Diário Comércio, Indústria & Serviços (DCI)
Os laboratórios que produzem medicamentos e produtos para o tratamento de diabetes preparam-se para intensificar a disputa por esse mercado, que movimentou R$ 378 milhões de janeiro a outubro deste ano, segundo o IMS Health. Atraídas por um crescimento de 19% no período, bem superior aos cerca de 5% de expansão registrados pelo setor no mesmo período do ano anterior, Novo Nordisk, Eli Lilly, Merck Sharp & Dohme (MSD) e Novartis já têm no pipeline uma grande variedade de lançamentos de novas versões de insulinas e de medicamentos antidiabetes.
“Apenas em 2007, a expansão desse segmento deverá ser de 30%, como conseqüência da chegada de novos produtos”, diz o gerente geral da Novo Nordisk na América Latina e no Brasil, Sérgio Noschang.
Para adequar-se a esse cenário, a empresa, que é líder no mercado total (incluindo insulinas) de itens para o tratamento de diabetes, promete novidades para 2007, incluindo o lançamento de dois medicamentos.
“Além disso, faremos uma fábrica para a produção de sistemas descartáveis de aplicação (ver box ao lado)”, revela Noschang. A empresa também estuda o lançamento de uma insulina aerosol líquida, que deve chegar ao mercado em 2008.
O principal foco da empresa é o segmento de insulina, o qual terá incremento com a abertura de uma nova fábrica da empresa no Brasil. As operações da Nordisk na América Latina respondem por cerca de 5% do faturamento global do grupo dinamarquês, estimado em US$ 4 bilhões.
A Merck Sharp & Dohme também se mostra otimista com o mercado interno. Tanto que lançará no primeiro trimestre de 2007 o Januvia, voltado para o controle de diabetes tipo 2 e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na semana passada. “Hoje, no Brasil, temos cerca de 11 milhões de pessoas portadoras de diabetes, mas apenas uma parte desse total tem acesso ao tratamento da doença”, destaca o diretor de assuntos corporativos da MSD, João Sanches.
Além desse medicamento, a companhia prevê lançar, no segundo semestre, um produto associado entre o Januvia e a metmorfina, utilizado na redução da produção de açúcar pelo fígado. “Esperamos deter 10% do mercado privado de drogas para uso crônico de diabetes tipo 2 até 2011”, revela Sanches. Atualmente, a empresa ainda não atua nesse segmento no País.
Caso se confirme a previsão do executivo, as vendas de Januvia responderão em 2007 por 5% da receita da MSD, totalizada em R$ 560 milhões ao final de 2005.
Inovação
Além de significarem um maior leque de opções de tratamento, os novos medicamentos que chegarão ao mercado sinalizam que, aos poucos, o Brasil tem adotado tecnologias cada vez mais modernas, em linha com o que há de mais avançado no tratamento da doença na Europa e nos Estados Unidos.
“Fazemos parte de um grande movimento da indústria farmacêutica para atender a um número cada vez maior de diabéticos”, destaca o diretor médico da Eli Lilly, Maurício Lima.
A empresa também terá novidades em 2007, com o lançamento do Byetta, que chega ao mercado no segundo trimestre. O composto sintético é eficiente no controle dos níveis de glicemia no sangue e proporciona progressiva redução no peso dos pacientes ao longo de dois anos. Com o Byetta, a Eli Lilly pretende elevar dos atuais 7% para 10% em 2007 a participação do segmento anti-diabetes na receita da empresa, que foi de R$ 412 milhões em 2005.
Além desse composto, o laboratório prepara para o final do ano que vem o lançamento de uma caneta para a injeção de insulina. “O pedido desse produto foi enviado à Anvisa na última quinta-feira e esperamos tê-lo no mercado até o final de 2007”, afirma o diretor de assuntos corporativos da Eli Lilly, Allan Finkel.
A idéia da empresa é retomar uma posição de destaque no mercado de tratamento de diabetes. Um passo importante para isso foi a vitória na concorrência aberta pelo Ministério da Saúde e finalizada em setembro passado. Ao todo, a Eli Lilly comercializará aproximadamente 9 milhões de frascos de insulina NPH (versão básica de insulina), em um negócio de cerca de R$ 80 milhões.
O laboratório registrou expansão de 10% nas vendas de insulinas de janeiro a outubro deste ano, segundo o IMS Health, que audita o setor. Em 2007, o mercado de insulinas deve crescer cerca de 14%, prevê Finkel.
A Novartis, com o lançamento do Galvus previsto para o primeiro semestre de 2007, também aposta no crescimento do segmento de medicamentos para diabéticos. Este ano, a empresa responde por 3,7% desse mercado com os produtos Starlix e o Staform, percentual que deve dobrar em 2007 com o lançamento do Galvus, destaca o gerente de produto da Novartis, Francisco Sacramento.
A Pfizer também trará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2007 a Exubera, primeira insulina humana inalável do País.
Farmácia popular
Outro item considerado fundamental para o crescimento desse mercado é a maior atenção do governo com a doença. Prova disso é que medicamentos para tratar diabetes fazem parte do Programa Farmácia Popular. “É provável que cada vez mais as pessoas terão acesso ao tratamento e cada vez mais o governo precisará gastar com o sistema de saúde”, ressalta o diretor médico da Eli Lilly.
Mas Noschang, da Novo Nordisk, ressalta que o setor ainda precisará aguardar 2007 para saber os reais benefícios do programa governamental nas vendas dos laboratórios e no acesso da população aos medicamentos.
Nordisk abrirá nova unidade em Minas Gerais
As projeções positivas para o mercado brasileiro de medicamentos estimularam a direção global da Novo Nordisk a investir no País. A empresa pretende construir até o final de 2007 uma fábrica para a produção de sistemas descartáveis de aplicação de insulina, que ficará localizada na cidade de Montes Claros (MG).
A unidade, cujos investimentos totalizarão US$ 50 milhões, deverá entrar em operação no ano seguinte e terá como prioridade atender ao mercado externo.
O mesmo acontecerá com a planta que produzirá refil de insulina atualmente em construção na mesma cidade. A fábrica, orçada em US$ 230 milhões, será inaugurada em abril de 2007 e também concentrará sua produção para o exterior. “Em ambos os casos, as unidades também estarão prontas para atender a demanda do mercado interno assim que o Brasil avançar no uso desses produtos”, afirma o diretor-geral da Novo Nordisk na América Latina e no Brasil, Sérgio Noschang.
A entrada em operação das unidades irá alterar o cenário dos negócios da Nordisk. Atualmente 95% das vendas são direcionadas para o Brasil, percentual que cairá para 20% com o aumento da produção.
Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6650
Consultado em 22/02/2007