maio 2007

Para o inferno

2007-05-06T00:00:00-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Lula tomou ontem uma medida que já deveria ter tomado há muito tempo. Quebrou a patente de medicamento contra a Aids. O laboratório queria que o Brasil pagasse mais do que outros países e Lula fez a coisa certa: mandou esta gente para o inferno, que é o lugar dela.

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Brasil anuncia que vai fabricar remédio anti-aids

2007-05-06T00:00:00-03:00maio 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou neste sábado que o Brasil vai fabricar o remédio que o Brasil comprava de um laboratório norte-americano e que teve a patente quebrada na última sexta-feira. De acordo com matéria veiculada pelo Jornal Nacional deste sábado, na opinião do ministro, a fabricação do remédio no Brasil trará ganhos ao Programa Nacional de Combate a aids. "Isso reduz uma certa vulnerabilidade da política social brasileira, que é a grande dependência da tecnologia externa. A gente, permanentemente, tem que estar importando remédios a preços muitas vezes abusivos. Isso tem duas dimensões: a econômica, porque se reduz os custos e se garante estar respondendo as demandas da política de saúde, e tem a dimensão de conhecimento, de grande valor, que é a independência tecnológica." O remédio em questão, o Efavirenz, é um dos principais dos usados no coquetel anti-aids.

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OMS chancela decisão e ajudará a comprar genéricos

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

BRASÍLIA.Consultor de desenvolvimento tecnológico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, James Fitzgerald disse ontem que a decisão do governo de decretar o licenciamento compulsório do Efavirenz foi correta e respeita a legislação brasileira e os acordos internacionais. A presença na cerimônia do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou claro que o Executivo também conta com o apoio do Legislativo. - Apoiamos o uso de medicamentos genéricos, que ajudam a elevar o acesso aos remédios - declarou Fitzgerald. Segundo o consultor, a Opas - representação regional da OMS nas Américas e instituição que faz parte dos sistemas da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organizações dos Estados Americanos (OEA) - ajudará o Brasil a adquirir os medicamentos genéricos produzidos na Índia pelos laboratórios Cipla, Ranbaxy e Aurobindo. As compras serão realizadas por meio de um "fundo estratégico", convênio constituído por 17 países - entre eles, o Brasil - e usado para aumentar o poder de negociação com a indústria farmacêutica. O Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef) também intermediará a compra. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que os medicamentos indianos não representarão perigo à saúde dos portadores de HIV, pois a OMS atesta a qualidade dos anti-retrovirais genéricos. Temporão revelou que o governo começará a distribuir tais remédios em setembro, quando o estoque dos comprimidos adquiridos da Merck, Sharp & Dohme chegará ao fim. - Não há risco de desabastecimento. Todo o processo foi planejado. Tenho certeza de que o todo o esquema montado pelo governo funcionará - declarou o ministro. - Não há nenhuma possibilidade de que os pacientes não tenham acesso aos medicamentos. O Ministério da Saúde estima que 600 mil pessoas tenham HIV no país. Do total, 200 mil recebem medicamentos do governo. Cada paciente recebe um coquetel de três a quatro medicamentos, escolhidos entre 17 remédios, dependendo de cada caso. A distribuição, feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi determinada pela Lei 9.313, de 1996. O Efavirenz é consumido por 38% dos brasileiros portadores de HIV assistidos pelo governo. O primeiro medicamento fornecido pelo SUS foi o AZT, em 1991. No ano passado, o governo brasileiro gastou R$ 960 milhões com a distribuição de medicamentos usados no Programa Nacional de DST e Aids. Segundo o ministro da Saúde, os US$ 30 milhões economizados com a compra do Efavirenz genérico serão investidos no combate a outras doenças contraídas pelos portadores de HIV, como hepatite B e C.

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Lula anuncia licenciamento de remédio

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz, o que, na prática, representa a quebra da patente do medicamento. Lula afirmou que, se for necessário, o mesmo poderá ocorrer com outros remédios. "Estamos dando um passo importante. Vale para este remédio e para tantos outros que forem necessários", disse, na cerimônia de licenciamento compulsório do medicamento, fabricado pelo laboratório Merck Sharp&Dohme. O Efavirenz é um anti-retroviral consumido por 75 mil pacientes de Aids na rede pública. A estimativa do governo é que a quebra da patente traga uma economia de US$ 30 milhões ao ano até 2012. Com a medida, o país pode iniciar a produção do remédio ou importar genéricos. As negociações para a redução do preço do comprimido (US$ 1,59) eram feitas desde o ano passado. No entanto, a proposta do laboratório, de uma redução de 30% do valor, foi considerada insatisfatória pelo Ministério da Saúde, que pode importar medicamento similar por US$ 0,45. A alegação do governo brasileiro era de que o Brasil paga ao laboratório 136% a mais do que é cobrado pela Merck em outros países, como a Tailândia, que atende 17 mil pessoas. O presidente reafirmou que o acesso ao tratamento médico ficará acima dos interesses comerciais. "Se não tiver preços justos, nós vamos tomar esta decisão. Entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós vamos cuidar da nossa saúde", disse.

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País quebra patente de droga antiaids

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em ato inédito, presidente assina decreto permitindo a compra de genérico do Efavirenz, por questão financeira  Em decisão inédita e polêmica, o governo brasileiro concluiu ontem o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional usando o argumento de que havia a necessidade de assegurar a viabilidade financeira do programa de atendimento a pacientes com aids, considerado modelo no mundo. Conforme antecipou o Estado na edição do dia 25 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de licenciamento compulsório do Efavirenz, produzido pelo laboratório americano Merck Sharp & Dohme e usado no tratamento da doença. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e a fabricação do remédio no País, o que pode ocorrer num segundo momento. A Merck informou ontem que fez "diversas" ofertas ao governo, sendo que a última delas previa redução de 30% nos preços oferecidos ao Brasil, mas nenhuma foi aceita. A empresa estuda a decisão pela quebra da patente e não divulgou se recorrerá à Justiça. De acordo com João Sanches, diretor de Comunicação da Merck, a última proposta poderia reduzir em US$ 13 milhões os gastos com a compra do Efavirenz. "Desde que foi lançado, em 1999, reduzimos o preço em 77%", afirma. O Brasil queria que a Merck cobrasse o mesmo valor oferecido à Tailândia - US$ 0,65 a unidade. Sanches disse que a diferença entre os preços do Efavirenz nos dois países é decorrente de acordos internacionais que estabelecem valores distintos variando pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e incidência da doença na população. Segundo Sanches, o preço pago hoje pelo País, com exceção da Tailândia e países africanos, é o menor do mundo. Já o governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará US$ 30 milhões por ano com os genéricos, valor que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com aids. O valor pago ao laboratório por ano chega a US$ 42,9 milhões. A partir de setembro, o Ministério da Saúde pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por US$ 0,45, valor inferior ao US$ 1,56 cobrado pela Merck. REPERCUSSÃO O ministério pagará ao laboratório, como royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos, o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo "quebra de patente". Tanto o governo americano como entidades ligadas aos laboratórios criticaram o Brasil pela decisão, comemorada, de outro lado, por representantes de ONGs e pacientes. "Não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina, o dado concreto é que o Brasil não pode ser tratado como se não merecesse respeito", disse Lula. O presidente criticou a Merck, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que o oferecido em países como a Tailândia. "Pagar US$ 1,60 dólar por um remédio vendido em outro país por US$ 0,60 é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico", disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST/Aids participaram da solenidade em que Lula anunciou a medida e aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. "Toda descoberta deveria ser fixada como patrimônio da humanidade, o inventor, o criador poderia ganhar o seu dinheiro, mas isso deveria ser da humanidade", disse. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros." Desde a gestão de José Serra, atual governador de São Paulo, na pasta da Saúde (1998-2002), o governo ameaçava os laboratórios multinacionais com licença compulsória. Primeiro, há um processo de negociação para reduzir os preços dos medicamentos. Depois, o governo divulga portaria declarando o produto de interesse público. Por fim, o presidente da República assina decreto de quebra de patente. Em duas ocasiões, o ministério chegou a anunciar a quebra de patente, mas o governo recuou. Em 2001, o então ministro Serra anunciou portaria tornando a patente do anti-retroviral Nelfinavir, do suíço Roche, de utilidade pública. O mesmo ocorreu com o medicamento Kaletra, da Abbott, em 2005, na gestão do petista Humberto Costa. Depois, os laboratórios negociaram a redução. Lula tirou proveito político da decisão: "Com o mesmo cuidado que temos para cuidar de um pobre com o Bolsa Família queremos cuidar dos nossos companheiros que foram infectados". Dos pacientes que recebem medicamentos anti-retrovirais, 38% usam o Efavirenz. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defensor da medida, não foi possível um acordo com a Merck. COLABOROU EMILIO SANT'ANNA

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Lula assina ato que determina quebra de patente de remédio

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem ato determinando a quebra de patente do medicamento Efavirenz, utilizado no tratamento contra a Aids. O medicamento é produzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, explicou, durante a solenidade de assinatura do ato, o processo de quebra de patente. Ele informou que recebeu telefonemas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e do laboratório Merck para conversar sobre o assunto. Em parecer encaminhado ao Palácio do Planalto, Temporão informou que a mesma pílula do remédio vendida no mercado nacional por US$ 1,59 sai por US$ 0,65 na Tailândia. Ao quebrar a patente do anti-retroviral Efavirenz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que tomará a mesma medida se outros medicamentos forem vendidos a preços fora da realidade brasileira. Em discurso de improviso, ele ressaltou que investirá recursos do BNDES no Farmanguinhos, laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, que mais à frente poderá produzir genéricos para o tratamento de pessoas com Aids. “Hoje é o Efavirenz, mas amanhã pode ser para qualquer outro comprimido”, disse. “Se não tiver com os preços que são justos, não apenas para nós, mas para todo ser humano do Planeta que está infectado, temos que tomar essa decisão.” Ele sugeriu que a quebra de patente poderia ter ocorrido já no primeiro mandato. O governo tenta reduzir o preço do anti-retroviral desde novembro. “A verdade é que 61% do povo brasileiro me deu o segundo mandato exatamente para fazer o que não foi possível no primeiro mandato”, disse. “Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde.” Especialista em patentes, o advogado Rana Gosain avalia que o direito público da patente dá respaldo ao Brasil em qualquer briga nos tribunais internacionais. “Do ponto de vista do mundo da patente, a decisão do governo é um absurdo”, disse Gosain. “Mas isso é uma questão de vida, de direito público”, pondera. Ele atua em escritório que defende grandes laboratórios nacionais e multinacionais. Gosain observa que um laboratório gasta em média no exterior US$ 800 milhões e cerca de 13 anos para conseguir colocar um medicamento no mercado, recursos e tempo necessários para o desenvolvimento de pesquisas e de licenças. Uma patente, diferentemente de uma marca, tem na maioria dos países prazo de vigência de 20 anos, como ocorre no Brasil. Como a licença é pedida logo no início das pesquisas, o laboratório tem sete anos para garantir o retorno do investimento e o lucro com o produto. “O licenciamento compulsório (nome oficial dado pelo governo) nada mais é que a quebra de patente, pois você concede licença para outro fabricar.” O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse acreditar que o fabricante do Efavirenz não fará ameaças nem represálias à decisão de quebra de patente do medicamento. “Não acredito, o Merck é um laboratório que está há décadas no Brasil”, afirmou. Ele observou que o mercado brasileiro é um dos dez maiores, movimentando cerca de US$ 10 bilhões por ano. Temporão disse que a indústria da Índia tem condições de vender genéricos de “qualidade comprovada”. Ele evitou comentar sobre outros medicamentos que poderiam ter a patente quebrada.

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Brasil quebra patente e importa remédio da Índia

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Cerca de 75 mil pacientes tomam o Efavirenz, que faz parte do coquetel de medicamentos anti-AIDS. Empresa fabricante afirma que país ameaça ambiente comercial internacional  Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a quebra da patente do Efavirenz, principal medicamento usado no coquetel do tratamento da AIDS. A alegação do governo é de que o fabricante, o laboratório norte-americano Merck, se recusou a vender o remédio pelo preço desejado pelo . O Brasil pagava US$ 1,59 por comprimido e, com a medida, poderá pagar US$ 0,45, ecnomizando US$ 30 milhões por ano. Depois de assinar o decreto de licenciamento compulsório, que significa a quebra de patente com pagamento de royalties, Lula avisou que poderá tomar decisão semelhante em relação a outros remédios. Entre o comércio e a saúde, assinalou o presidente, o governo fica com a saúde. "Isso vale para este remédio e vale para tantos outros quantos forem necessários", afirmou, ressaltando: "É importante deixar claro: não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado". A decisão foi anunciada no Palácio do Planalto, em auditório lotado de representantes de organizações não-governamentais (ONGs) ligadas à saúde. Lula reclamou do preço alto cobrado pelo Efavirenz. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros", disse, ameaçando: "Amanhã, pode ser outro comprimido, se não tivermos preços justos". A medida permitirá a importação do genérico do Efavirenz, fabricado na Índia e vendido a US$ 0,45 o comprimido de 600 miligramas, até que seja possível produzi-lo no Brasil. A expectativa do governo é de iniciar a fabricação no país em um ano. Há três laboratórios indianos (Cipla, Ranbaxy e Aurobindo), testados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que podem atender o país, informou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ele explicou que a quebra de patente será por cinco anos, com possibilidade de prorrogação. Nesse período, o Brasil economizará US$ 236,8 milhões . Aproximadamente 75 mil dos 200 mil doentes de AIDS no país usam o medicamento, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A tendência é aumentar a quantidade de usuários. "Esses números mostram, de maneira clara e inequívoca, a necessidade do licenciamento compulsório", ressaltou o ministro. Lula contou que, ao receber do a proposta de quebra de patente, determinou o exame do assunto pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelo Ministério das Relações Exteriores. Ele queria ter certeza de que a medida tinha respaldo legal, tanto na legislação brasileira quanto internacional, e não seria questionada. SegundoTemporão, a decisão se fundamenta nos acordos internacionais de comércio e já foi adotada por diversos países, como Itália e Canadá. O governo chegou a ser procurado pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, na tentativa de intermediar a negociação, depois que o , em 24 de abril, declarou o medicamento de interesse público. O máximo de desconto oferecido pela Merck foi de 30%. Para viabilizar o programa anti-AIDS seria preciso um desconto de pelo menos 60%. Essa é a primeira vez que o Brasil quebra uma patente. Desde 2001, entretanto, o governo tem recorrido a ameaças, para negociar preços com as indústrias farmacêuticas. O primeiro medicamento a entrar na mira foi o Nelfinavir, fabricado pelo laboratório Roche. Em agosto de 2001, o então ministro da Saúde, o tucano José Serra, chegou a anunciar o licenciamento compulsório da patente, depois de nove meses de negociações. Mas a medida foi suspensa no mesmo dia, porque a Roche aceitou reduzir o preço em 40%. Houve outras tentativas, como em 2003, primeiro ano do governo Lula, quando o ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou a mesma medida, também parao Nelfinavir. Com a estratégia, em janeiro de 2004, foi feito um acordo de abatimento de 37% nos preços de quatro medicamentos, além do Nelfinavir. "Isso vale para este remédio e vale para tantos outros quantos forem necessários. Não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina" • Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Governo negocia com outro laboratório Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou que, a partir de setembro, o Brasil deve começar a distribuir o genérico do anti-retroviral Efavirenz, que será importado da Índia. Segundo ele, o governo pagará US$ 0,45 por comprimido contra US$ 1,59 que vinha sendo cobrado pelo laboratório Merck Sharp & Dohme. Temporão não acredita que o país sofra, com a decisão da quebra de patente, alguma retaliação na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Não, a decisão brasileira foi tomada totalmente dentro do que estabelece o acordo de Trips e dentro do que estabelece a lei brasileira de proteção de patentes", garantiu. O , avisou Temporão, está negociando com outro laboratório que fabrica medicamentos contra a AIDS. No entanto, segundo o ministro, as negociações caminham bem e pode não ser necessário adotar uma medida radical, como no caso do Efavirenz. Ele reforçou que não foi possível um acordo com a Merck. "Foi um caso muito especial, em que o Brasil, de maneira firme, defendeu o interesse público. Infelizmente, não houve possibilidade de acordo com a empresa. Isso, efetivamente, marca uma nova etapa do Programa de DST/AIDS, mas o que eu quero dizer é que, neste momento, o único medicamento que esteve sob essa perspectiva e que fez parte desse tipo de decisão foi, única e exclusivamente, o Efavirenz", afirmou. Com o licenciamento compulsório, o governo pagará à Merck 1,5%, a título de royalties, sobre o volume de recursos com os gastos de aquisição dos laboratórios indianos. "É importante chamar a atenção pelo fato de que, com essa decisão, o Brasil vai economizar por ano o equivalente a U$ 30 milhões. Esses recursos serão reinvestidos no programa e na ampliação do acesso dos nossos pacientes ao tratamento de outras patologias que convivem com a AIDS, como, por exemplo, a hepatite B e C. DECEPÇÃO O laboratório Merck Sharp & Dohme divulgou nota na qual afirma estar surpreso e decepcionado com a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do Efavirenz. A empresa alega que havia solicitado prazo até 27 de abril, para fazer a contraproposta na negociação sobre a redução do preço do medicamento e que dependia de aprovação da sede, nos Estados Unidos. O laboratório teria sido avisado da intenção do governo de licenciar compulsoriamente o remédio apenas na terça-feira. Segundo a empresa, o desconto oferecido de 30% sobre o valor de cada comprimido atende ao interesse brasileiro, porque leva em conta a ampliação do programa de atendimento público universal de pacientes de AIDS, além de critérios estabelecidos, em 2001, pela Organização das Nações Unidas, como a taxa de prevalência da doença e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O ministro da Saúde rebateu: "Esses critérios são problema deles, não do governo brasileiro". Na nota divulgada no início da noite, o laboratório ressalta ainda que o licenciamento compulsório não é a melhor solução para o país. O laboratório afirma que, entre todos os medicamentos que fazem parte do coquete anti-AIDS comprados pelo governo brasileiro, o Efavirenz é o que apresenta o menor preço. " O valor do medicamento praticado pela empresa no Brasil é um dos mais baixos do mundo. Apenas países considerados subdesenvolvidos, de acordo com critérios da Organização das Nações Unidas ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é considerada alta (superior a 1% do número total de habitantes), os preços são mais baixos que os praticados no país", assinala o texto. Entidades se unem e reprovam decisão O setor acredita que o país terá dificuldades de acesso, no futuro, a investimentos de empresas do setor farmacêutico, visando à produção de remédios de ponta São Paulo - A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) classificou como contraditória a decisão do governo federal de assinar o licenciamento compulsório do anti-retroviral Efavirenz. Em nota, a entidade diz que "a decisão levanta dúvidas em relação a manifestações recentes do , segundo as quais o principal objetivo da pasta é criar um complexo industrial da saúde no país". A entidade afirma que, com a quebra de patente, o governo opta "pela mera importação de medicamentos e matérias-primas para anti-retrovirais", sem estimular laboratórios nacionais e atrair de investimentos externos. "Para um país que está adotando medidas estratégicas de incentivo à inovação e se propõe a viabilizar um complexo produtivo da saúde, o recurso à licença compulsória, nos termos em que se deu, parece uma grande contradição", assinala a nota, que ressalta ainda que o Brasil não tem capacitação tecnológica para fabricar ou desenvolver medicamentos de ponta para o tratamento da AIDS. "A licença compulsória, no contexto em que está sendo decretada, abre caminho apenas para a troca de fornecedores internacionais, sem contribuir em nada para a consolidação de uma indústria farmacêutica forte e inovadora no país", avalia a Febrafarma MULTINACIONAIS As principais multinacionais do setor farmacêutico também não pouparam o governo brasileiro e criticaram sua decisão de quebrar patentes. A Federação Internacional de Indústrias Farmacêuticas atacou a política do governo e alertou que considera a atitude postura de confronto. O setor acredita que o país terá dificuldades em ter acesso, no futuro, a investimentos de empresas do setor farmacêutico visando a produção de remédios de ponta. Composta pelas maiores empresas do mundo, como Novartis, Merck, e presidida por Fred Hassan, executivo da Schering-Plough, a entidade alerta que decretar licenças compulsórias "não é a solução para garantir maior acesso aos remédios".

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US$ 30 mihões economizados serão usados em programa e tratamentos anti-Aids

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O Ministério da Saúde reinvestirá os US$ 30 milhões economizados anualmente com a quebra da patente do anti-retroviral Efavirenz no próprio programa DST/Aids e na ampliação do acesso ao tratamento de outras doenças relacionadas com a Aids. A economia representa 4,6% do orçamento previsto para o programa neste ano, que é de R$ 1,3 bilhão. "É importante chamar a atenção que, com essa decisão, o Brasil vai economizar por ano o equivalente a US$ 30 milhões. Esses recursos serão reinvestidos no programa DST/Aids e na ampliação do acesso dos nossos pacientes ao tratamento de outras patologias que convivem com a Aids, como, por exemplo, a hepatite B e hepatite C", afirmou o ministro José Gomes Temporão. Pelos cálculos da Saúde, até 2012 -quando expirará a patente do anti-retroviral- a economia a ser alcançada com a quebra da patente será de US$ 236,8 milhões. Esse valor considera os preços ofertados pela Merck no contrato de 2007. Temporão explicou que o montante também já inclui os gastos do governo com o pagamento de royalties ao laboratório. O governo pagará 1,5% de royalties sobre o volume de recursos gastos na importação do anti-retroviral genérico produzido na Índia. O percentual foi definido pelo governo com base na regras da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para o caso de licenciamento compulsório de medicamentos anti-retrovirais, o padrão recomendado varia de 0,5% a 4%. O ministério informou que, se a empresa contestar o índice de 1,5%, o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) poderá arbitrar a remuneração. Hoje, os custos do governo com os preços praticados pela Merck são de US$ 580 por paciente/ano. Isso representa um gasto anual de US$ 42,9 milhões. No total, o orçamento da Saúde prevê gastos de R$ 984 milhões com compra de medicamentos de combate à Aids. A Merck adota uma política de preços diferentes de acordo com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e/ou a prevalência do vírus da Aids no país. O governo destaca que essa política desconsidera, por exemplo, o grau de acesso da população ao medicamento. Durante as negociações, o Brasil pediu, no mínimo, o mesmo preço cobrado na Tailândia -cerca de US$ 0,65 por comprimido. A Merck não aceitou a proposta.

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Um duro remédio

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em decisão inédita, presidente Lula anuncia a quebra da patente de Efavirenz, usado no tratamento da Aids Pela primeira vez na história, o governo brasileiro cumpriu a ameaça de quebrar a patente de um medicamento usado no coquetel anti-Aids. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o decreto de licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz. A alegação é que o laboratório norte-americano Merck, detentor da patente do remédio, recusou-se a reduzir o preço. O Brasil pagava US$ 1,59 por comprimido de Efavirenz. Com a medida, o preço será de US$ 0,45, o que resultará numa economia de US$ 30 milhões por ano. Depois de assinar o decreto, Lula avisou que pode recorrer novamente à medida. Ele disse que, entre o comércio e a saúde, o governo fica com a saúde. "Isso vale para este remédio e vale para tantos outros quantos forem necessários", afirmou. "É importante deixar claro: não importa se a firma for americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado." O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, em auditório lotado de representantes de ONG ligadas à saúde. Lula reclamou do preço alto cobrado pelo Efavirenz. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros", disse, ameaçando. "Amanhã pode ser outro comprimido, se não tivermos preços justos." O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, minimizou as declarações de Lula. Afirmou que não há nenhum outro caso que necessite da quebra de patente. Segundo o ministro, existe um medicamento que tem o preço considerado alto pelo governo, mas as negociações com o fabricante "estão caminhando muito bem". Temporão afirmou, entretanto, que o anúncio da quebra de patente faz parte da política governamental de tornar os medicamentos acessíveis. O licenciamento compulsório permitirá ao Brasil importar o genérico do Efavirenz, fabricado na Índia e vendido a US$ 0,45 o comprimido de 600 miligramas, até que seja possível produzi-lo no Brasil. A expectativa do governo é iniciar a produção no país dentro de um ano. De acordo com o Ministério da Saúde, há três laboratórios indianos (Cipla, Ranbaxy e Aurobindo), testados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que podem atender o país. Temporão afirmou que a quebra de patente será por cinco anos, com possibilidade de prorrogação. Nesses cinco anos o Brasil economizará US$ 236,8 milhões. O ministro ressaltou que, atualmente, 75 mil dos 200 mil doentes de Aids usam o medicamento, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A tendência é aumentar a quantidade de usuários. "Esses números mostram de maneira clara e inequívoca a necessidade do licenciamento compulsório", afirmou. Lula afirmou que ao receber a proposta de quebra de patente determinou o exame do assunto pela Advocacia Geral da União (AGU) e pelo Ministério das Relações Exteriores. Ele queria ter certeza de que a medida tinha respaldo legal, tanto na legislação brasileira quanto internacional, e não seria questionada. Segundo Temporão, a medida tem respaldo nos acordos internacionais de comércio e já foi adotada por diversos outros países, como Itália e Canadá. O ministro disse que chegou a ser procurado pelo embaixador dos EUA, Clifford Sobel, que se dispôs a intermediar a negociação com o laboratório. Mas o máximo de desconto oferecido pela Merck foi de 30%, proposta recusada. Para viabilizar o programa, seria preciso um desconto de pelo menos 60%.

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Para laboratório, decisão cria instabilidade

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Merck afirma que governo brasileiro não se interessou em negociar preço do Efavirenz, mas nega que haverá retaliações Com a quebra da patente, outras empresas poderão deixar de investir em algumas pesquisas no Brasil, diz diretor do laboratório DA REPORTAGEM LOCAL Após lamentar o ato do governo brasileiro de quebrar a patente do Efavirenz, remédio usado no tratamento da Aids, a Merck Sharp & Dohme, fabricante do produto, acusou ontem o Ministério da Saúde de não querer negociar preços e afirmou que a decisão poderá causar instabilidade no setor farmacêutico brasileiro. De acordo com o diretor de comunicação corporativa da Merck, João Sanches, a empresa lamenta a decisão, já que os fabricantes precisam de segurança e garantia para continuar pesquisando. "Ao nosso entender, era desnecessária [a decisão] porque estávamos tentando negociar", disse Sanches. O diretor disse que a empresa havia feito uma proposta ao governo de redução de 30% do valor do remédio (de US$ 1,57 para US$ 1,10). "Eles não quiseram negociar, disseram que não atendia ao interesse público. Chegamos a fazer uma nova proposta por telefone, abaixo do US$ 1,10, e nem recebemos resposta. Acho que o governo não tinha interesse em fazer a negociação." A proposta do Ministério da Saúde era a de comprar o remédio por US$ 0,65, valor praticado em países considerados subdesenvolvidos, de acordo com critérios da ONU, ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é superior a 1% do número total de habitantes (no Brasil, representa 0,85% da população). Em países com situação econômica similar à do Brasil, o preço do comprimido de 600 mg do medicamento é de US$ 1,80. Sem retaliação Apesar de acusar o Ministério da Saúde de não querer negociar o preço do medicamento, Sanches disse que a empresa não deixará de trazer novos produtos ao Brasil. "Não faremos retaliação, seria uma irresponsabilidade", afirmou. "Mas pode ser que haja empresas que não queiram correr o risco de ter sua propriedade intelectual quebrada pelo governo brasileiro, que deixem de investir em algumas pesquisas ou até que optem por não montar fábricas aqui." A quebra da patente, diz, cria uma instabilidade no setor. "Essa é uma área que precisa de estabilidade a longo prazo para que as pesquisas progridam e possam ter recursos. A longo prazo, eu não tenho a menor dúvida de que essa decisão vai afetar o ambiente de negócios, a atração de investimentos, a geração de empregos, não só para multinacionais como para empresas nacionais porque foi deixado claro que a decisão não é só para esse produto." Recurso na Justiça O diretor também disse que a Merck ainda estudará se entrará com algum tipo de recurso judicial. "É muito cedo para avaliarmos o que faremos daqui para frente, ainda estamos analisando o teor do decreto. É prematuro dizer se entraremos em uma briga judicial", disse. "Não existe jurisprudência para casos como este em todo o mundo. Na Tailândia, por exemplo, onde houve quebra de patente, o caso ainda está tramitando e não tomamos uma decisão. Mas lá o país vive uma ditadura. É diferente." A Merck, afirmou Sanches, já reduziu em 77% o preço do Efavirenz desde 1998, quando começou a vender o produto para o Mistério da Saúde. "O problema é que o novo ministério não reconhece esse histórico." Frases "Ao nosso entender, era desnecessária [a decisão] porque estávamos tentando negociar" JOÃO SANCHES diretor de comunicação corporativa da Merck, fabricante do Efavirenz "A fala do presidente mostrou que a questão não é um problema individual com a Merck. Qualquer um está sujeito" GABRIEL TANNUS presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa "Não vejo como a mudança de comprador [da Merck para os fabricantes na Índia] pode impulsionar o desenvolvimento do setor" CIRO MORTELLA presidente-executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica "Esperamos que essa não seja apenas uma ação política para mostrar à sociedade como o governo é forte. O preocupante é que este ato não incentiva o desenvolvimento da pesquisa" ALEXANDRE GEYER presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais "A proteção à propriedade intelectual é fator crítico para assegurar o crescimento da inovação e do desenvolvimento tecnológico do Brasil" CÂMARA AMERICANA DE COMÉRCIO em nota oficial

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