maio 2007

Ativistas temem bloqueios a novas drogas

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA REVISTA DA FOLHA O que realmente preocupa especialistas como Brook Baker, que acompanham a questão da propriedade intelectual de medicamentos essenciais, são ações como a que outro laboratório norte-americano, o Abbott, tomou após as quebras de patentes da Tailândia. A empresa desistiu dos processos de registro de sete novas drogas no mercado tailandês, entre elas a versão termoestável (que não precisa de refrigeração) do remédio contra a Aids Kaletra, batizada de Aluvia, melhoria essencial em países tropicais e em desenvolvimento como a Tailândia. Tanto o Kaletra quanto o Aluvia são drogas utilizadas quando o paciente HIV positivo já apresenta resistência a outros medicamentos. Ainda na lista de novos remédios que não serão lançados estão drogas contra a dor, antibióticos, remédios contra artrite e pressão alta, entre outros. "A decisão da Abbott traz riscos à saúde pública mundial de uma maneira sem precedentes", afirmou Baker. "A farmacêutica está utilizando uma nova tática de proteção de patentes, enviando uma mensagem poderosa a todos os países em desenvolvimento, de que eles não devem utilizar mecanismos legais de flexibilização de patentes." A Abbott, que apontou desrespeito ao sistema de patentes para justificar a decisão, tem destacado que manteve as negociações de preços para a Tailândia, onde ofertou valores menores em relação ao Kaletra após a retaliação. Ricos também usam Em artigo divulgado na última sexta-feira na internet sobre o caso brasileiro de licenciamento compulsório, James Love, conhecido ativista da ONG CPTech, com sede em Washington, destaca que também ricas e grandes empresas, como Toyota e Microsoft, têm buscado na Justiça dos EUA o licenciamento compulsório para seu benefício. Nesses casos, no entanto, diz Love, somem os tradicionais discursos contra países pobres que quebram patentes, de que estariam violando os direitos de propriedade intelectual. "Fora dos EUA, quando a Tailândia ou o Brasil decidem permitir o uso não voluntário de uma patente, chamamos isso de "licenciamento compulsório" e falamos da falta de respeito à propriedade intelectual em países em desenvolvimento. Mas, quando utilizamos isso, aqui, chamamos apenas de "reformas" necessárias no sistema de patentes", resumiu Love.

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Imagem do país pode ficar preservada, dizem analistas

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Especialistas em relações internacionais e representantes de organizações não-governamentais duvidam que a imagem do Brasil no exterior seja arranhada pela quebra de patente de um medicamento anti-AIDS. Pelo contrário. A análise é de que o impacto será positivo, pois o país está agindo dentro das regras internacionais em prol de uma causa justa. Na sexta-feira, o governo anunciou o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz, cuja patente pertence ao laboratório Merck. A Câmara Americana de Comércio (Amcham), em nota, tem uma avaliação divergente. A entidade reconhece o direito do Brasil de adotar medidas como o licenciamento compulsório, mas ressaltou que "a proteção à propriedade intelectual é fator crítico para assegurar o crescimento da inovação e do desenvolvimento tecnológico do Brasil". "A decisão do governo] é ruim para o País, justamente em um momento em que o Brasil melhorou sua posição em um relatório reconhecido mundialmente sobre o tema", avalia a diretora de Assuntos Estratégicos da Amcham, Adriana Machado. Nos EUA, a Câmara de Comércio divulgou nota onde afirma que a medida pode desestimular novos investimentos no Brasil. "O Brasil só tem dois programas de qualidade internacional reconhecida: etanol e combate à AIDS", diz Rubens Ricupero, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). "A decisão do governo brasileiro é correta, porque está de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio e é uma necessidade de saúde pública", concorda o embaixador Sérgio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele não acredita em um impacto negativo para a imagem do país. Segundo prevê o acordo sobre propriedade intelectual da OMC, os países têm o direito de quebrar uma patente de um medicamento e estabelecer uma licença compulsória em situação de urgência. O país pode até importar o remédio enquanto não tiver condições de produzi-lo localmente. Para Kátia Maia, coordenadora de campanha da ONG britânica, Oxfam, "não é apenas quando as pessoas estão morrendo na rua que existe uma situação de emergência". Ela afirma que existe uma epidemia de AIDS no país, mas que está sob controle graças ao tratamento universal garantido pelo governo. "Se há um risco nessa garantia de tratamento, por conta de abuso no preço do remédio, temos uma situação de emergência", diz. Ricupero não descarta, que pressionado pelo lobby farmacêutico, os Estados Unidos questionem a decisão brasileira na OMC. "Mas o ônus político para o governo americano seria grande", ressalta. Ele lembra que, em 1988, o governo dos EUA aplicou uma sobretaxa de 100% nos produtos mais dinâmicos da exportação brasileira como represália ao fato de que o Brasil não reconhecer patentes, o que aconteceu em 1997. O governo americano deve recorrer a outros instrumentos de constrangimento, avalia Ricupero. O embaixador acredita que o Brasil pode voltar para a lista das nações que não respeitam a pirataria. A exclusão do país ocorreu há poucos dias. Outra possibilidade é ameaçar tirar o país do Sistema Geral de Preferências Tarifárias (SGP), que favorece a entrada de alguns produtos no mercado dos EUA. Os representantes da indústria farmacêutica se posicionaram contra a decisão brasileira. Em comunicado, a Federação Internacional das Fabricantes de Produtos Farmacêuticos, entidade baseada em Genebra, afirmou que "a licença compulsória não é solução para melhorar o acesso aos medicamentos". A entidade argumenta que o comportamento do Brasil é uma "confrontação" e, provavelmente, quer beneficiar companhias estatais locais. (Com agências noticiosas)

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Para Merck, processo de quebra de patente ignorou proposta apresentada

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A última proposta do laboratório Merck Sharp & Dohme, recusada pelo governo brasileiro e que resultou no licenciamento compulsório do anti-retroviral Efavirenz produzido pela empresa, ia além do desconto de 30% no preço atual do remédio. Ela também previa um convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a produção de um genérico do medicamento antes da expiração da patente e a possibilidade de trazer da Austrália para o Brasil a produção do Efavirenz, segundo João Sanches, diretor de comunicação corporativa da Merck. Essa segunda parte da proposta, explica o diretor da Merck, não foi analisada. Se confirmada a informação, ela indica uma contradição com a intenção, anunciada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, de desenhar uma política de incentivos à fabricação doméstica de materiais e equipamentos médico-hospitalares hoje importados . Procurada ontem, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que a pessoa responsável pela negociação com a Merck não foi encontrada para confirmar o conteúdo integral da proposta da empresa. "O governo simplesmente nos enviou um fax dizendo que a proposta não atendia seus interesses e desmarcou a nova reunião", diz Sanches, em referência a um encontro que estaria agendado para quarta-feira da semana passada. Na sexta-feira, dia 04 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto do licenciamento compulsório do Efavirenz, produzido pelo Merck. Foi a primeira vez que o Brasil quebrou a patente de um medicamento. Com a medida, o país pode importar genéricos do remédio e, depois, fabricá-lo internamente. Hoje, sete dos 15 medicamentos do coquetel já são produzidos em Manguinhos. Nas gestões de José Serra, ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, e de Humberto Costa, no primeiro mandato de Lula, o governo teve negociações tensas com a Roche e a Abbott, mas a quebra de patente não foi efetivada. O governo brasileiro queria pagar pelo Efavirenz o mesmo valor pago por algumas nações: US$ 0,65 a unidade. No Brasil, a Merck cobra US$ 1,57 por unidade. Com o desconto de 30%, o laboratório calcula que o Ministério da Saúde economizaria US$ 13 milhões, pois o preço por unidade cairia para US$ 1,10. O governo calcula que poderá comprar o medicamento genérico produzido na Índia por US$ 0,45 e economizar US$ 30 milhões ao ano. Com a economia, pretende ampliar o tratamento das pessoas infectadas pela Aids. Desde 1999, a Merck diz que já concedeu desconto de 77% no valor do Efavirenz, percentual que subiria para 84% com a última proposta (30% de desconto). Atualmente, os gastos com o Efavirenz somam US$ 42,9 bilhões por ano - 17% do gasto do governo com anti-retrovirais. "O nosso medicamento é o mais barato do coquetel", diz Sanches. Se o governo aceitasse o desconto de 30%, a porcentagem de gastos com o medicamento cairia para 12% das despesas com o coquetel anti-aids. Além disso, o diretor afirma que o laboratório não acha justo que o Brasil pague o mesmo valor pelo remédio que países subdesenvolvidos da África subsaariana. Sanches diz que, depois desses países, o Brasil paga o menor preço pelo medicamento. Nesta semana, a direção brasileira da Merck se reúne a matriz para tratar o assunto. Sanches diz que nenhuma outra conversa foi marcada pelo governo brasileiro.

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Indústrias tentam desacreditar o país, afirma consultor

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para Brook Baker, da Universidade de Northeastern (EUA), menção à junta militar da Tailândia indica essa estratégia Professor diz que suposta ameaça à pesquisa e críticas aos genéricos são parte de um conhecido discurso contra a quebra de patentes  DA REVISTA DA FOLHA Vincular a decisão de quebrar patentes de remédios a regimes autoritários faz parte das conhecidas estratégias da indústria farmacêutica contra a medida que ameaça seus lucros. Essa é a opinião de Brook Baker, professor de direito da Universidade de Northeastern, em Boston, e conhecido defensor do licenciamento compulsório de remédios. Segundo ele, foi esse um dos meios de taxar de ilegítima a decisão tailandesa de licenciar compulsoriamente três produtos. Agora, é utilizado contra o Brasil. Mas o fato é que, nos dois países, a luta de entidades de direitos humanos para garantir acesso a medicamentos ajudou a convencer civis e militares de que valia pena, conclui. Consultor da ONU no projeto que fixou as metas do milênio e da ONG norte-americana Health Gap, que luta pelo acesso a medicamentos essenciais, Baker elogiou a opção brasileira. "A dinâmica de preços com a competição dos genéricos tem sido sempre melhor a longo prazo do que negociar valores." Leia outros trechos da entrevista concedida via e-mail. FOLHA - A Câmara Comercial Americana comparou o Brasil à junta militar que governa a Tailândia, em razão do licenciamento compulsório do Efavirenz. BROOK BAKER - Uma das maneiras que o governo norte-americano, a Câmara de Comércio e as grandes indústrias farmacêuticas usaram para desacreditar os licenciamentos compulsórios na Tailândia foi apontar para o fato de a autorização ter vindo de um governo militar. No entanto, movimentos sociais na Tailândia têm pressionado por isso desde 1999 e o governo democrático da Tailândia também trabalhou com esse objetivo durante três anos. Da mesma maneira, movimentos sociais no Brasil tiveram um importante papel no convencimento do governo de que a sustentabilidade do programa de Aids é dependente da disponibilidade de terapias. Acredito que as forças comerciais dos EUA não conseguirão classificar a decisão brasileira como ilegítima, mas tentarão desacreditar o Brasil por priorizar a saúde dos cidadãos no lugar do monopólio das grandes farmacêuticas. FOLHA - Outro argumento é o de que o licenciamento poderá afastar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. BAKER - As indústrias de medicamentos estão focando a América Latina e a Ásia, especialmente países de renda média que possam explorar com preços altos. Mesmo assim, os mercados de países em desenvolvimento representam apenas 11% das vendas globais dessa indústria. Até agora, no entanto, jamais investiram em pesquisa e desenvolvimento no Brasil para o desenvolvimento de drogas somente. Da mesma forma, mesmo quando eles instalam suas fábricas, o que raramente ocorre em países em desenvolvimento, é apenas para ter vantagens com os custos menores de produção. FOLHA - A qualidade dos remédios genéricos é ruim, como diz a indústria de medicamentos? BAKER - A indústria farmacêutica sempre busca diminuir a qualidade dos genéricos. No entanto, a qualidade das versões indianas do Efavirenz foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde durante seu projeto de pré-qualificação, que inclusive confirmou a bioequivalência e as boas práticas de fabricação de pelo menos três produtores. A questão da qualidade é uma cortina de fumaça que a indústria utiliza para tentar justificar seus preços.

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Quebra de patente anti-Aids é “jogo perigoso”

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A quebra da patente do medicamento anti-Aids Efavirenz, do laboratório Merck, anunciada na semana passada pelo governo brasileiro, é um “jogo perigoso” que ameaça a capacidade das companhias farmacêuticas de desenvolver novos remédios, afirma editorial publicado nesta segunda-feira pelo jornal econômico americano The Wall Street Journal. “Inovação de medicamentos é um negócio de risco, e as companhias não vão querer enterrar centenas de milhões de dólares em pesquisas e desenvolvimento, especialmente para doenças que afetam os pobres e os enfermos nos países em desenvolvimento, se tiverem o temor de que sua propriedade intelectual será roubada”, argumenta o editorial. O texto observa que as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) permitem que os países quebrem patentes de drogas em períodos de “emergência nacional” ou para “uso público não-comercial”, mas afirma que isso não se aplica ao caso brasileiro. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a quebra de patente na sexta-feira, após negociações de preços terem fracassado”, comenta o jornal. “Será que o problema da Aids no Brasil se transformou em uma epidemia da noite para o dia, ou será apenas que Lula não gostou dos termos da Merck – um desconto de 30% no preço de mercado?”, questiona o editorial. Benefício comercial “Talvez ele estivesse pensando, em vez disso, na enorme indústria de medicamentos genéricos do Brasil, que poderia se beneficiar comercialmente de uma invenção grátis e de um grande mercado doméstico para vendê-la”, sugere o jornal. O Wall Street Journal pede ainda que a OMS (Organização Mundial da Saúde) reaja à quebra de patentes após o caso brasileiro e também da Tailândia, que já havia anunciado a quebra de patente de um outro medicamento anti-Aids no mês passado. “Sem uma resistência vigorosa na reunião da OMS em Genebra, na semana que vem, mais países poderão logo seguir os exemplos da Tailândia e do Brasil. Isso seria ruim para os direitos de propriedade em todo o mundo, e seria um desastre para os pobres do mundo”, conclui o editorial.

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A quebra de patente Maior

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Luís Nassif é articulista da Folha da Região, jornalista, diretor superintendente da agência Dinheiro Vivo e comentarista do Jornal da TV Cultura. Araçatuba - A quebra de patente do remédio Efaviren, da Merck Sharpe & Dohme, não foi uma medida tomada de afogadilho. As negociações entre o laboratório e o Ministério da Saúde começaram em novembro do ano passado. Até duas semanas atrás, foram sete reuniões infrutíferas, como relata o Ministro José Gomes Temporão. Entre todos os setores dominados por multinacionais, o farmacêutico é o que possui o menor jogo de cintura. A representação é frágil e os executivos, em geral, não possuem autonomia para decisões estratégicas. O máximo a que o laboratório chegou foi um desconto de 2% sobre o preço praticado e a promessa de transferência de tecnologia para a Farmaguinhos, laboratório oficial. Só que a transferência coincidia com a expiração da patente. Esses fatos não demonstravam uma intenção série do laboratório para negociar. *** Quando Temporão assumiu o Ministério da Saúde, o pessoal do programa contra a AIDs o procurou preocupado, porque haveria toda uma logística para importação de genéricos, caso não se chegasse a um acordo. Temporão falou com o presidente Lula, expôs o problema e recebeu carta verde para agir. O passo seguinte foi uma reunião com a Casa Civil, a Advocacia Geral da União e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior). Na reunião, o Ministro Miguel Jorge sugeriu um contato direto com o presidente da Merck, tirando as negociações dos escalões inferiores. Foi uma reunião infrutífera, em que o presidente da Merck Brasil ficou irremovível no desconto de 2%, alegando ser política internacional da Merck e ele não dispor de autonomia. A patente foi registrada no Brasil em 1992. A Merck possui a patente mundial hã 17 anos. Em geral, recupera-se o investimento em pesquisa e desenvolvimento de 3 a 5 anos depois do lançamento. *** O governo brasileiro decidiu, então, partir para atitudes mais drásticas. Antes que agisse, o Ministro foi procurado pelo embaixador americano Clifford Sobel, acessível e simpático. O Ministro se declarou aberto a propostas. O embaixador perguntou se poderia falar com o presidente mundial do laboratório. O Ministro concordou.Dez minutos depois o americano ligou. Ouviu do Ministro a garantia de que, se houvesse uma proposta concreta, o governo negociaria. Foi apresentada uma proposta de 30% de desconto, caindo de US$ 1,59 para US$ 1,10 a dose. Para a Tailância, a Merck vende a 65 centavos. Os genéricos da Índia custam 44 centavos de dólar. Foi oferecida também a antecipação da transferência de tecnologia para 2010. Mas com sem responder a duas questões cruciais. A primeira, se ao final do processo o Brasil teria autonomia para negociar com terceiros; a segunda, é que o Brasil seria obrigado a comprar matéria prima da própria Merck. Na quarta-feira passada, foi mandado um fax para a Merck, informando que a proposta não atendia ao interesse público. Temporão voltou a Lula, que deu luz verde para quebrara a patente do medicamento. Foi uma decisão discutida em conjunto com a AGU, com o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, com a Casa Civil e com o Ministro Miguel Jorge. "Foi uma tomada de decisão soberana e serena", explica Temporão. Com a compra dos genéricos, o Ministério economizará US$ 30 milhões por ano. Será possível ampliar o atendimento para os portadores de hepatite B e C. A Merck No comunicado oficial, após a quebra de patente, a Merck informa que "graças ao avanço nas negociações e em reconhecimento ao Programa Nacional de DST/AIDS do governo brasileiro, o valor cobrado é de US$ 1,57. Esse valor é 86% menor que o preço praticado nos EUA e é superior apenas aos preços praticados na África subsaariana e Tailândia". E traz o número mágico, de que gastou US$ 1 bilhão em pesquisas.

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Remédio anti-Aids chega da Índia mês que vem

2007-05-07T00:00:00-03:00maio 7, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Importação do medicamento genérico será intermediada por Unicef e Organização Pan-americana de Saúde  BRASÍLIA. O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Felippe Nery Guimarães, disse ontem que chegará ao Brasil, no início do próximo mês, o remédio genérico anti-Aids que o governo brasileiro comprará na Índia, em substituição ao Efavirenz. O produto foi alvo de licenciamento compulsório — quebra de patente — com pagamento de royalties na sexta-feira, em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num ato inédito na História do país. Segundo Guimarães, a compra será formalizada nos próximos dias. O prazo de entrega é de seis semanas. Enquanto cuida da aquisição na Índia, que será intermediada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas), o governo corre para acelerar a produção do medicamento no Brasil. A idéia é que Farmanguinhos, da Fiocruz, no Rio, e o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) comecem a fabricar a cópia do Efavirenz já no ano que vem, daqui a 12 ou 15 meses, informou o secretário. Governo pretende evitar dependência estrangeira Guimarães descarta o risco de falta do produto, que é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a 70 mil dos 180 mil pacientes com Aids no país. — De jeito nenhum. Isso foi uma preocupação central do ministro José Gomes Temporão — afirmou o secretário. Segundo ele, a produção nacional tem como objetivo não ficar refém de fornecedores estrangeiros. Até a última sextafeira, o laboratório americano Merck Sharp & Dohme tinha a exclusividade de comercialização do Efavirenz no país, pois é o detentor da patente, cujo prazo só termina em 2012. O licenciamento compulsório deu ao governo o direito de comprar remédios genéricos ou produzilos, desde que pague royalties de 0,5% a 4% da despesa à Merck. A intenção do Ministério da Saúde é pagar 1,5%. — Não seria vantajoso para o Brasil sair de uma dependência e cair em outra. Até porque não haveria garantia de que, mais tarde, os fornecedores indianos não pudessem aumentar o preço. Na estratégia (do licenciamento compulsório), deve estar embutida a nossa capacitação para produção do remédio no Brasil — explicou Guimarães. União vai economizar R$ 60 milhões este ano O governo justificou o licenciamento por questão econômica, declarando o Efavirenz de interesse público. O ministério pagava à Merck Sharp & Dohme US$ 1,59 por cápsula de 600 miligramas, enquanto, na Tailândia, o laboratório cobrava apenas US$ 0,65 pelo mesmo comprimido. Nas negociações que antecederam o licenciamento, o preço mais baixo proposto pelo Merck foi US$ 1,10, o equivalente a um desconto de 30%. Na Índia, o genérico será comprado por 72% a menos, entre US$ 0,44 e US$ 0,46. A economia será de US$ 30 milhões (R$ 60 milhões) em 2007. O gasto com remédios no programa de Aids será de R$ 970 milhões este ano. Dos 15 remédios do coquetel antiAids, sete já são produzidos por Farmanguinhos. A compra do genérico do Efavirenz será intermediada pelo Unicef e pela Opas, que já mantêm contratos com os fornecedores indianos Cipla, Ranbaxy e Aurobindo. De acordo com a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, isso garantirá preços mais baixos e maior rapidez à aquisição brasileira. — Os genéricos indianos são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde. O Unicef já trabalha com esses fornecedores há vários anos, e não tivemos problemas — disse Marie-Pierre.

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Brasil produzirá remédio que teve patente quebrada

2007-05-06T00:00:00-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Laboratórios de Rio e PE vão fabricar medicamento anti-Aids O Brasil produzirá o Efavirenz, remédio usado no tratamento da Aids, que teve a patente quebrada anteontem por decisão do presidente Lula. A informação foi dada ontem pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo. Segundo o ministro, o remédio será produzido por Farmanguinhos/Fiocruz, no Rio, e pelo Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco. Até que isso ocorra, será importado da Índia. O licenciamento compulsório do anti-retroviral, produzido pelo laboratório americano Merck Sharp & Dohme, permitirá, de acordo com o governo, uma redução de 72% no preço do remédio e uma economia de US$ 30 milhões no ano. Hoje, o Brasil paga US$ 1,59 por comprimido do Efavirenz. O laboratório ofereceu 30% de desconto, mas o governo considerou o percentual insatisfatório, já que a Merck vende o remédio na Tailândia por US$ 0,65. — Reduziremos, assim, uma certa vulnerabilidade da política social brasileira, que é uma grande dependência de tecnologia externa — afirmou Temporão, acrescentando que essa dependência, muitas vezes, acarreta em compras por “preços abusivos”. De acordo com o “JN”, a produção nacional do remédio deve começar no primeiro semestre do ano que vem. A quebra da patente foi comemorada por parlamentares e ONGs, mas criticada pela Merck e pela Câmara de Comércio dos EUA.

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“Brasil se igualou à junta militar da Tailândia”

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Opinião é de diretor da Câmara do Comércio dos EUA, que reúne 3 milhões de empresas Para Mark Smith, ao economizar US$ 30 milhões com a quebra da patente do Efavirenz, país colocará em risco US$ 3,5 bilhões  DE WASHINGTON A decisão de quebrar a patente de um remédio anti-Aids da empresa norte-americana Merck Sharp & Dohme iguala o governo brasileiro à junta militar que comanda a Tailândia desde 2006. O país do sudeste asiático foi o último a tomar ação semelhante, em novembro e em janeiro últimos. A avaliação é de Mark Smith, diretor-gerente para assuntos do hemisfério ocidental da Câmara Comercial dos EUA, que tem na farmacêutica de Nova Jersey uma das afiliadas. Além disso, segundo ele, a decisão do governo Lula pode ter um custo financeiro alto ao país. "Para economizar potencialmente US$ 30 milhões com a quebra de uma patente, o Brasil pode estar colocando em jogo US$ 3,5 bilhões", diz Smith. Solução alternativa Voltar à mesa de negociações com o laboratório Merck Sharp & Dohme para buscar uma solução alternativa à quebra de patente do Efavirenz é o melhor caminho para o Brasil, na opinião de Smith. Ele lembra que o país acabou de sair da categoria de "prioridade máxima" da lista de combate à pirataria do governo norte-americano. De acordo com Smith, a retirada foi algo "muito, muito importante". Uma das razões para isso ter acontecido foi o trabalho intenso da Câmara Comercial dos Estados Unidos, segundo ele. Leia a seguir a entrevista concedida à Folha. FOLHA - Como a decisão do governo brasileiro pode afetar a relação comercial entre empresas brasileiras e americanas? MARK SMITH - É uma pena, mas negativamente. Ainda mais do ponto de vista da Câmara, que é uma reunião de várias empresas e organizações norte-americanas que trabalharam muito, muito duro para preservar o Brasil no SGP [Sistema Geral de Preferências, programa de benefícios fiscais pelo qual o país exporta US$ 3,5 bilhões anualmente para os EUA]. Isso em dezembro. E uma das razões de nosso sucesso foi o apoio da indústria farmacêutica, que é muito importante politicamente aqui em nosso país. Essa decisão vai tornar muito mais difícil apoiar a permanência do Brasil no SGP. Vamos nos encontrar numa situação em que teremos membros da câmara a favor e contra, e será mais difícil sair a público com a bandeira do apoio, como aconteceu em 2006. Ou seja, para economizar potencialmente US$ 30 milhões com a quebra de uma patente, o Brasil pode estar colocando em jogo US$ 3,5 bilhões. FOLHA - Quais foram as primeiras reações de empresas participantes da câmara? SMITH - Há muita preocupação, não só com a decisão, mas com a maneira como foi tomada. Isso assustou principalmente as grandes empresas. Porque a Merck havia mandado ao Ministério de Saúde uma contraproposta, e havia uma reunião prevista para quarta-feira. Em vez de se encontrar e discutir a contraproposta, o ministério cancelou o encontro e avisou que iria quebrar a patente. A solução negociada permitiria aos dois lados ganharem algo, mas o Brasil decidiu se igualar à junta militar que comanda a Tailândia e quebrar a patente. É muito triste pensar que ainda havia tempo para negociar, que havia uma contraproposta na mesa, e que o Brasil tomou essa decisão. Não estamos dizendo que o governo não tenha o direito de decidir o que tem de fazer, mas não havia necessidade de ser decidido dessa maneira. FOLHA - O sr. ainda acredita em um recuo do governo? SMITH - Espero que sim. Sei que ainda vai haver negociações sobre outros aspectos da questão, então minha esperança é que as partes voltem à mesa de negociações e achem uma nova solução. Não há necessidade de o Brasil colocar uma pecha de mercado negro em seu "currículo", especialmente em um momento em que o país tem feito tanto progresso nessa área. FOLHA - Quantas empresas sua entidade representa? SMITH - Mais de 3 milhões. Somos a maior organização desse tipo do mundo.

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Droga tem menos efeitos colaterais

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A chegada do medicamento Efavirenz, em 1998, que inibe a proliferação do vírus HIV no organismo, trouxe alívio para os soropostivos. Acostumados a tomar dezenas de comprimidos de anti-retrovirais (como são chamados entre os médicos) com ação semelhante ao Efavirenz por dia, os pacientes foram favorecidos pela redução do número de cápsulas ingeridas diariamente. Apenas uma cápsula do Efavirenz por dia tomada em conjunto outras duas drogas que fazem parte do coquetel anti-AIDS é suficiente para ajudar no combate à doença. O Efavirenz também apresentou menos efeitos colaterais que outras drogas com o mesmo efeito. É mais tolerado pelos pacientes completa Eduardo Sprinz, coordenador do Ambulatório de HIV/AIDS do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Segundo Sprinz, o tratamento anti-HIV no Brasil é semelhante ao dos países desenvolvidos. Uma pesquisa realizada no Clínicas mostrou que os soropositivos brasileiros têm a mesma qualidade de vida de pacientes europeus e norte-americanos. Depois da chegada do coquetel há uma década, estima-se que a expectativa de vida de um soropositivo seja, em média, de 35,5 anos. Não há, porém, como confirmar essa previsão na prática já que o primeiro caso de AIDS foi registrado em 1982, ou seja, há 25 anos. Tratamento depende da política de acesso Na opinião de organizações não-governamentais que defendem os interesses de portadores do HIV, grande parte desse sucesso no tratamento se deve à política de acesso gratuito aos anti-retrovirais do governo. O país é um dos poucos a manter a gratuidade no fornecimento desse tipo de medicamento. Por isso, a importância do decreto de licenciamento compulsório que permite aos país comprar o Efavirenz genérico a um custo três vezes inferior. É um passo importante para a sustentabilidade da política de acesso universal aos medicamentos anti-AIDS. A decisão também estimula a produção de remédios pela indústria farmacêutica nacional avalia Cristina Pimenta, coordenadora-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar da AIDS. Opiniões Sandra Perin, psicóloga e conselheira do Gapa-RS "A quebra de patente é um marco histórico para o movimento que defende os interesses dos portadores do HIV. É uma luta antiga. O alto custo dos anti-retrovirais coloca em risco o fornecimento gratuito desses medicamentos." José Gomes Temporão, ministro da Saúde "Não acredito (em retaliação). Não tenho nenhum receio que possa haver algum tipo de interesse desse laboratório (Merck) de se retirar de um mercado tão importante e que cresce ano a ano." Cristina Pimenta, coordenadora-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS "O Brasil não está infringindo a lei. O licenciamento compulsório está previsto no acordo de comércio mundial. O país é um grande comprador de anti-retrovirais porque fornece esses medicamentos gratuitos. Os grandes laboratórios perderiam muito deixando de vender para o país." Eduardo Sprinz, coordenador do Ambulatório HIV/AIDS do Hospital de Clínicas de Porto Alegre "Com essa decisão, os laboratórios podem ficar receosos em investir no Brasil e optar em não trazer as inovações para cá."

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