Correio do Povo
O laboratório Merck Sharp & Dohme, que fabrica o medicamento anti-AIDS Efavirenz, avaliou ontem que a quebra de patente determinada pelo governo brasileiro é um sinal negativo para a comunidade internacional. Em nota, a empresa argumenta que a medida desrespeita acordos firmados em fóruns internacionais. No texto, o laboratório informa ter reduzido o preço do remédio em 77% desde seu lançamento, em 1998, e sustenta que o valor proposto para o mercado brasileiro é de 1,57 dólar, enquanto outros países, de economia similar, pagam 1,80.
O Merck Sharp & Dohme reclama que o encerrou as negociações de forma prematura. Ressalta que, em seis anos de tratativas com o governo brasileiro, foi possível fixar um preço para o Efavirenz que corresponde a 10% do que é cobrado nos Estados Unidos. O produto só custaria mais barato na África subsaariana e na Tailândia. O laboratório salienta que esse acerto permitiu ao atender 155 mil pacientes com o produto em 2004, gastando R$ 570 milhões. Em 1999, conforme a empresa, o remédio havia sido disponibilizado para 78 mil pessoas, com despesas de R$ 622 milhões.
O Efavirenz é citado como o medicamento de menor preço entre todos os que fazem parte do coquetel anti-AIDS comprado pelo Brasil. O fabricante alega que é preciso manter as patentes para preservar os investimentos em pesquisas, que podem chegar a 1 bilhão de dólares.