por Erly Guedes

O Brasil ficou de fora do acordo que prevê a oferta de PrEP injetável de longa duração a apenas US$ 40 por ano em países de baixa renda. Enquanto o lenacapavir representa uma revolução na prevenção ao HIV — com aplicação semestral e quase 100% de eficácia —, o monopólio de patentes da Gilead mantém o acesso restrito e com preços proibitivos de até US$ 28 mil por ano.

No artigo publicado hoje no Brasil de Fato, Erly Guedes e Susana van der Ploeg analisam como essa exclusão impacta diretamente a política de acesso a medicamentos do SUS, colocando em risco uma conquista histórica da sociedade civil brasileira e ameaçando décadas de avanços na resposta ao HIV.

O caso evidencia a lógica colonial da indústria farmacêutica: países do Sul Global são essenciais para pesquisas e ensaios clínicos, mas seguem excluídos do acesso aos resultados que ajudaram a construir. Para o Brasil, com mais de 1 milhão de pessoas vivendo com HIV, essa exclusão é também uma questão de soberania.

Defender o acesso universal significa enfrentar monopólios que colocam o lucro acima da vida. É preciso suspender patentes abusivas e fortalecer a produção local, alinhando a política de propriedade intelectual ao interesse público e ao direito constitucional à saúde.

Leia o artigo completo no Brasil de Fato.