maio 2007

Depois de quebrar patente, Tailândia sofre retaliações

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA REVISTA DA FOLHA Enquanto o Brasil prepara seu primeiro licenciamento compulsório, a Tailândia já sofre com retaliações à mesma medida o país quebrou patentes de três remédios no ano passado, entre eles medicamentos das gigantes farmacêuticas Merck e Abbott. A última ameaça à Tailândia veio do governo norte americano, que colocou o país em uma lista de "violadores de patentes", que pode prejudicar a economia do país asiático, afastando investidores houve protestos na frente da embaixada norte americana no início da semana e o governo tailandês mantém os licenciamentos. A Abbott, empresa farmacêutica com sede em Chicago, anunciou em março que não pretende mais lançar novas drogas na Tailândia. As drogas que tiveram as patentes quebradas pelo governo tailandês são o Kaletra, da Abbott, Stocrin, da Merck, e o Plavix, contra derrames. Desde março, ONGs vêm protestando no mundo inteiro contra o que entendem ser, em resumo, uma retaliação desumana do laboratório Abbott, pedindo inclusive o boicote a produtos da empresa. Afirmam que a Tailândia teve base legal para tomar a medida, calcada, segundo o ministro da saúde tailandês, Mongkol Na Songkhla, na necessidade de assegurar acesso amplo às drogas de alto custo. O licenciamento compulsório prevê o pagamento de royalties às empresas quando as drogas começarem a ser fabricadas, tem destacado ainda o ministro. A empresa desistiu dos processos de registro de sete novas drogas no mercado tailandês, entre elas a versão termoestável (que não precisa de refrigeração) do Kaletra, batizada de Aluvia, melhoria essencial em países tropicais e em desenvolvimento como a Tailândia. "A Tailândia escolheu quebrar patentes de uma série de remédios, ignorando o sistema de patentes, e decidimos não introduzir novos medicamentos no país", diz Dirk van Eeden, porta voz da Abbott para produtos contra o HIV. (FL)

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Empresa se diz decepcionada com a decisão

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA A Merck Sharp & Dohme informou ontem à tarde, por meio de sua assessoria de imprensa, estar "surpresa" e "decepcionada" com a decisão do governo Lula de quebrar a patente do medicamento Efavirenz. Segundo a assessoria, a empresa disse que havia solicitado prazo até a sexta feira passada, dia 27 de abril, para fazer a contraproposta, que dependia de aprovação da sede, nos Estados Unidos. Porém, diz ter sido avisada da intenção do governo na terça feira anterior, dia 24. Segundo a empresa, o desconto oferecido de 30% atende ao interesse brasileiro porque leva em conta a ampliação do programa de atendimento público universal de pacientes de Aids, além de critérios estabelecidos pela ONU em 2001, como a taxa de prevalência da doença e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). "Esses critérios são problema deles, não do governo brasileiro", rebateu ontem o ministro da Saúde.

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Governo anuncia hoje quebra de patente de remédio anti-Aids

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Jose Gomes Temporão, ministro da Saúde: nove reuniões com a empresa O governo anuncia hoje, em cerimônia no Palácio do Planalto, a decisão de licenciar compulsoriamente a venda, no Brasil, do medicamento usado no tratamento da Aids Efavirenz, cuja patente pertence ao laboratório Merck-Sharp&Dohme. Com a medida, o país poderá comprar um medicamento genérico equivalente ao Efavirenz, de laboratórios da Índia, por menos de um terço do preço pago atualmente, o que, segundo calcula o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, garantirá uma economia de US$ 30 milhões anuais para o ministério. A decisão poderá ser suspensa se houver algum acordo de última hora com a Merck, e a empresa, ontem à noite, ainda relutava em comentar a decisão. "Esperamos que, no último momento, o bom senso prevaleça e não seja necessária essa medida", comentou para o Valor o diretor de Comunicação da empresa, João Sanchez. Ontem à noite, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informaram ao Valor que o presidente estaria disposto a suspender a decisão, caso a empresa oferecesse um acordo "aceitável" até o horário da cerimônia de anúncio do licenciamento compulsório, prevista para o meio-dia de hoje. João Sanchez argumentou que a empresa já ofereceu um desconto de 30% sobre os preços atuais do Efavirenz, que se somaria a uma redução de preços de 77% desde o lançamento do produto, em 1998. "É um desconto extremamente favorável", argumentou. "Alegar o interesse público em uma situação como essa cria uma incerteza grande e insegurança em relação ao marco regulatório no setor". Só a Tailândia, "uma ditadura", lança mão de licenciamento compulsório hoje em dia, argumenta o executivo da Merck. Para o ministro Temporão, que ontem ainda se reuniria à noite com o presidente e outros ministros envolvidos na decisão, a economia de US$ 30 milhões na compra do produto permitirá ao país dirigir essas verbas para tratamentos "caríssimos" de pacientes de Aids com doenças oportunistas, como a tuberculose ou com hepatite. Ele argumenta que o Brasil usa uma prerrogativa permitida pelo acordo sobre propriedade intelectual (Trips, na sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC), que prevê o pagamento de royalties à empresa que terá sua patente licenciada compulsoriamente. O desconto oferecido pela Merck baixaria o preço da cartel de medicamento, de US$ 1,59 para cerca de US$ 1,10; os indianos venderão por US$ 0,45, espera o ministro. As empresas indianas que fornecerão ao Brasil são pré-qualificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e poderão iniciar a venda dos produtos imediatamente, sem risco de interrupção no tratamento dos doentes, explicou Temporão. A decisão de licenciamento compulsório, segundo o ministro, foi tomada pelo governo, com participação também da Casa Civil, da Advocacia geral da União e do Ministério das Relações Exteriores, depois de pelo menos nove reuniões com a empresa, uma delas do próprio Temporão e do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, com o presidente da Merck no Brasil, Oscar Ferenczi - na qual o executivo fez a primeira oferta de desconto, de "apenas" 2%, segundo o ministro. As propostas de desconto no preço e de contratos de transferência de tecnologia eram "totalmente inadequadas" na avaliação de Temporão. Ele se queixa de que a segunda proposta de redução de preços e transferência de tecnologia, apresentada na noite de sexta-feira passada, não deixa claro se o país será obrigado a comprar matéria-prima apenas da Merck, ou poderá buscar melhores preços em outros fornecedores. "Para o Brasil, também é absolutamente fundamental que, ao fim do processo de transferência de tecnologia, o país tenha autonomia para comercializar os produtos genéricos com quem bem entender", acrescentou o ministro, que criticou a falta dessa definição na proposta da Merck. "Nos termos em que a transferência estava colocada era absolutamente impossível uma análise séria." "Mandei carta à Merck dizendo, em duas páginas, que a proposta deles não atendia ao interesse público e às expectativas do governo brasileiro", contou Temporão. "O Brasil, neste momento tem vários contratos de transferência de tecnologia com empresas multinacionais de ponta, como a GlaxoSmithKline (com Farmanguinhos) e a Aventis (com o Butantan) e temos projetos de ampliar essa estratégia", mencionou o ministro. Outros sete produtos anti-Aids, do coquetel de 15 medicamentos, ainda são protegidos por patentes, mas o Brasil decidiu licenciar compulsoriamente o Efavirenz porque é usado em 77 mil pacientes e é o mais utilizado, devido à facilidade que traz ao tratamento, com menos efeitos colaterais e a dispensa de outros remédios. "A tendência é se ampliar o uso desse medicamento", prevê o ministro. Outro medicamento muito usado, o Kaletra, que não tinha alternativas genéricas, passou a ser comprado com desconto próximo a 50%, lembra ele. A Merck alega que o preço do Efavirenz já é o mais baixo do coquetel anti-Aids, e, apesar de ser fornecido a quase 42% dos pacientes, representa só 17% do gasto total. "O Brasil vai pagar 1,5% de royalties pelo remédio; se o laboratório considerar inadequado, pode recorrer", diz Temporão.

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Governo Lula decide quebrar patente de remédio anti Aids

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Ministério da Saúde rejeitou a contraproposta de desconto de 30% pelo Efavirenz Medicamento é usado por 75 mil pacientes na rede pública; o laboratório Merck deverá ir à Justiça contra a medida inédita no país DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu autorizar o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz, o que, na prática, representa a quebra da patente do medicamento. A decisão, que segue recomendação do Ministério da Saúde, será anunciada hoje em cerimônia às 12h no Palácio do Planalto. Após recusar a contraproposta de desconto de 30%, feita pelo laboratório Merck Sharp&Dohme, um dos maiores do mundo, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) enviou ontem ao Palácio do Planalto a proposta de licenciamento compulsório do antiretroviral, usado hoje por cerca de 75 mil pacientes de Aids na rede pública, a um custo de US$ 43 milhões por ano. Com o licenciamento compulsório, o país pode tanto iniciar a produção nacional da droga como importar genéricos. Sem isso, só a Merck poderia vendê lo no país, pois é dona da patente do medicamento aqui, o que significa exclusividade de comercialização. Embora a decisão não tenha sido anunciada oficialmente, foi confirmada informalmente por assessores da Presidência e consta na agenda de Lula como "cerimônia de assinatura de ato de licenciamento compulsório de medicamento antiretroviral". Procurada pela Folha por volta das 21h, a Merck declarou que não havia sido informada. Será a primeira vez que o Brasil licencia um remédio protegido por patente já houve ameaças em 2001 e 2003, relativas ao Nelfinavir (Roche) e ao Kaletra (Abbott). E até hoje, poucos países fizeram isso como Tailândia, Moçambique, Malásia e Indonésia. No caso da Tailândia, o país enfrenta retaliações do laboratório Abbott e até do governo norte americano. "Já tivemos reuniões demais com o laboratório. Em nenhum momento apresentaram uma proposta séria e consistente", disse Temporão, que evitou, porém, confirmar a decisão. Para ele, "é pouco provável" que ocorram novas negociações. Participaram da decisão também a Casa Civil e o Ministério das Relações Exteriores. A Folha apurou que o laboratório não tem condições de apresentar preços menores ao governo e deve ir à Justiça para manter a patente. Segundo executivos da Merck, a empresa tenta, desde o último dia 24 de abril, realizar reuniões para explicar melhor seus motivos e encontra portas fechadas no ministério. O Brasil tenta desde novembro pressionar o laboratório Merck, sem sucesso, a reduzir o preço do Efavirenz de US$ 1,59 para US$ 0,65 por comprimido de 600mg. Na semana passada, o Ministério da Saúde declarou o medicamento de "interesse público" e anunciou a intenção de comprar a versão genérica da Índia por um preço de US$ 0,45 por comprimido. A economia estimada seria de US$ 30 milhões por ano. Mesmo assim, foi dado um prazo para a Merck fazer uma contraproposta. Na última sexta, o laboratório ofereceu um desconto de 30%, que foi considerado "insuficiente" pelo governo, segundo Temporão. Além disso, o desconto seria válido até 2010, não 2012, data em que a patente expira. O licenciamento prevê o pagamento de 1,5% em royalties como remuneração à Merck por ter inventado o remédio. Além disso, o Brasil fica vedado de comercializar o produto. O país tem estoque do Efavirenz da Merck até agosto. E afirma que não haverá desabastecimento porque três fabricantes da Índia, os laboratórios Ranbaxy, Cipla e Aurobindo, já foram consultados sobre o fornecimento para o país. Esses genéricos são pré qualificados pela OMS (Organização Mundial da Saúde).  Colaboraram EDUARDO SCOLESE, da Sucursal de Brasília e FABIANE LEITE, da Revista da Folha

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Governo quebra patente de remédio

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília. Pela primeira vez, o Brasil vai pedir a quebra de patente de um medicamento usado para tratar a Aids. Hoje, a partir do meio-dia, o presidente Lula comunica a perda de exclusividade na produção da Merck do anti-retroviral Efavirenz. O Ministério da Saúde enviou ontem ao Palácio do Planalto minuta de decreto que permite o licenciamento compulsório do medicamento depois de seis meses de negociações com o laboratório Merck para reduzir o preço do comprimido, vendido ao Brasil por US$ 1,65. O governo brasileiro recusou a última oferta da Merck, de desconto de 30% no valor do produto, que cairia para US$ 1,15. A proposta foi considerada insuficiente pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende a venda do anti-retroviral para o Brasil pelo mesmo preço pago pela Tailândia - US$ 0,65 por comprimido. O mecanismo adotado pelo governo é semelhante à quebra de patente, mas mantém o pagamento de royalties ao fabricante, conforme as regras da Organização Mundial do Comércio. O Laboratório Farmacêutico de Pernambuco deverá ser autorizado a iniciar a produção de 30 milhões de unidades do medicamento, em parceria com o Instituto Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz, até o fim do ano. O governo também poderá comprar a versão genérica do Efavirenz, que custa US$ 0,44 por comprimido, de laboratórios pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde. Com o medicamento genérico, o custo anual do tratamento para o governo cairia para US$ 165 por paciente. Hoje, o Brasil desembolsa US$ 580 por ano em medicamentos para o tratamento de um paciente de AIDS. Pouco depois de enviar a minuta do decreto para o Planalto, Temporão defendeu também a restrição à venda de bebidas alcoólicas. - Há uma epidemia de mortes e violência causada pelo consumo de álcool. Isso vai demandar uma série de iniciativas para regulamentar o comércio de bebida alcoólica.

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Laboratório público se prepara para produzir medicamento

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fecharam uma parceria para realizar pesquisas em torno do medicamento Efavirenz, usado no tratamento da Aids. A expectativa tanto do laboratório quanto da fundação é que, em breve, a patente do remédio seja quebrada, possibilitando a fabricação. Hoje, a produção do Efavirenz está restrita à Merck. O governo federal está anunciando esforços no sentido de quebrar a patente do medicamento. Mas, enquanto isso não for feito, a droga não pode ser fabricada no país por outras empresas. Na semana passada, o Ministério da Saúde declarou o Efavirenz remédio de interesse público. Na prática, isso significa um primeiro passo na tentativa da quebra de patente. De acordo com Luciano Vasquez, presidente do Lafepe, o laboratório realiza pesquisas sobre o Efavirenz há dois anos, e já investiu R$ 1,5 milhão. "A parceria com a Fiocruz traria capacidade de produção em larga escala. A partir da quebra da patente, podemos iniciar a fabricação em seis meses", diz Vasquez. A idéia é que o remédio seja produzido no Farmanguinhos, laboratório da Fiocruz no Rio. O preço do medicamento poderia ser até 40% inferior ao praticado atualmente.

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Ministério da Saúde aumenta pressão sobre a Merck

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília e São Paulo, O Ministério da Saúde enviou ontem ao Palácio do Planalto minuta de decreto que permite o licenciamento compulsório da patente do anti-retroviral Efavirenz, fabricado pela Merck, usado no tratamento da Aids, depois de seis meses de negociações com o laboratório para reduzir o preço do comprimido, vendido ao Brasil por US$ 1,65 a unidade. A decisão caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo recusou a última oferta da Merck, de desconto de 30%. A proposta foi considerada insuficiente pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende a venda do anti-retroviral para o Brasil pelo mesmo preço pago pela Tailândia, de US$ 0,65 por comprimido de 600 mg. Sem acordo, a Saúde quer o licenciamento compulsório para uso público não comercial. O mecanismo é semelhante à quebra de patente, mas mantém o pagamento de royalties ao fabricante, conforme regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Se a medida for acatada pelo presidente, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) será autorizado a iniciar a produção de 30 milhões de unidades, em parceria com o Instituto Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O governo também poderá comprar a versão genérica do Efavirenz, que custa US$ 0,44. "Estamos desapontados pela rejeição do governo a uma oferta que consideramos justa. A empresa solicitou com freqüência reuniões pessoais a fim de discutir um acordo aceitável. Continuamos flexíveis, abertos e comprometidos com as negociações", disse João Sanches, diretor de comunicação corporativa da Merck Sharp & Dohme, em nota.

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ONGs comemoram, mas temem riscos

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para especialista, temor é que, com a quebra de patente de remédio anti Aids, laboratório se recuse a registrar novas drogas no Brasil Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda, diz que é hora de o governo pensar também em produzir as substâncias ativas dos medicamentos  DA REVISTA DA FOLHA Organizações não governamentais que defendem os interesses de portadores do HIV prometem manifestações de apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva hoje em razão da decisão de quebrar a patente do Efavirenz, mas não deixam de falar dos riscos e das necessidades após essas medidas. Veriano Terto, coordenador geral da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e especialista em patentes, aponta o risco de retaliações como negativa de registro de novos remédios no Brasil, medida que já foi anunciada pelo laboratório Abbott contra a Tailândia, que também quebrou patentes. Para ele, precisa ficar claro que o Brasil tomou uma medida legal na visão de vários especialistas do setor. "A medida do governo brasileiro apenas reforça o que disse a declaração de Doha da Organização Mundial do Comércio em 2001, que a defesa dos interesses comerciais não pode se sobrepor aos interesses da saúde pública." Outra preocupação, a partir de agora, é com a garantia de recursos para sustentar a produção nacional. Mário Scheffer, ativista do Grupo Pela Vidda/ SP, afirma ainda que é hora de o governo pensar também em como produzir os sais, a substâncias ativas dos medicamentos. O país até agora tem capacidade de apenas misturar sais comprados de fornecedores internacionais das indústrias de genéricos, explica, e mais a frente o problema de custos e abastecimento poderá ser não com quem vende o remédio pronto, como a Merck, mas justamente com quem garantirá a matéria prima aos laboratórios nacionais de genéricos. Scheffer e outros ativistas devem fazer manifestação hoje na praça da Sé, no centro de São Paulo. "É um marco importante, desde a decisão de declarar o medicamento de utilidade pública, já sabíamos que seria algo mais sério." Desde 2001, a Abia e outras entidades vêm pressionando pelo licenciamento compulsório, tema da maioria dos dias internacionais de luta contra a Aids dos últimos anos. A entrada de José Gomes Temporão no Ministério da Saúde é considerada um dos desencadeadores da medida a ser anunciada hoje pelo governo. Sanitarista reconhecido, o ministro desfruta de fácil diálogo com movimentos sociais e também com Lula, de quem se aproximou desde que participou do enfrentamento da crise dos hospitais da União no Rio de Janeiro, em 2005. Outro ponto que pode ter contribuído para a medida, avaliam as ONGs, é o fato de conhecidos defensores do licenciamento compulsório, como o brasileiro Pedro Chequer, estarem em órgãos da ONU, que deu suporte a outras nações que fizeram a quebra de patente desse tipo de remédio. Chequer atualmente trabalha na UnAids na Argentina, braço da ONU para a Aids, e recentemente, em conversa com a Folha, questionou se o Brasil não faria a quebra de patentes. Chequer e Temporão estudaram juntos.

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País usa lei para fazer pressão, mas não cumpre ameaça

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Brasil nunca oficializou uma quebra de patente de medicamentos até hoje, mas tem usado a legislação brasileira e os acordos fechados na Organização Mundial de Comércio (OMC) como instrumento de pressão para negociar com os laboratórios a redução dos preços dos remédios usados no combate à Aids. A primeira quebra de patente foi determinada em 22 agosto de 2001, pelo então ministro da Saúde José Serra. O governo brasileiro decidiu produzir no país uma versão genérica do Nelfinavir, do laboratório suíço Roche, um dos remédios que compõem o coquetel distribuído aos portadores de Aids. Após seis meses de discussões sem chegar a um acordo de corte nos preços, o ministério anunciou que o medicamento seria fabricado pela Fiocruz a um custo 40% menor. Menos de dez dias depois da decisão, a Roche voltou atrás e concordou em reduzir em 40% o preço de venda do Nelfinavir e o processo de licenciamento compulsório denominação legal da quebra de patente prevista pela legislação brasileira foi suspenso. Desde a Declaração de Doha, de 2001, a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite que os países quebrem a patente de um medicamento em casos de urgência e de interesse público. Na mesma época em que travou a queda-de-braço com a Roche por causa do Nelfinavir, o governo também ameaçou quebrar a patente do Efavirenz, do laboratório americano Merck, que volta agora a ser ameaçado com a aplicação dos acordos feitos na OMC. Antes que a quebra de patente fosse determinada, o Ministério da Saúde e a Merck chegaram a um acordo, que resultou na economia de R$ 80 milhões por ano com o remédio. Em junho de 2005, nova disputa foi aberta, dessa vez com outro laboratório americano, o Abbott, detentor da patente do Kaletra, também usado no tratamento da Aids. A decisão de adotar o licenciamento compulsório do medicamento foi publicado no "Diário Oficial da União". Humberto Costa, então ministro da Saúde, estimativa economia anual de R$ 130 milhões com a fabricação do remédio no laboratório Farmanguinhos, da Fiocruz. Dois meses antes, durante a Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, Costa já havia ameaçado quebrar patentes "se esse for o único caminho para garantir a manutenção de nosso programa de Aids". O ministro mostrou-se impaciente com o impasse nas negociações com os laboratórios americanos Merck, Abbott e Gilead. Só que dessa vez a ameaça não surtiu efeito. Novamente não houve quebra de patente , mas também não foi obtida uma redução de preços. Em setembro, Saraiva Felipe, que substituiu Costa no ministério, dizia que as negociações com os laboratórios seriam concluídas em um mês. "Não estou falando em quebra de patentes, porque estamos em processo de negociação mas, se não houver flexibilidade, podemos até chegar a isso", disse o ministro na época.

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Para empresa, preço já é baixo

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O laboratório Merck Sharp & Dohme informou que continua aberto ao diálogo com o governo, mas que não pode cobrar no País o mesmo que na Tailândia pelo remédio antiAids Efavirenz. “Na categoria do Brasil, o medicamento já tem o menor preço do mundo, e ainda oferecemos 30% de desconto”, afirmou João Sanches, diretor de Comunicação da empresa. “Agimos segundo a política de acesso, formulada em conjunto com as Nações Unidas, Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial.” Por essa política, o preço do remédio varia de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação e a quantidade de pessoas adultas infectadas. Como na Tailândia mais de 1% da população é portadora do HIV, o preço lá é mais baixo. “Estamos desapontados com a decisão do Ministério da Saúde. Não acreditamos que essa é a melhor solução para os pacientes”, disse Sanches. Ele informou que, além do desconto, a Merck ofereceu outras vantagens.

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