Acordo entre governo e Abbott reduz em 30% preço de Kaletra
Ministério da Saúde estima economizar US$ 11,4 milhões, no primeiro ano, nas compras do remédio. O Ministério da Saúde e a subsidiária brasileira da farmacêutica norte-americana Abbott Laboratories assinaram ontem, em Brasília, um novo acordo para a mais moderna apresentação do anti-retroviral Kaletra (lopinavir/ritonavir), que reduz em 29,5% o preço do inibidor de protease, utilizado no coquetel de remédios para o tratamento da aids. O Ministério estima economizar cerca de US$ 11,4 milhões no primeiro ano de acordo. Em 2005, governo e laboratório formalizaram acordo de US$ 1,04 para cada comprimido da nova apresentação adquirido a partir deste ano. Com o ajuste, o preço ficou em US$ 0,73 em 2007 e em US$ 0,68 a partir do próximo ano, o que diminuirá o custo anual de tratamento por paciente para US$ 1 mil. O Ministério prevê que 31 mil adultos e 1,2 mil crianças utilizem Kaletra até o fim deste ano. O Brasil usa a versão antiga (cápsulas) de Kaletra desde 2002 e a mais nova (comprimidos) chegará aos pacientes a partir de setembro, substituindo a atual. O remédio da Abbott é o segundo anti-retroviral importado mais consumido no País, segundo o Ministério, atrás apenas do Efavirenz, da Merck, submetido a licenciamento compulsório pelo governo em maio último. A nova apresentação, lançada nos Estados Unidos em 2006, traz a vantagem de poder ser ingerida em jejum, não necessita de refrigeração e aumenta a adesão ao tratamento, já que deve ser tomada apenas quatro vezes ao dia, ante as seis doses diárias da versão antiga, explicou o diretor da Abbott, Roberto Alvarenga, observando que ela será importada da fábrica alemã da empresa. Conforme o executivo, o processo de renegociação partiu da própria Abbott, que, "além de querer colaborar para o desenvolvimento do Programa Nacional de DST/Aids", estabeleceu, a partir de discussões com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o mesmo valor, de US$ 1 mil anual por paciente, para 45 países considerados de baixa e médio-baixa renda, entre eles o Brasil. Esse programa global, que visa ampliar o acesso ao medicamento, foi apresentado em abril passado. Em 2005, contudo, governo e Abbott chegaram a entrar num embate, parecido com o ocorrido com a Merck este ano, com direito à ameaça de licenciamento compulsório para Kaletra, segundo o Ministério. Depois de quatro meses de negociação, foi fechado preço 47% menor, de US$ 0,63 a cápsula.