Agência Efe

O vírus HIV e o da malária se ajudam mutuamente em sua propagação no continente africano, segundo um relatório publicado hoje pela revista "Science".

O estudo, realizado por cientistas do Centro de Pesquisa Oncológica Fred Hutchinson e da Universidade de Washington, indica que existe uma justaposição considerável entre a malária e a aids, causado pelo HIV.

O HIV desempenha um papel crucial no aumento da incidência de malária em algumas partes do norte da África.

Por sua parte, o vírus da malária incide em um aumento do vírus da aids em regiões ao sul do Saara.

Segundo os cientistas, a pesquisa determinou que a malária aumenta dez vezes a carga viral de uma pessoa infectada com o HIV, o que aumenta as possibilidades de o vírus ser transmitido ao parceiro sexual.

Da mesma forma, o HIV pode desempenhar um papel importante na expansão da malária na África, já que as pessoas infectadas pelo vírus são mais suscetíveis à infecção como conseqüência dos problemas imunológicos causados pela aids.

A malária é uma doença que pode levar à morte, causada pelo vírus "Plasmodium falciparum".

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária afeta a cada ano entre 300 e 500 milhões de pessoas, principalmente em zonas tropicais.

Por outra parte, o Programa Conjunto das Nações Unidas para a Aids (Unaids, sigla em inglês) assinala que existem cerca de 34 milhões de pessoas infectadas pelo HIV.

"Embora o HIV se propaga principalmente através do ato sexual, este fator biológico induzido pela malária contribuiu de maneira considerável à propagação da aids, ao aumentar as probabilidades de transmissão", assinalou Abu-Raffad, cientista do Centro Fred Hutchinson.

Por sua vez, "o enfraquecimento do sistema imunológico causado pela infecção do HIV provocou um aumento nas taxas de infecção da malária e possivelmente facilitou a expansão da doença na África", indicou James Kublin, do mesmo centro de pesquisas.

Segundo o cientista, as conclusões do estudo sugerem que outras infecções, como a tuberculose e a herpes genital, também podem ter contribuído para a propagação do HIV na África. 

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1288909-EI298,00.html
Consultado em 14/02/2007