Correio Braziliense
O principal assessor do presidente norte-americano, George W. Bush, para questões ligadas à Aids alertou ontem que o mundo está perdendo a batalha contra o vírus HIV. "Para cada uma das pessoas que iniciam tratamento, seis são infectadas", declarou Anthony Fauci, durante a 4ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS). "Então estamos perdendo esse jogo (…), o jogo dos números", acrescentou o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. O evento da IAS, que reúne, desde domingo, 5 mil especialistas de 133 países em Sydney, na Austrália, será encerrado amanhã. Cerca de 40 milhões de pessoas vivem com HIV hoje no mundo, estima a Organização das Nações Unidas (ONU). Mais da metade dos casos se concentra na África Subsaariana.
O presidente da IAS, Pedro Cahn, destacou que um dos principais objetivos do evento é buscar "formas de auxiliar países em desenvolvimento a fortalecer seus sistemas de saúde para tornar esses avanços (no tratamento e na prevenção da Aids) uma realidade para as pessoas que precisam e aquelas em risco". Em 2004, menos de 300 mil pessoas nos países em desenvolvimento tinham acesso a medicamentos anti-retrovirais. No ano passado, o número aumentou para 2,2 milhões. O número, porém, ainda é insuficiente: trata-se de apenas um quarto das pessoas que precisam receber tratamento, segundo o presidente da Associação Britânica de HIV, Brian Gazzard.
Para a chefe do programa anti-HIV do Banco Mundial, Debrework Zewdie, o maior desafio na luta contra a Aids não é a falta de dinheiro, mas a capacidade limitada dos serviços de atendimento médico em vários dos países com as maiores taxas de infecção. "Enfrentamos uma carência enorme quando se trata de médicos, de outros profissionais da área de saúde e de pesquisadores. Essas pessoas não apenas proveriam tratamento, como coordenariam também operações locais", afirmou Zewdie. De acordo com o Banco Mundial, a Papua Nova Guiné, que enfrenta uma das piores epidemias de Aids no mundo, possui apenas 284 médicos e metade destes profissionais trabalha no exterior.
Para tentar reduzir o problema, o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer, afirmou durante a conferência que seu governo doará US$ 352 milhões para o combate ao HIV em países da Ásia e do Pacífico. O encontro de especialistas tentará consolidar a Declaração de Sydney, que prevê a destinação de 10% de todos os recursos dedicados à luta contra a Aids para pesquisas. A meta é otimizar o tratamento e a prevenção da doença e melhorar os resultados clínicos.