dezembro 2006

Pfizer cancela teste de droga para colesterol

2017-01-10T17:18:21-03:00dezembro 5, 2006|Categories: Acervo|

O mais promissor dos medicamentos experimentais do laboratório farmacêutico Pfizer, cujo objetivo era tratar doenças cardíacas, na verdade aumenta o número de mortes e causa mais problemas de coração. Até agora, 82 usuários do remédio participantes de um teste clínico do produto morreram, ante 51 pessoas no grupo de controle, que não usaram o remédio. Além das mortes, também foram constatadas discrepâncias semelhantes no número de pacientes sofrendo falhas cardíacas e outros problemas. No sábado, a Pfizer, maior empresa farmacêutica do mundo, instruiu às mais de cem instituições envolvidas no teste que suspendessem a administração aos pacientes do medicamento, conhecido como torcetrapib. A empresa cancelou o desenvolvimento do produto, o que lhe renderá um prejuízo de quase US$ 1 bilhão. Não havia braços de estudo no Brasil. Segundo a Pfizer, a resolução foi tomada após recomendação de um comitê independente que avalia todos os dados do teste, que comparava dois grupos de pacientes: os que usavam só Lípitor (remédio que combate o mau colesterol) e os que usavam Lípitor com torcetrapib, que estimula a produção do colesterol "bom". Anos 90 O torcetrapib estava sendo desenvolvido desde o começo dos anos 90. Ainda na quinta passada, a empresa disse que o produto poderia ser um dos mais importantes novos desdobramentos no combate aos problemas cardíacos em décadas, e que a Pfizer esperava obter aprovação da agência reguladora norte-americana para comercializá-lo em 2007. Para os pacientes com problemas cardíacos, o fracasso do torcetrapib significa que os progressos no combate a esse tipo de doença podem estar se desacelerando, após duas décadas de grandes avanços. Já há remédios em uso generalizado para reduzir a pressão sangüínea e o mau colesterol, mas as doenças cardíacas continuam a ser a principal causa de morte nos EUA -911 mil fatalidades em 2003, segundo a Associação Cardíaca Norte-Americana. Como as mortes ligadas ao uso do torcetrapib ocorreram durante testes, a Pfizer não terá de enfrentar processos judiciais. Os pacientes envolvidos assinam termos de responsabilidade nos quais confirmam que compreendem os riscos a que estão sujeitos. Os cientistas consideravam o torcetrapib como vanguarda de uma nova onda de medicamentos que ofereceria novas maneiras de reduzir as doenças cardíacas por meio do estímulo à produção do bom colesterol. As ações da Pfizer, negociadas na Bolsa de Nova York, caíram 10,6% após a empresa anunciar que havia desistido de desenvolver o medicamento. Agora, a Pfizer e cardiologistas independentes precisam determinar se o fracasso do torcetrapib indica que todos os medicamentos que pretendem elevar o nível de bom colesterol causam problemas parecidos.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6651 Consultado em 22/02/2007

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Diabetes acirra disputa entre laboratórios

2017-01-10T17:18:22-03:00dezembro 4, 2006|Categories: Acervo|

Os laboratórios que produzem medicamentos e produtos para o tratamento de diabetes preparam-se para intensificar a disputa por esse mercado, que movimentou R$ 378 milhões de janeiro a outubro deste ano, segundo o IMS Health. Atraídas por um crescimento de 19% no período, bem superior aos cerca de 5% de expansão registrados pelo setor no mesmo período do ano anterior, Novo Nordisk, Eli Lilly, Merck Sharp & Dohme (MSD) e Novartis já têm no pipeline uma grande variedade de lançamentos de novas versões de insulinas e de medicamentos antidiabetes. “Apenas em 2007, a expansão desse segmento deverá ser de 30%, como conseqüência da chegada de novos produtos”, diz o gerente geral da Novo Nordisk na América Latina e no Brasil, Sérgio Noschang. Para adequar-se a esse cenário, a empresa, que é líder no mercado total (incluindo insulinas) de itens para o tratamento de diabetes, promete novidades para 2007, incluindo o lançamento de dois medicamentos. “Além disso, faremos uma fábrica para a produção de sistemas descartáveis de aplicação (ver box ao lado)”, revela Noschang. A empresa também estuda o lançamento de uma insulina aerosol líquida, que deve chegar ao mercado em 2008. O principal foco da empresa é o segmento de insulina, o qual terá incremento com a abertura de uma nova fábrica da empresa no Brasil. As operações da Nordisk na América Latina respondem por cerca de 5% do faturamento global do grupo dinamarquês, estimado em US$ 4 bilhões. A Merck Sharp & Dohme também se mostra otimista com o mercado interno. Tanto que lançará no primeiro trimestre de 2007 o Januvia, voltado para o controle de diabetes tipo 2 e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na semana passada. “Hoje, no Brasil, temos cerca de 11 milhões de pessoas portadoras de diabetes, mas apenas uma parte desse total tem acesso ao tratamento da doença”, destaca o diretor de assuntos corporativos da MSD, João Sanches. Além desse medicamento, a companhia prevê lançar, no segundo semestre, um produto associado entre o Januvia e a metmorfina, utilizado na redução da produção de açúcar pelo fígado. “Esperamos deter 10% do mercado privado de drogas para uso crônico de diabetes tipo 2 até 2011”, revela Sanches. Atualmente, a empresa ainda não atua nesse segmento no País. Caso se confirme a previsão do executivo, as vendas de Januvia responderão em 2007 por 5% da receita da MSD, totalizada em R$ 560 milhões ao final de 2005. Inovação Além de significarem um maior leque de opções de tratamento, os novos medicamentos que chegarão ao mercado sinalizam que, aos poucos, o Brasil tem adotado tecnologias cada vez mais modernas, em linha com o que há de mais avançado no tratamento da doença na Europa e nos Estados Unidos. “Fazemos parte de um grande movimento da indústria farmacêutica para atender a um número cada vez maior de diabéticos”, destaca o diretor médico da Eli Lilly, Maurício Lima. A empresa também terá novidades em 2007, com o lançamento do Byetta, que chega ao mercado no segundo trimestre. O composto sintético é eficiente no controle dos níveis de glicemia no sangue e proporciona progressiva redução no peso dos pacientes ao longo de dois anos. Com o Byetta, a Eli Lilly pretende elevar dos atuais 7% para 10% em 2007 a participação do segmento anti-diabetes na receita da empresa, que foi de R$ 412 milhões em 2005. Além desse composto, o laboratório prepara para o final do ano que vem o lançamento de uma caneta para a injeção de insulina. “O pedido desse produto foi enviado à Anvisa na última quinta-feira e esperamos tê-lo no mercado até o final de 2007”, afirma o diretor de assuntos corporativos da Eli Lilly, Allan Finkel. A idéia da empresa é retomar uma posição de destaque no mercado de tratamento de diabetes. Um passo importante para isso foi a vitória na concorrência aberta pelo Ministério da Saúde e finalizada em setembro passado. Ao todo, a Eli Lilly comercializará aproximadamente 9 milhões de frascos de insulina NPH (versão básica de insulina), em um negócio de cerca de R$ 80 milhões. O laboratório registrou expansão de 10% nas vendas de insulinas de janeiro a outubro deste ano, segundo o IMS Health, que audita o setor. Em 2007, o mercado de insulinas deve crescer cerca de 14%, prevê Finkel. A Novartis, com o lançamento do Galvus previsto para o primeiro semestre de 2007, também aposta no crescimento do segmento de medicamentos para diabéticos. Este ano, a empresa responde por 3,7% desse mercado com os produtos Starlix e o Staform, percentual que deve dobrar em 2007 com o lançamento do Galvus, destaca o gerente de produto da Novartis, Francisco Sacramento. A Pfizer também trará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2007 a Exubera, primeira insulina humana inalável do País. Farmácia popular Outro item considerado fundamental para o crescimento desse mercado é a maior atenção do governo com a doença. Prova disso é que medicamentos para tratar diabetes fazem parte do Programa Farmácia Popular. “É provável que cada vez mais as pessoas terão acesso ao tratamento e cada vez mais o governo precisará gastar com o sistema de saúde”, ressalta o diretor médico da Eli Lilly. Mas Noschang, da Novo Nordisk, ressalta que o setor ainda precisará aguardar 2007 para saber os reais benefícios do programa governamental nas vendas dos laboratórios e no acesso da população aos medicamentos. Nordisk abrirá nova unidade em Minas Gerais As projeções positivas para o mercado brasileiro de medicamentos estimularam a direção global da Novo Nordisk a investir no País. A empresa pretende construir até o final de 2007 uma fábrica para a produção de sistemas descartáveis de aplicação de insulina, que ficará localizada na cidade de Montes Claros (MG). A unidade, cujos investimentos totalizarão US$ 50 milhões, deverá entrar em operação no ano seguinte e terá como prioridade atender ao mercado externo. O mesmo acontecerá com a planta que produzirá refil de insulina atualmente em construção na mesma cidade. A fábrica, orçada em US$ 230 milhões, será inaugurada em abril de 2007 e também concentrará sua produção para o exterior. “Em ambos os casos, as unidades também estarão prontas para atender a demanda do mercado interno assim que o Brasil avançar no uso desses produtos”, afirma o diretor-geral da Novo Nordisk na América Latina e no Brasil, Sérgio Noschang. A entrada em operação das unidades irá alterar o cenário dos negócios da Nordisk. Atualmente 95% das vendas são direcionadas para o Brasil, percentual que cairá para 20% com o aumento da produção.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6650 Consultado em 22/02/2007

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Aids, a era pós-coquetel

2016-02-02T20:45:54-03:00dezembro 3, 2006|Categories: Acervo|

Uma década depois da terapia tríplice, o País tem o desafio de consolidar seus avanços O médico Paulo Roberto Teixeira começou a dirigir programas de Aids num período em que os pacientes morriam em seis meses. O desafio, agora, é o custo das novas drogas que estão garantindo a vida dos pacientes por tempo indeterminado. Na quinta-feira, ele lembrava que em 2004 o Brasil tinha se preparado para ser o primeiro país a quebrar a patente de um medicamento. Produzir o remédio como genérico seria a único caminho para garantir a viabilidade econômica do programa brasileiro. O Brasil não será mais o primeiro. Na mesma quinta-feira, a Tailândia anunciou a quebra de patentes do efavirenz, do laboratório Merck, uma das drogas mais caras do coquetel anti-aids. Na sexta-feira, o Dia Mundial de Combate à Aids foi lembrado em vários países com manifestações cobrando o acesso aos tratamentos. No Brasil, números oficiais indicam que 433.067 casos de Aids foram diagnosticados desde 1983. Dez anos atrás, em 1996, eram 24.726. Em uma década, os casos da doença cresceram 16 vezes. A taxa de mortalidade pela Aids, por 100 mil habitantes, no entanto, caiu de 9,6 para 6. O recuo no número de mortes foi resultado da entrada da terapia tríplice na rede pública, justamente o coquetel que hoje sobrecarrega o programa brasileiro. A descoberta do inibidor de protease, uma nova classe de medicamentos, levou milhares de pacientes que aguardavam a morte a se preparar para continuar vivendo. Uma multidão, muitos até então “escondidos” dos serviços de saúde, passou a procurar pelos medicamentos. Em 13 de novembro de 1996 foi sancionada a Lei Sarney, uma forma de garantir a todo doente de Aids e portador do HIV, com sintomas ou não, o direito aos medicamentos disponíveis e necessários para o tratamento. Dez anos depois, embora o custo-benefício do coquetel seja altamente positivo, o País volta a se defrontar com ameaças na continuidade do programa. Só em medicamentos antiretrovirais - aqueles destinados a combater o HIV-, o País está gastando neste ano cerca de R$ 1 bilhão, quando eram R$ 346 milhões em 1998. Com a chegada de novas drogas protegidas por patentes, a conta pode chegar a R$ 1,5 bilhão em alguns anos. Nessa composição de custos, os medicamentos importados significam hoje 80%. A quebra de patentes, ou o licenciamento compulsório para a produção do genérico no Brasil, volta a ser vista como a principal saída. Já em 2004, o Brasil tinha se preparado para quebrar a patente de dois dos três mais caros medicamentos, o efavirenz e o nelfinavir. “O Brasil sairia na frente”, diz Paulo Roberto Teixeira, que coordenou o primeiro programa de Aids no Brasil, em 1983, já dirigiu o programa nacional e hoje assessora o governo e instituições internacionais. A Tailândia, que tem cerca de 600 mil infectados e 84 mil em tratamento, saiu na frente. “Para o Brasil, faltou decisão política”, diz Teixeira. “Depois houve um recuo, está havendo uma hesitação.” Na sua opinião, o programa brasileiro “ainda não está ameaçado, mas o País terá de conseguir reduções importantes nas negociações de preço”. Não só pela limitação de recursos, mas por uma questão de justiça face a outras doenças. Já se pergunta por que a Aids recebe tanto, quando outros doentes não conseguem medicamentos básicos. Para Paulo Teixeira, o Brasil deveria estar pronto para produzir todas as drogas protegidas pelas patentes. “Ao estudar o processo de produção, o país conhece a real composição de preços do medicamento, ganha forças na negociação e, em caso de impasse, estará pronto pra quebrar a patente.” No seu entender, o “licenciamento compulsório é uma necessidade”. “Um dia o medicamento terá que deixar de ser considerado um bem de consumo supérfluo sujeito às regras de mercado.” Nesse contexto, Teixeira acredita que o jogo só será equilibrado com a entrada da China como produtora de matéria-prima e como força política. “A China tem mais condições que o Brasil para peitar os EUA.” Na sua trajetória, Paulo Teixeira, 58 anos, médico dermatologista e sanitarista, acompanha o programa de Aids desde 1983, cinco anos antes da chegada do AZT, a primeira droga anti-retroviral. “Foram anos dramáticos, às vezes sem esperança”, ele diz. “Vivíamos em plantão permanente, abrigando em casa doentes conhecidos, procurando leitos, convencendo o serviço funerário a transportar os mortos.” Com o AZT e um melhor tratamento das doenças oportunistas, Herbert Daniel, fundador do Grupo Pela Vidda, lançou o desafio de “viver com Aids”. “Até então, os doentes estavam apenas aguardando a morte. Depois passaram a ser pessoas vivendo com Aids.” Ao AZT seguiram o ddI, o 3Tc, os chamados inibidores da transcriptase reversa. Em 1995, chegaram os inibidores da protease. São classes de drogas que atuam em diferentes etapas do processo de multiplicação do vírus. Com as combinações e os novos remédios, os pacientes que antes tomavam até 20 comprimidos em cinco vezes ao dia passaram a se tratar com 6 a 8 comprimidos, em duas tomadas diárias. Entre os medicamentos aguardados estão os inibidores de fusão, que dificultam a incorporação do vírus no genoma do paciente, impedindo que se multiplique posteriormente. Em 2003 e 2004, Teixeira dirigiu o programa mundial para a Aids da Organização Mundial da Saúde, OMS, quando se criou o programa “3 em 5”. A proposta era oferecer tratamento a 3 milhões de doentes até 2005. “Estamos próximos a esse número, porém o mais importante foi a mudança de paradigma; o mundo passou a acreditar que o tratamento era o caminho, como vem fazendo o Brasil.” Hoje, Teixeira é consultor para a OMS, a Unaids e os programas estadual e nacional de Aids. Abaixo, trechos de sua entrevista. REGRAS DE MERCADO “O medicamento precisa deixar de ser considerado um bem de consumo supérfluo. Terá de haver um consenso internacional, porque uma das soluções para a manutenção dos programas contra a Aids, a mais importante talvez, é a redução do lucro. A indústria farmacêutica é o investimento mais lucrativo do mundo. Então, se não se mudar esse paradigma, e isso é uma mudança de caráter político, as dificuldades serão cada vez maiores. Não acredito que reduzir preços ou quebrar patentes leve os laboratórios a reduzir suas pesquisas. Estamos convencidos de que eles têm lucros excessivos, e continuariam ganhando mesmo reduzindo substancialmente os preços. No mundo, em média, os laboratórios gastam 30% do custo do medicamento em marketing, muitas vezes um marketing pouco ético. Para negociar, o País precisa ter cartas na mão e isso não está acontecendo. O Brasil não tem capacidade de produzir matéria-prima, mas temos condições tecnológicas de pegar a matéria-prima e fazer virar um comprimido. Aprender a fazer isso é possível. Existem até acordos internacionais prevendo que qualquer medicamento, quando pede a aprovação do FDA, tem que oferecer uma série de informações, que passam a ser públicas. A lei também permite que instituições comprem uma quantidade limitada dessa droga para pesquisa. Então, qualquer país tem o direito de comprar matéria-prima e aprender o processo de produção. Estudando o processo, o país se prepara para negociar, porque vai conhecer melhor a real composição de preços e, numa instância de enfrentamento, vir a adotar a licença compulsória. No momento, a Índia é a grande produtora de matéria-prima, mas eu tenho uma grande confiança na participação da China, pelo seu poder político e possibilidade de negociação. Se a China começar a produzir esse ou aquele medicamento, por interesse econômico ou de saúde pública, vai ser muito mais difícil para a Comunidade Européia ou para os Estados Unidos peitar a China do que peitar o Brasil ou peitar a Índia. A China pode desequilibrar esse mercado. MAIS OUSADIA “Não acho que o Brasil esteja perdendo a liderança que ocupa no mundo nas questões relacionadas à Aids. Mas está na hora de dar um passo sério no que se refere principalmente a medicamentos. Além de garantir a capacidade de produção, é lançar mão da importação paralela, prática que permite a um país comprar de outro que esteja recebendo o medicamento a um preço menor. As negociações que vinham sendo bem conduzidas até 2003 retrocederam. Essa questão deve ser uma questão de governo, o Ministério da Saúde sozinho não vai conseguir dar esse salto. O recado é esse, que o próximo mandato não apenas mantenha o programa, mas que faça avanços, que tenha ousadia para pensar a longo prazo. O que vejo hoje no Brasil é uma certa hesitação, mas não sou pessimista, principalmente porque tenho a convicção de que a sociedade não vai permitir um recuo. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que a Aids continua sendo um grande desafio e qualquer desatenção, em qualquer das frentes, significará uma perda, um recuo. Então vale um apelo ao novo governo: é preciso dar um passo à frente. AS MORTES VÃO CONTINUAR “Acredito que drogas mais eficazes continuarão surgindo, e surgirão novas resistências. Mas, mesmo que se encontre uma cura, não significa que todas as pessoas vão usufruir, porque dependerá do acesso aos serviços, da informação. Então, as pessoas continuarão morrendo de Aids. Hoje, a doença mata 30 pessoas por dia no País. Estima-se que existam no Brasil 600 mil pessoas vivendo com HIV ou Aids. O ideal seria que todas estivessem sendo seguidas no sistema de saúde, mas esse número não chega à metade. É provável que muitas não saibam que estão infectadas, outras sabem, mas não querem ou não têm oportunidade de freqüentar os serviços. Daí a importância de se fazer o teste, porque o tratamento adequado pode manter a carga viral a níveis muito baixos, e essas pessoas poderão viver sem nunca manifestar a doença. Mas, pelos nossos estudos, 70 milhões de brasileiros adultos nunca fizeram o teste. E novas pessoas continuarão se infectando, porque o HIV está associado a comportamentos, a questões individuais, como a prática do sexo. Estão se infectando também por desinformação. A cada dia novas pessoas, de uma nova geração, estão iniciando sua vida sexual. E a questão sexual não é tratada como educação, como algo que se deve aprender. Há também questões afetivas, pessoas que iniciam um relacionamento usando preservativo, mas em nome da proximidade, do amor, acabam deixando de lado. Há a relação de gênero, meninas mais jovens que tendem a namorar rapazes mais velhos, onde a capacidade de negociar o uso do preservativo ainda é muito pequeno. Então, eu não acredito que se consiga eliminar a epidemia, ou que se consiga trazer a epidemia a patamares irrelevantes. A menos que se descubra uma vacina eficaz, e, pelos estudos que acompanho, isso não deve acontecer em uma década. O PRIMEIRO PROGRAMA “De todo modo, o cenário hoje é muito diferente daquele vivido nos primeiros 12 ou 13 anos da epidemia. O Programa de Aids do Estado de São Paulo nasceu com a democratização, em setembro de 1983, com o primeiro governo eleito depois do regime militar. O então governador Franco Montoro convidou João Yunes como seu secretário de Saúde, e Yunes era uma liderança tradicional do movimento sanitarista. Quando lançamos o programa, só quatro casos eram conhecidos oficialmente. A doença tinha sido descrita em 1981, e se sabia muito pouco para se organizar um programa. Mas já se sabia de sua alta letalidade, que a relação sexual era um meio de transmissão e que a doença estava sendo mais presente entre homossexuais. Um grupo deles procurou o secretário ainda em junho de 1983 e em setembro o programa foi lançado. A informação era um desafio. Naquela época, a primeira marca foi de transmissão sexual, mas não se podia dizer ‘use o preservativo’. O sangue vai aparecer já em seguida, entre usuários de drogas e na transfusão de sangue. DISQUE-AIDS O movimento sanitário, que desde a década de 1950 vinha tendo atuação importante, e que chegava ao poder em 1983, tornava prioritárias as propostas que até então não tinham sido adotadas. Por exemplo, a responsabilidade do Estado, a atenção básica, a vigilância epidemiológica, a participação comunitária. Todas essas práticas reivindicadas desde a década 50 vão desembocar depois na Constituição que, por sua vez, organiza o Sistema Único de Saúde, o SUS, certamente um dos mais importantes sistemas de caráter universal do mundo. A inquietação era tanta que se criou o disque-aids, possivelmente no mundo. Foi uma sugestão dos grupos homossexuais e significava o início da parceria com as ONGs, dentro do princípio da democratização, de envolver comunidade. O disque-aids chegou a ficar congestionado, em 1988 atendia 24 horas. Ele foi um canal novo para grupos marginalizados. Os travestis, por exemplo, não tinham nenhum canal de contato com o Estado, a não ser com a polícia. Antes da chegada do AZT, em 1989, só se podia garantir o tratamento de doenças oportunistas, aquelas decorrentes da infecção pelo HIV, melhorando a qualidade de vida, depois o ddI, o 3TC. A sobrevida não passava de seis meses. Não havia testes, o diagnóstico era clínico. Até a chegada do coquetel, em 1995-1996, a sobrevida média não chegava a um ano. Foram anos dramáticos, sofridos. Faltavam leitos, profissionais, medicamentos, recursos. Eu perdi muitos amigos. A chegada do inibidor de protease, e com ele a terapia tripla, provocou uma mudança radical. As pessoas que não acreditavam mais começaram a reprogramar suas vidas. Aquelas que tinham se organizado para morrer tinham agora de aprender a viver.”  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=6576 Consultado em 08/03/2007

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Dia mundial de luta contra a aids: em protesto diante do SAE Campos Elíseos, ativistas pedem quebra de patentes e audiência com o Presidente Lula

2016-02-02T20:45:54-03:00dezembro 1, 2006|Categories: Acervo|

“Tá faltando vontade política”, garante Américo Nunes, do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo. “A guerra do Iraque chegou ao Brasil com a falta de gamoglobulina [medicamento utilizado para aumentar o número de anticorpos no sangue, que está em falta por causa da grande demanda no front estadunidense]. A gente precisa sair pra rua pra garantir que os medicamentos estejam disponíveis”, afirma enfaticamente Paulo Giacomini, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP). “Temos que ter autonomia de produção”, pede Beth Franco, psicóloga e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV). “Os remédios encareceram. É difícil bancar. Essa política tá no limite”, explica o deputado federal recém-eleito Paulo Teixeira (PT-SP). Falas diferentes, de pessoas diferentes, mas todas têm algo em comum: exigem a imediata quebra de patentes. Os inflamados discursos foram feitos diante do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) Campos Elíseos no fim da manhã e início da tarde desta sexta-feira (01/12), Dia Mundial de Luta contra a Aids. No encerramento, Beth Franco (GIV) foi direta: “A gente quer um compromisso público do presidente [sobre a quebra de patentes]. Não queremos uma audiência com o ministro, queremos falar com o presidente”, pediu. O protesto, que durou cerca de duas horas, tinha três reivindições básicas (segundo nota divulgada pelo Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo): 1. Retorno imediato do SAE Campos Elíseos ao local (devidamente restaurado) da Alameda Clevelan 2. Imediata regularização do acesso aos insumos de saúde específicos: medicamentos anti-retrovirais, exames e preservativos. Além do preenchimento das vagas para profissionais de saúde 3. Regulamentação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 29, para que o orçamento da saúde seja investido somente em saúde Os três pontos foram lembrados ao longo do ato, realizado debaixo de sol e vigiado por três carros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, contudo, os ativistas também falaram a respeito da falta do medicamento gamoglobulina, das reformas previstas para o Hospital Emílio Ribas (que pode provocar “redução de leitos”, segundo Jorge Beloqui, do GIV) e também da necessidade da instalação imediata de um conselho gestor no hospital (algo previsto em lei, ainda de acordo com Beloqui). “Tem que fazer valer a nossa cidadania. São absurdas as condições desse SAE nos últimos três anos”, protesta Fátima Baião, do Conselho Estadual de Saúde. “É fundamental que nesse ano [2007] nós consigamos recuperar esse equipemanto [o SAE Campos Elíseos]”, disse o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP). Foi consenso: todos os presentes criticaram as condições do espaço, mas elogiaram o trabalho dos funcionários do local (classificados como “dedicados”). Gil Camisimiro, da Articulação com a Sociedade Civil Organizada da Secretaria Municipal de Saúde, concordou com as críticas. Ele qualificou a situação como “insustentável”. Na tarde da última quarta-feira (29/11), a Secretaria de Saúde do Município anunciou a possibilidade de convênio com o Hospital Sírio Libanês, pelo qual o hospital ficaria responsável pela restauração do local onde ficava o antigo SAE Campos Elíseos (na Alameda Cleveland, 374). Segundo a Secretaria, o valor do convênio alcançaria R$ 2 milhões. Enquanto os ativistas faziam um “apitaço” e discursavam com a ajuda de um carro de som, crianças da Escola Estadual Conselheiro Antônio Prado divertiam-se com a manifestação, gritando coisas indecifráveis do alto do muro da instituição de ensino. Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=6564 Consultado em 08/03/2007

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Pfizer prevê vendas de R$ 1,7 bilhão no Brasil

2017-01-10T17:18:22-03:00dezembro 1, 2006|Categories: Acervo|

Receita da divisão farma deve subir 8% este ano sobre os R$ 1,4 bi de 2005,e 10% em 2007. A gigante mundial do setor farmacêutico Pfizer, líder no comércio global de medicamentos, decidiu falar sobre os negócios no País, após um longo silêncio, período em que perdeu a primeira colocação e outras posições importantes no mercado brasileiro. "Não vejo a Pfizer voltando à liderança imediatamente no Brasil e isso não é relevante. Estamos crescendo, mais que a empresa no global (veja matéria abaixo), e com muitos planos", disse o diretor de marketing do Laboratórios Pfizer, Mariano Garcia-Valiño. No planejamento, estão o lançamento no País de produtos de receitas vultosas e a nacionalização de parte da produção de remédios importantes, como a da insulina inalável Exubera e do medicamento antitabagismo Champix, que devem chegar ao mercado no primeiro semestre do próximo ano. Garcia-Valiño observou que, como são produtos novos, recém-lançados nos Estados Unidos, o processo de nacionalização vai exigir investimentos, não revelados, em transferência de tecnologia, o que demandará tempo de implantação. Por isso, inicialmente, a empresa importará os medicamentos para abastecer o Brasil. Para a nacionalização de Exubera, que deverá ser transformado em comprimidos na fábrica da Pfizer em Guarulhos (SP) - ela tem também outra unidade em Jandira (SP) - ainda não há previsão de data, mas já será embalada no País desde o início das vendas, disse. A previsão de empacotar Champix aqui também é já em 2007. Esses medicamentos vão ajudar a engordar o faturamento no Brasil da divisão farma da Pfizer em 2007, cuja alta é prevista em cerca de pelo menos 10% pelo executivo, para perto de R$ 1,7 bilhão. Neste ano, prevê incremento de 8%, alcançando algo em torno de R$ 1,51 bilhão ante os R$ 1,4 bilhão faturados em 2005. "Talvez ultrapassemos a estimativa de 8%, mas este ano foi muito difícil, tivemos poucos produtos novos; 8% é um desempenho bom, se levarmos em conta ainda a concorrência forte aos principais medicamentos em vendas: Lípitor (para colesterol) e Viagra (contra a impotência sexual)", disse Garcia-Valiño, destacando que o ideal para se manter uma empresa de pesquisa e alta tecnologia como a Pfizer é crescimento de dois dígitos. A estimativa para Champix, que chegará ao mercado em maio de 2007, é de aproximadamente US$ 8 milhões em receitas no primeiro ano. Valor que Garcia-Valiño espera que seja de US$ 50 milhões por ano dentro de 5 ou 6 anos. "Vamos investir muito para isso", disse, mantendo a quantia em sigilo. O plano da Pfizer é vender Champix junto com uma campanha de suporte para os dependentes, com apoio pela internet e por telefone, e também em pacotes de tratamento em clínicas, com apoio médico-psicológico. "Não queremos ser donos de clínicas, é claro. Pensamos em criar um sistema de franquias para clínicas independentes: o Sistema Champix." O medicamento vai quase triplicar o faturamento do mercado brasileiro de produtos antitabagismo, hoje em torno de US$ 5 milhões por ano nas mãos, principalmente, do antidepressivo Ziban e do repositor de nicotina Nicorette, segundo o executivo. "Champix é o único que ataca a dependência ao tabaco agindo diretamente no cérebro onde age a nicotina. Ele tira a vontade de fumar, elimina o prazer que se tem com o cigarro. Com ele, as chances de uma pessoa parar de fumar são quatro vezes maiores." Já a insulina inalável Exubera, que chega ao Brasil em março próximo, poderá render US$ 60 milhões por ano para os cofres da Pfizer brasileira, dentro de 5 ou 6 anos. Para o primeiro ano de vendas a previsão de Garcia-Valiño é de US$ 5 milhões. "Mas se o governo cobrir o tratamento de diabetes com esse tipo de insulina, as vendas anuais podem chegar a US$ 300 milhões." A insulina inalável tem a vantagem de dispensar as injeções, o que pode atrair para o tratamento pacientes com aversão a picadas de agulhas. Para o final de 2007, estão previstos ainda os lançamentos de um antifúngico, uma versão de Viagra que dissolve na boca e uma versão sublingual do ansiolítico Frontal. "Nos últimos anos, a Pfizer tem lançado uma média de três a quatro drogas por ano, mas são produtos técnicos, para mercados pequenos, que não causam grandes impactos em vendas, o que será diferente com Exubera e Champix", disse o executivo. De impacto, e prestes a sair do forno, a multinacional tem ainda um "Lípitor melhorado", que deverá ser submetido aos órgãos reguladores norte-americanos no próximo ano e tem lançamento mundial previsto para 2008. "Os estudos mostram que ele abaixa em 50% o colesterol nocivo e aumenta em 40% o bom." Trata-se de uma união da substância ativa do Lípitor, a atorvastatina, que atua no mau colesterol (LDL), com o torcetrapib, que age no bom. "Não existe produto hoje no mercado que eleva o colesterol bom." Segundo Garcia-Valiño, a Pfizer já gastou mais de US$ 800 milhões nas pesquisas e no desenvolvimento dessa droga e já terão sido mais de US$ 1 bilhão quando ela chegar ao mercado. Se a droga vingar, será uma sobrevida para Lípitor, cuja patente vence em quatro anos e as receitas atuais são fundamentais para a Pfizer. Lípitor do jeito que está é o medicamento mais vendido da indústria farmacêutica no geral e seu faturamento gira em torno de US$ 13 bilhões por ano. No Brasil, nos últimos doze meses até setembro, faturou US$ 61,6 milhões, um crescimento de 24% ante igual intervalo anterior. Vendas que, segundo as estimativas, Champix e Exubera deverão levar cinco anos para conquistar. Lípitor detém 31% do mercado de estatinas (substância ativa de uma classe de medicamentos para o controle de colesterol) do País, que movimentou US$ 198,7 milhões nos últimos doze meses encerrados em setembro. "Mercado que poderia ser maior. Tem muita gente que não trata o problema e que não sabe que Lípitor é distribuído nos postos de saúde." Reforço em vendas A subsidiária tem como estratégia de crescimento ainda reforçar as equipes de Viagra e Lípitor. Cerca de 200 pessoas fazem parte atualmente da força de vendas de Lípitor. Número que passará a ser de aproximadamente 350. Em Viagra, são 137 pessoas trabalhando hoje e mais 50 serão contratadas. Consolidações derrubam a empresa no ranking O Laboratórios Pfizer perdeu o primeiro lugar no ranking brasileiro farmacêutico em 2004, após a fusão das indústrias francesas Sanofi-Synthélabo e Aventis Pharma. No ano passado, a situação se complicou com a aquisição da Biosintética Farmacêutica pelo Aché Laboratórios e o crescimento do Grupo EMS-Sigma Pharma, um dos líderes do segmento de genéricos. Neste ano, foi a vez de outra multinacional, a suíça Novartis, conquistar maior participação no Brasil, o que empurrou a Pfizer para a quinta colocação. Além das consolidações e da concorrência a produtos como Viagra e Lípitor, o diretor de marketing da subsidiária, Mariano Garcia-Valiño, atribui a queda no ranking ao crescimento das empresas de genéricos, como foi o caso da EMS; do próprio incremento desse segmento, que concorre cada vez mais acirradamente com o de medicamentos de referência; e também a maneira como o mercado é medido e o ranking elaborado. "Os dados do IMS Health (que audita as vendas do setor) não refletem toda a realidade. Tudo o que se vende para o governo, por exemplo, não aparece." O IMS verifica as vendas das indústrias para os distribuidores e, segundo essa análise, a Pfizer faturou no ano passado R$ 931,2 milhões no Brasil, uma queda ante os R$ 984,9 milhões apurados em 2004. Entretanto, foram R$ 1,78 bilhão, 11,25% mais que o R$ 1,6 bilhão do ano anterior. Do total do faturamento de 2005, R$ 1,4 bilhão vieram da divisão farma (cerca de 90% de participação), R$ 220 milhões foram provenientes da área de saúde animal e R$ 160 milhões obtidos com as vendas de produtos de consumo. Esta última divisão, que respondeu por 9% do faturamento de 2005, foi vendida este ano pela multinacional, por US$ 16,6 bilhões, à Johnson & Johnson, dentro do seu programa de reestruturação global, que envolve corte de custos e investimento em áreas foco. "Essa venda não impacta muito os negócios no Brasil." A divisão de consumo agrega produtos como o anti-séptico bucal Listerine e Nicorette, de reposição de nicotina. Alguns dos produtos continuam sendo fabricados nas unidades brasileiras e a subsidiária ainda não sabe como será a transição para a Johnson. "Por enquanto, tudo continua normal."  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6647 Consultado em 23/02/2007

Comentários desativados em Pfizer prevê vendas de R$ 1,7 bilhão no Brasil

Setor busca sinergia para perda de patentes

2016-02-02T20:45:54-03:00dezembro 1, 2006|Categories: Acervo|

Em 2005, o lucro líquido global da Pfizer atingiu US$ 8,08 bilhões e a receita US$ 51,29 bilhões, a mesma prevista para este ano. A cifra bilionária, no entanto, não agradou aos acionistas da maior farmacêutica do mundo, já que o lucro foi bastante inferior ante os US$ 11,36 bilhões de 2004. A queda nos resultados foi apurada também no primeiro semestre de 2006 e uma recuperação começou a ser vista apenas no terceiro trimestre, fruto da reestruturação anunciada em fevereiro, que prevê corte de custos de US$ 4 bilhões até 2008, o que inclui redução de fábricas e postos de trabalho. O objetivo é concentrar esforços na pesquisa de medicamentos, pois até 2010 a Pfizer perderá a proteção de patentes de remédios que representam hoje cerca de US$ 14 bilhões em vendas, segundo levantamento de Bruno Iared, analista da Frost & Sullivan, especializada em consultoria e inteligência de mercado. No total, o analista estima em cerca de US$ 100 bilhões as vendas de medicamentos que devem ter suas patentes expiradas até 2010, e que poderão virar genéricos por isso, afetando um bom número de indústrias. Somente no Brasil, conforme o IMS Health, o mercado de patentes a vencer nos próximos cinco anos é de US$ 330 milhões. As vendas mundiais de medicamentos, contudo, continuarão crescendo, em torno de 8% por ano, e chegarão a US$ 900 bilhões em 2010, disse Iared. Hoje, a maior velocidade no vencimento de patentes em relação a de lançamento de remédios, especialmente os que são bons em vendas, é o que mais tem prejudicado os grandes laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. O diretor de marketing da subsidiária brasileira da Pfizer, Mariano Garcia-Valiño, disse que isso tem afetado o crescimento global da companhia e estima que até 2008 serão mais patentes vencidas que drogas novas no mercado. Somente nos próximos dois anos, analistas prevêem que a empresa perderá a proteção de patentes de medicamentos que hoje vendem US$ 9,3 bilhões. O presidente-executivo da Interfarma - Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, Gabriel Tannus, observou que este é o motivo que tem levado às empresas a fusões, aquisições e parcerias nos últimos anos. "As indústrias buscam hoje ganhar sinergias em pesquisa e desenvolvimento, enquanto as fusões na década de 1970 eram para conquistar participação de mercado." Garcia-Valiño ressaltou também que os lançamentos atualmente são muito específicos, para nichos de vendas menores, já que os grandes mercados estão bastante cobertos. Para o analista Iared, este talvez seja o principal problema das indústrias. "Há muitas novas drogas, e de alto valor agregado, mas de baixos volumes. A medicina diagnóstica avançou muito. Por isso, as empresas estão escolhendo segmentos e direcionando as pesquisas para áreas específicas, acompanhando a tendência da demanda e a fim de aumentar a produtividade em P&D, que estava muito baixa." É cada vez mais difícil a descoberta de um medicamento "arrasa quarteirão", como um Viagra ou Lípitor, produtos que revolucionam mercados ou abrem segmentos, disse Tannus, listando que a escala de moléculas lançadas nos últimos anos é ascendente. Entre 1965 e 1974, o FDA, órgão que regula o setor nos Estados Unidos, aprovou 134 novas drogas, número que subiu para 190 de 1975 a 1984. De 1985 a 1994, foram 220 produtos e entre 1995 e 2004, 307. Para Tannus, a curva só deverá reverter a favor dos lançamentos a partir de 2012. "Tem muitos produtos saindo do forno." Somente na área de oncologia há 241 medicamentos em pesquisa; em doenças mentais são 197; doenças infecciosas, 185; na cardiovascular, 146; e HIV, 82. "Estão em vários estágios. As principais empresas estão trabalhando nisso, mas produto novo e blockbuster é loteria", afirmou Tannus. Conforme Iared, apesar dos percalços da Pfizer e das adversidades que ainda tem a enfrentar, seu pipeline (drogas em estágio avançado de pesquisa) mostra que ela busca cada vez mais reduzir a dependência dos remédios mais fortes em vendas. Além disso, a reestruturação, com corte de custos e venda de divisões que não se enquadram em seu novo perfil de atuação; o direcionamento dos investimentos para pesquisa nas áreas focos; e as aquisições e parcerias que tem feito para reforçar o pipeline, entre outras ações, indicam que fez a lição de casa e está no caminho certo. "Ela tem produtos em estudo que atendem as demandas existentes. No longo prazo não perde destaque." Em julho, a Pfizer anunciou que reservou US$ 17 bilhões para adquirir novos remédios ou terapias biotecnológicas durante os próximos dois anos e ontem informou que aumentou em 60% o número de drogas em experiência, para 242 moléculas.  Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6647 Consultado em 23/02/2007

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novembro 2006

Tailândia vai produzir droga contra aids protegida por patente

2016-02-02T20:45:54-03:00novembro 30, 2006|Categories: Acervo|

Governo afirma que medida obedece legislação local e internacional BANGCOC - O Ministério da Saúde tailandês anunciou que produzirá o remédio Efavirenz para combater o HIV/Aids, apesar de sua produção estar protegida pela patente do grupo farmacêutico americano Merck. O Efavirenz será produzido no país pela Organização Governamental Farmacêutica, que há vários anos também oferece uma versão genérica do remédio Neviraprine, para tratar dezenas de milhares de afetados pelo vírus da Aids. O ministro da Saúde, Mongkol Na Songkhla, defendeu a produção nos laboratórios estatais do anti-retroviral Efavirenz, e sustentou que a decisão obedece à legislação local e internacional. Na Tailândia foram diagnosticados cerca de 1 milhão de casos de vírus da aids em 25 anos, com cerca de 530 mil mortes, segundo dados oficiais.  Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=6549 Consultado em 08/03/2007

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Malaysia says spread of AIDS could hurt economy, will keep providing generic drugs

2017-01-10T17:18:22-03:00novembro 30, 2006|Categories: Acervo|

KUALA LUMPUR, Malaysia: The spread of AIDS in Malaysia could wipe out economic gains the country has made over the last 50 years, a top health official warned Thursday. If stronger steps are not taken to stop the spread of AIDS, Malaysia could be swept by an epidemic, which will strike people in the prime of their lives and devastate the work force, said the Health Ministry's director of disease control, Ramlee Rahmat. "This may wipe out all the developmental gains we have achieved since independence" in 1957, Ramlee said in a speech at the opening of a U.N.-organized conference to commemorate World AIDS Day Dec. 1. Three people die from AIDS-related illness every day in Malaysia, the Health Ministry said in June. About 73,000 Malaysians have been infected with HIV, the virus that causes AIDS. Three-quarters of people with HIV are intravenous drug users and 7 percent are women. Ramlee said the country was "committed to making antiretroviral therapy affordable and accessible to all who need it" and had "taken courageous steps before this in 'breaking' the patent law by importing cheaper, generic antiretroviral drugs." He said Malaysia only "recently" began its pilot project to provide free antiretroviral drugs at government clinics, with an aim to reach 5,000 by year's end. Ramlee told reporters it previously cost the government around 2,200 ringgit (US$606; €460.59) per person monthly for antiretroviral drug treatment, but said the introduction of a locally produced version of the treatment brought the cost down to around 150 ringgit (US$41.36; €31.44), enabling the government to provide it for free. In 2004, the Malaysian government enacted a law allowing it to import generic versions of AIDS drugs for "noncommercial" or nonprofit distribution. This followed a World Trade Organization agreement the previous year allowing countries facing a public health emergency to issue "compulsory licenses" to manufacture generic versions of patented drugs. But nongovernmental organizations providing care to AIDS patients and activists have said if Malaysia and the United States conclude a free trade agreement being negotiated now, the cost of generic drugs could rise dramatically under patent protection laws. The two countries hope to sign a pact by mid-2007. The World Health Organization's representative for Malaysia, Dr. Han Tieru, said that instead of being concerned about the cost of the drug, health workers must worry about the fact that only 10 percent of the people with the virus are currently under treatment. On Thursday, the United Nations also prodded the Muslim-majority Southeast Asian nation to pump more funds into curbing the spread of AIDS. "The undeniable fact is that HIV/AIDS numbers are continuing to rise. The numbers continue to go up exponentially," U.N. resident coordinator for Malaysia, Richard Leete, told reporters. "We need to campaign the government to put more resources into the fight." Fonte: http://www.iht.com/articles/ap/2006/11/30/asia/AS_MED_Malaysia_AIDS.php Acessado em 30/11/2006

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MSF elogia decisão da Tailândia de suspender patente de medicamento para a Aids

2016-02-02T20:45:54-03:00novembro 30, 2006|Categories: Acervo|

Medida tem por objetivo melhorar o acesso ao medicamento efavirenz, recomendado pela OMS para a terapia anti-retroviral A Tailândia anunciou nesta quarta-feira que vai emitir pela primeira vez uma licença compulsória em favor do governo, com objetivo de melhorar o acesso ao medicamento efavirenz usado no tratamento do HIV/Aids. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) apóia essa importante decisão e pede que o governo emita licenças como essas para a produção de outros medicamentos essenciais. O medicamento efavirenz, recomendado para o tratamento de HIV/Aids pela Organização Mundial de Saúde (OMS), está atualmente protegido por patente na Tailândia e a situação monopolista afetou tanto o suprimento quanto a disponibilidade do medicamento no país. O detentor da patente, a Merck, cobra pelo medicamento na Tailândia (1,500 baht/mês – US $41) o dobro do preço estipulado por fabricantes de genéricos na Índia (800 baht/mês – US $22). Além disso, em várias ocasiões a Merck não conseguiu fornecer o medicamento naquele país. "O suprimento do efavirenz da Merck não é confiável e isso tem resultado em interrupções de tratamentos, forçando diversos hospitais a oferecer uma terapia dupla subótima", afirmou Dr. David Wilson de MSF na Tailândia. A licença compulsória será aplicada tanto para a importação quanto para a produção local do medicamento. A Tailândia está desenvolvendo sua própria capacidade de produção genérica de efavirenz através da fábrica pública, a Organização Farmacêutica do Governo. A produção do efavirenz na Tailândia deve ter início no ano que vem. Enquanto isso, a licença compulsória vai permitir que a Tailândia importe a versão genérica da Índia, reduzindo pela metade os custos desse medicamento e expandindo as opções de compra para garantir um suprimento sustentável de medicamentos. Estima-se que pelo menos 12 mil pessoas na Tailândia precisem atualmente do efavirenz, mas devido ao custo e às dificuldades de suprimentos, o número de pessoas recebendo os medicamentos é significantemente menor. A produção genérica é a peça fundamental para o programa de tratamento universal de HIV/Aids na Tailândia. Antes da produção de genéricos, o custo do tratamento padrão de HIV/Aids no país era superior a 33,330 baht por paciente por mês (US $924), e apenas três mil pessoas tinham acesso ao tratamento. Em 2002, a Tailândia lançou uma versão genérica da terapia tripla de HIV/Aids, resultando em uma queda de 18 pontos no custo do tratamento. Graças a isso, mais de 85 mil pessoas com HIV/Aids estão hoje recebendo tratamento. O relatório da Unaids mostra que a Tailândia é o único país do sudoeste asiático a ter em tratamento apenas metade das pessoas com HIV/Aids que dele necessitam. Ambas a Organização Mundial de Saúde (em agosto de 2005) e o Banco Mundial (em agosto de 2006) previram um aumento drástico do custo dos medicamentos na Tailândia, devido ao fato dos pacientes precisarem mudar para medicamentos mais novos e mais caros em casos de resistência e efeitos adversos. Ambas as organizações recomendaram o uso de flexibilidades de interesse para a saúde pública previstas na Declaração de Doha sobre o Acordo Trips* e Saúde Pública. “A Tailândia está demonstrando que a vida dos pacientes vem antes das patentes das empresas farmacêuticas, e essa política precisa ser expandida para que os medicamentos essenciais, que são caros e pouco disponíveis. Esse é o caso, por exemplo, do medicamento para a Aids lopinavir/ritonavir, que atualmente custa 7. 000 baht por mês (US $194) e é muito caro para a Tailândia", afirma Dr. Wilson. * Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio da Organização Mundial do Comércio.  Fonte: http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=638 Consultado em 07/03/2007

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O presidente Lula e a Aids

2017-01-10T17:18:22-03:00novembro 30, 2006|Categories: Acervo|

O fato novo é que está sob ameaça a sustentabilidade do programa nacional de Aids. Passou da hora de o presidente Lula intervir. Passados 25 anos desde o surgimento da Aids, em 1981, o Brasil se destaca como referência mundial no tratamento, além de oferecer assistência integral para todos os acometidos pela epidemia e de ter conseguido, em parte, prevenir o avanço do HIV. No dia 13/11 deste ano, a lei nº 9.313/96 completou dez anos. Ela garantiu o acesso universal aos medicamentos anti-retrovirais no SUS (Sistema Único de Saúde). Para marcar a data, foi lançado em São Paulo um manifesto em defesa do programa brasileiro de combate à Aids, assinado por representantes de entidades da sociedade civil, pessoas vivendo com HIV e Aids, profissionais de saúde, gestores, técnicos de programas governamentais, ativistas, pesquisadores e lideranças políticas. Todos reconhecem os méritos da resposta brasileira, que fez caírem a mortalidade e as internações e conseguiu aumentar a expectativa de vida. A eloqüência dos números, no entanto, ainda eleva a Aids à condição de um dos mais graves problemas de saúde pública do país. Temos 600 mil infectados pelo HIV e 175 mil pessoas em tratamento. Diariamente, o Brasil registra 87 novos casos e 30 mortes por causa da Aids. A descontinuidade de muitas ações de prevenção, o diagnóstico tardio, a falta de tratamento eficaz para combater os efeitos adversos dos medicamentos, que atingem mais de 50% dos pacientes, e a dificuldade para entender a necessidade do uso correto e contínuo, aumentando a necessária e imprescindível adesão ao tratamento, são problemas ainda recorrentes. O fato novo é que está ameaçada a sustentabilidade do programa nacional de Aids. O acesso universal a 16 medicamentos custará ao SUS, neste ano, cerca de 1 bilhão de reais, 80% dos quais destinados à compra de fármacos sob patentes. O número crescente de pacientes, os limites impostos à produção de genéricos, os valores exorbitantes cobrados pela indústria farmacêutica, que teima em não se sensibilizar com a situação, mesmo após a negociação de preços, evidenciam que passou da hora de o presidente Lula intervir. Queremos fazer chegar ao presidente os resultados de três estudos independentes, coordenados recentemente pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), pela Fundação Bill Clinton e pela Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids). Todos concluíram que o Brasil possui comprovada capacidade instalada e competência para a produção local de anti-retrovirais -inclusive de seus princípios ativos. Que Lula não adie mais a decisão, tantas vezes ensaiada pelo governo anterior, de decretar licenças compulsórias dos anti-retrovirais sob patentes, que cada vez mais oneram o orçamento do Ministério da Saúde, e de investir pesadamente nos laboratórios estatais. Medidas que têm respaldo na nossa legislação e nos acordos internacionais firmados pelo Brasil, como a Declaração de Doha e o Acordo Trips, que trata dos direitos de propriedade intelectual relacionados ao comércio. A resposta brasileira à Aids, resultado de decisão política, do ativismo comunitário e do investimento de recursos, é a prova maior de que o SUS pode dar certo. Com apenas 150 dólares per capita ao ano, o sistema público opera verdadeiro milagre, ao manter 500 mil profissionais e 6.500 hospitais; financiar 1 milhão de internações por mês e dar assistência aos portadores do HIV, aos renais crônicos, aos pacientes com câncer; ao realizar a imensa maioria das cirurgias cardíacas, das internações psiquiátricas, dos transplantes e todo o sistema de urgência e emergência, além da vigilância e da prevenção em saúde. O SUS também absorve a cobertura negada (medicamentos, procedimentos de alto custo, doenças crônicas e infecciosas etc.) pelos planos de saúde (negada, porém cobrada), que, em 2005, acumularam receita de R$ 34 bilhões, quase o montante de que dispõe o Ministério da Saúde para atender população três vezes maior. Mas também é gritante a dificuldade de acesso da população e a péssima remuneração dos profissionais de saúde. Esperamos, ainda, que o presidente não repita os erros de usar a gestão da saúde como moeda de troca pela governabilidade e que oriente seus assessores para não subestimar o potencial de corrupção na compra de serviços, medicamentos e insumos, como demonstraram os escândalos dos vampiros e dos sanguessugas. Por fim, convidamos o presidente Lula a dialogar com a sociedade sobre os rumos da epidemia da Aids no Brasil. CAIO ROSENTHAL, 57, médico infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, é membro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. MÁRIO SCHEFFER, 40, comunicador social e sanitarista, é mestre e doutorando em ciências da Faculdade de Medicina da USP e membro do Grupo Pela Vidda/SP. Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISDA56F374ITEMID4F69A89D7888428C8136C1274E265A9DPTBRIE.htm Consultado em 13/02/2007

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