Gazeta Mercantil
Os fabricantes de medicamentos de capital nacional ampliaram no ano passado a participação nas vendas totais da indústria. Carlos Alexandre Geyer, presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), estima que a fatia dos laboratórios brasileiros ficou entre 42 e 43% em 2006, um aumento de até quatro pontos percentuais quando comparada aos 39% do ano anterior. O restante ficou nas mãos das multinacionais. Geyer prevê que neste ano a participação suba mais, para em torno de 45%.
Em 2006, as vendas nominais do setor (sem impostos) ficaram em R$ 23,78 bilhões, um crescimento de 6,94% ante os R$ 22,23 bilhões registrados no ano anterior. Em volume, a alta foi de 3,13%, para 1,66 bilhões de unidades (caixas) de medicamentos. Já a variação cambial permitiu uma elevação maior, de 18,2%, nas vendas nominais em dólar, que atingiram US$ 10,89 bilhões, conforme pesquisa do departamento de economia da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) elaborada a partir dos dados dos laboratórios. A expectativa do presidente da Alanac para 2007 é de aumento de no máximo 4% em reais e de estabilização no volume comercializado.
Geyer afirmou que o resultado do ano passado mostra recuperação em relação a 2005, quando houve queda de 2,32% no volume vendido ante o ano anterior, para 1,61 bilhão de caixas. "Fala-se muito em acesso no Brasil, mas o que se vê são vendas de remédios que não acompanham o crescimento da população." No final dos anos 1990 (veja gráfico), o setor vendeu mais de 1,8 bilhões de unidades por ano, número que chegou a despencar para 1,5 bilhão em 2003.
O sucesso dos medicamentos genéricos, lançados no início desta década, e a maior produção de similares, em especial dos laboratórios de grande porte, aliada a uma política comercial mais agressiva dessas empresas, são os motivos apontados por Geyer para o ganho de participação das companhias brasileiras. O crescimento da oferta se deu a partir do final da década de 1990, quando as empresas tiveram de modernizar processos produtivos para atender as então recentes, e mais rígidas, exigências de fabricação dos órgãos reguladores do País. A modernização levou à produção em grande escala, ganho de produtividade e maior competitividade.
"Há 20 anos, as farmacêuticas nacionais detinham cerca de 30% do mercado total e em algumas ocasiões chegaram a ficar abaixo disso. A participação começou a passar desse percentual apenas no final dos anos 1990." O presidente da Alanac observou ainda que nos últimos anos houve crescente investimento das empresas no desenvolvimento de produtos, particularmente na pesquisa incremental, que proporciona ganhos a medicamentos já existentes e gera novas patentes, o que garante valor agregado ao remédio produzido pelos laboratórios nacionais.
A liberação de preços na década de 1990 tornou também o mercado brasileiro atrativo para investimentos. Somado a isso, o dólar mais barato também à época favorecia as importações de insumos – e o setor é altamente dependente de matéria-prima feita lá fora -, o que foi outro estímulo para as empresas planejarem escalas maiores de produção, disse. "Depois toda essa produção tinha de ser colocada no mercado. E foi, com qualidade e preço mais baixo."
Os genéricos hoje respondem por faturamento anual no varejo de US$ 1 bilhão e 194 milhões de unidades, 13,5% do volume do mercado medido pelo IMS Health em 2006. Geyer observou, entretanto, que a maior parte do movimento das fabricantes brasileiras vem da produção de remédios similares, que, assim como os de referência, são medicamentos com marca. O País tem cerca de 550 empresas nesse setor, entre nacionais, multinacionais e distribuidores, segundo a Febrafarma. Geyer calcula entre 230 e 250 as fabricantes brasileiras.
Aproximadamente, 35 produzem genéricos, sendo que a grande maioria tem outra área de atuação também, como a produção de similares ou de remédios de referência, no caso das multinacionais.
O presidente da Alanac ressaltou que, apesar do bom desempenho dos laboratórios nacionais, é preciso que o mercado farmacêutico doméstico cresça como um todo, a fim de ampliar o acesso da população com baixo poder aquisitivo. "As empresas que aumentam suas vendas crescem tomando participação das outras." Uma das soluções apontadas por Geyer para melhorar o acesso seria a redução da carga tributária que incide sobre os medicamentos, em média de 35%.
Segundo afirmou, foram cerca de R$ 7,5 bilhões em tributos pagos pela cadeia no ano passado; somente a indústria gerou em torno de R$ 4,6 bilhões. "A carga tributária eliminada não ficaria em poder da indústria, seria repassada ao consumidor." O presidente da Alanac disse que as entidades ligadas ao setor têm discutido o assunto com o governo, que tem se mostrado ao menos interessado em conversar.
Consolidação
A concentração do setor é uma tendência mundial e inevitável no Brasil também, analisou Geyer. Laboratórios de biotecnologia e de genéricos são, na sua avaliação, os mais atrativos para transações. O presidente da Alanac acredita que pode haver uma desnacionalização das empresas de genéricos, já que alguns gigantes mundiais dessa área, como a israelense Teva, ainda estão fora do mercado brasileiro ou operando em baixa escala.
Fonte: http://www.redemed.com.br/not_detalhe.cfm?idpostagem=639
Consultado em 22/02/2007