maio 2007

Brasil aprova na OMS política de acesso a remédios

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 24, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

GENEBRA Com a oposição declarada do maior responsável por registros de patentes no mundo - os Estados Unidos -, o Brasil conseguiu aprovar na Organização Mundial da Saúde (OMS) uma resolução que serve como uma espécie de aval para as políticas seguidas pelo País no setor de medicamentos, principalmente depois da decisão de quebrar a patente de um remédio da Merck. A resolução estabelece a criação de uma estratégia internacional de acesso a remédios contra a Aids e o apoio da agência da ONU para a Saúde aos países que queiram quebrar patentes de medicamentos. O texto ainda pede que mecanismos, como um fundo, sejam estudados para permitir o financiamento de pesquisa de novos remédios em países emergentes. Os governos alegam que a única forma de financiar novos produtos colocados no mercado pelas empresas tem sido a venda dos remédios a preços altos. A proposta, porém, não contou com o voto dos Estados Unidos, que afirmaram ontem estarem se "dissociando" do grupo de 192 países que aprovou a resolução. A Casa Branca deu ordens expressas a seus negociadores em Genebra para que não aceitassem o acordo. Na véspera, os americanos já haviam abandonado a sala de negociações ao ver que a maioria dos países apoiava o Brasil. Para diplomatas, o comportamento americano foi uma forma de tentar tirar legitimidade da resolução brasileira, ainda que aprovada. O que os americanos se recusavam a aceitar era uma decisão que dava à OMS o papel de ajudar os países a quebrarem patentes todas as vezes que solicitassem o apoio da entidade. Para os americanos, a questão de patentes não deve ser o foco da OMS. Empresas farmacêuticas também criticaram a proposta. Para a Federação Internacional de Indústrias Farmacêuticas, a proposta do Brasil não ajudará as populações a obterem remédios. Já a entidade Médicos Sem Fronteiras comemorou. Para o Itamaraty, a aprovação da resolução obrigará a OMS a tomar um partido mais favorável aos países pobres, cada vez que o tema das patentes for tratado. Isso porque países em desenvolvimento sofrem pressões de países ricos cada vez que ameaçam quebrar patentes. Para funcionários da OMS, porém, a aprovação pode ser considerada uma vitória. "O Brasil conseguiu trazer de volta para o centro de discussões da OMS a questão das patentes", disse German Velasquez, diretor do departamento de medicamentos da entidade. De fato, o tema da propriedade intelectual também foi tratado no combate à malária como forma de facilitar acesso aos remédios. Outro debate foi o da gripe aviária: a OMS terá de montar um estoque internacional de vacinas para o H5N1 e repensar como compartilhar amostra do vírus.

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“A população já economizou R$ 5 bilhões”

2007-05-24T00:00:00-03:00maio 24, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Entrevista Odnir Finotti, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Genéricos Executivo ressalta o impacto deflacionário dos genéricos e critica os pedidos de extensão de patentes Odnir Finotti , 53 anos, é o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos). Nas últimas semanas, ele vem acompanhando de perto duas questões tidas como prioritárias na agenda do setor. A primeira é a iniciativa de laboratórios multinacionais de pedirem a extensão de patentes de alguns medicamentos de marca. "Isso traria um impacto negativo para a indústria de genéricos. Nossa principal matéria-prima é o princípio ativo de remédios cujas patentes já expiraram", explica. O outro assunto que anda preocupando o executivo é a carga tributária. "Atualmente, 35% do preço de um remédio é imposto. Isso pode ser reduzido e o benefício vai direto para o bolso do consumidor". Acompanhe os principais trechos da entrevista: Como a indústria de genéricos está lidando com a tentativa de alguns laboratórios de prorrogarem patentes de medicamentos? Produzimos medicamentos cujas patentes já não estejam mais protegidas. O Brasil não deveria acatar nenhum pedido de prorrogação. O País adotou a questão do pipeline e obedece à vigência da primeira patente. Em todos esses casos onde houver a tentativa de conseguir uma extensão, vamos nos colocar do outro lado, entendendo que esse expediente não vale, não é do interesse público e fere a legislação. Como estão os processos sobre a extensão de patentes? O caso mais recente é o do Plavix, que tem como substância ativa o clopidogrel. É um medicamento que combate a trombose. A patente vencia no dia 28 de fevereiro e a empresa, a Sanofi-Aventis, entrou na Justiça para prorrogá-la. Houve uma primeira sentença favorável à não extensão de patente. Isso ocorreu em dezembro. Mas outro desembargador reverteu essa liminar e o remédio continua protegido. Entramos, agora, com nova representação para que o caso seja melhor avaliado. Os genéricos do Plavix já poderiam estar no mercado. Qual o prejuízo que a extensão de patentes causaria na indústria dos genéricos? No caso desse produto, o Sanofi-Aventis queria mais três anos de extensão. Vamos falar sobre o que a população brasileira deixaria de economizar. A caixa desse produto, que é de uso crônico, custa R$ 258 e o tratamento total sai por mais de R$ 900 para o consumidor. Imagine que o tratamento poderia ficar, no mínimo, 35% mais barato com os genéricos. Faça uma projeção dessa economia em três anos, que é o que eles pedem, e veja o resultado. Essa classe terapêutica vende US$ 50 milhões por ano. Como o senhor avalia a recente posição do governo sobre quebra de patentes de um medicamento usado para o combate da Aids? Esse é um fato novo. O Brasil tem cumprido a lei de patentes. O que o País fez agora com o medicamento da Merck é uma decisão prevista em todos os tratados que existem. Dizer o que vai acontecer daí para frente é difícil. Prefiro ser mineiro e esperar. Em que medida os genéricos podem contribuir para o controle inflacionário? O genérico é um forte regulador de mercado. Em virtude da concorrência, empresas que produzem medicamentos de marca nem aplicam os reajustes autorizados. Em alguns casos, chegam a fazer uma revisão de preço para baixo. Se você fizer uma análise na ponta, verá que muitas farmácias estão repassando parte dos ganhos ao consumidor. Em cinco anos dos genéricos, a população economizou R$ 5 bilhões. Como anda o projeto de lei que trata da licitação de genéricos? As compras do governo se dão pelo menor preço. No mecanismo de licitação pública, não fica clara a questão relacionada à exigência de boas práticas de fabricação (espécie de ISO do setor) ou se o produto foi submetido aos testes de eficácia.Queremos que as compras públicas levem em conta preço e qualidade. O projeto de lei, do deputado Walter Feldman, está tramitando e tem boas chances de ser aprovado. Qual o futuro dos similares no mercado brasileiro? Vão continuar existindo. Haverá espaço para todo mundo no mercado. O que pode acontecer daqui para frente é ver um genérico virando marca, um remédio de marca virando genérico ou um similar migrando para genérico. Quais as perspectivas para os genéricos nos próximos anos? Devemos chegar, em dois anos, a 20% ou 25% do mercado. Poderia ser mais rápido, como em outros países, mas estamos num caminho bom. Na Europa e nos Estados Unidos existe assistência farmacêutica.Os medicamentos são reembolsados. Em Portugal, por exemplo, o mercado de genéricos em 2005 representava 4% do total. O governo decidiu incentivar, através do reembolso do sistema público de saúde e, em dois anos, o genérico chegou a 20% do mercado. Já existem conversas com empresas de plano de saúde no Brasil? Algumas conversas informais. Mas a discussão tem que amadurecer. É assunto que vai além da questão econômica. É social. Qual o peso da carga tributária no preço de um medicamento? No geral, 35%. No preço está embutido, por exemplo, o ICMS. Tem lá uma carga de 18%, uma das maiores da indústria nacional. O governo pode reduzir e os ganhos em volume de vendas vão compensar qualquer argumento de perda de receita. Isso, é claro, se também houver um combate à sonegação. Para a indústria não há nenhum ganho.Como o preço é controlado, você reduz a carga tributária e no momento seguinte o governo diminui o preço do produto. O benefício vai para o consumidor. Com o dólar baixo, quais as estimativas de ganho da indústria? O setor importa matéria-prima e isso significa uma brutal redução de custos.  Quem é: Odnir Finotti Além de vice-presidente da Pró-Genéricos, é membro do conselho da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) e do Sindicato da Indústria Farmacêutica de São Paulo (Sindusfarma). Formou-se em administração de empresas. É o diretor-presidente da Ratio Pahrm, empresa do laboratório suíço-germânico Mepha

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EUA deixam negociação sobre quebra de patentes

2007-05-23T00:00:00-03:00maio 23, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em uma atitude surpreendente na Organização Mundial da Saúde (OMS), os Estados Unidos abandonaram a negociação sobre uma proposta brasileira para que a agência de saúde da ONU crie uma estratégia para garantir o acesso livre a remédios para a aids. No início da semana passada, o Brasil apresentou um projeto pedindo que a OMS monte tal estratégia até 2008 e ofereça apoio aos países que optem por quebrar patentes. O projeto ainda pedia mecanismos de financiamento à pesquisa em nações em desenvolvimento. A proposta ganhou o apoio de países da Ásia, América Latina, África e até do Vaticano. A oposição vinha dos países ricos. Na segunda-feira, ficou claro que americanos, europeus e japoneses atacariam o projeto e que um consenso seria difícil. O Itamaraty abrandou os termos e retirou pontos delicados para ganhar o apoio dos países ricos, como detalhes sobre o direito dos países de quebrarem patentes. Mesmo assim, a manutenção da proposta de que a OMS ajude no processo de quebra de patentes irritou os EUA. Na noite de ontem, a delegação americana abandonou a sala de reuniões, provocando mal-estar e espanto.Para diplomatas, a atitude é uma estratégia para mostrar que, se aprovada, a resolução não será legítima sem a adesão total. Irritados também estavam representantes dos laboratórios. "O Brasil não sabe o que quer. Enquanto ministros da área econômica pedem investimentos, o setor de saúde toma atitudes como quebra de patentes", disse Harvey Bale,da Federação Internacional das Indústrias Farmacêuticas.

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Passos perigosos

2007-05-22T00:00:00-03:00maio 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Estado exibe tendência legiferante incontida, como se novas leis resolvessem os problemas que ele se mostra incapaz de equacionar HÁ PEQUENOS passos que, pouco perceptíveis, indicam rumos. Nem sempre as políticas se fazem com grande estardalhaço, mas se acobertam sob símbolos digeríveis para a opinião pública. A saúde sempre aparece, para todos, como um bem a ser preservado, como se ela não implicasse o seu significado, a sua livre escolha e as condições de sua realização. As noções de bem são questões disputadas. Quantas vezes constatamos que o que é o bem para uma pessoa não o é para outra? Quantas vezes constatamos que a livre escolha de algo é mais importante do que o objeto sobre o qual recai a ação? Quantas vezes constatamos que uma boa intenção não tem condições factíveis de realização? O presidente Lula, num arroubo, seguindo seu ministro da Saúde, quebra a patente de um medicamento usado para o combate à Aids. Aparentemente, a causa é boa, pois favorece quem faz uso desse medicamento. O argumento utilizado toca em um imaginário esquerdista brasileiro, segundo o qual os "ricos" estariam "explorando" o Brasil. Entre a riqueza e a saúde, a escolha estaria feita: o país teria optado pela saúde dos cidadãos contra os grandes exploradores. A cena parece muito bem montada, e os atores teriam tido um desempenho correto. Caberia aos espectadores cidadãos apenas aplaudir. Acontece que a empresa farmacêutica em questão não enriqueceu por "explorar" o Brasil, mas porque investiu em pesquisa, arriscou o seu capital, descobriu um novo medicamento e vendeu o produto do seu trabalho e de seu empreendedorismo. A pesquisa de um novo medicamento custa entre 1 bilhão e 4 bilhões de dólares. Se o governo brasileiro estivesse verdadeiramente interessado na saúde dos seus cidadãos, possibilitaria que um investimento nacional desse montante se fizesse no país. Imaginem o seguinte caso de figura. Se todos os países quebrassem a patente de medicamentos, a pesquisa nessa área ficaria inviabilizada. Ou seja, novos medicamentos não seriam mais produzidos. E a saúde, tão apregoada, onde ficaria? A demagogia é tão clara que a economia feita pelo governo brasileiro é uma ínfima parte do que o mesmo governo gasta em publicidade. A Anvisa decidiu, por sua vez, regulamentar os lugares públicos destinados aos fumantes. É certamente necessária a distinção, em lugares públicos, entre fumantes e não fumantes, de tal maneira que a livre escolha de cada um seja preservada. O que causa espanto no processo em curso é o confinamento ao qual os fumantes são destinados. É como se fosse uma punição. Menores de 18 anos, em nome do politicamente correto brasileiro, não são punidos pelos crimes bárbaros que cometem, mas os fumantes, sim! Estariam reclusos a um local onde não poderiam beber nem comer. Qual é a relação entre fumar e não poder beber ou comer, senão criar desconforto, insatisfação? A pergunta justa seria: cabe ao Estado determinar como um indivíduo deve fumar, acompanhado ou não de bebidas e comidas? O problema, aparentemente anódino, por implicar somente a categoria dos fumantes, remete a uma questão maior, a da liberdade de escolha. Se a liberdade de escolha começa a ser suprimida, as tendências autoritárias começam a crescer. Muitas vezes, crescem em nome da onda do politicamente correto. O controle dos cidadãos, no entanto, não pára por aí. Novas regulamentações já são anunciadas no que diz respeito à publicidade, à compra de bebidas alcoólicas e às suas autorizações de venda segundo o teor. O Estado exibe tendência legiferante incontida, como se novas regras e leis fossem resolver todos os problemas que ele se mostra incapaz de equacionar. Decide, por seu próprio arbítrio, interferir na vida privada dos cidadãos, como se estes devessem pagar pelo controle que ele, Estado, exerce sobre eles. De onde provém toda essa sapiência dos governantes? A situação não deixa de ser burlesca. Exige se dos cidadãos que paguem cada vez mais impostos e, em retorno, recebem, como compensação, uma redução do seu espaço de livre escolha. Os contribuintes pagariam para ficar cada vez mais acorrentados. Passos são, assim, dados numa diminuição da esfera da vida privada e da capacidade de livre escolha, na relativização da propriedade privada. Em contrapartida, cresce o campo de atuação do Estado, a sua voracidade fiscal e o enfraquecimento da liberdade. Será que somos todos menores incapazes? DENIS LERRER ROSENFIELD, 56, doutor pela Universidade de Paris 1, é professor titular de filosofia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e editor da revista "Filosofia Política". É autor de "Política e Liberdade em Hegel" (Ática, 1995), entre outros livros. denisrosenfield@terra.com.br

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Anti-retrovirais inovadores e propriedade intelectual

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Toda a sociedade brasileira vê no Programa Nacional de HIV/Aids um exemplo a ser seguido. Entre as possíveis razões para isso identificamos os seguintes fatores: a) suporte da sociedade e conseqüente vontade política para sua idealização e realização; b) adequada infra-estrutura como hospitais, laboratórios e centros de tratamento; c) corpo clínico especializado e de qualidade; e d) disponibilidade de anti-retrovirais eficientes que permitem aos pacientes manter uma boa qualidade de vida. A integração de medicamentos anti-retrovirais de 2ª geração ao programa permitiu uma enorme redução na mortalidade (acima de 50%), além de gerar uma significativa economia, ao evitar custos de internação e tratamento de doenças oportunistas. De acordo com trabalho publicado por um ex-diretor do programa, somente no período de 1997 a 2001 (os dados mais recentes disponíveis) houve uma economia de US$ 2 bilhões. O desenvolvimento e a produção desses novos medicamentos somente foram possíveis graças ao sistema de proteção de propriedade intelectual. Isso dá garantias à empresa inovadora, que assume todos os riscos nos 10 anos necessários para colocar um produto farmacêutico no mercado, a um custo superior a US$ 900 milhões. Segundo o Ministério da Saúde, a economia anual com a licença compulsória do medicamento efavirenz seria de US$ 30 milhões se comprado de um produtor da Índia. O dado é questionável, pois não leva em conta a última proposta da empresa que, se fosse considerada, reduziria esse valor para US$ 17 milhões/ano, o que representa 0,01% do orçamento anual do ministério. Soma muito pequena para justificar uma ameaça verdadeira à sustentabilidade do programa. Além da potencial economia, outros aspectos deveriam ter sido considerados nessa decisão, como a qualidade dos medicamentos genéricos e sua disponibilidade. A Fiocruz (Farmanguinhos) recentemente foi vítima de uma armadilha criada por uma licitação pública na qual o vencedor da concorrência (uma empresa chinesa) apresentou o menor preço. O laboratório do governo teve que recorrer à Justiça para ter o direito de comprar por preço maior de um fornecedor nacional. O argumento: o produto era de baixa qualidade. A descoberta de um medicamento, diferentemente de outros produtos, requer um longo período de estudos para comprovar sua eficácia e segurança. Para isso, cada vez mais as autoridades reguladoras (governo) exigem comprovações que demandam longos e caros estudos. Dados da Tufts University (EUA) demonstram que 2/3 dos gastos para descobrir um medicamento são empregados em estudos clínicos. Negociação é o melhor caminho para atender aos interesses dos pacientes, da sociedade, do governo e da indústria farmacêutica Estima-se um investimento de US$ 13 bilhões por ano em estudos clínicos no mundo, mas infelizmente o Brasil está longe de aproveitar esse potencial, mesmo tendo as condições básicas para fazê-lo: conhecimento médico, centros de pesquisa e laboratórios de qualidade mundial, comissões de ética, etc. No período de 2001 a 2005 empresas associadas à Interfarma deixaram de investir no Brasil US$ 129 milhões em pesquisa clínica por demora na aprovação dos estudos pelos vários órgãos do governo. Desprezar investimentos em pesquisa clínica é desconhecer a essência do desenvolvimento de medicamentos inovadores, do benefício aos pacientes e do melhor conhecimento científico gerado pelos médicos brasileiros. É de conhecimento geral que a principal preocupação com o tratamento dos pacientes com HIV/Aids é a resistência apresentada pelo vírus, exigindo substituições de medicamentos para manter a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. A atual decisão de estruturar a compra de um dos componentes do coquetel da Índia poderá gerar um problema futuro, pois, por interesse em participar ativamente da OMC, aquele país passou a respeitar patentes de medicamentos a partir de 2005. A conclusão lógica é que a Índia terá que respeitar as patentes dos novos anti-retrovirais. Sem essa "fonte" devemos perguntar: quem suprirá o Brasil desses novos e necessários medicamentos? Tecnologia interna? Praticamente impossível, pois para desenvolver essa base tecnológica inovadora necessitaremos de mais 20 anos. Essa é uma questão para uma profunda reflexão, pois ela impactará a qualidade de vida de muitos brasileiros. Nas noticias veiculadas pela imprensa, afirma-se que o comportamento dos investidores não seria afetado pela licença compulsória e o exemplo apresentado foi a recente inauguração de uma nova fábrica de insulinas no Brasil. Entre a decisão de construir uma fábrica e sua inauguração transcorrem, no mínimo, três anos. Por essa razão é impossível usar essa recente inauguração como reforço para explicar que a licença compulsória em nada influenciou a decisão tomada. As perguntas no momento são outras: quantas novas fábricas e centros de pesquisas virão? A lógica diz que sem marcos regulatórios estáveis estas serão perguntas sem respostas. Cabe esclarecer ainda o critério de formação de preços para os anti-retrovirais para os diferentes países. Frente aos problemas dos países africanos, em 2001, a OMS, Unicef, ONU, Unaids e o Banco Mundial, em conjunto com a indústria farmacêutica, estabeleceram a Iniciativa de Acesso Acelerado para aumentar o número de pacientes tratados no mundo, particularmente nos países pobres. Essa iniciativa estabelece os preços para anti-retrovirais levando em conta dois fatores: Índice de Desenvolvimento Humano e incidência da doença na população adulta. Desde então esse critério vem sendo usado pela indústria farmacêutica e não foi estabelecido por esta ou aquela empresa. A negociação é o melhor caminho para atender aos interesses dos pacientes, da sociedade, do governo e da indústria farmacêutica. A Interfarma, como representante das empresas farmacêuticas que pesquisam drogas inovadoras, que salvam vidas e melhoram o bem-estar dos pacientes, só tem a lamentar a decisão de utilizar a licença compulsória como meio de gerenciar o orçamento. Continuamos dispostos a conversar de maneira produtiva com o governo, para que todo cidadão brasileiro tenha acesso a tratamento para todas as doenças.  Gabriel Tannus é presidente executivo da Interfarma - Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa.

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Vaticano dá apoio ao Brasil em política de acesso a medicamentos

2007-05-22T00:00:00-03:00maio 22, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Nos bastidores, a Santa Sé tenta convencer outros países da importância de aprovar medidas na OMS GENEBRA A Santa Sé anunciou ontem que apoiará o pedido do governo brasileiro para que seja criada uma estratégia internacional para garantir o acesso de remédios para o combate à aids nos países mais pobres. A medida prevê inclusive a quebra de patentes, quando necessário. O Brasil apresentou a resolução na Organização Mundial da Saúde (OMS) e esperava que um texto de consenso pudesse ser negociado. Mas, no final da noite de ontem, as negociações fracassaram, nenhum acordo foi obtido e o tema será colocado em votação amanhã em Genebra. O governo brasileiro culpou os EUA, Suíça e outros países europeus de terem tentado barrar um acordo. Na OMS, as resoluções são tradicionalmente negociadas e aprovadas por consenso. Mas, diante do colapso das negociações, o Itamaraty decidiu levar a resolução a uma votação. Pelos cálculos do governo, o Brasil deve ter os votos necessários dos países em desenvolvimento para garantir a aprovação da proposta. Com a votação, o governo prevê que ficará claro quais são os países que são contrários a um maior acesso aos medicamentos. Empresas farmacêuticas não economizaram recursos para enviar seus principais lobistas até Genebra para barrar a resolução. Para diplomatas e representantes das indústrias, a resolução é ainda um teste para medir o apoio internacional à decisão do Brasil de quebrar a patente do medicamento anti-retroviral Efavirenz, da Merck, há poucas semanas. Apesar de não poder votar e de ser apenas um observador, o Vaticano decidiu se declarar oficialmente a favor da proposta brasileira. Nos bastidores, ainda está conversando com outros países para deixar clara a importância da aprovação da resolução e pedir um voto pelo Brasil amanhã. Ontem, representante do Vaticano esteve reunido com o governo da Bolívia e deixou claro que espera um apoio do país à resolução brasileira. Segundo fontes da ONU, outros países ouviram o mesmo pedido. "Vemos de forma muito positiva a posição do governo brasileiro em relação à propriedade intelectual e por isso apoiamos a proposta feita por Brasília", afirmou ao Estado o núncio apostólico da Santa Sé na ONU, Giovani Tomasi. "Queremos aproximar nossas posições e unir esforços." RESISTÊNCIA Apesar do apoio do Vaticano, o Brasil enfrentou ontem dura resistência de países como os Estados Unidos e dos europeus, duas das economias com maior número de empresas farmacêuticas. Os países ricos aceitam a idéia de uma estratégia para o acesso a remédios, mas querem evitar que a possibilidade da quebra de patentes seja algo reconhecido explicitamente como um instrumento. Para minar a proposta, eles pediram que um subgrupo dentro da OMS fosse formado para avaliar como reunir as diversas propostas em um só texto. Para diplomatas, a medida já era um sinal de que alguns governos poderiam tentar sabotar a iniciativa do Brasil. Durante o encontro da noite de ontem, o Itamaraty considerou que ficou claro que tanto os americanos como europeus estavam negociando de "má-fé". A solução foi acabar com a negociação e partir para a votação.

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Fígado de quem?

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A economia brasileira vive hoje curiosos contrastes. De um lado, espetacular desempenho das contas externas, controle da inflação e aumento da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). De outro, claudicante decolagem de projetos difusamente enquadrados em opaca estratégia de crescimento, soluções de varejo para notórias insuficiências no marco regulatório e na legislação tributária e inapetência na formulação das reformas institucionais. A progressiva apreciação do real tem estimulado a explicitação de 'soluções' que mostram desalentadora propensão a repetir erros do passado. Há pelo menos dois grupos de pressão advogando ou a flexibilização da política monetária ou a adoção de medidas creditícias, tarifárias ou tributárias em benefício de setores específicos. E, é claro, há os que defendem a superposição das duas 'soluções'. Os críticos mais radicais da política de juros insistem no mito de que a apreciação cambial decorre exclusivamente da diferença entre juros no Brasil e no resto mundo, a despeito dos maciços saldos na conta comercial. Dado que a política de juros decorre das metas inflacionárias fixadas, os críticos mais audaciosos sugerem que as metas inflacionárias poderiam ser flexibilizadas e que algum aumento da inflação seria mal menor, 'perfeitamente tolerável'. Seria reconfortante se tais recomendações não tivessem partido exatamente daqueles que há quase 30 anos defendiam 'um pouco mais de inflação' e que se viram, logo em seguida, obrigados a defender a estabilidade da inflação de 200% como grande feito da política econômica. Dado o compromisso explícito do presidente Lula com a política monetária responsável, ganham força as 'soluções' microeconômicas. Em uma situação em que a redução acelerada dos juros requereria uma combinação agressiva de redução de tarifas de importação, cortes de gastos e reforma tributária, o que se vê é a reincidência em erros do passado. Trata-se de esporte no qual a experiência brasileira é notável: eficácia de determinados setores na extração de vantagens seletivas, dificuldades de desmame dos extratores de benesses do Estado, pobreza dos resultados almejados pela política de escolha de vencedores. Comentando o lado real da economia, um dos mais loquazes hierarcas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mencionou o 'câmbio mergulhante' e que há os que ganham com 'esse pileque... mas (que) o fígado é o da indústria de transformação'. Além de os dados sobre desempenho da indústria não justificarem tal destempero, depois de décadas de excessos protecionistas custeados pelos consumidores brasileiros, seria o caso de perguntar se ter fígado é privilégio da indústria de transformação. No atropelo da busca de compensações aos setores que, se alega, estão sendo especialmente atingidos pela apreciação cambial, a caravana dos que pleiteiam favores especiais engrossa a cada dia. Mesmo no caso de setores indubitavelmente ameaçados pela concorrência de importações - vestuário e calçados -, o debate público tem sido marcado por grande avareza de informações e o leque de medidas propostas é essencialmente paliativo. O ministro do Desenvolvimento, contrariando declarações iniciais animadoras quanto à resistência à adoção de medidas de apoio a setores ineficientes, incluiu entre os setores que mereceriam medidas especiais de apoio governamental as indústrias naval, de mobiliário e automotiva. Neste último caso a melhor justificativa encontrada pelo ministro é de que 'para o setor automotivo, chegar ao limite da capacidade produtiva é o fim do mundo'. Trata-se realmente de um setor peculiar: quer concessões do governo quando tem capacidade ociosa e também quando tem capacidade plenamente utilizada... Dado que a tarifa sobre importações de automóveis de 35% já é a máxima permitida, presume-se que as benesses pretendidas sejam de natureza tributária e via financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É a consagração das medidas discricionárias em detrimento das medidas horizontais e a confirmação do setor automotivo como cliente privilegiado das benesses do governo. O ranço protecionista tem implicações sobre outras políticas públicas. Recentemente o governo determinou o licenciamento compulsório da droga para tratamento da aids Efavinrez, produzida pela Merck Sharp & Dohme, em vista do interesse de saúde pública e do fracasso nas negociações com a empresa detentora da patente para redução de preço. A decisão é estritamente legal, de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre propriedade intelectual, mas seria igualmente importante que fosse percebida como razoável, para que se preserve a credibilidade das autoridades brasileiras. Declarações despropositadas do ministro da Saúde sobre política industrial e substituição de importações de fármacos, drogas e equipamentos médicos - entre outras incontinências - acabaram por pôr em dúvida a qualidade do processo decisório na sua esfera de competência. A percepção que prevalece é de enorme oportunidade que se vai perdendo para colocar o País de volta no caminho do crescimento. Se continuar a demonstrar incompetência em relação às reformas, o governo acabará por comprometer as conquistas alcançadas no terreno macroeconômico.  Marcelo de Paiva Abreu, Ph.D. em Economia pela Universidade de Cambridge, é professor-titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

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Brasil coloca política de patentes à prova na OMS

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Governo pede à agência da ONU estratégia global para remédios contra a Aids Jamil Chade Correspondente da Agência Estado  O Brasil colocará sua política de patentes à prova na agência da ONU para a Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS). O País apresentou proposta de resolução que pede que a entidade acelere o estabelecimento de uma estratégia global de acesso às tecnologias e remédios de combate à Aids. O governo inicia uma batalha diplomática para conseguir a aprovação do documento. A idéia é de que o plano estipule como um país pode, sempre que sentir necessidade, emitir licenças compulsórias sobre um remédio. Para diplomatas, a resolução na prática seria um teste de credibilidade para a postura internacional do governo, que recentemente quebrou a patente de um remédio da Merck para o combate à Aids. A resolução ainda seria a forma pela qual o governo encontrou para conseguir que a OMS se declarasse a favor da postura de governos que tomem a decisão de quebrar uma patente quando necessário. Uma das principais críticas feitas por organizações não-governamentais, como a Médicos Sem Fronteira, foi a falta de um respaldo claro dado pela OMS ao Brasil no processo de quebra da patente da Merck. APOIO.Durante o fim de semana, a proposta do Brasil ganhou o apoio da Índia, Tailândia e quase todo o grupo de países asiáticos. Os latino-americanos e africanos também deram seu apoio. Mas os Estados Unidos e os governos europeus ainda não haviam declarado qualquer apoio ao País. O próprio governo prevê dificuldades nas negociações da proposta com esses governos nos próximos dias. A proposta, que será votada hoje em Genebra, sugeria que a OMS ainda ajudasse os governos a quebrarem as patentes e que declare seu apoio explícito aos países que optarem por essa via. Mas, para obter apoio de um vasto número de governos, o Brasil optou por moderar os termos da proposta e deixou de lado a sugestão. A resolução ainda incentivaria a criação de mecanismos para garantir a pesquisa e desenvolvimento nos países emergentes. A OMS ainda teria a responsabilidade de garantir apoio a essas economias.

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Brasil testa na OMS prestígio de sua estratégia de quebra de patentes

2017-01-10T17:18:16-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

GENEBRA O Brasil põe sua política de patentes à prova hoje na Organização Mundial da Saúde (OMS). O País apresentou proposta de resolução que pede que a entidade acelere o estabelecimento de uma estratégia global de acesso às tecnologias e remédios de combate à aids. A partir de hoje, o governo inicia batalha diplomática para conseguir a aprovação do documento, cuja votação será amanhã. A idéia é que o plano estipule como um país pode emitir licenças compulsórias sobre um remédio. Para diplomatas, a resolução na prática seria um teste de credibilidade da postura internacional do governo, que quebrou a patente de um remédio da Merck para o combate à aids. A resolução ainda seria a forma que o governo encontrou para conseguir que a OMS se declarasse a favor da atitude de governos que tomem a decisão de quebrar uma patente quando necessário. Uma das principais críticas feitas por organizações não-governamentais foi a falta de um respaldo claro dado pela OMS ao Brasil no processo de quebra da patente da Merck. No fim de semana, a proposta do País ganhou o apoio da Índia, Tailândia e de latino-americanos e africanos. EUA e governos europeus não se manifestaram. A proposta previa ainda que a OMS ajudasse os governos a quebrar as patentes e declarasse apoio explícito aos países que optarem por essa via. Mas, para obter apoio de um vasto número de governos, o Brasil moderou os termos da proposta e deixou de lado a sugestão.

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Tailândia/Brasil (Toda Mídia)

2007-05-21T00:00:00-03:00maio 21, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Mais da Ásia. Na Tailândia, o "Bangkok Post" anunciou que o país deve assinar um acordo de cooperação com o Brasil, segundo o ministro da saúde, que também quebrou a patente de remédio antiAids.

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