dezembro 2006

EUA querem mobilização na luta contra a malária

2017-01-10T17:18:21-03:00dezembro 13, 2006|Categories: Acervo|

A Casa Branca receberá nesta quinta-feira especialistas e personalidades para uma conferência sobre as formas de combater a malária, uma doença que mata mais de um milhão de pessoas por ano, sobretudo na África. O objetivo do encontro é debater as novas formas de luta contra a doença em escala mundial e pôr em execução novas colaborações dos setores público e privado para este fim. O presidente americano, George W. Bush, a primeira-dama Laura Bush, anfitriões da conferência, receberão 250 especialistas internacionais e personalidades. Entre os presentes estarão a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a nova diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), a chinesa Margaret Chan, a cantora sul-africana Yvonne Chaka Chaka, embaixadora da boa vontade do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para a malária, e Melinda Gates, também presidente da Fundação de Bill Gates, fundador da Microsoft. "O objetivo desta conferência é impulsionar um esforço (público-privado), informar o público americano sobre a malária (...) e, mais amplamente, difundir uma mensagem aos governos do mundo sobre a necessidade de se unirem para vencer a malária", disse à imprensa Anita McBride, diretora do escritório da primeira-dama, Laura Bush. Ela instou ainda as empresas privadas a ajudarem na implementação de uma estratégia duradoura contra a doença. A cada ano, entre 350 e 500 milhões de pessoas são infectadas com malária e mais de um milhão delas morre devido à doença, 90% na África, segundo a OMS. A malária mata mais crianças africanas que qualquer outra doença. Nos últimos 20 anos, a mortalidade vinculada à malária dobrou em algumas regiões do continente africano, devido especialmente à crescente resistência da doença aos tratamentos mais baratos e usados comumente. Em junho de 2005, Bush anunciou uma "Iniciativa do presidente contra a Malária" (PMI), um esforço de 1,2 bilhão de dólares em cinco anos para reduzir à metade o número de mortes provocadas pela malária na África. Por enquanto o programa trabalha com Angola, Malauí, Moçambique, Uganda, Ruanda, Senegal e Tanzânia, e outros oito países deverão ser beneficiados pela iniciativa em 2008. Também é um desafio para o setor privado, afirmou o almirante da reserva Timothy Ziemer, que dirige a Iniciativa. "Precisamos da ajuda de cada um", acrescentou. Johnn Bridgeland, que desenvolve a campanha "Não mais malária", informou que sua organização tentará reunir apoio no setor privado durante a conferência em Washington. A Fundação Gates se comprometeu, por sua vez, a contribuir com 83,5 milhões de dólares. Esta doação servirá especialmente para aumentar o acesso a mosquiteiros, tratamentos e outros instrumentos de combate à doença. No encontro, Melinda Gates pedirá aos dirigentes do mundo inteiro que cheguem a um acordo sobre uma nova estratégia coordenada. "A cada dia, milhares de mães vêem, impotentes, a morte de seus filhos, vítimas de uma doença da qual conhecemos os meios de prevenção há décadas", disse Melinda Gates em um comunicado. "O balanço da malária que continua aumentando é uma afronta moral: não o aceitaríamos nos Estados Unidos e não devemos aceitá-lo em parte alguma", acrescentou.  Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1298936-EI298,00.html Consultado em 15/02/2007

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Indústria Farmacêutica busca inverter seu déficit comercial

2016-02-02T20:45:53-03:00dezembro 12, 2006|Categories: Acervo|

A indústria farmacêutica vem se preparando para inverter o saldo negativo que historicamente acumula na balança comercial com outros países. Para tanto, está ampliando as suas relações com países como Argentina, Chile, Venezuela e Colômbia, o que deve proporcionar um incremento de 26% nas exportações este ano, em comparação com 2005. Para este ano, Laura Gomes, gerente de comércio exterior da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), acredita atingir um volume equivalente a US$ 596 milhões. Até outubro, as exportações já haviam ultrapassado o valor de 2005 em 15%. De acordo com Laura, se esse ritmo de crescimento for mantido, a capacidade da indústria farmacêutica brasileira para o mercado externo dobrará em 20 anos. Apesar desse cenário favorável, o déficit ainda é considerável, ultrapassando de longe o valor das exportações. Até outubro o saldo comercial do setor estava negativo em US$ 1,3 bilhão. A Novartis pretende equilibrar sua balança comercial até 2010. Para tanto, está investindo R$ 54 milhões em uma fábrica de farmacoquímicos em Rezende, no interior do Rio de Janeiro, totalmente voltada para exportação. Ela fica pronta até abril do ano que vem. Em 2006, a empresa fecha o ano com US$ 48 milhões em exportações, 140% a mais que em 2005. Esse resultado é influenciado pelos investimentos de R$ 190 milhões na filial de Taboão da Serra, em São Paulo, onde também foi construída uma planta exportadora. “Nós pretendemos atingir US$ 250 milhões em exportação até 2010, zerando nossa balança comercial. E Taboão passará a exportar apenas genéricos”, aponta Nelson Mussolini, diretor corporativo da Novartis. Hoje, a Novartis importa cerca de US$ 285 milhões. O principal mercado de destino dos produtos da Novartis é a Europa, seguida pela América Latina. No caso dos genéricos, os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar, com Europa em segundo. Para o próximo ano, o diretor espera que seja um ano tão bom quanto esse, tendo em vista que a empresa lançará quatro novos produtos. “Estamos diversificando a pauta, explorando a Europa, principalmente o leste europeu. Lá, eles investem muito em medicamentos para idosos e para a população de baixa renda, o que pode ser um bom nicho para o País. Entretanto, temos que nos consolidar na América Latina primeiro”, afirma Laura da Febrafarma. A gerente ressalta a questão da dependência brasileira das matérias-primas. Apesar de em 2006 ter ocorrido uma pequena queda de 5% nas importações, a tendência não é a permanente redução. “Para reverter esse quadro, o Brasil precisa produzir fármacos e isso não deve acontecer num curto prazo”, diz Laura. Para ela, porém, a importação não é assim tão negativa. “Países desenvolvidos apresentam déficits importantes também. E nós temos uma capacidade produtiva instalada muito boa e o fato de estarmos exportando bastante é prova disso”, aponta a gerente. Buscando o equilíbrio A Medley também está investindo na ampliação da fábrica já existente, tanto para aumentar a capacidade produtiva em atender o mercado interno, como para suprir as demandas externas. Esse ano, a empresa, que exporta somente desde 2003, pretende fechar com US$ 4 milhões em exportações, mas para 2007 a meta é dobrar esse montante. “Esse objetivo ambicioso deve-se ao fato de que a indústria farmacêutica brasileira em geral não inova. A Medley faz exatamente o oposto: nós oferecemos para o mercado externo aquilo que é novidade”, afirma Klaus Villela Larcen, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Medley. A empresa exporta apenas para a América Latina, mas a Europa também faz parte dos planos. “Para internacionalizar, nós primeiro temos que buscar os mercados próximos, depois nós expandimos”, aponta o gerente. Em relação a pesquisa, Mussolini diz que “não adianta o Brasil querer virar uma potência exportadora agora. O melhor a fazer é procurar um ramo, ligado à indústria farmacêutica, que possa render muito mais como a pesquisa”. A gerente da Febrafarma também concorda com essa visão, tendo em vista que as indústrias farmacêuticas brasileiras apresentam uma capacidade ociosa de 60%. “Por esse motivo é que existe certa displicência com o ramo. Não tem porque o governo investir pesado se tem capacidade ociosa”, diz Laura. Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), também vê a pesquisa como um ramo promissor e até como uma forma de tornar o setor superavitário. “Nós temos ótimos pesquisadores que podem nos mostrar como produzir fármacos dentro do País. Infelizmente, a burocracia atrapalha”, ressalta Pereira.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6659 Consultado em 22/02/2007

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OMS: vacinas contra o câncer podem salvar milhares

2017-01-10T17:18:21-03:00dezembro 12, 2006|Categories: Acervo|

A introdução das novas vacinas contra o câncer de colo de útero nos países em desenvolvimento poderia "salvar centenas de milhares de vidas", segundo um comunicado conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). O comunicado conjunto, publicado nesta terça-feira, em Genebra e Londres, qualifica estas vacinas de "muito promissoras para o mundo em desenvolvimento". O câncer de colo do útero "custou a vida a mais de 250 mil mulheres em 2005, a grande maioria nos países em desenvolvimento" e deverá causar "perto de 25% de mortes suplementares" ao longo dos 10 próximos anos, acrescentou o comunicado. Quinhentos mil novos casos foram registrados em 2005, dos quais 90% nos países em desenvolvimento. Uma vacina protetora contra as infecções causadas pelo papilomavírus humano (HPV), que podem evoluir para o câncer, a Gardasil, já foi autorizada nos Estados Unidos e na União Européia, bem como em outros países. Ela visa os papilomavírus de tipos 16 e 18, responsáveis, em média, por 70% dos casos de câncer de colo do útero, bem como os tipos 6 e 11. Uma segunda vacina, a Cervarix, que também visa os tipos 16 e 18, poderá ser autorizada em breve. Além de combater uma forma mortal de câncer, a introdução destas vacinas poderão ajudar a "promover a saúde sexual", ao reforçar os programas de saúde destinados às adolescentes, acrescentou a OMS. "Nós não sabemos qual será o preço final da vacina nos países em desenvolvimento", declarou um encarregado da UNFPA, "mas podemos estar certos que este será um sério desafio a sua introdução rápida ali onde mais se necessita: os países pobres". "Em nível internacional, serão necessárias parcerias para tentar reduzir o limite entre o momento em que uma vacina é formalmente registrada e aquele em que está disponível nos países em desenvolvimento, bem como para fixar um preço negociado e uma capacidade de produção adequada para abastecer os países em desenvolvimento", acrescentou o comunicado. Em novembro, quando foi lançada na França, o preço da Gardasil foi estabelecido em 145,94 euros (193,85 dólares) a dose, sendo que são necessárias três para a imunização.  Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1296969-EI298,00.html Consultado em 15/02/2007

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Tuberculose mata 384 pessoas por dia na Indonésia

2016-02-02T20:45:53-03:00dezembro 11, 2006|Categories: Acervo|

Uma média de 384 pessoas morre a cada dia por causa da tuberculose na Indonésia, o que coloca o país no terceiro lugar do mundo em relação ao número de afetados pela doença, atrás apenas de China e Índia, informou hoje a imprensa local. O gigantesco arquipélago, com 240 milhões de habitantes, acolhe 10% dos doentes de tuberculose do mundo, segundo Sidung P. Haryanto, vice-presidente da Coalizão pela Província de Lampung Sanaa. "A tuberculose é o assassino número um entre as doenças infecciosas", assegurou Haryanto, que lembrou sobre a necessidade de redobrar os esforços para lutar contra a expansão dessa doença, que é transmitida facilmente pelo ar.  Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1293528-EI298,00.html Consultado em 15/02/2007

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Medley estuda ingresso no mercado de capitais

2016-02-02T20:45:53-03:00dezembro 8, 2006|Categories: Acervo|

A farmacêutica Medley analisa a possibilidade de iniciar suas operações no mercado de capitais. Líder em vendas de medicamentos genéricos no Brasil e quarta maior na classificação geral do setor, a empresa prevê encerrar este ano com faturamento de aproximadamente R$ 600 milhões. O ingresso no mercado de capitais pode ser uma opção para a empresa dar continuidade ao seu projeto de expansão nos próximos anos.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6657 Consultado em 22/02/2007

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HIV e malária estão relacionadas em sua propagação na África

2016-02-02T20:45:53-03:00dezembro 7, 2006|Categories: Acervo|

O vírus HIV e o da malária se ajudam mutuamente em sua propagação no continente africano, segundo um relatório publicado hoje pela revista "Science". O estudo, realizado por cientistas do Centro de Pesquisa Oncológica Fred Hutchinson e da Universidade de Washington, indica que existe uma justaposição considerável entre a malária e a aids, causado pelo HIV. O HIV desempenha um papel crucial no aumento da incidência de malária em algumas partes do norte da África. Por sua parte, o vírus da malária incide em um aumento do vírus da aids em regiões ao sul do Saara. Segundo os cientistas, a pesquisa determinou que a malária aumenta dez vezes a carga viral de uma pessoa infectada com o HIV, o que aumenta as possibilidades de o vírus ser transmitido ao parceiro sexual. Da mesma forma, o HIV pode desempenhar um papel importante na expansão da malária na África, já que as pessoas infectadas pelo vírus são mais suscetíveis à infecção como conseqüência dos problemas imunológicos causados pela aids. A malária é uma doença que pode levar à morte, causada pelo vírus "Plasmodium falciparum". Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária afeta a cada ano entre 300 e 500 milhões de pessoas, principalmente em zonas tropicais. Por outra parte, o Programa Conjunto das Nações Unidas para a Aids (Unaids, sigla em inglês) assinala que existem cerca de 34 milhões de pessoas infectadas pelo HIV. "Embora o HIV se propaga principalmente através do ato sexual, este fator biológico induzido pela malária contribuiu de maneira considerável à propagação da aids, ao aumentar as probabilidades de transmissão", assinalou Abu-Raffad, cientista do Centro Fred Hutchinson. Por sua vez, "o enfraquecimento do sistema imunológico causado pela infecção do HIV provocou um aumento nas taxas de infecção da malária e possivelmente facilitou a expansão da doença na África", indicou James Kublin, do mesmo centro de pesquisas. Segundo o cientista, as conclusões do estudo sugerem que outras infecções, como a tuberculose e a herpes genital, também podem ter contribuído para a propagação do HIV na África.  Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1288909-EI298,00.html Consultado em 14/02/2007

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Indústria farmacêutica indica contradição em lei de patente

2017-01-10T17:18:21-03:00dezembro 7, 2006|Categories: Acervo|

As indústrias farmacêuticas que atuam no Brasil e há 10 anos convivem com as contradições existentes na Lei de Propriedade Intelectual para a aprovação de uma concessão de patente para novos medicamentos temem que projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional coloquem ainda mais em risco a estabilidade das regras do setor. Essas questões são levantadas por duas das principais entidades do setor e são consideradas eventuais entraves para a expansão da atividade farmacêutica no Brasil. “Não há, no País, uma cultura de propriedade intelectual e está na hora de começarmos a ter”, afirma o presidente do conselho consultivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Jorge Raimundo. O executivo mostra sua preocupação com relação a projetos de lei (PL) que tornam ainda mais restritas as condições das empresas de protegerem seus medicamentos patenteados, como é o caso do PL 230/2003, que permite que laboratórios estatais fabriquem substâncias farmacêuticas e demais matérias-primas componentes de medicamentos protegidos por direitos de patente. “Ele permitiria que as estatais fabricassem diversos tipos de medicamentos”, destaca o presidente do conselho diretor da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), José Antonio Toledo Vieira. Outros itens, como a definição de quais medicamentos desenvolvidos para a prevenção e o tratamento da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Sida/Aids) não podem ser patenteados, como propõe o PL 22/2003, também são vistos com preocupação pelo setor. Impasse Além do surgimento de novas propostas que viriam a prejudicar a proteção intelectual das empresas, a indústria farmacêutica se diz afetada por uma legislação contraditória que dificulta a obtenção de novas patentes principalmente quando as pesquisas são baseadas na biodiversidade. O presidente da Interfarma destaca que na Lei nº 9.279, de 1996, há duas interpretações para a possibilidade de uso da natureza existente no Brasil. Segundo o artigo nº 10 do texto, não é considerado invenção (logo, não pode ser patenteado) um medicamento que utilize todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. A mesma lei, no entanto, considera o Acordo sobre Aspectos de Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips) que define que um produto pode ser patenteado caso seja uma novidade, contenha atividade inventiva e tenha aplicação industrial, requisitos que podem ser atingidos com o desenvolvimento de medicamentos a partir da biodiversidade. A indefinição a respeito das normas que determinam as regras do setor farmacêutico torna incertas as ações das grandes companhias multinacionais instaladas no País, destaca José Antonio Toledo Vieira, que, além de presidente do conselho diretor da Febrafarma, preside a AstraZeneca do Brasil. O executivo lembra que voltou à tona a discussão a respeito da constitucionalidade do pipeline, que regulamentou a proteção de produtos que estavam em desenvolvimento e que não haviam sido lançados em nenhum mercado do mundo quando da criação da Lei de Propriedade Intelectual. “Para mim, como investidor, é preocupante o fato de haver o questionamento de uma lei promulgada há 10 anos”, destaca. Outro entrave para o pedido de patentes no Brasil está na presença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no processo de permissão de comercialização do produto no mercado. Insegurança Raimundo, da Interfarma, destaca que a proteção à propriedade intelectual, em outros países, é concedida para os remédios que apresentem os aspectos de novidade, que contenham atividade inventiva e tenham aplicação industrial. No Brasil, no entanto, o registro de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) não significa que as empresas já podem ingressar no mercado. “A Anvisa pode não conceder a licença para uma empresa produzir um item mesmo que este já tenha patente registrada”, diz Vieira, da Febrafarma. A possibilidade de que um medicamento já desenvolvido e patenteado não seja negociado é preocupante, pois o tempo para desenvolver um produto varia de 12 a 15 anos, destaca o presidente do conselho consultivo da Interfarma. Segundo ele, em média, de cada 10 mil itens desenvolvidos pelas farmacêuticas, só um chega ao mercado consumidor.  Fonte: http://www.phar-mecum.com.br/atual_jornal.cfm?jor_id=7400 Consultado em 22/02/2007

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Pfizer cancela teste de droga para colesterol

2017-01-10T17:18:21-03:00dezembro 5, 2006|Categories: Acervo|

O mais promissor dos medicamentos experimentais do laboratório farmacêutico Pfizer, cujo objetivo era tratar doenças cardíacas, na verdade aumenta o número de mortes e causa mais problemas de coração. Até agora, 82 usuários do remédio participantes de um teste clínico do produto morreram, ante 51 pessoas no grupo de controle, que não usaram o remédio. Além das mortes, também foram constatadas discrepâncias semelhantes no número de pacientes sofrendo falhas cardíacas e outros problemas. No sábado, a Pfizer, maior empresa farmacêutica do mundo, instruiu às mais de cem instituições envolvidas no teste que suspendessem a administração aos pacientes do medicamento, conhecido como torcetrapib. A empresa cancelou o desenvolvimento do produto, o que lhe renderá um prejuízo de quase US$ 1 bilhão. Não havia braços de estudo no Brasil. Segundo a Pfizer, a resolução foi tomada após recomendação de um comitê independente que avalia todos os dados do teste, que comparava dois grupos de pacientes: os que usavam só Lípitor (remédio que combate o mau colesterol) e os que usavam Lípitor com torcetrapib, que estimula a produção do colesterol "bom". Anos 90 O torcetrapib estava sendo desenvolvido desde o começo dos anos 90. Ainda na quinta passada, a empresa disse que o produto poderia ser um dos mais importantes novos desdobramentos no combate aos problemas cardíacos em décadas, e que a Pfizer esperava obter aprovação da agência reguladora norte-americana para comercializá-lo em 2007. Para os pacientes com problemas cardíacos, o fracasso do torcetrapib significa que os progressos no combate a esse tipo de doença podem estar se desacelerando, após duas décadas de grandes avanços. Já há remédios em uso generalizado para reduzir a pressão sangüínea e o mau colesterol, mas as doenças cardíacas continuam a ser a principal causa de morte nos EUA -911 mil fatalidades em 2003, segundo a Associação Cardíaca Norte-Americana. Como as mortes ligadas ao uso do torcetrapib ocorreram durante testes, a Pfizer não terá de enfrentar processos judiciais. Os pacientes envolvidos assinam termos de responsabilidade nos quais confirmam que compreendem os riscos a que estão sujeitos. Os cientistas consideravam o torcetrapib como vanguarda de uma nova onda de medicamentos que ofereceria novas maneiras de reduzir as doenças cardíacas por meio do estímulo à produção do bom colesterol. As ações da Pfizer, negociadas na Bolsa de Nova York, caíram 10,6% após a empresa anunciar que havia desistido de desenvolver o medicamento. Agora, a Pfizer e cardiologistas independentes precisam determinar se o fracasso do torcetrapib indica que todos os medicamentos que pretendem elevar o nível de bom colesterol causam problemas parecidos.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6651 Consultado em 22/02/2007

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Diabetes acirra disputa entre laboratórios

2017-01-10T17:18:22-03:00dezembro 4, 2006|Categories: Acervo|

Os laboratórios que produzem medicamentos e produtos para o tratamento de diabetes preparam-se para intensificar a disputa por esse mercado, que movimentou R$ 378 milhões de janeiro a outubro deste ano, segundo o IMS Health. Atraídas por um crescimento de 19% no período, bem superior aos cerca de 5% de expansão registrados pelo setor no mesmo período do ano anterior, Novo Nordisk, Eli Lilly, Merck Sharp & Dohme (MSD) e Novartis já têm no pipeline uma grande variedade de lançamentos de novas versões de insulinas e de medicamentos antidiabetes. “Apenas em 2007, a expansão desse segmento deverá ser de 30%, como conseqüência da chegada de novos produtos”, diz o gerente geral da Novo Nordisk na América Latina e no Brasil, Sérgio Noschang. Para adequar-se a esse cenário, a empresa, que é líder no mercado total (incluindo insulinas) de itens para o tratamento de diabetes, promete novidades para 2007, incluindo o lançamento de dois medicamentos. “Além disso, faremos uma fábrica para a produção de sistemas descartáveis de aplicação (ver box ao lado)”, revela Noschang. A empresa também estuda o lançamento de uma insulina aerosol líquida, que deve chegar ao mercado em 2008. O principal foco da empresa é o segmento de insulina, o qual terá incremento com a abertura de uma nova fábrica da empresa no Brasil. As operações da Nordisk na América Latina respondem por cerca de 5% do faturamento global do grupo dinamarquês, estimado em US$ 4 bilhões. A Merck Sharp & Dohme também se mostra otimista com o mercado interno. Tanto que lançará no primeiro trimestre de 2007 o Januvia, voltado para o controle de diabetes tipo 2 e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na semana passada. “Hoje, no Brasil, temos cerca de 11 milhões de pessoas portadoras de diabetes, mas apenas uma parte desse total tem acesso ao tratamento da doença”, destaca o diretor de assuntos corporativos da MSD, João Sanches. Além desse medicamento, a companhia prevê lançar, no segundo semestre, um produto associado entre o Januvia e a metmorfina, utilizado na redução da produção de açúcar pelo fígado. “Esperamos deter 10% do mercado privado de drogas para uso crônico de diabetes tipo 2 até 2011”, revela Sanches. Atualmente, a empresa ainda não atua nesse segmento no País. Caso se confirme a previsão do executivo, as vendas de Januvia responderão em 2007 por 5% da receita da MSD, totalizada em R$ 560 milhões ao final de 2005. Inovação Além de significarem um maior leque de opções de tratamento, os novos medicamentos que chegarão ao mercado sinalizam que, aos poucos, o Brasil tem adotado tecnologias cada vez mais modernas, em linha com o que há de mais avançado no tratamento da doença na Europa e nos Estados Unidos. “Fazemos parte de um grande movimento da indústria farmacêutica para atender a um número cada vez maior de diabéticos”, destaca o diretor médico da Eli Lilly, Maurício Lima. A empresa também terá novidades em 2007, com o lançamento do Byetta, que chega ao mercado no segundo trimestre. O composto sintético é eficiente no controle dos níveis de glicemia no sangue e proporciona progressiva redução no peso dos pacientes ao longo de dois anos. Com o Byetta, a Eli Lilly pretende elevar dos atuais 7% para 10% em 2007 a participação do segmento anti-diabetes na receita da empresa, que foi de R$ 412 milhões em 2005. Além desse composto, o laboratório prepara para o final do ano que vem o lançamento de uma caneta para a injeção de insulina. “O pedido desse produto foi enviado à Anvisa na última quinta-feira e esperamos tê-lo no mercado até o final de 2007”, afirma o diretor de assuntos corporativos da Eli Lilly, Allan Finkel. A idéia da empresa é retomar uma posição de destaque no mercado de tratamento de diabetes. Um passo importante para isso foi a vitória na concorrência aberta pelo Ministério da Saúde e finalizada em setembro passado. Ao todo, a Eli Lilly comercializará aproximadamente 9 milhões de frascos de insulina NPH (versão básica de insulina), em um negócio de cerca de R$ 80 milhões. O laboratório registrou expansão de 10% nas vendas de insulinas de janeiro a outubro deste ano, segundo o IMS Health, que audita o setor. Em 2007, o mercado de insulinas deve crescer cerca de 14%, prevê Finkel. A Novartis, com o lançamento do Galvus previsto para o primeiro semestre de 2007, também aposta no crescimento do segmento de medicamentos para diabéticos. Este ano, a empresa responde por 3,7% desse mercado com os produtos Starlix e o Staform, percentual que deve dobrar em 2007 com o lançamento do Galvus, destaca o gerente de produto da Novartis, Francisco Sacramento. A Pfizer também trará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2007 a Exubera, primeira insulina humana inalável do País. Farmácia popular Outro item considerado fundamental para o crescimento desse mercado é a maior atenção do governo com a doença. Prova disso é que medicamentos para tratar diabetes fazem parte do Programa Farmácia Popular. “É provável que cada vez mais as pessoas terão acesso ao tratamento e cada vez mais o governo precisará gastar com o sistema de saúde”, ressalta o diretor médico da Eli Lilly. Mas Noschang, da Novo Nordisk, ressalta que o setor ainda precisará aguardar 2007 para saber os reais benefícios do programa governamental nas vendas dos laboratórios e no acesso da população aos medicamentos. Nordisk abrirá nova unidade em Minas Gerais As projeções positivas para o mercado brasileiro de medicamentos estimularam a direção global da Novo Nordisk a investir no País. A empresa pretende construir até o final de 2007 uma fábrica para a produção de sistemas descartáveis de aplicação de insulina, que ficará localizada na cidade de Montes Claros (MG). A unidade, cujos investimentos totalizarão US$ 50 milhões, deverá entrar em operação no ano seguinte e terá como prioridade atender ao mercado externo. O mesmo acontecerá com a planta que produzirá refil de insulina atualmente em construção na mesma cidade. A fábrica, orçada em US$ 230 milhões, será inaugurada em abril de 2007 e também concentrará sua produção para o exterior. “Em ambos os casos, as unidades também estarão prontas para atender a demanda do mercado interno assim que o Brasil avançar no uso desses produtos”, afirma o diretor-geral da Novo Nordisk na América Latina e no Brasil, Sérgio Noschang. A entrada em operação das unidades irá alterar o cenário dos negócios da Nordisk. Atualmente 95% das vendas são direcionadas para o Brasil, percentual que cairá para 20% com o aumento da produção.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6650 Consultado em 22/02/2007

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Aids, a era pós-coquetel

2016-02-02T20:45:54-03:00dezembro 3, 2006|Categories: Acervo|

Uma década depois da terapia tríplice, o País tem o desafio de consolidar seus avanços O médico Paulo Roberto Teixeira começou a dirigir programas de Aids num período em que os pacientes morriam em seis meses. O desafio, agora, é o custo das novas drogas que estão garantindo a vida dos pacientes por tempo indeterminado. Na quinta-feira, ele lembrava que em 2004 o Brasil tinha se preparado para ser o primeiro país a quebrar a patente de um medicamento. Produzir o remédio como genérico seria a único caminho para garantir a viabilidade econômica do programa brasileiro. O Brasil não será mais o primeiro. Na mesma quinta-feira, a Tailândia anunciou a quebra de patentes do efavirenz, do laboratório Merck, uma das drogas mais caras do coquetel anti-aids. Na sexta-feira, o Dia Mundial de Combate à Aids foi lembrado em vários países com manifestações cobrando o acesso aos tratamentos. No Brasil, números oficiais indicam que 433.067 casos de Aids foram diagnosticados desde 1983. Dez anos atrás, em 1996, eram 24.726. Em uma década, os casos da doença cresceram 16 vezes. A taxa de mortalidade pela Aids, por 100 mil habitantes, no entanto, caiu de 9,6 para 6. O recuo no número de mortes foi resultado da entrada da terapia tríplice na rede pública, justamente o coquetel que hoje sobrecarrega o programa brasileiro. A descoberta do inibidor de protease, uma nova classe de medicamentos, levou milhares de pacientes que aguardavam a morte a se preparar para continuar vivendo. Uma multidão, muitos até então “escondidos” dos serviços de saúde, passou a procurar pelos medicamentos. Em 13 de novembro de 1996 foi sancionada a Lei Sarney, uma forma de garantir a todo doente de Aids e portador do HIV, com sintomas ou não, o direito aos medicamentos disponíveis e necessários para o tratamento. Dez anos depois, embora o custo-benefício do coquetel seja altamente positivo, o País volta a se defrontar com ameaças na continuidade do programa. Só em medicamentos antiretrovirais - aqueles destinados a combater o HIV-, o País está gastando neste ano cerca de R$ 1 bilhão, quando eram R$ 346 milhões em 1998. Com a chegada de novas drogas protegidas por patentes, a conta pode chegar a R$ 1,5 bilhão em alguns anos. Nessa composição de custos, os medicamentos importados significam hoje 80%. A quebra de patentes, ou o licenciamento compulsório para a produção do genérico no Brasil, volta a ser vista como a principal saída. Já em 2004, o Brasil tinha se preparado para quebrar a patente de dois dos três mais caros medicamentos, o efavirenz e o nelfinavir. “O Brasil sairia na frente”, diz Paulo Roberto Teixeira, que coordenou o primeiro programa de Aids no Brasil, em 1983, já dirigiu o programa nacional e hoje assessora o governo e instituições internacionais. A Tailândia, que tem cerca de 600 mil infectados e 84 mil em tratamento, saiu na frente. “Para o Brasil, faltou decisão política”, diz Teixeira. “Depois houve um recuo, está havendo uma hesitação.” Na sua opinião, o programa brasileiro “ainda não está ameaçado, mas o País terá de conseguir reduções importantes nas negociações de preço”. Não só pela limitação de recursos, mas por uma questão de justiça face a outras doenças. Já se pergunta por que a Aids recebe tanto, quando outros doentes não conseguem medicamentos básicos. Para Paulo Teixeira, o Brasil deveria estar pronto para produzir todas as drogas protegidas pelas patentes. “Ao estudar o processo de produção, o país conhece a real composição de preços do medicamento, ganha forças na negociação e, em caso de impasse, estará pronto pra quebrar a patente.” No seu entender, o “licenciamento compulsório é uma necessidade”. “Um dia o medicamento terá que deixar de ser considerado um bem de consumo supérfluo sujeito às regras de mercado.” Nesse contexto, Teixeira acredita que o jogo só será equilibrado com a entrada da China como produtora de matéria-prima e como força política. “A China tem mais condições que o Brasil para peitar os EUA.” Na sua trajetória, Paulo Teixeira, 58 anos, médico dermatologista e sanitarista, acompanha o programa de Aids desde 1983, cinco anos antes da chegada do AZT, a primeira droga anti-retroviral. “Foram anos dramáticos, às vezes sem esperança”, ele diz. “Vivíamos em plantão permanente, abrigando em casa doentes conhecidos, procurando leitos, convencendo o serviço funerário a transportar os mortos.” Com o AZT e um melhor tratamento das doenças oportunistas, Herbert Daniel, fundador do Grupo Pela Vidda, lançou o desafio de “viver com Aids”. “Até então, os doentes estavam apenas aguardando a morte. Depois passaram a ser pessoas vivendo com Aids.” Ao AZT seguiram o ddI, o 3Tc, os chamados inibidores da transcriptase reversa. Em 1995, chegaram os inibidores da protease. São classes de drogas que atuam em diferentes etapas do processo de multiplicação do vírus. Com as combinações e os novos remédios, os pacientes que antes tomavam até 20 comprimidos em cinco vezes ao dia passaram a se tratar com 6 a 8 comprimidos, em duas tomadas diárias. Entre os medicamentos aguardados estão os inibidores de fusão, que dificultam a incorporação do vírus no genoma do paciente, impedindo que se multiplique posteriormente. Em 2003 e 2004, Teixeira dirigiu o programa mundial para a Aids da Organização Mundial da Saúde, OMS, quando se criou o programa “3 em 5”. A proposta era oferecer tratamento a 3 milhões de doentes até 2005. “Estamos próximos a esse número, porém o mais importante foi a mudança de paradigma; o mundo passou a acreditar que o tratamento era o caminho, como vem fazendo o Brasil.” Hoje, Teixeira é consultor para a OMS, a Unaids e os programas estadual e nacional de Aids. Abaixo, trechos de sua entrevista. REGRAS DE MERCADO “O medicamento precisa deixar de ser considerado um bem de consumo supérfluo. Terá de haver um consenso internacional, porque uma das soluções para a manutenção dos programas contra a Aids, a mais importante talvez, é a redução do lucro. A indústria farmacêutica é o investimento mais lucrativo do mundo. Então, se não se mudar esse paradigma, e isso é uma mudança de caráter político, as dificuldades serão cada vez maiores. Não acredito que reduzir preços ou quebrar patentes leve os laboratórios a reduzir suas pesquisas. Estamos convencidos de que eles têm lucros excessivos, e continuariam ganhando mesmo reduzindo substancialmente os preços. No mundo, em média, os laboratórios gastam 30% do custo do medicamento em marketing, muitas vezes um marketing pouco ético. Para negociar, o País precisa ter cartas na mão e isso não está acontecendo. O Brasil não tem capacidade de produzir matéria-prima, mas temos condições tecnológicas de pegar a matéria-prima e fazer virar um comprimido. Aprender a fazer isso é possível. Existem até acordos internacionais prevendo que qualquer medicamento, quando pede a aprovação do FDA, tem que oferecer uma série de informações, que passam a ser públicas. A lei também permite que instituições comprem uma quantidade limitada dessa droga para pesquisa. Então, qualquer país tem o direito de comprar matéria-prima e aprender o processo de produção. Estudando o processo, o país se prepara para negociar, porque vai conhecer melhor a real composição de preços e, numa instância de enfrentamento, vir a adotar a licença compulsória. No momento, a Índia é a grande produtora de matéria-prima, mas eu tenho uma grande confiança na participação da China, pelo seu poder político e possibilidade de negociação. Se a China começar a produzir esse ou aquele medicamento, por interesse econômico ou de saúde pública, vai ser muito mais difícil para a Comunidade Européia ou para os Estados Unidos peitar a China do que peitar o Brasil ou peitar a Índia. A China pode desequilibrar esse mercado. MAIS OUSADIA “Não acho que o Brasil esteja perdendo a liderança que ocupa no mundo nas questões relacionadas à Aids. Mas está na hora de dar um passo sério no que se refere principalmente a medicamentos. Além de garantir a capacidade de produção, é lançar mão da importação paralela, prática que permite a um país comprar de outro que esteja recebendo o medicamento a um preço menor. As negociações que vinham sendo bem conduzidas até 2003 retrocederam. Essa questão deve ser uma questão de governo, o Ministério da Saúde sozinho não vai conseguir dar esse salto. O recado é esse, que o próximo mandato não apenas mantenha o programa, mas que faça avanços, que tenha ousadia para pensar a longo prazo. O que vejo hoje no Brasil é uma certa hesitação, mas não sou pessimista, principalmente porque tenho a convicção de que a sociedade não vai permitir um recuo. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que a Aids continua sendo um grande desafio e qualquer desatenção, em qualquer das frentes, significará uma perda, um recuo. Então vale um apelo ao novo governo: é preciso dar um passo à frente. AS MORTES VÃO CONTINUAR “Acredito que drogas mais eficazes continuarão surgindo, e surgirão novas resistências. Mas, mesmo que se encontre uma cura, não significa que todas as pessoas vão usufruir, porque dependerá do acesso aos serviços, da informação. Então, as pessoas continuarão morrendo de Aids. Hoje, a doença mata 30 pessoas por dia no País. Estima-se que existam no Brasil 600 mil pessoas vivendo com HIV ou Aids. O ideal seria que todas estivessem sendo seguidas no sistema de saúde, mas esse número não chega à metade. É provável que muitas não saibam que estão infectadas, outras sabem, mas não querem ou não têm oportunidade de freqüentar os serviços. Daí a importância de se fazer o teste, porque o tratamento adequado pode manter a carga viral a níveis muito baixos, e essas pessoas poderão viver sem nunca manifestar a doença. Mas, pelos nossos estudos, 70 milhões de brasileiros adultos nunca fizeram o teste. E novas pessoas continuarão se infectando, porque o HIV está associado a comportamentos, a questões individuais, como a prática do sexo. Estão se infectando também por desinformação. A cada dia novas pessoas, de uma nova geração, estão iniciando sua vida sexual. E a questão sexual não é tratada como educação, como algo que se deve aprender. Há também questões afetivas, pessoas que iniciam um relacionamento usando preservativo, mas em nome da proximidade, do amor, acabam deixando de lado. Há a relação de gênero, meninas mais jovens que tendem a namorar rapazes mais velhos, onde a capacidade de negociar o uso do preservativo ainda é muito pequeno. Então, eu não acredito que se consiga eliminar a epidemia, ou que se consiga trazer a epidemia a patamares irrelevantes. A menos que se descubra uma vacina eficaz, e, pelos estudos que acompanho, isso não deve acontecer em uma década. O PRIMEIRO PROGRAMA “De todo modo, o cenário hoje é muito diferente daquele vivido nos primeiros 12 ou 13 anos da epidemia. O Programa de Aids do Estado de São Paulo nasceu com a democratização, em setembro de 1983, com o primeiro governo eleito depois do regime militar. O então governador Franco Montoro convidou João Yunes como seu secretário de Saúde, e Yunes era uma liderança tradicional do movimento sanitarista. Quando lançamos o programa, só quatro casos eram conhecidos oficialmente. A doença tinha sido descrita em 1981, e se sabia muito pouco para se organizar um programa. Mas já se sabia de sua alta letalidade, que a relação sexual era um meio de transmissão e que a doença estava sendo mais presente entre homossexuais. Um grupo deles procurou o secretário ainda em junho de 1983 e em setembro o programa foi lançado. A informação era um desafio. Naquela época, a primeira marca foi de transmissão sexual, mas não se podia dizer ‘use o preservativo’. O sangue vai aparecer já em seguida, entre usuários de drogas e na transfusão de sangue. DISQUE-AIDS O movimento sanitário, que desde a década de 1950 vinha tendo atuação importante, e que chegava ao poder em 1983, tornava prioritárias as propostas que até então não tinham sido adotadas. Por exemplo, a responsabilidade do Estado, a atenção básica, a vigilância epidemiológica, a participação comunitária. Todas essas práticas reivindicadas desde a década 50 vão desembocar depois na Constituição que, por sua vez, organiza o Sistema Único de Saúde, o SUS, certamente um dos mais importantes sistemas de caráter universal do mundo. A inquietação era tanta que se criou o disque-aids, possivelmente no mundo. Foi uma sugestão dos grupos homossexuais e significava o início da parceria com as ONGs, dentro do princípio da democratização, de envolver comunidade. O disque-aids chegou a ficar congestionado, em 1988 atendia 24 horas. Ele foi um canal novo para grupos marginalizados. Os travestis, por exemplo, não tinham nenhum canal de contato com o Estado, a não ser com a polícia. Antes da chegada do AZT, em 1989, só se podia garantir o tratamento de doenças oportunistas, aquelas decorrentes da infecção pelo HIV, melhorando a qualidade de vida, depois o ddI, o 3TC. A sobrevida não passava de seis meses. Não havia testes, o diagnóstico era clínico. Até a chegada do coquetel, em 1995-1996, a sobrevida média não chegava a um ano. Foram anos dramáticos, sofridos. Faltavam leitos, profissionais, medicamentos, recursos. Eu perdi muitos amigos. A chegada do inibidor de protease, e com ele a terapia tripla, provocou uma mudança radical. As pessoas que não acreditavam mais começaram a reprogramar suas vidas. Aquelas que tinham se organizado para morrer tinham agora de aprender a viver.”  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=6576 Consultado em 08/03/2007

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