiou sua indústria farmacêutica. "É uma indústria de cópias, com poucas restrições ambientais e encargos trabalhistas", diz Tannus, da Interfarma. A Índia responde hoje por metade dos medicamentos anti-Aids consumidos nos países pobres. Os laboratórios indianos são tão competitivos que vendem seu coquetel anti-Aids abaixo do menor preço das farmacêuticas nos países mais carentes da África. As empresas cobram preços diferentes conforme o poder aquisitivo do país. Para os africanos, o custo do tratamento por paciente/ano com os remédios mais simples das múltis fica entre 30% e 100% mais alto do que se os medicamentos fossem adquiridos na Índia. Para as ONGs, a produção indiana reduz os preços mundiais e é fundamental para o tratamento da Aids na África Subsaariana, que concentra 62% das 39,5 milhões de pessoas infectadas com o vírus no mundo. Três empresas indianas estão prestes a atingir escala global: Cipla, Ranbaxy e Dr Reddy's. O faturamento dos 15 maiores laboratórios farmacêuticos do país subiu 20% por ano entre 1996 e 2004. As exportações de remédios saíram de US$ 536 milhões em 1990 para US$ 3,2 bilhões em 2004. Em 2005, a Índia reconheceu o Trips, mas seu Congresso colocou na lei um dispositivo que dificulta o processo. Na Índia, não são concedidas patentes para remédios que sejam combinações ou novas formulações de moléculas conhecidas. O Valor tentou comparar os preços dos remédios fabricados no Brasil com o que é cobrado pelas multinacionais. A dificuldade é que as farmacêuticas não vendem esses medicamentos no país, que, nesses casos, compra apenas dos laboratórios estatais. A comparação deveria ser feita com países de poder aquisitivo similar, como o México. Mas a indústria não informou o custo desses remédios em outros países. Para Michel Lotrowska, dos Médicos Sem Fronteiras, a produção brasileira foi o "pilar" da implantação do programa de Aids no Brasil, porque garantiu abastecimento em uma época que não existia a indústria global de genéricos. Gabriela Chávez, do MSF, e Renata Reis, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), defendem que a produção brasileira garante a sustentabilidade do programa no longo prazo e o poder de barganha do governo nas negociações com as farmacêuticas. Na Índia, que produz remédios em escala global, estima-se que 1 milhão de pessoas necessitem de tratamento contra a Aids, mas apenas 10 mil estão medicadas. O Brasil atende 100% dos pacientes que precisam de remédios, o que representa 28% das 600 mil pessoas infectadas. A abrangência do programa brasileiro impressiona em termos globais. Enquanto o país representa 1,6% das pessoas infectadas com o vírus, seu programa atende 24% dos pacientes em tratamento no mundo. Resta saber se é economicamente sustentável, para garantir a sobrevivência e o bem-estar de pessoas como Cida nos próximos anos.

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Laboratório público se prepara para produzir medicamento

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fecharam uma parceria para realizar pesquisas em torno do medicamento Efavirenz, usado no tratamento da Aids. A expectativa tanto do laboratório quanto da fundação é que, em breve, a patente do remédio seja quebrada, possibilitando a fabricação. Hoje, a produção do Efavirenz está restrita à Merck. O governo federal está anunciando esforços no sentido de quebrar a patente do medicamento. Mas, enquanto isso não for feito, a droga não pode ser fabricada no país por outras empresas. Na semana passada, o Ministério da Saúde declarou o Efavirenz remédio de interesse público. Na prática, isso significa um primeiro passo na tentativa da quebra de patente. De acordo com Luciano Vasquez, presidente do Lafepe, o laboratório realiza pesquisas sobre o Efavirenz há dois anos, e já investiu R$ 1,5 milhão. "A parceria com a Fiocruz traria capacidade de produção em larga escala. A partir da quebra da patente, podemos iniciar a fabricação em seis meses", diz Vasquez. A idéia é que o remédio seja produzido no Farmanguinhos, laboratório da Fiocruz no Rio. O preço do medicamento poderia ser até 40% inferior ao praticado atualmente.

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Ministério da Saúde aumenta pressão sobre a Merck

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília e São Paulo, O Ministério da Saúde enviou ontem ao Palácio do Planalto minuta de decreto que permite o licenciamento compulsório da patente do anti-retroviral Efavirenz, fabricado pela Merck, usado no tratamento da Aids, depois de seis meses de negociações com o laboratório para reduzir o preço do comprimido, vendido ao Brasil por US$ 1,65 a unidade. A decisão caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo recusou a última oferta da Merck, de desconto de 30%. A proposta foi considerada insuficiente pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende a venda do anti-retroviral para o Brasil pelo mesmo preço pago pela Tailândia, de US$ 0,65 por comprimido de 600 mg. Sem acordo, a Saúde quer o licenciamento compulsório para uso público não comercial. O mecanismo é semelhante à quebra de patente, mas mantém o pagamento de royalties ao fabricante, conforme regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Se a medida for acatada pelo presidente, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) será autorizado a iniciar a produção de 30 milhões de unidades, em parceria com o Instituto Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O governo também poderá comprar a versão genérica do Efavirenz, que custa US$ 0,44. "Estamos desapontados pela rejeição do governo a uma oferta que consideramos justa. A empresa solicitou com freqüência reuniões pessoais a fim de discutir um acordo aceitável. Continuamos flexíveis, abertos e comprometidos com as negociações", disse João Sanches, diretor de comunicação corporativa da Merck Sharp & Dohme, em nota.

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ONGs comemoram, mas temem riscos

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para especialista, temor é que, com a quebra de patente de remédio anti Aids, laboratório se recuse a registrar novas drogas no Brasil Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda, diz que é hora de o governo pensar também em produzir as substâncias ativas dos medicamentos  DA REVISTA DA FOLHA Organizações não governamentais que defendem os interesses de portadores do HIV prometem manifestações de apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva hoje em razão da decisão de quebrar a patente do Efavirenz, mas não deixam de falar dos riscos e das necessidades após essas medidas. Veriano Terto, coordenador geral da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e especialista em patentes, aponta o risco de retaliações como negativa de registro de novos remédios no Brasil, medida que já foi anunciada pelo laboratório Abbott contra a Tailândia, que também quebrou patentes. Para ele, precisa ficar claro que o Brasil tomou uma medida legal na visão de vários especialistas do setor. "A medida do governo brasileiro apenas reforça o que disse a declaração de Doha da Organização Mundial do Comércio em 2001, que a defesa dos interesses comerciais não pode se sobrepor aos interesses da saúde pública." Outra preocupação, a partir de agora, é com a garantia de recursos para sustentar a produção nacional. Mário Scheffer, ativista do Grupo Pela Vidda/ SP, afirma ainda que é hora de o governo pensar também em como produzir os sais, a substâncias ativas dos medicamentos. O país até agora tem capacidade de apenas misturar sais comprados de fornecedores internacionais das indústrias de genéricos, explica, e mais a frente o problema de custos e abastecimento poderá ser não com quem vende o remédio pronto, como a Merck, mas justamente com quem garantirá a matéria prima aos laboratórios nacionais de genéricos. Scheffer e outros ativistas devem fazer manifestação hoje na praça da Sé, no centro de São Paulo. "É um marco importante, desde a decisão de declarar o medicamento de utilidade pública, já sabíamos que seria algo mais sério." Desde 2001, a Abia e outras entidades vêm pressionando pelo licenciamento compulsório, tema da maioria dos dias internacionais de luta contra a Aids dos últimos anos. A entrada de José Gomes Temporão no Ministério da Saúde é considerada um dos desencadeadores da medida a ser anunciada hoje pelo governo. Sanitarista reconhecido, o ministro desfruta de fácil diálogo com movimentos sociais e também com Lula, de quem se aproximou desde que participou do enfrentamento da crise dos hospitais da União no Rio de Janeiro, em 2005. Outro ponto que pode ter contribuído para a medida, avaliam as ONGs, é o fato de conhecidos defensores do licenciamento compulsório, como o brasileiro Pedro Chequer, estarem em órgãos da ONU, que deu suporte a outras nações que fizeram a quebra de patente desse tipo de remédio. Chequer atualmente trabalha na UnAids na Argentina, braço da ONU para a Aids, e recentemente, em conversa com a Folha, questionou se o Brasil não faria a quebra de patentes. Chequer e Temporão estudaram juntos.

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País usa lei para fazer pressão, mas não cumpre ameaça

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Brasil nunca oficializou uma quebra de patente de medicamentos até hoje, mas tem usado a legislação brasileira e os acordos fechados na Organização Mundial de Comércio (OMC) como instrumento de pressão para negociar com os laboratórios a redução dos preços dos remédios usados no combate à Aids. A primeira quebra de patente foi determinada em 22 agosto de 2001, pelo então ministro da Saúde José Serra. O governo brasileiro decidiu produzir no país uma versão genérica do Nelfinavir, do laboratório suíço Roche, um dos remédios que compõem o coquetel distribuído aos portadores de Aids. Após seis meses de discussões sem chegar a um acordo de corte nos preços, o ministério anunciou que o medicamento seria fabricado pela Fiocruz a um custo 40% menor. Menos de dez dias depois da decisão, a Roche voltou atrás e concordou em reduzir em 40% o preço de venda do Nelfinavir e o processo de licenciamento compulsório denominação legal da quebra de patente prevista pela legislação brasileira foi suspenso. Desde a Declaração de Doha, de 2001, a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite que os países quebrem a patente de um medicamento em casos de urgência e de interesse público. Na mesma época em que travou a queda-de-braço com a Roche por causa do Nelfinavir, o governo também ameaçou quebrar a patente do Efavirenz, do laboratório americano Merck, que volta agora a ser ameaçado com a aplicação dos acordos feitos na OMC. Antes que a quebra de patente fosse determinada, o Ministério da Saúde e a Merck chegaram a um acordo, que resultou na economia de R$ 80 milhões por ano com o remédio. Em junho de 2005, nova disputa foi aberta, dessa vez com outro laboratório americano, o Abbott, detentor da patente do Kaletra, também usado no tratamento da Aids. A decisão de adotar o licenciamento compulsório do medicamento foi publicado no "Diário Oficial da União". Humberto Costa, então ministro da Saúde, estimativa economia anual de R$ 130 milhões com a fabricação do remédio no laboratório Farmanguinhos, da Fiocruz. Dois meses antes, durante a Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, Costa já havia ameaçado quebrar patentes "se esse for o único caminho para garantir a manutenção de nosso programa de Aids". O ministro mostrou-se impaciente com o impasse nas negociações com os laboratórios americanos Merck, Abbott e Gilead. Só que dessa vez a ameaça não surtiu efeito. Novamente não houve quebra de patente , mas também não foi obtida uma redução de preços. Em setembro, Saraiva Felipe, que substituiu Costa no ministério, dizia que as negociações com os laboratórios seriam concluídas em um mês. "Não estou falando em quebra de patentes, porque estamos em processo de negociação mas, se não houver flexibilidade, podemos até chegar a isso", disse o ministro na época.

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Para empresa, preço já é baixo

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O laboratório Merck Sharp & Dohme informou que continua aberto ao diálogo com o governo, mas que não pode cobrar no País o mesmo que na Tailândia pelo remédio antiAids Efavirenz. “Na categoria do Brasil, o medicamento já tem o menor preço do mundo, e ainda oferecemos 30% de desconto”, afirmou João Sanches, diretor de Comunicação da empresa. “Agimos segundo a política de acesso, formulada em conjunto com as Nações Unidas, Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial.” Por essa política, o preço do remédio varia de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação e a quantidade de pessoas adultas infectadas. Como na Tailândia mais de 1% da população é portadora do HIV, o preço lá é mais baixo. “Estamos desapontados com a decisão do Ministério da Saúde. Não acreditamos que essa é a melhor solução para os pacientes”, disse Sanches. Ele informou que, além do desconto, a Merck ofereceu outras vantagens.

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Saúde recomenda quebra de patente

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Decisão sobre Efavirenz cabe a Lula; governo marca assinatura de decreto para hoje, mas espera proposta da Merck BRASÍLIA O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enviou parecer ao Palácio do Planalto propondo a quebra da patente do medicamento Efavirenz, fabricado pela multinacional Merck e destinado a pacientes com Aids. A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja agenda de hoje prevê uma cerimônia às 12 horas para assinar o ato de licenciamento do medicamento anti-retroviral. O Estado apurou que o governo pretende esperar até a hora do evento para que o laboratório faça uma oferta de redução de preço. Se isso ocorrer e a proposta for vantajosa, a cerimônia pode ser suspensa. O ministro Temporão quer a quebra da patente alegando que a mesma pílula do remédio vendida no mercado nacional por US$ 1,59 sai a US$ 0,65 na Tailândia (cerca de R$ 3,20 e R$ 1,30, respectivamente). Desde o final dos anos 90, o governo brasileiro ameaça adotar esse procedimento. Começou na gestão do ex-ministro José Serra (PSDB), atual governador de São Paulo, que à frente da pasta da Saúde entre 1998 e 2002 ameaçou conceder licença compulsória de patente de medicamentos essenciais - como os técnicos se referem à quebra de patente -, tirando a exclusividade de fabricação dos laboratórios que não aceitassem negociar a redução de preços. Nem o governo tucano nem o petista, porém, chegaram ao final do processo. Em 2005, o governo Lula também ameaçou quebrar a patente do Kaletra, outro anti-retroviral (como são chamados os medicamentos para pacientes com Aids). Voltou atrás depois de negociar com o laboratório Abbott, fabricante do remédio. O processo que poderá resultar no licenciamento compulsório do Efavirenz começou em novembro, com reuniões entre o governo e o laboratório Merck. Na semana passada, o ministério divulgou nota para informar que as diversas reuniões com o fabricante não resultaram em um acordo que atendesse ao interesse público. Por conta disso, o ministro Temporão assinou, na semana passada, a portaria 866, que declara o interesse público na concessão da licença para uso não comercial do anti-retroviral. O laboratório Merck propôs reduzir em 30% o valor do Efavirenz. O Ministério da Saúde, no entanto, recusou a oferta. Ao mesmo tempo, o governo recebeu propostas da indústria indiana, que fabrica versões genéricas do medicamento, por US$ 0,44 cada pílula (R$ 0,90). ABRANGÊNCIA Dos cerca de 200 mil pacientes que recebem os anti-retrovirais no País, 38% utilizam o Efavirenz, estima o governo. O Ministério da Saúde considera que o valor do medicamento compromete o programa DST-Aids, já que há um aumento no número de pessoas com a doença. Só neste ano, o governo gastará US$ 42,9 milhões (R$ 86 milhões) com a compra do medicamento. Isso equivale a um gasto anual de US$ 580 (cerca de R$ 1.160) por paciente tratado com o anti-retroviral. Pelas contas do governo, é possível gastar US$ 30 milhões (ou R$ 60 milhões) com a compra total do medicamento, representando economia nos próximos anos. O ministério alega que a licença compulsória é amparada pela legislação brasileira e por acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre aspectos de direitos de propriedade intelectual. Pela lei brasileira, o fabricante recebe royalties pela quebra de patente.

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