Estado de Minas

Levantamento mostra que o mercado desses medicamentos avançou mais nas regiões do país onde a população tem maior poder aquisitivo e mais acesso à informação. Sudeste detém 65,14% das vendas

O brasileiro de baixa renda consome menos medicamentos genéricos do que as classes mais favorecidas da população. O Norte do país tem a menor participação no mercado de genéricos (2,41%), seguida da Centro-Oeste (3,75%) e Nordeste (31,43%). Enquanto isso, o Sudeste detém 65,14% da participação, seguido do Sul (15,27%). O levantamento é da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), com base nas vendas desses remédios no primeiro semestre do ano. A associação reúne os principais laboratórios que atuam na produção e comercialização de medicamentos genéricos no país.

Segundo a entidade, o mercado de genéricos se desenvolveu nas regiões do país onde prevalecem o maior poder aquisitivo da população e mais acesso à informação. “É justamente a população mais carente que está deixando de consumir os genéricos, o que é uma incoerência, tendo em vista que esses medicamentos custam, em média, 45% menos do que os de referência”, afirma Vera Valente, diretora-executiva da Pró Genéricos. Nos estados em que o consumidor tem maior escolaridade e informação, o consumo do genérico é maior, informa.

A estimativa da Pró-Genéricos é de que o segmento deve alcançar 20% do mercado total de medicamentos no Brasil até 2007. Segundo os fabricantes, os genéricos já poderiam ter essa participação atualmente se o desempenho das vendas fosse equivalente nas cinco regiões do país. “O consumo nas classes A, B e C acaba sendo maior do que nas D e E”, observa Vera. O Rio de Janeiro é o estado onde os genéricos têm a maior participação de mercado, 15,47%; seguido de Minas Gerais, 13,93%; Santa Catarina, com 13,62%; Rio Grande do Sul, com13,25%; Paraná, com 13,17%, e São Paulo, com 12,48%.

MERCADO No terceiro trimestre, foram comercializadas 51,4 milhões de unidades de genéricos no mercado brasileiro, contra 40,5 milhões em relação ao mesmo período do ano passado, aumento de 26,9%. As vendas em julho, agosto e setembro somaram US$ 284,2 milhões, alta de 48,89% na comparação com os US$ 190,8 milhões do mesmo período de 2005.

As vendas do mercado farmacêutico total, no entanto, vem crescendo em ritmo menos acelerado. Nos últimos 12 meses (até setembro), elas somaram 1,639 bilhão de unidades, contra 1,613 bilhão no mesmo período de 2005, segundo dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). O aumento é de 1,61%. “O genérico trouxe uma concorrência maior não só com os medicamentos de marca como entre os próprios genéricos”, observa Vera. Pela legislação, o preço do genérico tem que ser, no mínimo, 35% mais baixo do que os medicamentos de referência. “Mas na maioria dos casos está com preço 50% menor do que o de marca”, observa a diretora da Pró-Genéricos.

"Não tenho o hábito de comprar genéricos. Sei que é muito mais barato. Mas não tenho conhecimento e informação sobre o composto para fazer a escolha. Por isso, prefiro os de marca. Só compro genéricos em casos de alguns comprimidos mais rotineiros.", Juliana Maringoni, arquiteta

"Gasto cerca de R$ 100 por mês com medicamentos. Todos ele genéricos. Há quatro anos passei a dar preferência pelos genéricos nas farmácias. Nem procuro mais os de marca. O meu médico já sabe disso e indica substitutos.", Lúcio Antônio Resende Pinheiro, aposentado. 

Fonte: http://www.febrafarma.org.br/divisoes.php?area=co&secao=visualiza&modulo=clipping&id=6639
Consultado em 23/02/2007