Por: Graziela Reis
Estado de Minas
A guerra de preços está acirrada nas farmácias de Belo Horizonte. A diferença no valor dos medicamentos mais vendidos nas drogarias da capital chega a 102,18%, de acordo com pesquisa feita nos dias 15 e 16 deste mês e divulgada ontem pelo site MercadoMineiro. A maior variação encontrada foi para o Renitec 20 mg, com 20 comprimidos. Ele custa de R$ 22,91, na Unifar, a R$ 46,32, nas drogarias Trade e Farbrasil. Ainda segundo o levantamento, dos 28 medicamentos pesquisados, 20 apresentam diferenças de preços entre 40% e 50%.
Como o governo anunciou o de reajuste de até 3,02% no valor de cerca de 20 mil medicamentos com preços controlados, previsto para este sábado, existe o temor de que as variações fiquem ainda maiores. Para o diretor executivo do site, Feliciano Abreu, o consumidor deve pesquisar e aproveitar que os aumentos ainda não são uma realidade para a compra de medicamentos. Ele diz que constataram que algumas farmácias e drogarias seguem os preços no valor mais alto permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Esperam o consumidor argumentar sobre o preço", pondera.
Depois disso, cobrem as ofertas da concorrência, em alguns casos.
O coordenador do Instituto de Defesa dos Usuários de Medicamento (Idum), Antônio Barbosa, explica que existe uma norma do governo que determina uma margem máxima de comercialização para os preços dos remédios, próxima dos 40%. Por esse motivo, ele não se espanta que a maioria dos remédios pesquisados pelo MercadoMineiro, têm variações perto dessa margem. Algumas redes de farmácias podem estar com o medicamento em promoção, até motivadas por laboratórios, e outras trabalham com o preço cheio, previsto em catálogos, como a revista da ABCFArma. Ele não concorda com o aumento liberado pelo governo, de 3,02%. "Vai representar um prêmio de R$ 600 milhões para o faturamento das indústrias farmacêuticas", calcula.