maio 2007

Indústria reage à medida

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Laboratórios reclamam de decisão e advertem: quebra da patente desestimula investimentos no país. Merck lamenta que governo suspendeu negociações  A quebra da patente do medicamento anti-retroviral Efavirenz, um dos principais componentes do coquetel usado no tratamento da Aids, pode ter repercussões negativas sobre os investimentos estrangeiros no país, podendo elevar o risco-Brasil. A avaliação é de representantes da indústria farmacêutica. Eles consideraram grave o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter ameaçado adotar medida semelhante para outros medicamentos. "Pode desencadear percepções negativas em relação ao ambiente de negócios no país", reagiu a Merck Sharop & Dohme, laboratório que produz o Efavirenz. Para a Federação Internacional de Indústrias Farmacêuticas, o governo brasileiro adotou uma postura de confronto, que dificultará o acesso a investimentos de empresas do setor farmacêutico para a produção de remédios. A decisão de recorrer à licença compulsória do Efavirenz "não é solução para garantir acesso aos remédios". O caminho, na visão das indústrias, é o financiamento adequado e colaboração com empresas inovadoras. Por meio de nota, a Merck Sharp&Dohme acusou o Ministério da Saúde de suspender as negociações "prematuramente". A empresa alega que o comprimido de Efavirenz custa menos do que em outros países em desenvolvimento, onde o medicamento é vendido a US$ 1,80. O preço cobrado do Brasil, segundo a empresa, é 86% inferior ao adotado nos Estados Unidos. Contradição "O marco regulatório tem que ser estável, senão o investimento vai embora. Você acha que a Petrobras vai colocar dinheiro na Bolívia?" provocou o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus. O presidente da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Ciro Mortella, considerou a medida contraditória em relação à política industrial brasileira e à proposta do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, de fortalecer o setor de saúde e novos laboratórios nacionais. Segundo Tannus, outra questão é que a validação pela OMS não assegura a qualidade dos medicamentos produzidos pelos laboratórios indianos, que vão fornecer o produto ao Brasil. Não há prova, segundo o representante da indústria farmacêutica, de que esses medicamentos tenham as propriedades exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar a comercialização de um remédio genérico. Ele lembrou que os produtos ainda sequer foram registrados na Anvisa. Tannun afirmou que o modelo de produção usado na Índia dificulta o controle de qualidade. "Não acho que a qualidade da Índia seja suficiente para atender às exigências do Brasil", comentou. Previsões A reação inicial, entretanto, ficou mais centrada no impacto sobre os negócios. No primeiro momento, na avaliação de Ciro Mortella, haverá uma paralisação nos investimentos, porque a quebra de patentes é uma medida a ser usada em "casos de extrema gravidade". "Qual é a dimensão de uma medida dessas?" questionou. Ele lembra que se trata de uma "medida nova" que vai exigir avaliação dos investidores: "Não temos experiência nisso". Ele pondera que a medida pode ser aplicada também a empresas nacionais. Na sua avaliação, o assunto deve dominar a reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS), marcada para a próxima semana. Para Gabriel Tannus, o governo está responsabilizando a indústria quando o problema real é a falta de recursos para a saúde. Ele disse que, nos últimos anos, os gastos do Ministério da Saúde com o programa de combate à Aids tem ficado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. De acordo com o ministério, o orçamento para 2007 é de R$ 960 milhões. Tannus afirma que o valor é irreal, por se tratar de uma estimativa do orçamento e não o que será efetivamente aplicado. O investimento tem se mantido constante, apesar do aumento do número de pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porque o ministério tem negociado com a indústria. "Houve redução de preços", afirma. Críticas nos EUA A Câmara de Comércio dos Estados Unidos reagiu com veemência à decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do medicamento contra o HIV e Aids dos laboratórios Merck. Uma nota emitida pela entidade chega a insinuar que a troca do remédio Efavirenz por um genérico fabricado na Índia poderia ser encarada como contrabando ou pirataria. A Câmara reagiu dizendo que recebia "com alarme" a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decretar o licenciamento compulsório daquela droga. E que essa atitude "envia um sinal perigoso para a comunidade de investidores". A nota, assinada pelo tenente-general da reserva Daniel W. Christman, vice-presidente para assuntos internacionais da Câmara de Comércio americana, dizia que a quebra da patente significou "um grande passo atrás para o desenvolvimento do país" que vem tratando de atrair investimentos em indústrias que dependem da propriedade intelectual. "Isso provavelmente fará com que os investimentos sejam feitos em outros países", alertou Christman, que classificou como uma ironia o fato de o Brasil ter decretado o licenciamento compulsório poucos dias depois de receber um elogio do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) por estar melhorando na proteção aos direitos de propriedade. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos se declarou "desapontado" com o fracasso das negociações entre o governo brasileiro e a Merck a respeito da patente do Efavirenz. Memória Briga começou em 2001 Esta é a primeira vez que o governo brasileiro quebra efetivamente uma patente. Desde 2001, entretanto, o Brasil tem recorrido a ameaças para negociar preços com as indústrias de medicamentos. O primeiro medicamento a entrar na mira do governo foi o Nelfinavir, fabricado pelo laboratório Roche. Em agosto de 2001, o então ministro da Saúde, o tucano José Serra, chegou a anunciar o licenciamento compulsório da patente do medicamento, depois de nove meses de infrutíferas negociações. A medida foi suspensa no mesmo dia do anúncio, porque a Roche aceitou reduzir o preço em 40%. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou que poderia decretar o licenciamento compulsório para fabricação do Nelfinavir no Brasil. Era uma estratégia para forçar o laboratório a negociar preços, o que possibilitou, em janeiro de 2004, um acordo de abatimento de 37% nos preços de quatro medicamentos, além do Neltinavir. Em junho de 2005, Humberto Costa, que ainda ocupava o cargo de ministro da Saúde, declarou o anti-retoviral Kaletra, fabricado pelo laboratório Abbot, de interesse público. Essa declaração é a primeira medida para a quebra da patente. Um mês depois do anúncio, porém, o Ministério da Saúde anunciou a celebração de um acordo com a Abbot, com redução do preço do medicamento por seis anos e ainda acesso à nova fórmula do Kaletra (Lopinavir mais Ritonavir) e transferência de tecnologia da formulação do produto. De acordo com o Ministério da Saúde, o preço do comprimido de Kaletra caiu de US$ 1,17 para US$ 0,63, o que vai representar economia de US$ 339,5 milhões até 2011. O licenciamento compulsório decretado pelo governo brasileiro é uma autorização para que outras empresas, além da Merck, possam explorar a patente sem o seu consentimento. O dispositivo está previsto no Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionadas ao Comércio da Organização Mundial do Comércio e na Lei de Propriedade Industrial Brasileira. Outros países que já decretaram licenciamento compulsório para produtos farmacêuticos foram Itália e Canadá. Especificamente para anti-retrovirais - caso do Efavirenz - saíram na frente Moçambique, Malásia, Indonésia e Tailândia.

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Aids: Brasil compra guerra

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do Efavirenz, medicamento usado no tratamento contra a Aids, permitirá que o país economize US$ 30 milhões por ano. Em vez de pagar US$ 1,59 por comprimido ao laboratório americano Merck Sharp & Dohme, o Brasil desembolsará US$ 0,45 por genérico produzido na Índia - uma redução de 72% no preço. A medida provocou a reação imediata de representantes da indústria farmacêutica. Segundo eles, a iniciativa pode ter repercussões negativas sobre os investimentos estrangeiros no país. Um duro remédio Em decisão inédita, presidente Lula anuncia a quebra da patente de Efavirenz, usado no tratamento da Aids Pela primeira vez na história, o governo brasileiro cumpriu a ameaça de quebrar a patente de um medicamento usado no coquetel anti-Aids. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o decreto de licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz. A alegação é que o laboratório norte-americano Merck, detentor da patente do remédio, recusou-se a reduzir o preço. O Brasil pagava US$ 1,59 por comprimido de Efavirenz. Com a medida, o preço será de US$ 0,45, o que resultará numa economia de US$ 30 milhões por ano. Depois de assinar o decreto, Lula avisou que pode recorrer novamente à medida. Ele disse que, entre o comércio e a saúde, o governo fica com a saúde. "Isso vale para este remédio e vale para tantos outros quantos forem necessários", afirmou. "É importante deixar claro: não importa se a firma for americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado." O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, em auditório lotado de representantes de ONG ligadas à saúde. Lula reclamou do preço alto cobrado pelo Efavirenz. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros", disse, ameaçando. "Amanhã pode ser outro comprimido, se não tivermos preços justos." O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, minimizou as declarações de Lula. Afirmou que não há nenhum outro caso que necessite da quebra de patente. Segundo o ministro, existe um medicamento que tem o preço considerado alto pelo governo, mas as negociações com o fabricante "estão caminhando muito bem". Temporão afirmou, entretanto, que o anúncio da quebra de patente faz parte da política governamental de tornar os medicamentos acessíveis. O licenciamento compulsório permitirá ao Brasil importar o genérico do Efavirenz, fabricado na Índia e vendido a US$ 0,45 o comprimido de 600 miligramas, até que seja possível produzi-lo no Brasil. A expectativa do governo é iniciar a produção no país dentro de um ano. De acordo com o Ministério da Saúde, há três laboratórios indianos (Cipla, Ranbaxy e Aurobindo), testados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que podem atender o país. Temporão afirmou que a quebra de patente será por cinco anos, com possibilidade de prorrogação. Nesses cinco anos o Brasil economizará US$ 236,8 milhões. O ministro ressaltou que, atualmente, 75 mil dos 200 mil doentes de Aids usam o medicamento, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A tendência é aumentar a quantidade de usuários. "Esses números mostram de maneira clara e inequívoca a necessidade do licenciamento compulsório", afirmou. Lula afirmou que ao receber a proposta de quebra de patente determinou o exame do assunto pela Advocacia Geral da União (AGU) e pelo Ministério das Relações Exteriores. Ele queria ter certeza de que a medida tinha respaldo legal, tanto na legislação brasileira quanto internacional, e não seria questionada. Segundo Temporão, a medida tem respaldo nos acordos internacionais de comércio e já foi adotada por diversos outros países, como Itália e Canadá. O ministro disse que chegou a ser procurado pelo embaixador dos EUA, Clifford Sobel, que se dispôs a intermediar a negociação com o laboratório. Mas o máximo de desconto oferecido pela Merck foi de 30%, proposta recusada. Para viabilizar o programa, seria preciso um desconto de pelo menos 60%.

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Quebra de patente ameaça investimentos, dizem americanos

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

De Brasília 'Entre o comércio e a saúde, vamos cuidar da saúde', disse Lula A Câmara de Comércio dos Estados Unidos divulgou uma nota nesta sexta-feira em que critica a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do remédio Efavirenz, anti-retroviral utilizado no tratamento contra a Aids, e diz que a medida pode desestimular novos investimentos no país. "Poucos dias depois de o Brasil ser reconhecido por melhorar a aplicação dos direitos de propriedade intelectual, o governo deu um grande passo para trás", afirma, na nota, Daniel Christman, vice-presidente sênior para Assuntos Internacionais da Câmara. A Câmara de Comércio americana, que representa mais de 3 milhões de empresas nos Estados Unidos, diz que a decisão brasileira pode afastar os investimentos estrangeiros no país. "A questão é: o Brasil está trabalhando para atrair investimento em indústrias inovadoras, que dependem de propriedade intelectual, e esta decisão vai provavelmente fazer com que os investimentos vão para outro lugar", acrescenta a nota. "Encerrar as negociações com a Merck e tomar sua propriedade intelectual envia um sinal perigoso para os investidores", diz o texto. "Os pesquisadores da Merck investiram centenas de milhões de dólares para desenvolver este remédio. Claramente, ainda havia espaço para negociar uma solução aceitável para os dois lados", afirma. Proposta rejeitada Foi a primeira vez que o governo brasileiro anunciou o licenciamento compulsório de um medicamento, embora já tivesse ameaçado, em 2001 e 2003, fazer o mesmo com outros anti-retrovirais dos laboratórios Roche e Abbott. Nestes casos, as empresas reduziram o preço de venda ao governo e a patente foi mantida. A proposta da Merck, de conceder um desconto de 30%, foi rejeitada pelo Ministério da Saúde, que enviou ao gabinete presidencial a proposta de licenciamento compulsório do remédio, que pode ser importado da Índia ou produzido no Brasil. O governo americano não fez nenhum comentário sobre o assunto até a manhã desta sexta-feira. Em cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar a decisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a diferença de preço cobrada pela Merck, fabricante do remédio, no Brasil e em outros países, e ameaçou estender o licenciamento compulsório para outros remédios. "Hoje, é o Efavirenz. Amanhã, pode ser qualquer outro comprimido, se não tiver os preços justos", afirmou. "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde", disse o presidente. O Brasil paga US$ 1,59 por comprimido de Efavirenz, e propôs pagar US$ 0,65. A versão genérica, produzida na Índia, pode custar US$ 0,45 e gerar uma economia ao governo de US$ 30 milhões por ano. O presidente disse que o preço cobrado pela empresa não é justo "não só do ponto de vista ético, mas do ponto de vista político e econômico". "Como se o doente brasileiro fosse inferior ao doente da Malásia", afirmou Lula, na cerimônia. Pirataria A associação das empresas americanas também lembra que "ironicamente" a decisão do governo brasileira acontece pouco tempo depois de os americanos terem reconhecido os avanços do país na área de propriedade intelecutual. Na última segunda-feira, um relatório do Departamento de Comércio dos Estados Unidos reconheceu os "esforços vigorosos" do Brasil para combater a pirataria, apesar de afirmar que o problema ainda existe "em altos níveis" no país. O relatório anual incluiu 43 países em três listas. A primeira recomenda o monitoramento prioritário de violações da propriedade intelectual. A segunda determina o monitoramento não-prioritário. Depois de anos na primeira lista, o Brasil foi incluído na segunda lista neste ano. A Câmara americana lembra que o progresso na área foi um fator fundamental para a extensão, em dezembro, do Sistema Geral de Preferências, que permite a exportação de produtos brasileiros sem pagamento de impostos. Diante da decisão brasileira, a Merck divulgou uma nota sobre os riscos da medida para pesquisas sobre novas drogas. "Esta expropriação de propriedade intelectual manda um sinal desanimador para companhias que se baseiam em estudos sobre a atratividade de se realizar pesquisas arriscadas sobre doenças que afetam o mundo em desenvolvimento, potencialmente afetando pacientes que podem necessitar de novas e inovadoras terapias que poderiam salvar vidas", afirma a nota. A empresa também diz que o mundo desenvolvido não pode arcar com todos os custos dessas pesquisas e que o Brasil, como a 12ª maior economia do mundo, teria condições de pagar pelo medicamento.

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Leia a íntegra da nota oficial da Merck

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Desde 1996, trabalhamos junto ao Ministério da Saúde e com a classe médica na busca de alternativas para ampliar o alcance da população brasileira aos medicamentos para HIV/Aids. O mesmo se passou nesta nova discussão quando, prematuramente, o Ministério da Saúde encerrou as negociações com a Merck Sharp & Dohme. Atualmente, entre todos os medicamentos que fazem parte do coquetel anti-Aids comprados pelo governo brasileiro, o Efavirenz é o que apresenta menor preço. O valor do medicamento praticado pela empresa no Brasil é um dos mais baixos do mundo. Apenas países considerados subdesenvolvidos, de acordo com critérios da ONU (Organização das Nações Unidas) ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é considerada alta (superior a 1% do número total de habitantes), os preços são mais baixos que os praticados no país. Em outros países, com situação econômica similar à do Brasil, o preço do comprimido de 600 mg do Efavirenz é de US$ 1,80. Aqui, graças ao avanço nas negociações e em reconhecimento ao Programa Nacional de DST/Aids do governo brasileiro, o valor cobrado é de US$ 1,57. Esse valor é 86% menor que o preço praticado nos EUA e é superior apenas aos preços praticados na África subsaariana e na Tailândia. Na visão da empresa, o licenciamento compulsório não é a melhor solução para o país. Ao ameaçar uma patente, o Brasil transmite um sinal ruim para a comunidade internacional, uma vez que o preço do medicamento segue critérios acordados em fóruns internacionais. Tal ação, como já ressaltado por líderes responsáveis por questões de propriedade intelectual dos Estados Unidos, pode desencadear percepções negativas em relação ao ambiente de negócios no país, bem como às garantias dos investimentos de origem estrangeira. Uma análise na íntegra de nossas propostas seria bastante interessante em todo este processo, o que comprova nosso comprometimento contínuo em discussões que visem a continuidade do Programa Nacional de DST/Aids. Ressaltamos que o valor gasto em pesquisas até que um único medicamento seja lançado no mercado é de cerca de US$ 1 bilhão, e a manutenção das patentes é de extrema importância para que as empresas possam manter seus investimentos em pesquisas. É a única maneira de buscarmos medicamentos cada vez mais modernos e eficazes, que possam melhorar a qualidade de vida do maior número possível de pessoas. Sem um sistema de patentes efetivo e eficaz, há um sério risco de se negar às gerações futuras o benefício de novas drogas. Desde seu lançamento em 1998, reduzimos o preço do anti-retroviral STOCRIN(c) (Efavirenz) em 77%, chegando a um preço que representa apenas uma fração (10%) do preço vigente nos Estados Unidos. Em razão disso, foi possível tratar 155 mil pacientes em 2004 (duas vezes mais que em 1999) com um gasto de aproximadamente R$ 570 milhões, o que representou apenas 1,8% do gasto total do Ministério da Saúde nesse período. Em contrapartida, em 1999, com um gasto total de R$ 622 milhões, cerca de 3,2% dos gastos do Ministério da Saúde, foi possível o tratamento de 78 mil pacientes. Isso prova que, em seis anos de negociações comprometidas com o bem-estar dos pacientes que vivem com HIV/Aids, foi possível dobrar o número de pessoas atendidas e diminuir os gastos do governo. Reforçamos nosso compromisso contínuo na pesquisa de HIV/Aids e com orgulho informamos grandes avanços no desenvolvimento de um inibidor de integrase (gerando uma nova classe de medicamentos ainda mais potentes nesta luta contra a doença), além de vacinas, que certamente representarão duas importantes descobertas para o tratamento de HIV/Aids.

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Temporão não acredita em retaliação de laboratório por causa do licenciamento compulsório

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fala à imprensa após cerimônia de assinatura de ato de licenciamento compulsório de medicamento anti-retroviral Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não teme uma retaliação do laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme pelo fato de o Brasil ter decretado hoje (4) o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz. Na prática, com o licenciamento, o Brasil poderá comprar a versão genérica do medicamento (mais barata) ou produzi-lo. "Não acredito [em retaliação]. O Merck é um laboratório que está há décadas no Brasil, comercializa no mercado brasileiro vários produtos. Não tenho nenhum receio que possa haver algum tipo de interesse desse laboratório de se retirar de um mercado tão importante e que cresce ano a ano", disse, em entrevista, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar o decreto do licenciamento compulsório. Mesmo com o licenciamento, o governo brasileiro continuará a remunerar a empresa norte-americana, que detém a patente do Efavirenz, que faz parte do kit de medicamentos antiAids distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e usado no tratamento de 75 mil pessoas no Brasil. De acordo com Temporão, o laboratório receberá 1,5% dos recursos que serão gastos com a compra da versão mais barata. O Brasil passará a comprar o Efavirenz de três laboratórios indianos - Cipla, Ranbaxy e Aurobindo - que cobrarão US$ 0,45 por comprimido, enquanto a Merck cobra US$ 1,59. O genérico produzido pela Índia deve chegar ao Brasil em setembro. De acordo com o Ministério da Saúde, com o preço menor, o custo por paciente cairá de US$ 580 para cerca de US$ 163,22, o que significará uma economia de aproximadamente R$ 60 milhões para os cofres públicos até o final de 2007. Temporão informou que o dinheiro economizado será reinvestido no programa de tratamento da Aids e de outras doenças que afetam os portadores do vírus HIV, como Hepatite B e C. O ministro garantiu ainda que não há risco de desabastecimento do remédio Efavirenz. "Não há possibilidade de desabastecimento. Todo o processo foi planejado", disse Temporão.

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Quebra de patente beneficia 580 curitibanos

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Eles são usuários do remédio anti-Aids Efavirenz O remédio anti-Aids Efavirenz, que teve a licença compulsória decretada, é tomado por 580 curitibanos em tratamento de Aids. A droga podia ser comprada apenas do fabricante norte-americano Merck, Sharp & Dohme. Agora, o remédio pode ser comprado pelo governo brasileiro de outros laboratórios e a preços menores. Com a licença, o Ministério da Saúde economizará cerca de R$ 60 milhões por ano. “Quem depende desse remédio poderá até não perceber a diferença. Mas, com a economia decorrente da mudança das regras, será possível redirecionar os investimentos dentro do próprio programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), em benefício dos próprios doentes e portadores”, diz o vice-prefeito e secretário municipal da Saúde, Luciano Ducci. O Efavirenz é um dos 17 medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde para distribuição nos municípios.

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Lula quebra patente de remédio contra AIDS e ameaça laboratórios

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Lula assinou ontem decreto de licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz, do laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento de pacientes com AIDS, e avisou que tomará a mesma decisão se outros medicamentos forem vendidos a preços fora da realidade brasileira. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e a fabricação do medicamento no país, o que pode ocorrer em um segundo momento. É a primeira vez que o governo conclui o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por 45 centavos de dólar, valor inferior ao 1,56 dólar cobrado pelo Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará 30 milhões de dólares por ano com os genéricos, dinheiro que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório chega a 42,9 milhões de dólares ao ano. O ministério pagará ao Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos, o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo quebra de patente. O presidente criticou o laboratório, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. Pagar 1,6 dólar por um remédio vendido em outro país por 60 centavos de dólar é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico , disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade e aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. Entusiasmado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não foi possível um acordo com o Merck, que propôs reduzir em 30% o valor do medicamento.

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Lula ameaça e diz que pode adotar medida novamente

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou ontem que poderá quebrar mais patentes se outros medicamentos forem vendidos com preços fora da realidade brasileira. Num discurso improvisado, o presidente ressaltou que investirá recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Farmanguinhos, laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio, que mais à frente poderá produzir genéricos para o tratamento de pessoas com aids. "Hoje é o Efavirenz, mas amanhã pode ser para qualquer outro comprimido", disse Lula. "Se não tiver preços justos, não apenas para nós, mas para todo ser humano do planeta, temos de tomar essa decisão", justificou o presidente. "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da saúde." Especialista em patentes, o advogado Rana Gosain avalia que o direito público da patente dá respaldo ao Brasil em qualquer briga nos tribunais internacionais.

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Brasil quebra patente de remédio contra AIDS

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Medida permite a importação de versões genéricas e até a fabricação do medicamento no país BRASÍLIA - Pela primeira vez, o governo decidiu concluir o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem decreto de licenciamento compulsório do Efavirenz, do americano Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento de pacientes com AIDS. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e até a fabricação do medicamento no país, o que pode ocorrer num segundo momento. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por US$0,45, valor inferior ao US$1,56 cobrado pelo laboratório Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará US$30 milhões por ano com os genéricos, um dinheiro que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório por ano chega a US$42,9 milhões. O pagará ao laboratório Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos, o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo "quebra de patente". O presidente criticou o Merck, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. "Pagar US$1,6 por um remédio vendido em outro país por US$0,60 é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico", disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade em que Lula anunciou a medida. Eles aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. "Toda descoberta deveria ser fixada como patrimônio da humanidade, o inventor, o criador poderia ganhar o seu dinheiro, mas isso deveria ser da humanidade", disse. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros". Desde a gestão de José Serra, atual governador de São Paulo, na pasta da Saúde (1998-2002), o governo ameaçava os laboratórios multinacionais com licença compulsória. Primeiro, há um processo de negociação para reduzir os preços dos medicamentos. Depois, o governo divulga portaria declarando o produto de interesse público. Por fim, o presidente da República assina decreto de quebra de patente. Em duas ocasiões, o chegou a anunciar a quebra de patente, mas o governo acabou recuando. Em 2001, o então ministro José Serra anunciou portaria tornando a patente do anti-retroviral Nelfinavir, do suíço Roche, de utilidade pública. O mesmo ocorreu com o medicamento Kaletra, do americano Abbott, em 2005, na gestão do petista Humberto Costa. Depois de repercussão internacional a favor do governo, os dois laboratórios negociaram a redução dos preços. Dos pacientes que recebem medicamentos da rede pública, 38% usam o Efavirenz, segundo o governo. Em entrevista após a solenidade, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não foi possível um acordo com o presidente mundial do Merck. O laboratório propôs reduzir em 30% o valor do medicamento. O embaixador dos Estados Unidos, Clifford Sobel, telefonou, segundo o ministro, para falar da preocupação com a medida que atingia uma empresa americana. (AE) Multinacionais criticam decisão GENEBRA - As principais multinacionais do setor farmacêutico não poupam o governo brasileiro e criticam a decisão de Brasília de quebrar patentes. Ontem, a Federação Internacional de Indústrias Farmacêuticas atacou a política do governo e alertou que considera a atitude como uma postura de "confronto" por parte do Brasil. Para o setor, o país terá dificuldades para ter acesso a investimentos de empresas do setor farmacêutico para a produção de remédios de ponta no futuro. Composta pelas maiores empresas do mundo, como Novartis, Merck, e presidida por Fred Hassan, executivo da Schering-Plough, a Federação alerta que decretar licenças compulsórias "não é a solução para garantir maior acesso aos remédios". Na avaliação das indústrias, isso somente pode ocorrer por "financiamento adequado e colaboração com as empresas inovadoras que desenvolvem novas terapias e que garantem treinamento e monitoram a segurança nos mercados locais". O grupo também alerta para os eventuais problemas que o país terá no futuro para atrair investimentos nesse setor por parte das multinacionais farmacêuticas. "Com essa atitude, o governo cria uma situação contrária aos incentivos para a produção de novos medicamentos nesses países", afirmou a Federação com sede em Genebra. Já uma das principais organizações não-governamentais no setor de patentes, a Knowledge Ecology International, rebate os argumentos das empresas. "O Brasil está mostrando que o acordo de patentes da OMC não é letra morta", afirma a entidade em um comunicado. (AE)

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Quebra de patente terá economia de US$ 30 mi

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A patente quebrada foi do efavirenz, com a marca Stocrin, do fabricante norte-americano Merck Sharpe & Dohme. O governo anunciou que importará da Índia cópias não-patenteadas do medicamento LULA DECLAROU que a quebra de patente pode valer para outros remédios, se os preços forem injustos(Foto: RICARDO STUCKERT/PR) Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou ontem a primeira quebra de patente de um medicamento anti-Aids no Brasil, o efavirenz do laboratório norte-americano Merck Sharpe & Dohme, e ameaçou repetir a medida com outros fabricantes, se considerar que os preços praticados são injustos. O governo pretende importar cópias não-patenteadas do remédio, fabricadas por três laboratórios da Índia. Com isso, estima economizar US$ 30 milhões em 2007 com a troca. Diz que não há perda de qualidade ou risco de desabastecimento. "É um passo importante. Vale para este remédio, mas para tantos outros quanto necessário'' - afirmou Lula. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, declarou que no momento não há outros remédios sob ameaça de licenciamento compulsório. O licenciamento afeta duas patentes, a do efavirenz (expira em 2012) e a de um componente do processo de fabricação (2016). O licenciamento pode ser prorrogado. O governo não poderá comercializar os remédios importados dos laboratórios indianos Ranbaxy, Cipla e Aurobindo. Poderá apenas distribuí-los em seus programas de saúde. O governo tentou pressionar a Merck a reduzir o preço do Stocrin (nome de marca do efavirenz) de US$ 1,59 para US$ 0,65 (comprimido de 600 mg). Em 24 de abril, portaria declarou de interesse público do remédio. Na sexta passada, houve uma contraproposta de 30%, que não foi considerada "séria''. A exigência era 60%. A ameaça de quebra já rendeu descontos em dois anti-retrovirais, que inibem a multiplicação do HIV. Em 2001, José Serra (PSDB), então ministro da Saúde, ameaçou quebrar a do Nelfinavir da Roche. Em 2003, Humberto Costa (PT) usou a mesma estratégia com o Kaletra, da Abbott. O efavirenz é distribuído hoje a cerca de 75 mil pacientes gratuitamente e o custo programado antes da quebra da patente era de US$ 42 milhões. O governo sustenta que a patente continua respeitada porque haverá pagamento de 1,5% de royalties para Merck, exigência que consta do acordo Trips, de propriedade intelectual, da OMC para casos de licenciamento compulsório em situações de emergência nacional ou interesse público. No caso de anti-retrovirais, Tailândia, Malásia, Indonésia e Moçambique já quebraram patentes, mas houve retaliações. O País pretende fabricar o efavirenz no futuro. Mas é incerto se isso será possível a curto prazo, já que era a Merck que faria a transferência de tecnologia para o Brasil. (da Folhapress) ENTENDA O CASO - Como foram as negociações entre o governo federal e a Merck Sharpe & Dohme em relação ao preço do Efavirenz 1 -O que o laboratório ofereceu* Redução de 30% no preço de US$ 1,59 a unidade ou US$ 580 por paciente/ano 2 -O que o governo quer* Pagar US$ 0,65 por unidade ou US$ 246 por paciente/ano 3 - Contraproposta da Merck* US$ 1,11 por comprimido 4 -Preço do genérico* US$ 0,45 por comprimido 5 -Possível solução O governo quer quebrar a patente do medicamento, que vale até 2012, e comprar o genérico da Índia - Previsão de custo com Efavirenz da Merck neste ano: US$ 43 milhões - Previsão de economia com o licenciamento compulsório: US$ 30 milhões *comprimido de 600 mg PERGUNTAS E RESPOSTAS O que é patente? - É a proteção jurídica de uma criação intelectual, que permite ao dono da patente ser o único a fabricar o produto ou que autorize a fabricação por outras empresas por um determinado período. Há proteção territorial, ou seja, cada país tem seu próprio sistema de registro. No Brasil, a patente é protegida por 20 anos O que é licenciamento compulsório? - O dono da patente fica obrigado a autorizar a fabricação de seu produto por outra empresa. O licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz decretado ontem pelo presidente Lula permite seu uso até 2012 Por que a Índia pode fabricar esses medicamentos? - Porque o país não reconhece a propriedade de fármacos, e já chegou a sofrer retaliações comerciais por isso. Como é feito o registro da patente? - O interessado precisa registrar o pedido nos países que lhe interessar. Por exemplo, se o dono da patente tem interesse em vender o produto no Brasil e no Japão, poderá registrá-la apenas nesses dois países. O registro no PCT garante o direito da patente, por 30 meses, nos 184 países que subscrevem o tratado.

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