GENEBRA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a decisão do Brasil de quebrar a patente de um anti-retroviral, o Kaletra, explicita a necessidade de um acordo mundial entre empresas e governos para tratar do tema HIV e do acesso a remédios. Para a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil não viola as regras internacionais, pois está em “seu direito” quebrar patentes. Na sexta-feira passada, o Ministério da Saúde anunciou que estava dando dez dias para o laboratório Abbott se manifestar sobre a redução do preço do medicamento de US$ 1,17 para US$ 0, 68 por unidade. Caso não aceite, a patente será quebrada e o produto será produzido pelo laboratório Farmanguinhos. As possibilidades de flexibilizar as regras de proteção de patentes existem e são resultado de um acordo segundo o qual lutar contra a Aids é mais importante do que respeitar patentes em algumas regiões do mundo. “Na OMS, apoiamos essas medidas”, afirmou Jim Kim, diretor do departamento de combate à Aids. “O Brasil estava tentando manter seu programa de combate à Aids. Os custos dos remédios são tão grandes que ficou claro que os objetivos de saúde pública poderiam ser ameaçados”, explicou Kim. Para o especialista, a medida tomada pelo Brasil mostra que a comunidade internacional precisa negociar um acordo sobre os remédios, a produção de novos produtos e o acesso à saúde para todos. “A situação ideal seria uma em que ninguém levasse companhias ou governos a tribunais. A nova geração de remédios para a Aids custa dez vezes mais do que os produtos que estão no mercado”, diz Kim. Ele afirma que nem os países doadores vão querer financiar a compra desses novos medicamentos para sua distribuição nos países pobres. SITUAÇÃO DOS PACIENTES COM AIDS NO MUNDO • De acordo com o relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Unaids, 465 mil doentes precisam receber o coquetel contra a Aids nos países da América Latina e do Caribe. Em todo o mundo, a Aids mata mais de 8 mil pessoas por dia. • Atualmente, apenas 290 mil pessoas são tratadas (155 mil no Brasil), ou seja 62% das que precisariam de cuidados na região. • Quatorze países de recursos escassos ou medianos conseguiram tratar com o coquetel pelo menos a metade dos doentes de HIV/Aids que precisam do medicamento. São eles: Brasil, Argentina, Barbados, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Panamá, Uruguai, Venezuela, Botsuana, Polônia e Tailândia. • Cerca de um milhão de doentes dos países pobres ou em desenvolvimento têm acesso ao coquetel, “um resultado inferior à meta de 1,6 milhão prevista para junho de 2005”, reconheceram a ONU e a Unaids. • O milhão de doentes no mundo tratados com coquetel representam apenas 15% das 6,5 milhões de pessoas, inclusive crianças, que correm o risco de morrer se não receberem cuidados rapidamente. • Dois terços dos 39,4 milhões de pessoas contaminadas com o vírus da Aids (soropositivos ou doentes) vivem na África subsaariana, onde a doença causou 2,3 milhões de mortos em 2004, segundo a Unaids. Na África subsaariana, apenas meio milhão de pessoas têm acesso ao coquetel, segundo o relatório. • Cerca de 660 mil crianças, das quais 370 mil na África subsaariana, precisam atualmente do coquetel, do contrário, a metade das soropositivas “morrerrá antes de dois anos”, segundo o relatório. • Para financiar coquetéis, cuidados médicos e prevenção em países com recursos escassos e medianos seriam necessários US$ 45 bilhões, ou seja, pelo menos US$ 18 bilhões a mais que os fundos atualmente anunciados para 2005-2007. • Entre os 18 países dos quais o G8 anulou a dívida multilateral, no início de junho, dez (Honduras, Nicarágua, Burkina Faso, Etiópia, Gana, Guiana, Moçambique, Ruanda, Uganda e Zâmbia) fazem parte dos 49 países que são o objetivo da iniciativa “coquetel para três milhões de pessoas até 2005”, compromisso assumido há dois anos. Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS) e Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids) Fonte da notícia: http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=65754 Consultado em 13/02/2007