Gazeta Mercantil

As vendas de medicamentos no varejo brasileiro cresceram 6,7% no ano passado e mais uma vez foram impulsionadas pelos remédios genéricos, que tiveram um crescimento em torno de quatro vezes superior ao do mercado total. Conforme dados do IMS Health, empresa que audita o setor, a indústria farmacêutica brasileira vendeu 1,43 bilhão de unidades (caixas) em 2006, ante as 1,34 bilhão do ano anterior. O segmento de genéricos contribuiu com 194 milhões de unidades no ano passado, registrando um aumento de 27,8% quando comparado as 151,9 milhões de caixas comercializadas em 2005.

Os maiores volumes vendidos e a variação cambial levaram a categoria de genéricos a ultrapassar, pela primeira vez, a barreira de US$ 1 bilhão em faturamento. Foram US$ 1,054 bilhão em 2006, alta de 52,2% ante a receita de US$ 692,5 milhões do ano anterior. O mercado farmacêutico total cresceu 27,1% na comparação dos mesmos períodos, passando de US$ 7,7 bilhões para US$ 9,8 bilhões no ano passado.

Vera Valente, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), avaliou o desempenho como muito positivo e ressaltou que o crescimento é resultado da entrada de novos consumidores no mercado. "Nos últimos anos os genéricos cresceram tomando participação dos medicamentos de marca. Agora, com o crescimento de todo o mercado, o segmento também ganhou novos consumidores", disse.

Vera anunciou ontem que deixará a direção executiva da entidade (leia mais sobre o assunto nesta página). "Fico mais 30 dias no cargo, mas saio com a sensação de missão cumprida, de ter ajudado a consolidar esse mercado, que estimo vai crescer 20% este ano, em unidades."

Com o desempenho, a participação dos genéricos no mercado total subiu para 13,5% no ano passado, em unidades. Em 2005, a fatia foi de 11,4%, o que mostra uma elevação de 19,2% em 2006. Em dólar, a participação subiu de 8,9% para 10,7% em 2006, crescimento de 19,8%. A meta da Pró Genéricos é chegar a 30% de participação, que deve ser alcançada em cinco anos, prevê o presidente da entidade, Luiz Borgonovi, que acaba de assumir o cargo.

Também vice-presidente de mercado do Grupo EMS-Sigma Pharma, uma dos maiores laboratórios brasileiros de capital nacional, Borgonovi tem a mesma expectativa de Vera para o segmento em 2007. "Esperamos a regulamentação dos órgãos reguladores para a entrada dos genéricos na classe terapêutica de hormônios e contraceptivos este ano, o que impulsionará ainda mais as vendas. "

O presidente da subsidiária brasileira do laboratório alemão Ratiopharm e também vice-presidente da Pró Genéricos, Odnir Finotti, assumirá a função de Vera interinamente até a escolha de um novo executivo. Finotti observou que os resultados de 2006 mostram um progresso importante para o segmento, que começou a existir há pouco mais de cinco anos. Na moeda nacional, sem a interferência do câmbio, afirmou o executivo, o crescimento foi de 32,7% e as receitas com genéricos passaram de R$ 1,72 bilhão em 2005 para R$ 2,29 bilhões no ano passado.

LANÇAMENTOS

Contribuíram para os maiores volumes comercializados não apenas a elevação das vendas de medicamentos já maduros como também a entrada de novos genéricos, disse Finotti. Em 2005, foram 1.212 produtos; número que pulou para 1.500 no ano passado. "Há vários genéricos para a mesma substância, o que beneficia o consumidor." O preço em média 40% inferior em relação ao remédio de referência também é outro atrativo forte e colabora para o crescimento consecutivo do segmento, disse. 

Fonte: http://www.redemed.com.br/not_detalhe.cfm?idpostagem=638
Consultado em 22/02/2007