maio 2007

Tailândia/Brasil (Toda Mídia)

2007-05-21T00:00:00-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Mais da Ásia. Na Tailândia, o "Bangkok Post" anunciou que o país deve assinar um acordo de cooperação com o Brasil, segundo o ministro da saúde, que também quebrou a patente de remédio antiAids.

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Emenda 29 é fundamental para o setor

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Dispositivo define o que significa gasto com saúde, medida que pode dificultar desvio de recursos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, considera fundamental, para o equacionamento dos problemas que afetam a saúde pública do País, a urgente regulamentação, pelo Congresso Nacional, da Emenda Constitucional 29. Este dispositivo estipula patamares mínimos para os investimentos públicos no setor (conforme a variação do PIB nominal) e define o que significa gasto com saúde, medida que pode dificultar o desvio de recursos financeiros para outros fins. Temporão ressalta, porém, que não é só o volume de investimentos que vai melhorar a saúde pública no Brasil. "A gestão dos recursos também é vital e o Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser visto como um dos bens mais valiosos para a população", afirma em entrevista exclusiva à Gazeta Mercantil. Temporão faz um balanço do primeiro ano do Pacto pela Saúde, lançado em fevereiro de 2006. A implementação deste programa tem como ponto de partida a adesão dos entes federativos - União, estados e municípios - e o compromisso, por parte dos gestores da saúde pública, de cumprimento das suas diretrizes. Adesão pequena Embora o ministro demonstre otimismo, apenas seis estados e pouco mais de uma centena de municípios a ele se incorporaram. "O processo de mobilização em torno do Pacto foi intenso", diz Temporão, "e envolveu a participação dos gestores estaduais e municipais, equipes técnicas das secretarias de saúde, o controle social e o Ministério da Saúde, por meio da ação do Apoio Integrado. Foram realizadas oficinas estaduais e regionais." De acordo com Temporão, Tocantins foi o primeiro estado a aderir ao Pacto, seguido pelo Amapá, Maranhão e sua capital São Luís. O Ceará foi o seguinte, com 94 de seus municípios, incluindo a capital. Também aderiram os Estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, e os municípios de Senador Canedo (GO), São Félix (BA), Palmares e Surubim (PE), Curitiba e os municípios paulistas de Sumaré, Várzea Paulista e Amparo, sendo este o primeiro município a aderir. Inovações Na avaliação do ministro, o Pacto pela Saúde é um dos principais avanços do Sistema Único de Saúde (SUS) por promover inovações na condução da atenção à saúde e nos instrumentos de gestão. Ele argumenta que por se sustentar sobre três pilares - Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão - o programa estabeleceu um novo padrão de relacionamento do SUS com a sociedade, pautado pela responsabilidade solidária e compartilhada no desenvolvimento de ações e serviços de saúde. Essa mudança, diz o ministro, contribui para a ampliação da capacidade e qualidade de resposta do sistema às necessidades de saúde da população. Entre os avanços já propiciados pelo programa, Temporão cita a regionalização da Saúde como eixo estruturante, reforçando a necessidade da organização das regiões de Saúde e instituindo mecanismos de co-gestão e planejamento regional. Além disso, foi alterado o sistema de transferência dos recursos federais de custeio, que se reduziu de mais de 130 modalidades para cinco grandes blocos de financiamento - atenção básica e média; alta complexidade ambulatorial e hospitalar; vigilância em saúde; assistência farmacêutica; e gestão - instituindo-se o repasse fundo a fundo como modalidade preferencial de repasse entre os gestores. Outra mudança positiva, segundo o ministro, é a instituição de um processo mais claro de responsabilização solidária no SUS, onde todos os gestores são considerados plenos na sua responsabilidade, substituindo o processo de habilitação pela adesão ao Termo de Compromisso de Gestão. Promoveu-se, ainda, o fortalecimento dos mecanismos de controle social e a redefinição dos instrumentos de planejamento, regulação, programação e avaliação em saúde. "Complementando esse processo, estabeleceram-se metas e prioridades nacionais que apresentam impacto sobre a saúde da população." O Orçamento do Ministério da Saúde em 2007 é de R$ 49,744 bilhões. "Costumo dizer que os valores aplicados na área da saúde não são suficientes, mas a questão principal não é apenas esta, pois ainda temos gargalos na área de gestão hospitalar. Este setor precisa de mudança de paradigma, de modo a nos ajustarmos aos novos tempos da administração pública", acrescenta o ministro. As entidades credenciadas junto ao SUS aguardam com ansiedade a definição do reajuste da tabela de remuneração dos serviços prestados ao sistema. Elas argumentam que essa revisão, prevista para julho, é essencial para a manutenção dos serviços, mas Temporão diz que a taxa de reajuste depende ainda de estudos por parte da equipe técnica do Ministério da Saúde. Fracionamento Para o ministro da Saúde, o fracionamento dos medicamentos - prática que permite às pessoas a compra somente da quantidade de medicamentos necessários para o seu tratamento -, mais do que uma questão de justiça econômica, é uma medida de segurança sanitária. "Com o fracionamento, vamos evitar que se formem aquelas 'farmacinhas' caseiras que muitas vezes colaboram para acidentes domésticos, como a intoxicação", diz ele. Temporão rebate as alegações de laboratórios e redes de farmácias de que a medida encarecerá os medicamentos. "O preço dos medicamentos não sofrerá nenhum tipo de reajuste em virtude do fracionamento. A regulação dos preços de medicamentos no Brasil está bem definida e ocorre somente uma vez por ano, sempre em maio", afirma o ministro. O ministro da Saúde também refuta a argumentação de que o fracionamento aumentaria os custos logísticos e seria tarefa complexa. Ele explica que os medicamentos colocados nas farmácia e drogarias devem permanecer na caixa original. A divisão das cartelas deve ser feita na frente do consumidor. A exceção, óbvia, é o caso das farmácias de manipulação, que podem fazer a divisão no laboratório. A forma como o fracionamento foi definido garante que o medicamento permaneça em sua embalagem original sem contato com o ar ou com o ambiente da farmácia. As cartelas devem vir do fabricante com as marcas para o picote e informações que possibilitem o seu rastreamento. Essas medidas garantem segurança e facilidade no fracionamento de medicamentos. "As adequações exigidas para as farmácias e drogarias são poucas, basicamente um espaço reservado para a divisão das cartelas e uma impressora para etiquetar a embalagem utilizada para acondicionar os medicamentos fracionados", acrescenta o ministro. Com relação à compra de medicamentos por sua pasta, Temporão afirma que, nesta seara, o Ministério da Saúde já adota o meio mais moderno de aquisição de produtos pela rede pública, como os pregões eletrônicos e licitações convencionais. "No entanto, em alguns casos, em que o fornecedor não cede uma margem razoável, consensual, em relação aos preços que vem praticando fora do País, como no caso do Efavirenz, da Merck, empregado no combate ao vírus da Aids, a saída, em caso de medicamento, é o licenciamento compulsório, mas isto é uma exceção, não há regra. O interesse público sempre deve estar em primeiro plano", afirma o ministro. P&D Com referência às atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na área da Saúde, Temporão afirma que por meio de suas agências de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além das instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os núcleos de pesquisa estruturados nas universidades federais, o governo tem apoiado a pesquisa e o desenvolvimento. "O montante de recursos investido em ciência e tecnologia no Brasil, por volta dos 2% do PIB (Produto Interno Bruto), ainda não é o ideal, se for comparado com nações mais ricas. Mas esta é uma outra área, assim como na saúde, em que não adianta simplesmente se aplicar mais recursos indistintamente", argumenta o ministro. Para Temporão, a questão da saúde pública não pode ser avaliada apenas a partir do montante investido. A qualificação permanente da gestão é algo vital. "Como maior sistema público de saúde, o SUS tem que ser gerido e cuidado como um bem caro, termo aqui empregado não no sentido monetário, aos brasileiros. Portanto, merece ser mantido e cuidado por cada um dos seus integrantes e estar sob a crítica do controle social, para que se mantenham as conquistas e possamos aperfeiçoá-lo, sempre." O ministro da Saúde também adianta que um programa de qualificação permanente dos profissionais do SUS está em fase de elaboração e será colocado em prática.

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Entre o capital e o social (2)

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Quando o HIV e a aids foram identificados, a doença era devastadora. Nos anos 80, os pacientes, em média, não resistiam mais que 18 meses depois da entrada em ação do vírus. Além disso, esse curto período de sobrevida era de um sofrimento atroz. Os doentes passavam a maior parte do tempo incapazes de realizar qualquer atividade. Hoje, a sobrevida média é de 8 anos, isso incluindo os doentes de países mais pobres e com poucos recursos. Nos países de renda maior, os doentes vivem bem mais. Além disso, a sobrevida é de muito maior qualidade, com os pacientes se mantendo ativos e trabalhando. Remédios eficazes é a explicação, medicamentos pesquisados, testados e finalmente colocados no mercado pelas grandes multinacionais, o "big pharma". Foi impressionante a velocidade com que os laboratórios chegaram aos novos remédios, mas também há explicação: montanhas de dinheiro. Os laboratórios são privados. Foi uma decisão dos acionistas pôr seu dinheiro nessas pesquisas, porque a expectativa de retorno era extraordinária. Tratava-se de descobrir produtos essenciais para um mercado, com o perdão da palavra, obrigatório, e o lucro, também com o perdão, seria tanto maior quanto mais rápido fosse o lançamento dos novos remédios. Assim, estimuladas pela possibilidade de retorno e pela competição feroz, puseram-se em marcha as forças do capitalismo. Imaginemos que o vírus atingisse apenas as populações dos países mais pobres do mundo. Os remédios não teriam sido desenvolvidos porque os pacientes não teriam dinheiro para comprá-los. E os governos também não teriam os recursos ou não estariam dispostos a gastar fortunas do orçamento público para isso. Sejamos francos, embora possa parecer uma conversa insensível. O fato de a aids atingir classes médias e ricas dos países desenvolvidos foi um fator decisivo para estimular a pesquisa do "big pharma". Temos aqui, portanto, mais uma demonstração do conceito de que "não há almoço grátis". Um novo medicamento custa dinheiro e só haverá investimento privado se houver mercado. Não por acaso, as doenças e epidemias que atingem apenas os mais pobres são as que recebem menos recursos em pesquisas. Como resolver essa, digamos, falha do mercado? Um caminho é o investimento público, dos governos e dos organismos internacionais. Mas não é apenas no Brasil que o setor público tende a ser menos eficiente e menos produtivo. Por isso, economistas têm sugerido que, em vez de gastar dinheiro em pesquisas - muitas vezes, desperdiçar dinheiro -, os governos e organismos internacionais estimulem o interesse e a competição entre as multinacionais. Assim, um governo, um conjunto de governos ou a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciariam que pagariam tantos dólares por dose de vacina contra uma determinada epidemia. Ou seja, o setor público criaria um mercado. Outro caminho é quebrar as patentes dos laboratórios. O governo produz ou autoriza a produção de cópias dos produtos desenvolvidos pelo "big pharma". É um caminho limitado, claro, pois garante o acesso apenas a medicamentos já existentes. E, obviamente, desestimula a pesquisa. Se os governos generalizarem a prática de quebrar patentes, o resultado será a paralisia dos novos investimentos. Tanto é assim que as regras internacionais determinam que um governo pode quebrar patentes ou decretar licenciamento compulsório em situações de emergência nacional ou extrema urgência. Além disso, no caso específico da aids, estabeleceram-se fórmulas pelas quais as multinacionais dão descontos no preço dos remédios, conforme certos critérios, como o nível de renda do país e o grau de incidência da doença. É uma tentativa de conciliar o interesse dos laboratórios privados com as necessidades dos países mais pobres. Trata-se de conciliar o lucro com o social. Ou seja, os laboratórios precisam ganhar dinheiro num mercado para oferecer preços sociais em outro. De modo simples e direto: o sistema só funciona se os doentes dos países mais ricos pagarem pelos companheiros de infortúnio dos mais pobres. Quando assinou o decreto de licenciamento obrigatório do Efavirenz, o medicamento antiaids do laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, no início de maio, o presidente Lula tratou de enquadrar a medida naqueles requisitos internacionais. É controvertido - o Brasil é país de renda média, não pobre -, mas defensável nos tribunais, mesmo porque há no mundo todo um viés contra o "big pharma". Nem um pouco defensável, porém, foi o discurso de Lula. Disse ele: "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros." Ora, não se trata disso, mas de remunerar investimentos. Coisa, aliás, que o governo brasileiro continuará fazendo, pois vai comprar um genérico do Efavirenz produzido por laboratórios indianos - que são empresas privadas, não de caridade. Os desgraçados brasileiros não vão enriquecer os donos da patente, mas os donos da fábrica na Índia, que vendem mais barato porque não investiram na pesquisa. E depois vem o governo dizer que pretende desenvolver a inovação na indústria farmacêutica local. Há bons laboratórios no Brasil e cientistas de primeiro time. Mas dependem de definição de prioridades e de verbas alocadas pelos políticos de plantão. O senhor e a senhora esperariam remédios milagrosos?  Carlos Alberto Sardenberg é jornalista. E-mail: sarden@terra.com.br

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Fígado de quem?

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A economia brasileira vive hoje curiosos contrastes. De um lado, espetacular desempenho das contas externas, controle da inflação e aumento da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). De outro, claudicante decolagem de projetos difusamente enquadrados em opaca estratégia de crescimento, soluções de varejo para notórias insuficiências no marco regulatório e na legislação tributária e inapetência na formulação das reformas institucionais. A progressiva apreciação do real tem estimulado a explicitação de 'soluções' que mostram desalentadora propensão a repetir erros do passado. Há pelo menos dois grupos de pressão advogando ou a flexibilização da política monetária ou a adoção de medidas creditícias, tarifárias ou tributárias em benefício de setores específicos. E, é claro, há os que defendem a superposição das duas 'soluções'. Os críticos mais radicais da política de juros insistem no mito de que a apreciação cambial decorre exclusivamente da diferença entre juros no Brasil e no resto mundo, a despeito dos maciços saldos na conta comercial. Dado que a política de juros decorre das metas inflacionárias fixadas, os críticos mais audaciosos sugerem que as metas inflacionárias poderiam ser flexibilizadas e que algum aumento da inflação seria mal menor, 'perfeitamente tolerável'. Seria reconfortante se tais recomendações não tivessem partido exatamente daqueles que há quase 30 anos defendiam 'um pouco mais de inflação' e que se viram, logo em seguida, obrigados a defender a estabilidade da inflação de 200% como grande feito da política econômica. Dado o compromisso explícito do presidente Lula com a política monetária responsável, ganham força as 'soluções' microeconômicas. Em uma situação em que a redução acelerada dos juros requereria uma combinação agressiva de redução de tarifas de importação, cortes de gastos e reforma tributária, o que se vê é a reincidência em erros do passado. Trata-se de esporte no qual a experiência brasileira é notável: eficácia de determinados setores na extração de vantagens seletivas, dificuldades de desmame dos extratores de benesses do Estado, pobreza dos resultados almejados pela política de escolha de vencedores. Comentando o lado real da economia, um dos mais loquazes hierarcas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mencionou o 'câmbio mergulhante' e que há os que ganham com 'esse pileque... mas (que) o fígado é o da indústria de transformação'. Além de os dados sobre desempenho da indústria não justificarem tal destempero, depois de décadas de excessos protecionistas custeados pelos consumidores brasileiros, seria o caso de perguntar se ter fígado é privilégio da indústria de transformação. No atropelo da busca de compensações aos setores que, se alega, estão sendo especialmente atingidos pela apreciação cambial, a caravana dos que pleiteiam favores especiais engrossa a cada dia. Mesmo no caso de setores indubitavelmente ameaçados pela concorrência de importações - vestuário e calçados -, o debate público tem sido marcado por grande avareza de informações e o leque de medidas propostas é essencialmente paliativo. O ministro do Desenvolvimento, contrariando declarações iniciais animadoras quanto à resistência à adoção de medidas de apoio a setores ineficientes, incluiu entre os setores que mereceriam medidas especiais de apoio governamental as indústrias naval, de mobiliário e automotiva. Neste último caso a melhor justificativa encontrada pelo ministro é de que 'para o setor automotivo, chegar ao limite da capacidade produtiva é o fim do mundo'. Trata-se realmente de um setor peculiar: quer concessões do governo quando tem capacidade ociosa e também quando tem capacidade plenamente utilizada... Dado que a tarifa sobre importações de automóveis de 35% já é a máxima permitida, presume-se que as benesses pretendidas sejam de natureza tributária e via financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É a consagração das medidas discricionárias em detrimento das medidas horizontais e a confirmação do setor automotivo como cliente privilegiado das benesses do governo. O ranço protecionista tem implicações sobre outras políticas públicas. Recentemente o governo determinou o licenciamento compulsório da droga para tratamento da aids Efavinrez, produzida pela Merck Sharp & Dohme, em vista do interesse de saúde pública e do fracasso nas negociações com a empresa detentora da patente para redução de preço. A decisão é estritamente legal, de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre propriedade intelectual, mas seria igualmente importante que fosse percebida como razoável, para que se preserve a credibilidade das autoridades brasileiras. Declarações despropositadas do ministro da Saúde sobre política industrial e substituição de importações de fármacos, drogas e equipamentos médicos - entre outras incontinências - acabaram por pôr em dúvida a qualidade do processo decisório na sua esfera de competência. A percepção que prevalece é de enorme oportunidade que se vai perdendo para colocar o País de volta no caminho do crescimento. Se continuar a demonstrar incompetência em relação às reformas, o governo acabará por comprometer as conquistas alcançadas no terreno macroeconômico.  Marcelo de Paiva Abreu, Ph.D. em Economia pela Universidade de Cambridge, é professor-titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

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Brasil coloca política de patentes à prova na OMS

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Governo pede à agência da ONU estratégia global para remédios contra a Aids Jamil Chade Correspondente da Agência Estado  O Brasil colocará sua política de patentes à prova na agência da ONU para a Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS). O País apresentou proposta de resolução que pede que a entidade acelere o estabelecimento de uma estratégia global de acesso às tecnologias e remédios de combate à Aids. O governo inicia uma batalha diplomática para conseguir a aprovação do documento. A idéia é de que o plano estipule como um país pode, sempre que sentir necessidade, emitir licenças compulsórias sobre um remédio. Para diplomatas, a resolução na prática seria um teste de credibilidade para a postura internacional do governo, que recentemente quebrou a patente de um remédio da Merck para o combate à Aids. A resolução ainda seria a forma pela qual o governo encontrou para conseguir que a OMS se declarasse a favor da postura de governos que tomem a decisão de quebrar uma patente quando necessário. Uma das principais críticas feitas por organizações não-governamentais, como a Médicos Sem Fronteira, foi a falta de um respaldo claro dado pela OMS ao Brasil no processo de quebra da patente da Merck. APOIO.Durante o fim de semana, a proposta do Brasil ganhou o apoio da Índia, Tailândia e quase todo o grupo de países asiáticos. Os latino-americanos e africanos também deram seu apoio. Mas os Estados Unidos e os governos europeus ainda não haviam declarado qualquer apoio ao País. O próprio governo prevê dificuldades nas negociações da proposta com esses governos nos próximos dias. A proposta, que será votada hoje em Genebra, sugeria que a OMS ainda ajudasse os governos a quebrarem as patentes e que declare seu apoio explícito aos países que optarem por essa via. Mas, para obter apoio de um vasto número de governos, o Brasil optou por moderar os termos da proposta e deixou de lado a sugestão. A resolução ainda incentivaria a criação de mecanismos para garantir a pesquisa e desenvolvimento nos países emergentes. A OMS ainda teria a responsabilidade de garantir apoio a essas economias.

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Guerra pelos remédios

2017-01-10T17:18:18-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Governo luta para derrubar liminares que o obrigam a fornecer medicamentos de graça para pacientes. Gastos aumentaram 211,4%  Depois de comprar briga com a indústria farmacêutica ao quebrar a patente do Efavirenz, o Ministério da Saúde começa nova guerra. E, desta vez, tem o apoio dos secretários de saúde e do Conselho Federal de Medicina para enfrentar a “indústria de ações” que tem levado a Justiça a impor ao setor público a compra, a preços altos, dos últimos lançamentos da indústria farmacêutica. São medicamentos novos que, muitas vezes, nem foram testados adequadamente. De acordo com o Ministério da Saúde, os gastos em função de decisões judiciais aumentaram 211,4% de 2005 para 2006. Por trás das ações judiciais estão as indústrias de medicamentos, que utilizam todos os recursos para vender seus produtos, inclusive a contratação de advogados para patrocinar as ações na Justiça em nome dos pacientes. “A pressão é enorme”, conta Dirceu Barbano, diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde. O tema coloca em xeque a conduta ética de médicos. “Tornamo-nos reféns das grandes indústrias multinacionais”, reclama o secretário de Saúde de Santa Catarina, Dado Cherem, que tem em mãos 3 mil ordens judiciais, obrigando o estado a fornecer medicamentos. No ano passado, o governo catarinense gastou R$ 36 milhões com a compra de medicamentos por ordem da Justiça. Em 2005, foram R$ 25 milhões. “É uma coisa que nos preocupa, porque está crescendo como uma bola de neve e criando a cultura do processo judicial”, comenta. Ele alerta: “Daqui a pouco o orçamento vai estar tão comprometido que vamos deixar de atender a população por causa dos tratamentos de alto custo.” O presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus, afirma que “é papel da indústria pressionar o governo”. Ele lembra que as empresas “gastam milhões em pesquisa” para desenvolver um produto que traz benefícios aos doentes. Segundo Tannus, a discussão levada pelo governo camufla o verdadeiro problema: falta de dinheiro para a saúde. “Os recursos são finitos. Não é fácil administrar essa escassez”, observa. “O Brasil tem adiado por razões orçamentárias a incorporação de novas tecnologias”, acrescenta. O Distrito Federal é uma exceção: o volume de ações judiciais caiu 14% de 2006 para 2007, informa Milton Menezes, subsecretário de Atenção à Saúde. Mesmo assim, a Secretaria de Saúde do DF criou uma farmácia somente para fornecer os medicamentos por ordem da Justiça. É conhecida entre os funcionários do GDF como “Farmácia de Ações”. A preocupação é tão grande que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde decidiu fazer um seminário na terça-feira especificamente para tratar do caso. Os secretários convidaram representantes do Judiciário, do Ministério Público e das associações médicas. O problema é maior pela falta de conhecimento técnico dos juízes para analisar os casos. Desinformação Barbano cita exemplos absurdos que mostram que o juiz decide sem um mínimo de informação. Segundo o diretor do Ministério da Saúde, em São Carlos (SP) uma ordem judicial determinou o fornecimento, em 48 horas, de remédio que deveria ser usado três vezes ao dia. Como ninguém conseguia decifrar a letra do médico, foram procurá-lo e ele explicou que não tinha receitado medicamento nenhum e sim “fazer alongamento três vezes ao dia”. Na avaliação de Barbano, a indústria farmacêutica usa o Judiciário, os médicos e organizações não-governamentais para forçar a venda de seus produtos. A preocupação com a saúde está em segundo plano. Há casos de medicamentos que ainda não tiveram sua eficácia comprovada cientificamente. Barbano cita um exemplo em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou dois remédios para tratamento da hipertensão pulmonar, mas ainda não há “estudos de evidência científica” para que o governo os inclua nos programas de saúde pública. A Justiça, porém, manda fornecer, embora as únicas informações disponíveis sejam do próprio laboratório. Segundo o diretor do Ministério da Saúde, Dirceu Barbano, a União muitas vezes é obrigada a ceder às pressões, incorporando um determinado produto à lista de medicamentos fornecidos pelo SUS. Desperdício milionário O presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde, Osmar Terra, afirma que 20% dos medicamentos de alto custo comprados pelo setor público não têm surtido efeito. Anualmente, são gastos R$ 2 bilhões com remédios de alto custo — produzidos com tecnologia de ponta e recém-descobertos pela indústria. “A garantia de acesso aos medicamentos e de tratamento integral é um grande avanço, mas não pode ser usado para aumentar o faturamento dos laboratórios”, reclama Terra, secretário de Saúde do Rio Grande do Sul. O governo gaúcho, representantes do Judiciário e do Ministério Público estabeleceram procedimentos para evitar que a indústria use a Justiça para forçar a compra de medicamentos sem eficácia ou ainda não testados. A expectativa é que isso evite o crescimento acelerado do número de ações. “Os laboratórios estão empurrando para os estados os custos das pesquisas”, afirma. A indústria alega que o custo dos novos medicamentos é alto porque de 10 pesquisas apenas uma chega a um resultado. “O Estado não pode financiar as pesquisas dos laboratórios”, ressalta Terra. Por isso, o governo gaúcho decidiu não comprar mais medicamentos experimentais. Diretor de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Marcos Antônio Ferreira afirma que há desperdício de dinheiro público também com medicamentos vencidos. Em Brasília, a “Farmácia de Ações” faz aquisições com base em ordens judiciais. Só que muitos pacientes mudam, morrem ou não buscam o remédio. A secretaria está estudando a possibilidade de contratar, por licitação, uma empresa, que se encarregaria de fornecer todos os medicamentos determinados pela Justiça. Lista Presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus reclama que há mais de quatro anos o governo federal não atualiza a lista de medicamentos. Nesse período, foram incorporados apenas quatro novos produtos pela União. Diversos outros remédios estão disponíveis, mas o setor público não os fornece aos doentes. Tannus admite que há casos de medicamentos ainda em fase experimental. “Mas são raros”, comenta. Ele reclama que o assunto tem sido tratado de forma “negativa”, embora o acesso ao medicamento seja assegurado pela Constituição.

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A quebra de patentes da Merck, pelo Brasil sob, o regime do Trips

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

De acordo com o disposto no Decreto 6.107 de 4 de maio de 2007, o Brasil decretou o licenciamento compulsório de duas patentes do medicamento Efavirenz, de titularidade do laboratório estadunidense Merck, Sharp & Dohme. A medida foi tomada após terem resultado infrutíferas as negociações para o estabelecimento de um preço aceitável para o governo brasileiro, que distribui o remédio gratuitamente para pacientes contaminados pelo vírus da AIDS. Um impasse como esse era, desde há muito, previsível pela absoluta inadequação do acordo multilateral de regência da propriedade intelectual, o Acordo sobre Aspectos Ligados ao Comércio da Propriedade Intelectual, mais conhecido como Trips, acrônimo derivado da respectiva denominação em língua inglesa. De fato, o Trips, como lembro em meu livro “A OMC e os tratados da rodada Uruguai”, trata de matéria já coberta há mais de 100 anos por outros tratados internacionais e foi celebrado à margem de outro organismo multilateral, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Ocorre, todavia, que os países desenvolvidos andavam descontentes com a OMPI, durante a Rodada Uruguai do GATT, que foi de 1986 até 1994, porque aquele organismo agia com independência e equilíbrio entre o monopólio das patentes e o impacto social do seu uso. A referida postura descontentava em muito os países desenvolvidos, que buscavam a afirmação absoluta do monopólio, bem como a exeqüibilidade internacional dos direitos dele decorrentes, em intransigente defesa de interesses de fortes setores dos grandes negócios de suas economias. Dessa maneira, os países desenvolvidos conseguiram moldar no Trips um sistema que atendia perfeitamente os seus interesses, deixando de lado diversas questões fundamentais de interesse dos direitos humanos em geral e dos países em desenvolvimento, em particular. Dentre essas, coloca-se a importante matéria da implementação de políticas de saúde pública, uma omissão imperdoável que afeta os direitos humanos de bilhões de pessoas. Essa matéria já havia sido objeto de consultas, no âmbito do sistema de resolução de disputas da OMC, entre o Brasil e os Estados Unidos da América, ante a possibilidade do primeiro decretar o licenciamento compulsório de medicamentos, não materializada em função de acordo na ocasião. Porém, o potencial de conflito esteve sempre presente. O tratamento jurídico do Trips tornou-se tão inadequado que a própria UNCTAD reconheceu a necessidade de se encontrar, no âmbito da Rodada Doha da OMC, presentemente em andamento, uma forma tanto eficaz quanto permanente para lidar com a questão da saúde pública, de modo a facilitar o acesso à medicação essencial. Outros organismos internacionais, como a OMS, manifestaram-se no mesmo sentido. No âmbito da Rodada, no entanto, permanecem intransigíveis os países desenvolvidos. Enquanto isso, o Brasil agiu, na conformidade do autorizado pelos artigos 30 e 31 do Trips, decretando o licenciamento compulsório das patentes da Merck, nos termos e nas condições elencadas no texto do referido tratado, inclusive a de remuneração. Ao fazê-lo, o Brasil pode ter deflagrado um grande processo contencioso internacional, que tenderá a se desdobrar em diversas frentes. Em primeiro lugar, para além das reações do cartel do setor, o País deverá lidar com as ações unilaterais norte-americanas, represálias arbitrárias que caracterizam a ação do governo dos EUA. Acresce que o Brasil poderá ser questionado perante o sistema de resolução de disputas da OMC. Terá valido a pena? Impõe-se a resposta afirmativa. A luta pela decência nas relações comerciais internacionais, pelo equilíbrio dos interesses entre Estados e pela afirmação dos direitos humanos nos foros globais compensa e deve ser sempre uma missão dos governos brasileiros.  Durval de Noronha Goyos é advogado.

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Quebra de patente

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Causou espécie no mercado de medicamentos o anúncio de que o governo brasileiro quebrara a patente do medicamento Efavirenz produzido pela Merck Sharp Dohme (MSD) e utilizado para o tratamento da AIDS. Eu mesma, apesar de não ser infectologista e de não trabalhar em nenhuma das partes em questão: governo ou indústria farmacêutica, fui várias vezes questionada a esse respeito. Então, respondendo às solicitações... Segundo a Constituição Federal cabe ao Estado atender a todas as necessidades fundamentais do cidadão como é o caso da saúde. Entretanto, é fato que, apesar da elevada taxa tributária, não se tem alcançado tal objetivo. O SUS garante acesso universal à saúde, mas o que se vê é bem diferente da utopia preconizada nas belíssimas palavras de seu estatuto. Assim, se não é possível garantir a todos tratamento para qualquer tipo de enfermidade, será fundamental estabelecer prioridades e traçar políticas de saúde sérias que promovam a prevenção. Não deve ser surpresa para o leitor o fato de que cada real gasto com prevenção gera uma economia de outros três em medicamentos, leitos hospitalares e toda a estrutura que envolve o processo curativo, além de, é claro, reduzir a perda monetária gerada pela falta ao serviço. Não sou contra que o SUS distribua gratuitamente medicamentos anti-retrovirais para pacientes infectados pelo vírus HIV, a questão é que a AIDS deixou há muito de ser meramente uma questão de saúde pública para virar um meio de dar notoriedade a certos políticos. E por isso é hoje uma prioridade em detrimento de outras doenças ainda tão prevalentes na população brasileira como é o caso da tuberculose. Mas, tendo dito isso, existe um outro lado. Uma vez definido que drogas anti-retrovirais serão fornecidas pelo SUS, há que se negociar as melhores condições para que esse fornecimento não seja interrompido e possam sobrar recursos para outros investimentos em saúde. Não é justo que a compra de medicamentos para tratamento de uma única doença comprometa parte significativa do orçamento da saúde em um país tão carente como o nosso. Ademais, houve da parte do governo a intenção explícita de negociar com a referida indústria um preço razoável antes do anúncio da quebra da patente. Preço esse que já é praticado em outros países como a Tailândia. Não havendo acordo, achou por bem o governo - respaldado por determinações da própria OMC sobre propriedade intelectual - comprar a mesma medicação da Índia a um valor muito menor. Nada mais razoável. Mas, como perder a fatia do bolo não parece ser agradável, houve choro e ranger de dentes após o anúncio da quebra da patente. Quem ouviu o presidente da MSD falar na rádio chegou quase a ter pena desse mega-conglomerado industrial que certamente já lucrou espetacularmente por aqui só com o Efavirenz que vendeu para o governo até então. Não creio que abandonará o enorme mercado brasileiro, porque ainda que a quebra de determinada patente possa representar um desestímulo para a pesquisa de novas drogas, produzir medicamentos não deixará tão cedo de ser uma atividade extremamente lucrativa, principalmente em países como o Brasil. Surpreendentemente a margem de lucro da maioria das indústrias farmacêuticas transnacionais é maior aqui do que nos Estados Unidos ou Europa. Então, a conclusão é bem simples: é certo que defendamos a patente como o estímulo necessário para a criação de novas linhas de pesquisa, mas não é justificável que os preços praticados sejam exorbitantes, principalmente quando tratamos de doenças como a AIDS.  Ana Karina Bartmann é médica ginecologista

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Brasil fará remédio anti-Aids

2007-05-20T00:00:00-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Dois laboratórios públicos já se preparam para fabricar o genérico do medicamento Efavirenz, de combate à Aids, cuja patente foi quebrada há dias pelo presidente Lula: Farmanguinhos, no Rio, da Fundação Oswaldo Cruz, e o laboratório Lafepe, de Pernambuco. Enquanto a produção não começa, o governo vai mesmo importar o genérico da Índia, que, aprovado pela Organização Mundial de Saúde, dispensa autorização da Anvisa.

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Remédios e humanismo

2007-05-20T00:00:00-03:00maio 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

"As ameaças de sanções comerciais ainda são armas de política econômica - a lei do mais forte" O presidente Lula assinou decreto que concede licenciamento compulsório -usualmente chamado quebra de patente - ao medicamento Efavirenz, de titularidade do laboratório Merk, utilizado no tratamento contra a aids. As normas de proteção à propriedade intelectual dos fármacos trazem à baila duas paisagens. Uma é relacionada à exclusividade das patentes para obtenção de lucros e retorno do investimento em pesquisa. A outra refere-se ao acesso aos medicamentos, à proteção da saúde pública e aos direitos humanos. Patente de remédio é título de propriedade concedido pelo Estado para a exploração econômica exclusiva e temporária na forma da lei. Em conseqüência, os laboratórios têm prerrogativa de definir preços e formas de licenciamento comercial dos medicamentos. No cenário internacional, o acordo TRIP´s, ratificado pelo Brasil e celebrado no âmbito da Organização Mundial do Comércio, elenca as regras sobre patentes de medicamentos. Seu art. 8º determina que seus membros ´podem adotar medidas necessárias para proteger a saúde e a nutrição pública e para promover o interesse público em setores de vital importância para o seu desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico´. Alguns medicamentos são solução única para a cura de determinadas doenças. A garantia dos direitos fundamentais à vida e à saúde devem ser respeitados, desafiando os altos preços de remédios, inacessíveis para usuários e governos. A licença compulsória, prevista no art. 31 do TRIP´s, consiste na autorização do Estado para uso de patente de medicamento sem aquiescência do titular. Há previsão na legislação brasileira desse licenciamento nos arts. 68 a 74 da Lei 9.279/96 e nos Decretos 3.201/99 e 4.830/03. Há, ainda, a possibilidade de importação paralela, salvaguarda do acordo TRIP´s que consiste na possibilidade de importação de produto protegido, que esteja em mercado de outro país, colocado pelo titular da patente, sem majoração de valor. A desigualdade econômica entre os pólos envolvidos em procedimento de licenciamento compulsório é fator determinante. Os países desenvolvidos têm mais força política, assessorias legal e administrativa especializadas e experiência no ramo. As ameaças de sanções comerciais ainda são armas de política econômica utilizadas contra pedidos de licença compulsória - a lei do mais forte. A proteção à vida é a forma mais emblemática de reconhecimento do direito natural. A regra é a prevalência da proteção à propriedade intelectual de remédios. A exceção dá-se quando a cura de enfermidades graves depende, unicamente, de determinada patente. Nestas circunstâncias, a descoberta desprende-se do descobridor para salvar o ser humano - a lei dos justos.  * Advogado, Conselheiro Estadual da OAB-CE, Presidente da Comissão de Cultura da OAB -CE e Diretor do CIC - Centro Industrial do Ceará - ricardo@ricardobacelar.com.br

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