The New York Times

O mais promissor dos medicamentos experimentais do laboratório farmacêutico Pfizer, cujo objetivo era tratar doenças cardíacas, na verdade aumenta o número de mortes e causa mais problemas de coração. Até agora, 82 usuários do remédio participantes de um teste clínico do produto morreram, ante 51 pessoas no grupo de controle, que não usaram o remédio.

Além das mortes, também foram constatadas discrepâncias semelhantes no número de pacientes sofrendo falhas cardíacas e outros problemas. No sábado, a Pfizer, maior empresa farmacêutica do mundo, instruiu às mais de cem instituições envolvidas no teste que suspendessem a administração aos pacientes do medicamento, conhecido como torcetrapib. A empresa cancelou o desenvolvimento do produto, o que lhe renderá um prejuízo de quase US$ 1 bilhão. Não havia braços de estudo no Brasil.

Segundo a Pfizer, a resolução foi tomada após recomendação de um comitê independente que avalia todos os dados do teste, que comparava dois grupos de pacientes: os que usavam só Lípitor (remédio que combate o mau colesterol) e os que usavam Lípitor com torcetrapib, que estimula a produção do colesterol "bom".

Anos 90

O torcetrapib estava sendo desenvolvido desde o começo dos anos 90. Ainda na quinta passada, a empresa disse que o produto poderia ser um dos mais importantes novos desdobramentos no combate aos problemas cardíacos em décadas, e que a Pfizer esperava obter aprovação da agência reguladora norte-americana para comercializá-lo em 2007.

Para os pacientes com problemas cardíacos, o fracasso do torcetrapib significa que os progressos no combate a esse tipo de doença podem estar se desacelerando, após duas décadas de grandes avanços. Já há remédios em uso generalizado para reduzir a pressão sangüínea e o mau colesterol, mas as doenças cardíacas continuam a ser a principal causa de morte nos EUA -911 mil fatalidades em 2003, segundo a Associação Cardíaca Norte-Americana.

Como as mortes ligadas ao uso do torcetrapib ocorreram durante testes, a Pfizer não terá de enfrentar processos judiciais. Os pacientes envolvidos assinam termos de responsabilidade nos quais confirmam que compreendem os riscos a que estão sujeitos. Os cientistas consideravam o torcetrapib como vanguarda de uma nova onda de medicamentos que ofereceria novas maneiras de reduzir as doenças cardíacas por meio do estímulo à produção do bom colesterol.

As ações da Pfizer, negociadas na Bolsa de Nova York, caíram 10,6% após a empresa anunciar que havia desistido de desenvolver o medicamento. Agora, a Pfizer e cardiologistas independentes precisam determinar se o fracasso do torcetrapib indica que todos os medicamentos que pretendem elevar o nível de bom colesterol causam problemas parecidos. 

Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6651
Consultado em 22/02/2007