junho 2007

Laboratórios terão de dar desconto ao SUS

2007-06-13T00:00:00-03:00junho 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Justificativa do governo para redução de 24,69% em 146 remédios é que indústria já praticava descontos nas vendas à iniciativa privada Ministério da Saúde estima que o setor público economizará R$ 120 milhões por ano com a medida; Febrafarma critica decisão DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O governo federal publicou ontem no "Diário Oficial" uma lista de 146 medicamentos que deverão ser vendidos pelos laboratórios ao SUS (Sistema Único de Saúde) com desconto mínimo obrigatório de 24,69%. Ele passará a valer já na próxima compra de medicamentos que o governo fizer. O valor se aplica ao preço de fábrica, que é definido pelo próprio governo por meio da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), composta por representantes da Casa Civil e dos ministérios da Saúde, da Fazenda, da Justiça e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O laboratório que desrespeitar o valor do desconto estará sujeito a multa de R$ 3 milhões. Além da economia que a medida deverá trazer, outra justificativa do governo é que as indústrias já praticavam descontos nas vendas à iniciativa privada. "Havia uma assimetria no mercado", afirmou o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Dirceu Barbano. "As compras públicas tinham preços muito diferentes em relação aos do setor privado." A Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica) classificou a medida como "unilateral" (leia ao lado). O valor do desconto, chamado de "coeficiente de adequação de preço", foi definido no segundo semestre de 2006. O ministério estima que o setor público economizará R$ 120 milhões por ano, nas esferas federal, estaduais e municipais. A pasta arca com 80% do valor dos "medicamentos excepcionais", alvos da medida, que o ministério define como "de alto custo ou para uso continuado". O restante é pago por Estados e municípios. Dos 146 remédios, o ministério arca com o custo integral de só cinco. A medida abrange também os remédios usados nos tratamentos de doenças sexualmente transmissíveis, Aids e câncer. No caso dos "medicamentos excepcionais", o gasto previsto para este ano é de R$ 1,6 bilhão. No total, as despesas com remédios para o SUS estão estimadas em R$ 4,6 bilhões. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), na lista há remédios para tratamento de osteoporose, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, esclerose múltipla e artrite reumatóide, entre outros. Órgão do Estado De acordo com Barbano, a medida já foi aplicada por outros países como EUA, Canadá e Austrália, e não causou retaliações da indústria. Além disso, ele argumenta que a não-fixação de desconto fazia com que o mesmo remédio fosse vendido a preços diferentes a diversos órgãos públicos. Em relação às críticas da Febrafarma, que reclamou ter sido deixada de lado nas negociações, ele afirmou que o ministério está aberto ao diálogo, mas que nunca recebeu proposta da entidade sobre outro valor. Ainda assim, Barbano disse que a CMED tem autonomia para tomar esse tipo de decisão, já que "é um órgão do Estado, e não das indústrias farmacêuticas". Ele argumentou ainda que a sociedade, por meio do SUS, tem o direito de pagar o mesmo preço da iniciativa privada. DESCONTOS PARA O SUS A LISTA O governo federal publicou ontem lista de 146 medicamentos que terão desconto de 24,69% na venda para o SUS. A lista está www.folha.com.br/071631 OS REMÉDIOS Os remédios são os chamados excepcionais (de alto custo ou para uso continuado), hemoderivados, DST/Aids e câncer. QUANDO VALE O desconto passará a valer já na próxima compra de medicamentos que o governo fizer EXEMPLOS Exelon (tratamento de mal de Alzheimer), Sifrol (mal de Parkinson) e Zyprexa (esquizofrenia e distúrbios mentais) CUSTO R$ 4,6 bilhões/ano -ou 12% do orçamento da Saúde ECONOMIA O ministério estima que União, Estados e municípios economizarão R$ 120 milhões

Comentários desativados em Laboratórios terão de dar desconto ao SUS

Valadares aplaude quebra de patente do Efavirenz pelo governo

2007-06-13T00:00:00-03:00junho 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Ao considerar uma decisão acertada o licenciamento compulsório, pelo governo federal, do anti-retroviral Efavirenz, utilizado no tratamento da Aids, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) sugeriu como próximo passo a ser tomado a priorização do Sistema Único de Saúde (SUS) no Orçamento da União. - O Brasil tentou durante um longo prazo convencer a Merck Sharp&Dohme, fabricante do medicamento, a vender o Efavirenz pelo preço que é pago, por exemplo, pela Tailândia. Não teve êxito. Desde novembro o governo vinha pressionando, mas pouca coisa mudou. Ou o presidente Lula agia em nome do interesse público, como agiu, ou a sangria dos cofres da saúde, além de pouco justa, seria insuportável - afirmou Valadares. Valadares também pediu que os senadores pressionem o governo para aceitar dividir com estados e municípios os recursos arrecadados através da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF).

Comentários desativados em Valadares aplaude quebra de patente do Efavirenz pelo governo

Governo vai economizar 25%

2007-06-13T00:00:00-03:00junho 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

BRASÍLIA O Ministério da Saúde anunciou a lista de 146 medicamentos que terão de ter seus preços reduzidos em 24,69% nas compras feitas pelo sistema público de saúde. A cesta de remédios beneficiada pela medida é composta por remédios de alto custo, drogas para doenças crônicas, derivados de sangue e indicados para tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, aids e câncer. A publicação da lista provocou protestos da indústria farmacêutica. Desde a edição da resolução criando o Coeficiente de Adequação de Preços (CAP), a indústria trabalhou por retomar negociações de preços. Fabricantes que descumprirem o preço CAP estão sujeitos a multas que podem chegar a R$ 3 milhões. O CAP foi criado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) com o objetivo de padronizar o preço para algumas drogas adquiridas por Estados, municípios e União. Antes da resolução, um mesmo remédio podia ser comprado por preços diferentes. Estados com maior poder de barganha, mais ricos e com maior potencial de compra geralmente conseguiam preços mais baixos. O CAP foi definido considerando os índices médios de descontos oferecidos ao setor privado. Na lista, estão especialmente produtos protegidos por patentes, fabricados em regime de monopólio ou duopólio, que os laboratórios já oferecem ao setor privado com desconto. O Orçamento do ministério prevê gastos de R$ 4,6 bilhões neste ano com a compra de medicamentos. Do montante, R$ 1,6 bilhão investidos na aquisição de remédios excepcionais. Em nota, a Federação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas questiona a legalidade da resolução da CMED. A Febrafarma observa que tal desconto poderia ter sido obtido por meio de negociação. A Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) entrou com mandado de segurança contra a resolução. "Foi uma decisão unilateral que nos pegou de surpresa e trará enormes prejuízos", disse o presidente Gabriel Tannus. Ele observou, ainda, que o desconto é aplicado em preços que já foram definidos pela Câmara de Medicamentos. "Estão legislando com padrões do passado." O desconto começou a valer ontem.

Comentários desativados em Governo vai economizar 25%

Licenciamento compulsório, P&D e acesso a medicamentos

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 12, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A adequação dos países em desenvolvimento aos chamados "padrões mínimos" estabelecidos pelo acordo Trips da Organização Mundial do Comércio (OMC), assinado em dezembro de 1994, teve como principal argumento a promoção da transferência de tecnologia e desenvolvimento do bem-estar econômico e social. Após 12 anos, grandes constatações vieram corroborar o contrário. Nunca houve tão pouca transferência de tecnologia, há um enfraquecimento da indústria nacional de produção de medicamentos que vinha contribuindo para fortalecimento do sistema nacional de saúde e os preços dos novos produtos essenciais estão subindo de forma exponencial com a falta de concorrência, imposta pelo monopólio da patente, aumentando o déficit da balança comercial em saúde. Não há perspectiva nenhuma de novos medicamentos para doenças que sempre foram negligenciadas pela indústria farmacêutica intensiva em pesquisa, e é no âmbito não lucrativo que se encontra a maioria das iniciativas visando novos medicamentos para essas doenças. O relatório da Comissão de Inovação, Propriedade Intelectual e Saúde Pública (CIPIH www.cipih.int Comission on Intellectual Property, Innovation and Health) , desenvolvido em 2006 no âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS) pelos maiores especialistas da área no mundo foi muito claro. O sistema de patente não funciona como incentivo para desenvolver as ferramentas de saúde necessárias para as doenças que afetam principalmente os países em desenvolvimento. Evidentemente, como 90% do mercado farmacêutico se encontra nos países desenvolvidos, as multinacionais pesquisam medicamentos que possam alcançar os mercados lucrativos nesses países, deixando doenças como a dengue, leishmaniose, malária, tuberculose e doença de Chagas nas mãos do setor não comercial. Essas doenças nunca terão o potencial mercado lucrativo que move a agenda de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) das multinacionais, orientado pela busca de "blockbusters" com altíssimo potencial de retorno financeiro sobre investimento. Partindo desta constatação, um grupo intergovernamental de trabalho (chamado IGWG) foi criado em maio de 2006 no âmbito da OMS, com um mandato de dois anos. Ele tem como missão coletar todas as propostas inovadoras que podem melhorar os incentivos para a P&D de medicamentos e diagnósticos direcionados às necessidades da saúde (e não do mercado, o que é muito diferente), sendo que esses incentivos têm como meta principal a separação clara entre ônus da pesquisa e preço de venda do produto. Dissociar P&D do preço ao paciente é o grande desafio do IGWG. Propostas incluem pool de patentes, prêmios para a inovação, tratado de P&D, fundos sustentáveis de P&D, envolvimento maior da OMS na definição das verdadeiras prioridades de saúde, além do reforço de mecanismos de tipo "push and pull", que vão desde a garantia antecipada de compras até o direcionamento mais pragmático do dinheiro do fomento. Uma coisa é certa: nenhum medicamento utilizado no Brasil foi desenvolvido com exclusividade para os países em desenvolvimento. Trata-se sempre de um mercado secundário. Por isso, a licença compulsória de um medicamento como o Efavirenz não muda em nada as prioridades de P&D das empresas multinacionais. Estas empresas só desenvolvem medicamentos anti-retrovirais porque existe uma epidemia de aids nos países ricos, onde conseguirão um retorno significativo por meio do preços altos e de sistemas de seguro saúde, que pagam por isso. A Fundação Clinton está inovando, junto com a recém criada Unitaid, ao garantir mercados bastantes atrativos não apenas para genéricos de medicamentos isolados para aids, como também para novas formulações do tipo "três em um", que são extremamente necessários para os pacientes. Estas formulações, ao contribuírem para a diminuição drástica do número de comprimidos diários e, consequentemente, para o aumento da adesão ao tratamento, são consideradas inovadoras do ponto de vista da saúde pública. Assistimos, assim, ao surgimento de inovações oriundas do setor de genéricos que são fundamentais do ponto de vista da saúde pública. Vale ressaltar que os primeiros "três em um" foram desenvolvidos pelas indústrias de genéricos que não tinham problemas em associar vários fármacos em um comprimido só. Essas formulações são o pilar da ampliação do acesso a tratamento nos países em desenvolvimento. A diferença de preço entre uma terapia tríplice produzida em situação de concorrência e em situação de monopólio é simplesmente inaceitável para os países em desenvolvimento. Mesmo com uma política de preço diferenciado, o custo aumenta em mais de 40 vezes por paciente nos países de renda média (de US$ 130 a US$ 6.740 por paciente por ano, e em até 12 vezes em países de baixa renda). Se visamos o acesso universal aos anti-retrovirais, tais preços são estão fora de cogitação. É preciso não apenas fazer uso regular da licença compulsória como também pensar em mecanismos alternativos para que as doenças que afetam principalmente os países em desenvolvimento possam receber a atenção adequada. O IGWG é uma oportunidade ímpar, e se a nova diretora da OMS priorizar este processo dentro da organização, com a criatividade tanto dos países como das indústrias farmacêuticas e das Organizações Não-Governamentais envolvidas, podemos pensar que uma mudança de paradigma possa acontecer nos próximos anos. Enquanto isso, milhares de pessoas perderão suas vidas, todos os dias, por não ter acesso aos medicamentos que poderiam salvá-las. Michel Lotrowska é economista e mestre em saúde pública. Integra a organização Médicos sem Fronteiras e é representante da Campanha Acesso a Medicamentos no Brasil.

Comentários desativados em Licenciamento compulsório, P&D e acesso a medicamentos

Medicamento antiAids é retirado do mercado

2007-06-08T00:00:00-03:00junho 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Decisão ocorreu devido ao excesso de substância potencialmente cancerígena Comercializado no Brasil desde 1998, remédio é consumido por 9.000 adultos e por 250 crianças portadoras do vírus HIV DA REPORTAGEM LOCAL Um dos medicamentos que compõem o coquetel antiAids distribuído pelo governo federal brasileiro está sendo recolhido por conter excesso de uma substância potencialmente cancerígena. Comercializado no Brasil desde 1998, o remédio é consumido por 9.000 adultos e 250 crianças portadoras do vírus HIV. Um total de 180 mil pessoas usam o coquetel antiAids. A decisão do recolhimento partiu da companhia farmacêutica Roche, que, anteontem, anunciou a retirada do mercado europeu e brasileiro de todos os lotes do remédio Viracept (nelfinavir), nas formas em pó e em comprimidos. Segundo nota da Roche, o recolhimento se deve ao fato de ter havido na Europa diversos relatos de que alguns lotes do medicamento de 250 mg possuíam um odor alterado. Análises químicas detalhadas mostraram a presença de uma impureza no princípio ativo da droga, o ácido etil éster metanosulfônico. Também havia níveis maiores que o normal do ácido nos remédios. Os problemas atingiram pelo menos dois lotes. Um deles deu entrada no almoxarifado do Ministério da Saúde no último dia 29 de maio e estava em fase inicial de distribuição. O ácido etil éster metanosulfônico é uma substância considerada genotóxica, ou seja, pode afetar os genes e levar ao surgimento do câncer. O remédio nelfinavir faz parte do grupo de inibidores de protease, classe de medicamentos que reduz a velocidade de propagação do vírus HIV no organismo, além de diminuir o risco de os pacientes desenvolverem doenças oportunistas ligadas à infeção viral. Segundo a Roche e o Programa Brasileiro de DST Aids, o recolhimento de todos os lotes do remédio no Brasil tem caráter preventivo, já que não houve relatos de problemas com a substância até o momento. Nos EUA, no Canadá e no Japão, a droga continua em uso. Comunicado Ontem, o programa DST Aids divulgou um comunicado em que solicita às unidades distribuidoras de medicamentos antiretrovirais que suspendam a entrega do nelfinavir comprimidos de 250 mg ou pó para solução oral (usado pelas crianças infectadas pelo vírus HIV). Segundo Mariângela Simão, diretora do programa, todos os pacientes que usam nelfinavir devem procurar o serviço de saúde no qual são acompanhados para orientações e substituição do medicamento. Ela afirma que existem várias opções terapêuticas capazes de substituir o nelfinavir. "Essas pessoas não ficarão desassistidas. Temos estoque suficiente para atender a todos." Os adultos em tratamento, por exemplo, poderão substituir o remédio por outros da classe dos inibidores de protease, como o lopinavir/ritonavir, amprenavir ou saquinavir. Ao todo, 17 drogas compõem o coquetel antiAids distribuído pelo governo federal, sendo o nelfinavir uma delas. Cada paciente usa uma combinação de um ou mais remédios. Nos últimos anos, o nelfinavir deixou de ser um medicamento de primeira linha no tratamento de novos doentes. Segundo Mariângela Simão, o decréscimo no uso ocorreu em razão da posologia duas doses diárias, com um total de dez comprimidos, considerada de difícil adesão.

Comentários desativados em Medicamento antiAids é retirado do mercado

Emergentes vetam `liberdade de investimentos´ no texto final

2007-06-08T00:00:00-03:00junho 8, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Alemanha sugeriu a abertura total das economias em desenvolvimento Os países emergentes barraram a tentativa da Alemanha de usar o G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) para sugerir a abertura total das economias em desenvolvimento para investimentos estrangeiros. No texto que será fechado hoje em Heiligendamm entre os emergentes e o G-8, o termo "liberdade de investimentos" foi vetado por Brasil, China, África do Sul, Índia e México, os países emergentes que foram convidados para o evento. O texto, a pedido do Brasil e da Índia, falará ainda da necessidade de se garantir flexibilidades em questões de patentes para facilitar o acesso de remédios aos países pobres. Hoje, um texto comum entre os cinco países emergentes e o G-8 será anunciado para marcar o fim da cúpula dos principais líderes mundiais. A declaração marcará uma espécie de linha de atuação entre os dois blocos para questões como meio ambiente, comércio, investimentos e combate à pobreza. Os alemães, como presidentes do G-8, fizeram a maioria das propostas do texto comum, depois de inúmeras consultas tanto a países ricos como a emergentes. Na área econômica, Berlim teme um crescente sentimento de protecionismo no setor de investimentos, inclusive com as nacionalizações na América Latina. Mas as cinco economias emergentes convidadas ao encontro não aceitaram a proposta de incluir na declaração a necessidade de se garantir uma "liberdade de investimentos". Um diplomata brasileiro explicou que o País, assim como os demais emergentes, querem garantir espaços para políticas públicas em termos de investimentos. Na própria Organização Mundial do Comércio (OMC), os países ricos insistem no fim de certas restrições impostas pelos em termos de investimentos, como no setor financeiro, de telecomunicações e de energia. REMÉDIOS O texto ainda fará menção à necessidade de que seja garantido um grau de flexibilidade na proteção de patentes. Os países emergentes insistem que precisam de melhores condições para a compra de remédios para doenças como a aids. Para isso, uma das opções seria a quebra de patentes para a produção e importação de genéricos. O Brasil foi o primeiro país latino-americano a colocar essas flexibilidades em prática quando, há um mês, anunciou a quebra da patente de um remédio da Merck. Promovido pelo Brasil e Índia, o tema entrará na declaração do G-8, ainda que a citação tenha sido cuidadosamente costurada para que também fosse aceita pelos EUA se demais países ricos. A solução foi a menção ao acordo de patentes da OMC que, como já negociado, prevê a legalidade da quebra de patentes em caso de emergência nacional.

Comentários desativados em Emergentes vetam `liberdade de investimentos´ no texto final

Baratinho, mas ordinário

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Grupos interessados no comércio de produtos importados da China estão se movimentando para impedir que um dos mais conceituados laboratórios públicos do Brasil, Farmanguinhos, mude o seu processo de aquisição de insumos farmacêuticos para melhorar a qualidade dos medicamentos produzidos para o programa do Ministério da Saúde de combate à Aids. Após cinco anos de esforços infrutíferos para conciliar a política governamental de compras por pregões eletrônicos com requisitos mínimos de qualidade, o laboratório da Fiocruz decidiu limitar suas concorrências a fornecedores com unidades produtivas instaladas no país, de forma a poder acompanhar o processo de fabricação e assim evitar constantes prejuízos com matérias-primas inadequadas. O barato estava saindo muito caro, além de concorrer para drenar empregos e renda de brasileiros. O produto chinês importado, além dos conhecidos subsídios recebidos na sua origem, é oferecido em pregões internacionais sem recolher imposto aos cofres públicos nacionais, enquanto que a indústria brasileira é gravemente penalizada na sua fabricação local, pagando um total de tributos da ordem de 36% sobre seu faturamento. Porque se comparam alhos com bugalhos, ou seja, importados livres de impostos com nacionais pesadamente onerados os porta-vozes do "baratinho" chinês alardeiam diferenças de preços absolutamente irreais, que só convencem os desavisados. Além disso, enquanto o fármaco ou o medicamento fabricado no país deve ter suas instalações certificadas e, periodicamente, fiscalizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão para o qual o produtor local recolhe taxas anuais que, embora justas, não são de pequeno valor, o produto importado passa ao largo dessa fiscalização. Por força de uma legislação mal interpretada, dos fornecedores estrangeiros não se exigem os mesmos cuidados impostos aos nacionais. E mais: como, pelo sistema de pregões, o Ministério da Saúde não pode prever quem será o fornecedor para o próximo ciclo de produção, nem Farmanguinhos nem os demais laboratórios públicos têm condições de registrar seus produtos como genéricos, pois os critérios de qualidade da Anvisa determinam um máximo de três fornecedores nesse processo. Ao longo dos últimos cinco anos de aquisições através de pregões eletrônicos internacionais, Farmanguinhos contabilizou uma alta taxa de rejeição dos produtos recebidos. Houve casos de devolução de 60% da compra - e, em decorrência, atrasos no atendimento ao Ministério da Saúde. Além disso, elevados índices de reprocessamento industrial foram registrados porque uma parte das matérias-primas importadas, embora aparentemente fosse adequada, ao entrar nas máquinas endurecia ou gerava granulações que não cabiam nas cápsulas, necessitando compactação, por exemplo. Num estudo técnico-econômico feito com a Zidovudina, um dos anti-retrovirais usados no coquetel anti-Aids, ficou demonstrado que, se Farmanguinhos comprasse uma matéria-prima 100% adequada ao seu processo industrial, poderia adquiri-la até 30% mais cara do que nos pregões internacionais que ainda assim teria melhor retorno: mantido o mesmo preço pago por comprimido pelo Ministério da Saúde, o laboratório aumentaria em 25% a sua remuneração. Na ponta do lápis, ficou provado que a utilização de fármaco produzido no país, com acompanhamento e fiscalização pelo laboratório oficial, pode resultar numa enorme economia líquida para o orçamento público federal, superando as aparentes vantagens do menor preço de face do produto importado adquirido em leilões internacionais. Não se trata de reeditar, em plena era da globalização, o anacrônico antagonismo do nacional versus estrangeiro. Inúmeras indústrias de capital estrangeiro estão estabelecidas no Brasil e produzindo com altíssima qualidade. A questão é que, em setores e produtos que tenham algum sentido estratégico para o país, e os programas de saúde pública inegavelmente o têm, a fabricação local é imprescindível para gerar e conservar determinados padrões de qualidade. Esta, inclusive, é uma das premissas de grandes corporações transnacionais: pensar globalmente, agir localmente. Seguindo essa orientação o Brasil não estará inovando nem revolucionando coisa alguma, mas sim adaptando os princípios da globalização aos seus próprios interesses, como fazem todos os países de Primeiro Mundo e também todos os emergentes que hoje crescem mais do que nós.  Nelson Brasil de Oliveira é vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Química Fina (Abifina)

Comentários desativados em Baratinho, mas ordinário

Índia comprará aviões do Brasil

2007-06-06T00:00:00-03:00junho 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Mesmo sem um acordo com o governo da Índia na área de biocombustíveis, tão cara ao governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva extraiu ontem duas promessas de negócios de empresários indianos, a quem recebeu pela manhã em sua suíte no mais luxuoso hotel de Nova Délhi. O presidente da Paramount Airways, M. Thiagarajan, informou a Lula que a companhia vai importar mais 40 jatos E-170 da Embraer, em uma operação que envolverá US$ 1 bilhão. Em Brasília, onde prestou depoimento na CPI do Apagão Aéreo, o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, confirmou negociação com a empresa indiana, mas não a venda. Pressionado pelo governo brasileiro, o laboratório Rambaxi, que passou a exportar ao Brasil genéricos para tratamento da Aids, também se comprometeu a construir uma fábrica em um terreno que já comprou no Rio de Janeiro.

Comentários desativados em Índia comprará aviões do Brasil

Laboratório terá de dar desconto

2017-01-10T17:18:15-03:00junho 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Ministério da Saúde divulga na próxima terça-feira lista de medicamentos que devem ser vendidos mais baratos para o setor público. Economia com a queda de preços deve chegar a R$ 120 milhões por ano A partir da próxima semana, os laboratórios farmacêuticos serão obrigados a conceder desconto mínimo de 24,69% nas vendas de medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A primeira lista dos produtos sujeitos ao desconto mínimo obrigatório, chamado coeficiente de adequação de preço (CAP), será publicada na terça-feira pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). Segundo informou Dirceu Barbano, diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, em entrevista ao Correio, a lista deve conter em torno de 100 medicamentos que, com o desconto, proporcionará economia de R$ 120 milhões por ano para os cofres públicos. "Nesta primeira lista, a prioridade será aqueles itens dos medicamentos de alto custo cujos produtores já praticam o desconto, mas não garantem na compra pública uma uniformidade", explicou Barbano. E exemplifica: o mesmo laboratório vende um produto por um preço ao Hospital de Base e cobra outro valor da Secretaria de Saúde. O desconto determinado pela Câmara de Medicamentos vai incidir sobre 75% dos produtos de alto custo, como os utilizados no tratamento da Aids e hemoderivados. A idéia é focalizar, explica Barbano, aqueles medicamentos que tenham apenas um ou dois fabricantes. A confirmação ontem da publicação da lista na terça-feira provocou reação da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) e da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Para a Febrafarma, a opção pelo coeficiente, instituído pela Resolução número 4 da Câmara de Medicamentos, interrompeu um processo de negociação que poderia ter resultado num acordo capaz de atender tanto ao governo, que tem interesse em comprar medicamentos a preço menor, quanto à indústria farmacêutica, que quer preservar suas "margens de comercialização mínimas necessárias à viabilidade de sua operação". A Febrafarma acusou a Câmara de Medicamentos de adotar uma medida unilateral, que "conflita com a legislação e as normas" sobre controle de preços de medicamentos. "A resolução, nos termos em que foi promulgada, cria um novo e indesejado impasse, que em nada contribui para melhorar a capacidade produtiva do Brasil na área da saúde", afirma a nota. Já o presidente do Conselho Consultivo da Interfarma, Jorge Raimundo, disse que a entidade vai esperar a publicação da lista para decidir o que fazer. Segundo ele, a Interfarma entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de evitar a publicação da lista e a aplicação do coeficiente. Raimundo argumenta que a indústria não pode oferecer o mesmo percentual de desconto a todo o setor público, onde há bons e maus pagadores. Nem pode dar o mesmo desconto a diferentes produtos. Em alguns, explicou ele, o desconto é superior aos 24,69%, mas em outros produtos a indústria não tem margem para oferecer desconto. "A medida nos tira totalmente a capacidade de negociação", afirmou. De acordo com o Ministério da Saúde, estarão na lista produtos protegidos por patente, fabricados em regime de monopólio ou duopólio, que os laboratórios já oferecem ao setor privado com desconto. Do ponto de vista mercadológico, argumenta ele, "não dá para entender uma vez que o setor público brasileiro é um comprador vultuoso". O orçamento do Ministério da Saúde prevê gastos de R$ 4,668 bilhões neste ano com a compra de medicamentos. Segundo ele, não há em outros países sistemas públicos de saúde com a capacidade de compra do Estado brasileiro, incluindo aí o Ministério, secretarias estaduais e municipais de saúde e hospitais públicos. "Como é possível que se observe uma prática de desconto mais freqüente ao setor privado do que ao setor público?" reclama. O sistema de desconto adotado pelo Brasil, segundo Barbano, basea-se na experiência de outros países, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e diversos países da Europa, que estabeleceram coeficientes de descontos em suas compras de produtos farmacêuticos. "Não estamos inventando nada novo. Em compra pública, o mercado de medicamento já comporta esse tipo de coeficiente em várias partes do mundo", comenta. Para ele, a Câmara de Medicamentos "foi cuidadosa" para não criar instabilidade no mercado. Alguns países usaram o índice de desenvolvimento humano na definição do coeficiente de redução de preço. No Brasil, o CAP foi definido considerando os índices médios de descontos oferecidos ao setor privado. O desconto, ressalta Barbano, tem que ser aplicado também aos produtos comprados por determinação judicial. Se houver recusa do laboratório, o responsável deve pagar o preço e denunciá-lo ao Ministério da Saúde e à Câmara, que pode puni-lo com multa de R$ 250 mil a R$ 3 milhões.

Comentários desativados em Laboratório terá de dar desconto

250 organizações no mundo manifestam apoio à quebra de patente

2007-06-06T00:00:00-03:00junho 6, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Mais de 250 organizações do mundo inteiro assinaram um abaixo-assinado apoiando a decisão de quebra de patente do coquetel Anti-Aids Efavirenz, produzido pelo laboratório Merck, Sharp & Dohme, anunciada pelo presidente Lula no último dia 4. Logo após a decisão ser divulgada, a Organização Mundial de Saúde (OMS) manifestou o seu apoio ao governo brasileiro. O medicamento é consumido por 75 mil pacientes de Aids na rede pública no Brasil inteiro e o licenciamento deve gerar uma economia ao governo de US$ 30 milhões ao ano até 2012. O abaixo-assinado aponta que a quebra de patente é uma decisão histórica e pioneira na América Latina e deve-se também a um forte processo de mobilização social, de resistência aos abusos cometidos pelas transnacionais que são amparadas pelo atual sistema de proteção intelectual. Segundo o documento, a licença compulsória do medicamento permite a produção de versões genéricas a preços mais acessíveis, ampliando o acesso da população e diminuindo o impacto causado pelos monopólios das empresas. O documento ressalta a legalidade e a legitimidade do instrumento utilizado, tanto na legislação nacional, quanto nos acordos internacionais de comércio. A propriedade intelectual não impacta somente a saúde pública, mas também a segurança e soberania alimentar, a biodiversidade, a manutenção da cultura dos povos, o acesso à informação e o direito à comunicação.

Comentários desativados em 250 organizações no mundo manifestam apoio à quebra de patente
Go to Top