julho 2007

Tratamento é privilégio de poucos

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 24, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O principal assessor do presidente norte-americano, George W. Bush, para questões ligadas à Aids alertou ontem que o mundo está perdendo a batalha contra o vírus HIV. "Para cada uma das pessoas que iniciam tratamento, seis são infectadas", declarou Anthony Fauci, durante a 4ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS). "Então estamos perdendo esse jogo (...), o jogo dos números", acrescentou o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. O evento da IAS, que reúne, desde domingo, 5 mil especialistas de 133 países em Sydney, na Austrália, será encerrado amanhã. Cerca de 40 milhões de pessoas vivem com HIV hoje no mundo, estima a Organização das Nações Unidas (ONU). Mais da metade dos casos se concentra na África Subsaariana. O presidente da IAS, Pedro Cahn, destacou que um dos principais objetivos do evento é buscar "formas de auxiliar países em desenvolvimento a fortalecer seus sistemas de saúde para tornar esses avanços (no tratamento e na prevenção da Aids) uma realidade para as pessoas que precisam e aquelas em risco". Em 2004, menos de 300 mil pessoas nos países em desenvolvimento tinham acesso a medicamentos anti-retrovirais. No ano passado, o número aumentou para 2,2 milhões. O número, porém, ainda é insuficiente: trata-se de apenas um quarto das pessoas que precisam receber tratamento, segundo o presidente da Associação Britânica de HIV, Brian Gazzard. Para a chefe do programa anti-HIV do Banco Mundial, Debrework Zewdie, o maior desafio na luta contra a Aids não é a falta de dinheiro, mas a capacidade limitada dos serviços de atendimento médico em vários dos países com as maiores taxas de infecção. "Enfrentamos uma carência enorme quando se trata de médicos, de outros profissionais da área de saúde e de pesquisadores. Essas pessoas não apenas proveriam tratamento, como coordenariam também operações locais", afirmou Zewdie. De acordo com o Banco Mundial, a Papua Nova Guiné, que enfrenta uma das piores epidemias de Aids no mundo, possui apenas 284 médicos e metade destes profissionais trabalha no exterior. Para tentar reduzir o problema, o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer, afirmou durante a conferência que seu governo doará US$ 352 milhões para o combate ao HIV em países da Ásia e do Pacífico. O encontro de especialistas tentará consolidar a Declaração de Sydney, que prevê a destinação de 10% de todos os recursos dedicados à luta contra a Aids para pesquisas. A meta é otimizar o tratamento e a prevenção da doença e melhorar os resultados clínicos.

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Abbott concorda em retirar processo contra a ong act up-paris, mas mantém bloqueio de medicamento na Tailândia

2007-07-23T00:00:00-03:00julho 23, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Na manhã deste domingo, em Sydney, Austrália, a Sociedade Internacional de Aids (IAS) promoveu e facilitou um encontro entre o laboratório Abbott e a ONG Act Up-Paris. Em junho deste ano, a empresa farmacêutica entrou com um processo na justiça contra a organização (saiba mais), por ter sofrido um ataque ao seu website articulado pelos ativistas franceses. O laboratório desistiu da ação e ambos os lados classificaram o acordo como uma forma de “mostrar prioridade na promoção do acesso e prevenção ao HIV”. O encontro aconteceu no dia de abertura da IAS 2007 e as duas organizações concordaram em discutir as divergências em um futuro próximo. O anúncio foi realizado por um release distribuído a jornalistas presentes ao evento. No entanto, momentos depois da divulgação do release, a Rede Tailandesa de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e a Act Up-Paris distribuíram uma nota informando que durante o encontro a Abbott se recusou a suspender o “bloqueio mortal” do medicamento Aluvia, vital para o tratamento da Aids, que a empresa está impondo aos soropositivos tailandeses. No dia 13 de julho, as duas organizações haviam divulgado uma nota conjunta pedindo a Abbott para comparecer a um encontro para resolver a crise durante a IAS 2007. Este encontro tinha como objetivo oferecer ao laboratório uma oportunidade de se desvencilhar da crise na qual se envolveu desde o dia 14 de fevereiro, quando anunciou que não registraria o Aluvia, versão termoestável do Kaletra, na Tailândia. “Eu vivo com o HIV e há alguns anos um remédio da Abbott salvou minha vida,” lembra o presidente da Act Up-Paris, Hughes Fischer. “Do meu ponto de vista, o fato da Abbott estar deliberadamente evitando que os tailandeses soropositivos tenham acesso a um medicamento que pode salvar suas vidas é o mesmo que assassinato. A Abbott deve suspender o bloqueio agora,” declarou o ativista na nota divulgada hoje. “Ao suspender o processo contra as pessoas vivendo com HIV/Aids na França, a Abbott está apenas demonstrando que o direito está do lado das pessoas com Aids e que o bloqueio contra nós na Tailândia é moralmente insustentável”, comentou Wirat Purahong, presidente da Rede Tailandesa de Pessoas Vivendo com HIV/Aids. “O acesso ao Aluvia para os pacientes tailandeses é mil vezes mais importante do que o acesso ao website corporativo da Abbott. O laboratório tem que acabar com a ameaça de que os pacientes de Aids tailandeses só terão o Aluvia quando o governo tailandês garantir a Abbott um monopólio”, acrescentou. A nota encerra afirmando que “a comunidade internacional de ativistas da Aids manterá a luta para garantir o acesso universal aos medicamentos para o HIV apesar da ganância da empresa.” Os ativistas prevêem mais ataques ao website da companhia até que esta responda com racionalidade aos apelos das pessoas vivendo com Aids e suspenda o bloqueio do registro do Aluvia na Tailândia. Maurício Barreira e Rodrigo Vasconcellos, de Sidney A Agência de Notícias da Aids faz a cobertura da IAS 2007 com o apoio do Programa Nacional de DST e Aids e do laboratório Roche

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Acordos beneficiarão mais pacientes

2007-07-22T00:00:00-03:00julho 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Negociação envolve remédios para tratar diabetes, câncer e Alzheimer BRASÍLIA. O acordo entre o Ministério da Saúde e o laboratório Abbott, que permitiu a redução de quase 30% do preço do Kaletra - usado por pessoas portadoras de HIV - já é resultado da atuação mais agressiva do Brasil no setor de medicamentos. A expectativa do ministro José Gomes Temporão e de organizações não-governamentais, como a Médicos Sem Fronteiras, é que acordos semelhantes surgirão ainda este ano - não só para remédios antiAids, mas também para medicamentos de uso contínuo para tratar doenças como diabetes, câncer, hipertensão, mal de Parkinson e Alzheimer. Para Temporão, o fato de o laboratório ter procurado o governo para negociar a redução do preço significa mudança de paradigma, após o licenciamento compulsório do Efavirenz: - Cada laboratório deve ter analisado essa situação e redefinido sua estratégia. Estamos negociando com outros laboratórios novas reduções de preços. Só com o Efavirenz e com a renegociação do preço cobrado pelo Abbott, estamos economizando US$ 40 milhões por ano. A representante da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais da Médicos Sem Fronteiras, Gabriela Chaves, concorda que é preciso desenvolver a indústria local, mas defende ação conjunta das nações em desenvolvimento. Ela lembrou que, de dezembro de 2006 a janeiro de 2007, a Tailândia emitiu licença compulsória para dois medicamentos para Aids e um para problemas cardíacos: - Não só a postura do Brasil, mas a da Tailândia e da Índia garantem maior credibilidade para o governo brasileiro negociar preços com laboratórios. Empresas do Brasil deveriam se aliar às indianas Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior, Primo Roberto Segatto, o Brasil deve se aliar à Índia, que já quebrou patentes em todo o mundo. A idéia é a associação entre empresas brasileiras e indianas em joint ventures. Temporão admitiu que o Brasil vive uma "vulnerabilidade social" e que a dependência externa leva a população a situações de risco, desde o desabastecimento até fraudes que podem ser fatais, como as vistas na Operação Vampiro. Ele lembrou o surgimento da vacina anti-HPV, contra câncer de colo de útero: - Se fôssemos adicionar essa vacina ao programa brasileiro, teríamos custo de R$ 2 bilhões por ano, sendo que gastamos com todas as outras vacinas R$ 750 milhões. Os esforços do governo para incentivar a produção nacional vêm um pouco tarde, disse Renata Reis, coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids. O erro do Brasil, afirmou, foi se precipitar na adesão ao acordo de Trips (de propriedade intelectual), em 1994, na Organização Mundial do Comércio. Os países em desenvolvimento teriam até 2005 para se adequar às novas regras que prevêem reconhecer patentes de medicamentos, impedindo fabricar genéricos a partir desses produtos. Mas o Brasil ajustou sua legislação ao Trips em 1996. A Índia o fez em 2005, ganhando fôlego para fortalecer a indústria de genéricos.

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Novo marco regulatório para setor farmacêutico

2007-07-22T00:00:00-03:00julho 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Temporão diz que governo, para não ficar refém de importação, incentivará produção nacional com compras de R$ 3,8 bi BRASÍLIA. O licenciamento compulsório do Efavirenz, remédio para tratamento de Aids produzido pelo laboratório Merck, decretado pelo presidente Lula há cerca de três meses, foi um divisor de águas nas relações entre o Estado e o setor farmacêutico. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, antecipou ao GLOBO que o governo não quer mais ficar refém das importações e instituirá, até o fim do ano, um novo marco regulatório para estimular a produção nacional e reduzir a dependência externa, que, no caso de hemoderivados, chega a 100%. Temporão afirmou que o governo vai usar seu poder de compra - R$ 3,8 bilhões - para incentivar a política industrial do setor, dando preferência a produtos nacionais. O setor público é responsável por 25% de um total de US$ 8 bilhões movimentados no mercado brasileiro. Isso significa que o governo está disposto a direcionar até US$ 2 bilhões (R$ 3,8 bilhões) à compra de remédios e princípios ativos produzidos por empresas brasileiras ou fabricantes estrangeiros que queiram se instalar no país, seja de forma isolada ou via joint ventures com indústrias nacionais. Para atrair esses investimentos e financiar a associação entre indústrias, o BNDES vai liberar R$ 2 bilhões, o dobro do valor disponível hoje, segundo fontes do Ministério do Desenvolvimento. - A nova política industrial, para ter sucesso, só vai funcionar se houver um novo marco regulatório para o setor, que altere a tributação, acelere licitações e o financiamento de fusões, associações e investimentos em linhas especiais do BNDES - disse Temporão. - Tudo precisa estar pronto ainda no segundo semestre, tanto o marco regulatório quanto a nova política industrial. O governo Lula só tem três anos e meio. Temos que andar rápido. Se, por um lado, o Brasil produz 90% dos medicamentos prontos (em pílulas, injeções etc.) consumidos no mercado interno, o país importa 82% dos princípios ativos, o que realmente pesa na produção dos medicamentos. Com isso, só em 2006, o Brasil teve déficit comercial em sua cadeia produtiva de fármacos de quase US$ 5 bilhões. O Brasil hoje só consegue transformar os fármacos, já prontos, em comprimidos, cápsulas, injeção ou líquido. Mas está longe de estágios tecnológicos importantes, como investimentos em novos princípios ativos e em produção em escala industrial. Os produtores da Índia fizeram o contrário do Brasil, lembrou Temporão. - Enquanto nos anos 80 e 90 o Brasil praticamente destruiu a nossa indústria farmoquímica, a Índia teve uma política de Estado de fortalecimento do setor. Hoje, a Índia é grande exportador de fármacos, e o Brasil é grande importador. Indústria quer garantia de que governo fará compras O ministro explicou que, além de alterar a lei de licitações, o governo estuda uma nova política tributária para o setor farmacêutico. Ele disse que as discussões com a área econômica estão avançadas. A indústria farmacêutica recebeu as indicações da nova proposta de política industrial e do novo marco regulatório com otimismo. O presidente da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Ciro Mortella, disse que a nova política de compras governamentais será essencial para os investimentos se concretizarem: - Não adianta dar condições de financiamento e incentivos para instalar novas indústrias, se não garantirmos que a produção será comprada. Mortella frisou que, se o governo cumprir a promessa de dar preferência à produção nacional, o Brasil conseguirá recuperar o tempo perdido. - Também é necessário não se repetir o filme que já vimos: um órgão incentivando o setor e outros criando dificuldades.

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Ruanda usará concessão da OMC para importar genérico anti-Aids

2007-07-20T00:00:00-03:00julho 20, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

GENEBRA (Reuters) - Ruanda pretende importar um medicamento genérico contra a Aids do Canadá, tornando-se assim o primeiro país a usar uma exceção da Organização Mundial da Saúde que permite a quebra de patentes, disse a OMC na sexta-feira. Em documento enviado à entidade, que é o árbitro do comércio mundial, Ruanda informa que pretende importar 260 mil caixas do anti-retroviral TriAvir, da fábrica canadense de genéricos Apotex, nos próximos dois anos. O país centro-africano evocou uma regra da OMC em vigor desde agosto de 2003, mas até hoje nunca usada, que autoriza países pobres com problemas de saúde pública a importarem genéricos quando não tiverem condições de produzi-los por conta própria. ONGs do setor, como a britânica Oxfam, criticam a chamada 'solução do parágrafo 6' por impor complicadas regras de notificação e por exigir que as fábricas de genéricos que estejam interessadas em exportar negociem com os detentores das patentes o direito de vender genéricos para o exterior. Normalmente, os países só podem emitir a chamada licença compulsória quando o medicamento genérico a ser produzido se destina ao consumo doméstico, como acontece na Índia. Os 150 países da OMC têm até dezembro para ratificar uma decisão que torna a concessão uma parte permanente do tratado Trips (Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, na sigla em inglês). Parlamentares da União Européia adiaram nesta semana a aprovação do mecanismo, dizendo que ele é oneroso e restritivo demais para os países pobres que têm de lidar com doenças como Aids, malária e outras doenças que matam milhões por ano. Pascale Boulet, assessora jurídica da entidade Médicos Sem Fronteira e da sua Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, disse que os países em desenvolvimento relutam em usar o sistema do 'parágrafo 6' por causa dos seus procedimentos complicados. Boulet disse que a ONG vai acompanhar o caso ruandês com grande interesse para ver se o medicamento da Apotex chega ao país, onde 3 por cento da população estão contaminados com o vírus HIV. 'É importante ter em mente que se trata de apenas um carregamento de um produto para Ruanda', disse ela, salientando que o mecanismo da OMC ainda tem alcance muito limitado. 'É um sistema que funciona na base do país a país e caso a caso. Pode de fato responder às necessidades de Ruanda para este medicamento específico, mas não é uma solução para o problema como um todo.'

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“País gasta pouco com Saúde”

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 16, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

BRASÍLIA. Passados quatro meses desde que assumiu o comando do Ministério da Saúde, o ministro José Gomes Temporão coleciona brigas com adversários de peso. Enfrentou a indústria farmacêutica ao autorizar a quebra de patente do Efavirenz, medicamento fabricado pela Merck utilizado no tratamento de pacientes de Aids, bateu forte na indústria de bebidas ao incluir as cervejas no conceito de bebidas de alto teor alcoólico e encarou a resistência da Igreja Católica na discussão do aborto e na promoção de uma política ampla de controle de natalidade. Agora, o destemido ministro mira na indústria alimentícia, ao planejar a regulação da quantidade de açúcar, sal e gorduras nos alimentos industrializados. Em entrevista ao JB, o ministro imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao maior aliado político do governo, o PMDB, disse que o Sistema de Saúde do Brasil - o mesmo que estaria "próximo da perfeição", segundo palavras de Lula - gasta pouco e gasta mal. Para fazer o sistema gastar de forma melhor, comprou mais uma briga, desta vez com os servidores da área de Saúde, e propôs a criação de fundações para gerir os hospitais públicos e o fim da estabilidade desses profissionais. - Tem que ter mais dinheiro - enfatiza Temporão, que pretende montar no país um complexo industrial voltado para a fabricação de remédios, equipamentos médico-hospitalares, fármacos e reagentes. É parte da fórmula com que o ministro pretende equalizar a diminuição dos gastos do governo com medicamentos, o aumento da verba para a Saúde e a sustentabilidade do setor em um futuro onde a população brasileira estará mais velha, mais vulnerável a doenças crônicas e, como conseqüência, mais dispendiosa para o sistema público de Saúde. Qual o principal problema da Saúde no Brasil, hoje? - O país gasta pouco com Saúde, gasta mal esse dinheiro e ainda não tem uma estratégia para enfrentar os desafios do futuro. Em 20 anos, o governo terá de lidar com uma massa de 30 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. A despesa será maior, a incidência de doenças crônicas vai aumentar, o gasto com medicamentos mais caros também vai crescer, assim como o número de internações. O desafio, aqui, é duplo. Tem que ajeitar a situação no presente, criando soluções que se mantenham a longo prazo. Quais as soluções em estudo no ministério? - Normalmente, se pensa a Saúde pelo prisma da atenção, o problema das filas, a emergência cheia de pacientes e sem médicos suficientes, a longa espera para as cirurgias. Mas se você olhar esses problemas do ângulo de quem está dentro do hospital, vai enxugar gelo a vida inteira. Tem que pensar nos fatores que estão levando as pessoas para os hospitais, ter uma política de prevenção de acidentes de trabalho, de acidentes de trânsito, pensar na segurança nas estradas, na venda de bebidas, nos caminhoneiros que tomam remédio para não dormir. A política de redução de danos em relação ao álcool é um exemplo do que deve ser feito, pensar em iniciativas para diminuir fatores que levam as pessoas às emergências. Essas medidas preventivas serão o foco do PAC da Saúde? - Não somente elas. A política que o presidente Lula me encomendou será norteada por cinco linhas básicas. Uma é a promoção da saúde, em que entra o cuidado com a prevenção, com o que nós chamamos de determinantes sociais da saúde, aquilo que leva as pessoas para o hospital. Aqui entra a questão do álcool, do cigarro, a regulamentação da quantidade de açúcar, gorduras e sal nos alimentos. Isso pode envolver mais uma briga, dessa vez com a indústria alimentícia? - Nós estamos dispostos a enfrentar essa questão. Já existe uma agenda grande na Anvisa sobre regulação de alimentos, que nós vamos tocar em frente. O que deve mudar? - O padrão alimentar do brasileiro está se transformando rapidamente. Quanto mais a população se urbaniza, mais cresce o consumo de produtos industrializados. Essas pessoas tem que ter garantia do que estão comendo. Se o sal dos alimentos estiver acima do que for considerado um padrão aceitável, isso pode levar à hipertensão, a longo prazo. Se houver esse excesso, se a Anvisa detectar isso, a indústria vai ter que diminuir a quantidade de sal nos alimentos. O mesmo vale para o açúcar, para a gordura trans. Nós temos em mente que não se pode comprometer a viabilidade econômica dessas indústrias, mas não posso querer que as pessoas consumam um produto que, lá na frente, vá causar uma artéria entupida, hipertensão. Nossa preocupação é combater os males crônicos gerados por uma alimentação incorreta, a hipertensão, a arterioesclerose, que tendem a aumentar em uma população que está envelhecendo. O Brasil passou a sofrer com as doenças "de país rico"? - O Brasil está no pior dos mundos. Temos o perfil dos países ricos, acrescido com as doenças dos países pobres. As três principais causas de morte no Brasil hoje são as doenças cardiovasculares, o câncer e acidentes de trânsito. As doenças parasitárias, embora ainda pesem, não são mais tão significativas como eram há 20 anos. O fato é que o Brasil mudou completamente seu perfil epidemiológico, e isso terá impacto certeiro nos gastos do governo com medicamentos. Vamos precisar de um projeto que diminua a dependência do sistema de saúde da importação desses remédios. Como será esse projeto? - Uma das linhas da nova política para a Saúde vai se dedicar à criação de um complexo produtivo voltado para o setor. O Brasil tem um gigantesco mercado, com 190 milhões de consumidores, e nunca olhou a Saúde desse ângulo. Nunca teve uma estratégia para produzir vacinas, fármacos, reagentes, órteses, material médico-hospitalar, uma série de produtos que podem ser fabricados no país, mas que hoje são importados, em sua maioria. Para se ter uma idéia, no final dos anos 80, a balança comercial do setor era negativa em US$ 600 milhões. No ano passado, ela foi negativa em US$ 5 bilhões. A dependência está aumentando porque eu não estou desenvolvendo tecnologia aqui dentro para acompanhar o que acontece lá fora. A idéia, agora, é usar o poder de compra do estado, a política industrial e o BNDES como indutores da redução desse déficit. O que faltou para a indústria do setor se desenvolver nesse sentido no Brasil? - Faltou perceber esse espaço de interação entre as políticas sociais, econômica e de inovação tecnológica. No nosso projeto, o foco desse complexo serão os medicamentos de alta relevância do ponto de vista da saúde pública, alto custo para o governo e onde o Brasil já tenha algum tipo de capacidade tecnológica desenvolvida, que possa ser alavancada rapidamente. Quais são esses medicamentos? - Hoje, a indústria brasileira está crescendo muito na produção de genéricos. O BNDES está percebendo nisso uma estratégia de capitalização dessas indústrias, para poder investir no desenvolvimento de novas drogas. Isso é interessante, mas precisamos atuar na outra ponta, investir nos estágios nobres de desenvolvimento de novos produtos. Vamos olhar para o que existe na flora brasileira. Isso é estratégico para diminuir a vulnerabilidade do Sistema de Saúde ao mercado externo. Fabricar genéricos é importante, mas o fundamental será a pesquisa em novas fronteiras da indústria de saúde. Só assim vamos poder acompanhar o que acontece no mercado externo, diminuir nossa dependência desse mercado e, por conseqüência, reduzir os gastos do governo com esses produtos. Foi nessa mesma lógica que o governo se decidiu pela quebra da patente do Efavirenz? - O episódio do licenciamento compulsório foi muito específico. Tínhamos um laboratório que fornecia medicamento para o Brasil com o preço duas vezes e meia maior do que para um país asiático, que durante quatro meses manteve uma intransigência dramática, ofereceu apenas uma proposta de redução de 2% no preço do produto e não acreditou que o Brasil fosse tomar uma medida mais consistente. O Brasil tomou. Havia um risco grande para a sustentabilidade econômica do programa anti-Aids, não havia outra saída senão essa. Não estou percebendo nenhum tipo de problema na relação com outros laboratórios por conta disso. Pelo contrário, estamos negociando com todos eles. Está mais fácil para o Brasil conversar com os laboratórios, agora? - Não sei (risos). Pergunte para eles, os laboratórios. A norma tem sido sentar e negociar. O complexo da Saúde vai se concentrar em medicamentos? - Temos interesses em várias áreas. Um exemplo é a fabricação de marcapassos. O Brasil implanta 20 mil marcapassos por ano e importa todos. Não faz o menor sentido. Podemos fabricar stents, reagentes para diagnósticos em laboratório, equipamentos de raios-X, de ultrassonografia. O Brasil tem mão-de-obra qualificada na quantidade suficiente para um projeto tão amplo? - Os EUA formam 40 mil PhDs por ano. O Brasil está formando 10 mil. Nós já fazemos parte de um grupo diferenciado de países na formação de pessoal especializado, estamos formando biólogos, químicos, farmacêuticos, pesquisadores em genética. Temos as condições, e ao estimular a pesquisa em novos produtos nós estaremos gerando empregos para essa massa de profissionais extremamente qualificados. Hoje, sem uma política de incentivos dessa ordem, o setor de Saúde já é capaz de gerar 7,5 milhões de empregos. O senhor falou em políticas de prevenção, um grande complexo industrial para a Saúde. Existe dinheiro no orçamento para tudo isso? - Ainda não. O sistema de saúde brasileiro é subfinanciado. Nos países que têm políticas de recorte universal para a Saúde, Inglaterra, França, Itália e Canadá, a participação do gasto público no gasto total gira entre 60% e 80%. O gasto privado pode envolver plano de saúde, compra de medicamentos. No Brasil, a participação do gasto público no gasto total está em torno de 45%. Nos anos 80 era de 60%. Por que esse dinheiro encolheu? A Constituição não garante o crescimento contínuo da verba para a Saúde? - A emenda 29 determina o reajuste dessa verba vinculado ao crescimento do PIB e da inflação, mas tem um problema grave: não está regulamentada. Não diz o que são as ações e os serviços que entram na conta da Saúde. Tem governos que colocam recolhimento de lixo na conta de Saúde. Merenda escolar, pagamento de aposentados. Fecham a conta assim. O fato é que o dinheiro para as ações de Saúde propriamente ditas realmente encolheu. Não vamos nos iludir, sem um Sistema de Saúde de qualidade, a produção no trabalho, o rendimento escolar, a qualidade de vida, tudo despenca. Para evitar isso tem que injetar dinheiro. Como é esse gasto em Saúde, hoje? - O Brasil gasta US$ 500 per capita por ano com Saúde. Isso é menos do que a Argentina gasta, do que o Chile. E gerencia mal esse gasto. As fundações estatais são a solução para esse problema de gestão? - Esse é outro bloco do programa de saúde. Há um problema de eficiência no sistema, a organização da Saúde no Brasil é precária. As fundações vão permitir a profissionalização da gestão, vai mudar o foco dos hospitais para a qualidade do atendimento e os resultados. Com a contratação CLT para os novos funcionários, mesmo que aconteça em um processo de seleção pública, vai ser mais ágil. É mais uma briga, dessa vez com o funcionalismo público de seu próprio setor... - A criação das fundações vai ser debatida com o Conselho Nacional de Saúde. Tudo vai ser transparente. O que estamos fazendo agora é abrir caminho, na Constituição, para poder criar essas fundações, que vão beneficiar não só a Saúde, mas vários outros setores do serviço público. Esse é o corpo da nova política da Saúde? - Falta a questão da oferta de serviços de saúde. As prioridades serão o atendimento de emergência e urgência, a saúde da família. É impossível pensar o atendimento em saúde centrado apenas em hospital, tem que ter uma porta de entrada de clínicos nas famílias, que permite resolver a maioria dos problemas de saúde. Tem o acesso aos medicamentos, que passa pela ampliação das farmácias populares. E tem a questão do planejamento familiar, que é tanto do acesso aos métodos quanto de informação, de educação. Ainda falta informação? - Falta, e muito. A fecundidade no Brasil está caindo, está despencando, mas ela permanece muito alta nos estratos populacionais mais pobres, onde o grau de escolaridade é mais baixo. Tem que trabalhar estratégias distintas de comunicação e tem que fazer com que os métodos estejam disponíveis e cheguem a esse público. Democratizar o acesso das pessoas aos métodos anticoncepcionais é fundamental. Isso já é polêmica, porque a Igreja é contra. Temos que enfrentar essas questões. A opinião da Igreja tem muito peso nesse processo? - Acho que não está pesando nada. Existem várias pesquisas mostrando que as pessoas separam essas coisas muito bem, é como se elas selecionassem o que interessa na religião de forma bastante pragmática. O que não é interessante para as pessoas na religião, elas deixam de lado. O uso de camisinha, o uso da pílula, o sexo antes do casamento, o aborto. A Igreja Católica tem uma visão extremamente conservadora dessa questão e totalmente descolada do pensamento da sociedade como um todo. A visão da sociedade sobre a questão da sexualidade é uma, a da Igreja é outra, é uma visão completamente medieval. Quando será apresentada a nova política para o setor ? - O presidente me cobra isso o tempo todo. Nesta semana já vou ter o primeiro copião com as propostas estruturadas em todas as linhas do programa. Acredito que para o fim de agosto já vamos ter a versão para entregar ao presidente Lula.

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Roche Diagnostics cresce 16% na AL

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 16, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

São Paulo, As vendas foram puxadas pelo desempenho no Brasil, onde faturou R$ 140 milhões. A estabilidade político-econômico verificada nos últimos anos na maior parte dos países da América Latina tem feito as vendas da divisão de diagnóstico da empresa suíça Roche saltarem na região, informou o presidente da Roche Diagnóstica Brasil, Walter Baxter. O Brasil - onde o câmbio tem favorecido as importações e, em conseqüência, a modernização da rede de saúde, bastante dependente de tecnologia importada - foi um dos motores desse crescimento. No primeiro semestre deste ano, a divisão cresceu 16% no mercado latino-americano e o mesmo percentual de alta foi verificado no País, cujo faturamento acumulado no período foi de R$ 140 milhões, quase 50% do apurado na região. "A América Latina tem despontado como grande parceira da Roche e o crescimento neste ano ficou acima da média mundial, de 6% a 7% no semestre em mercados como Europa e Estados Unidos", disse Baxter. No ano passado, as vendas na América Latina cresceram 14% e no Brasil, 9%. Baxter explicou que aqui teria sido 13%, se a empresa não tivesse perdido uma grande licitação. A região latino-americana responde por 5% do total de vendas da Roche Diagnostics no mundo, que foi de 8,7 bilhões de francos suíços (US$ 7,13 bilhões) em 2006. Contudo, mesmo crescendo menos, o faturamento na Europa ainda representa a maior fatia do bolo, de 50%. Apesar de já ter alcançado 16% de aumento no volume de negócios, para o ano cheio o executivo trabalha com uma perspectiva de alta de 14%, tanto no Brasil quanto na região latino-americana. Além das condições macroeconômicas favoráveis, o lançamento de produtos de maior valor agregado, que fogem das comoddities, é outro fator que está impulsionando os resultados, observou Baxter. Septicemia e HPV Entre os lançamentos, Baxter ressaltou o SeptiFast, um teste que reduz o tempo de diagnóstico da sepse, que leva à septicemia - processo infeccioso generalizado e a principal causa de morte em unidades de terapia intensiva (UTI), sendo responsável por mais de 30% dos casos. Segundo a Roche, baseada em dados do Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas), no Brasil, a taxa de mortalidade alcança 50% dos casos de sepse. Baxter explicou que o SeptiFast reduz o tempo de análise da presença de agentes infecciosos no sangue, que levam ao problema, de média de três a sete dias, pelos métodos tradicionais, para cerca de seis horas. "Pode ser a diferença entre a vida e a morte." O teste, que já está no mercado nacional, identifica 25 tipos de agentes, um universo de 90% dos que causam a infecção, e qual a resistência deles a antibióticos, informou. O produto fará parte de um estudo, que a empresa desenvolverá em parceria com o Hospital Albert Einstein e com início previsto para agosto próximo, de prevenção da doença. O teste será aplicado em todo paciente após um processo cirúrgico de grande porte. Se um agente for identificado, o paciente é tratado antes de o problema se agravar. "Assim, vamos poder assinalar as vantagens em termos de custos de tratamento e social, já que vidas podem ser salvas." É da Roche também o teste para detectar o Papiloma Vírus Humano (HPV) por meio de biologia molecular - que identifica, também rapidamente, o DNA ou RNA do agente infectante. O HPV é o principal causador de câncer de cólo do útero. "Mas o maior crescimento da empresa depende de conseguirmos criar demanda. Fazer com que médicos solicitem os exames e que os convênios e governo reembolsem esses gastos, que evitam outros maiores, com internações e medicamentos, por exemplo. US$ 1 bi em aquisição No final do mês passado, a Roche Diagnostics concluiu a compra, sua terceira em 2007, da BioVeris Corporation, por US$ 600 milhões, totalizando mais de US$ 1 bilhão em aquisições neste ano. Antes havia adquirido a 454 LifeScience, de instrumentos para seqüenciamento do genoma, por US$ 140 milhões; e a NimbleGen, de microchips de DNA, por US$ 272,5 milhões. O movimento da Roche segue em oposição ao momento atual do mercado, em que empresas especializadas em equipamentos médico-hospitalares têm comprado essas divisões de companhias que têm foco também na área farmacêutica, como a holding suíça. Conforme Baxter, a Roche quer solidificar cada vez mais a posição de líder mundial do mercado de diagnóstico in vitro. A compra da Bioveris, por exemplo, é um dos pilares do crescimento futuro da empresa, que estima alta de ao menos 6% este ano, acima do previsto antes da aquisição, por causa do novo negócio. Com a BioVeris, a Roche obteve acesso a tecnologia, e a patente, da plataforma que já utilizava, e pagava royalties, para sua linha de imunologia, além de ampliar sua atuação neste campo, antes restrita por contrato.

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Exemplar

2007-07-13T00:00:00-03:00julho 13, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Já surtiu o efeito desejado pelo ministro José Gomes Temporão o licenciamento compulsório, apelidado de quebra de patente, do medicamento anti-Aids Efavirenz, do laboratório Merck. Esta semana o laboratório Abott informou ao Ministério da Saúde que decidiu reduzir voluntariamente o preço do Kaletra, outro importante antiretroviral.

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Anti-retroviral em comprimidos

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 11, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O que vem por aí O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinou um acordo com o laboratório Abbott que reduz em 29,5% o preço da nova apresentação, em comprimido, do anti-retroviral lopinavir/ritonavir, conhecido como Kaletra. A versão anterior do medicamento era em cápsulas. A previsão de redução de gastos, no primeiro ano do acordo, é de cerca de US$ 11,4 milhões. Além disso, a nova apresentação permite ao paciente diminuir o número de doses diárias. A nova apresentação do medicamento ainda não havia sido incorporada ao conjunto de medicamentos usados no coquetel de tratamento da aids. A partir de setembro será utilizado apenas o Kaletra em comprimido para o tratamento de adultos. Até lá, há estoques de cápsulas do medicamento, que garantem o abastecimento em todo o País. Rastreamento A cura para a hepatite C, doença que acomete cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil, já pode ser considerada uma realidade. A enfermidade, principal causa de transplantes de fígado no mundo, é vista como uma questão de saúde pública e infecta até cinco vezes mais que a aids. A boa notícia foi anunciada com a conclusão de um estudo americano com cerca de mil pacientes, que eliminaram o vírus do sangue no final do tratamento com a combinação de dois medicamentos - o interferon peguilado alfa-2a (Pegasys) e a ribavirina. Os pacientes se mantiveram sem a doença seis meses após a retirada dos remédios. Essa situação é o melhor indicador do sucesso do tratamento, podendo ser entendida como a cura da hepatite C. Problemas circulatórios Aproveitando a época de férias, o angiologista e cirurgião vascular José João Lopes alerta para o comprometimento do sistema vascular em viagens muito longas, especialmente quando está atrelado a outros fatores de risco. Assim, vôos longos e viagens de carro com grandes percursos podem comprometer o sistema vascular. Permanecer com o corpo em uma mesma posição durante muito tempo influencia o desenvolvimento de varizes. A quase total ausência de movimento aliada à falta de espaço e o desconforto típico dessas viagens são os principais fatores que aumentam os problemas circulatórios. Geralmente os resultados são pernas e pés inchados, acúmulo de líquidos, além da dor e dificuldade de locomoção. Situações extremas O psiquiatra brasileiro José Toufic Thomé faz parte de uma comissão da ONU que está preocupada com o aumento nos casos de transtornos psíquicos ocorridos nas populações expostas a situações extremas. Ocorrências desse tipo não são mais observadas somente após situações excepcionais geradas pela natureza, como tsunamis e furacões. "Diariamente, catástrofes causadas pelo próprio homem geram situações limite desorganizadoras, com alto poder de desequilíbrio emocional e psíquico", afirma o psiquiatra. Guerras, crises econômicas, corrupção, conflitos sociais e terrorismo internacional também são eventos potencialmente adoecedores, mesmo que as pessoas não estejam diretamente expostas às conseqüências dos desastres. Cirurgia íntima Anualmente, a busca pela beleza leva milhares de mulheres em todo o mundo a procurar cirurgiões plásticos para resolver suas "imperfeições". Uma insatisfação das mulheres, bem menos alardeada, está relacionada à sua intimidade. Por puro constrangimento, grande parte delas deixa de discutir o assunto com seus especialistas. "É a cirurgia da intimidade, que ajuda a resolver problemas estéticos da aparência genital ou de aspectos não funcionais da região", explica o cirurgião plástico Marlon Chiaratti. Os procedimentos, geralmente muito simples, podem ser indicados para vários casos como desproporção do tamanho dos mamilos ou acúmulo de gordura na região do púbis. Grande parte deles se refere aos pequenos lábios, pois algumas mulheres possuem excesso de pele nessa região, o que pode ocasionar desconforto durante as relações sexuais.

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Governo vai investir mais de R$ 35 bilhões na área de tecnologia

2017-01-10T17:18:14-03:00julho 11, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Belém - PAC da C&T combina recursos de quatro ministérios, de parcerias com governos estaduais e com o setor privado. Somando recursos de quatro ministérios, de parcerias com governos estaduais e com o setor privado, o governo federal pretende investir entre 35 bilhões de reais e 40 bilhões de reais no Plano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Nacional, de acordo com o secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias. Elias apresentou o plano, que tem sido chamado de PAC da C&T, na segunda-feira (09/07) durante a 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém. “É um programa que se pretende horizontal, mas é importante destacar que se trata de premissas que não estão consolidadas. São proposições que recebemos da sociedade e estamos integrando em um grande projeto”, disse Elias à Agência Fapesp. O plano prioriza quatro linhas estratégicas: consolidação e expansão do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação; incorporação da inovação no processo produtivo das empresas; pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas para o país; e ciência e tecnologia para o desenvolvimento social. “O importante é que teremos recursos para a inovação no Brasil para os próximos quatro anos. A dimensão disso está sendo trabalhada para que tenhamos um programa concreto”, afirmou Elias. Segundo ele, com nova lei de regulamentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia (FNDCT), os fundos setoriais deverão assegurar recursos para todas as áreas da ciência, garantindo boa parte dos investimentos. “Somando todos os anos até 2010, o FNDCT terá 7,5 bilhões de reais dos fundos setoriais. Chegaremos ao fim de 2010, sem contingenciamento, com 2,4 bilhões de reais. Mas o FNDCT é apenas uma das fontes de recursos, trabalharemos em conjunto com outros ministérios e haverá orçamento envolvendo o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND) e recursos do FAT (recursos reembolsáveis, administrados pelo Ministério do Trabalho)”, disse. Elias mencionou uma das áreas estratégicas eleitas pelo plano – a ciência e tecnologia na Amazônia – para exemplificar a cooperação entre os ministérios. “Para tratar dessa questão, o MCT integrará ações com os ministérios da Saúde, da Educação e da Agricultura. A idéia é que o plano seja o elemento adicional, conjunto, do que se chamou de ativos tangíveis – ou seja, do PAC, que é o plano da infra-estrutura.” Se o Plano de Aceleração do Crescimento tem como objetivo estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) por meio de mais investimentos na economia, o MCT, segundo Elias, reforçará o setor de ciência e tecnologia com uma contribuição na área de pesquisa. “O plano complementará o processo já lançado de infra-estrutura”, disse. Os investimentos de até 40 bilhões de reais, segundo Elias, virão dos ministérios da Agricultura, da Educação e da Saúde, além do MCT. “A idéia é que esses recursos sirvam a uma integração de propostas, elegendo algumas áreas centrais – como a cadeia farmoquímica, o programa de Aids, o programa espacial, energia nuclear, Amazônia, biocombustíveis e a questão de mudanças climáticas globais”, destacou. Dentro da primeira área prioritária, de expansão do sistema nacional de ciência e tecnologia, o plano prevê que serão necessários recursos de 1 bilhão de reais para apoio à infra-estrutura das instituições no setor, além de 444 milhões de reais para fomento ao desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação. Uma das metas, que é ampliar o número de bolsas em todas as modalidades das 65 mil atuais para 95 mil até 2010, demandará recursos de 3,4 bilhões de reais. A área prioritária com mais programas é a de apoio à inovação tecnológica nas empresas. Para o Programa Nacional de Apoio às Incubadoras e Parques Tecnológicos (PNI), por exemplo, haverá demanda de 360 milhões de reais para o período de 2007 a 2010. Serão investidos cerca de 170 milhões de reais em capacitação de recursos humanos para a inovação. Nesta área prioritária, o plano prevê ainda 375 milhões de reais para serviços tecnológicos, 2,3 bilhões de reais para tecnologias da informação e comunicação e 255 milhões de reais para biocombustíveis e energias do futuro. Cerca de 5,7 bilhões de reais deverão vir da Incubadora de Fundos Inovar, uma parceria da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o fundo de previdência Petros. Na área prioritária de pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas, o PAC da C&T prevê demanda de 569 milhões de reais para biodiversidade e recursos naturais, 329 milhões de reais para meteorologia e mudanças climáticas, 380 milhões de reais para defesa nacional e segurança pública. A área de ciência para o desenvolvimento social demandará 413 milhões de reais para popularização da ciência e melhoria do ensino de ciências.

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