maio 2007

País usa lei para fazer pressão, mas não cumpre ameaça

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Brasil nunca oficializou uma quebra de patente de medicamentos até hoje, mas tem usado a legislação brasileira e os acordos fechados na Organização Mundial de Comércio (OMC) como instrumento de pressão para negociar com os laboratórios a redução dos preços dos remédios usados no combate à Aids. A primeira quebra de patente foi determinada em 22 agosto de 2001, pelo então ministro da Saúde José Serra. O governo brasileiro decidiu produzir no país uma versão genérica do Nelfinavir, do laboratório suíço Roche, um dos remédios que compõem o coquetel distribuído aos portadores de Aids. Após seis meses de discussões sem chegar a um acordo de corte nos preços, o ministério anunciou que o medicamento seria fabricado pela Fiocruz a um custo 40% menor. Menos de dez dias depois da decisão, a Roche voltou atrás e concordou em reduzir em 40% o preço de venda do Nelfinavir e o processo de licenciamento compulsório denominação legal da quebra de patente prevista pela legislação brasileira foi suspenso. Desde a Declaração de Doha, de 2001, a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite que os países quebrem a patente de um medicamento em casos de urgência e de interesse público. Na mesma época em que travou a queda-de-braço com a Roche por causa do Nelfinavir, o governo também ameaçou quebrar a patente do Efavirenz, do laboratório americano Merck, que volta agora a ser ameaçado com a aplicação dos acordos feitos na OMC. Antes que a quebra de patente fosse determinada, o Ministério da Saúde e a Merck chegaram a um acordo, que resultou na economia de R$ 80 milhões por ano com o remédio. Em junho de 2005, nova disputa foi aberta, dessa vez com outro laboratório americano, o Abbott, detentor da patente do Kaletra, também usado no tratamento da Aids. A decisão de adotar o licenciamento compulsório do medicamento foi publicado no "Diário Oficial da União". Humberto Costa, então ministro da Saúde, estimativa economia anual de R$ 130 milhões com a fabricação do remédio no laboratório Farmanguinhos, da Fiocruz. Dois meses antes, durante a Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, Costa já havia ameaçado quebrar patentes "se esse for o único caminho para garantir a manutenção de nosso programa de Aids". O ministro mostrou-se impaciente com o impasse nas negociações com os laboratórios americanos Merck, Abbott e Gilead. Só que dessa vez a ameaça não surtiu efeito. Novamente não houve quebra de patente , mas também não foi obtida uma redução de preços. Em setembro, Saraiva Felipe, que substituiu Costa no ministério, dizia que as negociações com os laboratórios seriam concluídas em um mês. "Não estou falando em quebra de patentes, porque estamos em processo de negociação mas, se não houver flexibilidade, podemos até chegar a isso", disse o ministro na época.

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Para empresa, preço já é baixo

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O laboratório Merck Sharp & Dohme informou que continua aberto ao diálogo com o governo, mas que não pode cobrar no País o mesmo que na Tailândia pelo remédio antiAids Efavirenz. “Na categoria do Brasil, o medicamento já tem o menor preço do mundo, e ainda oferecemos 30% de desconto”, afirmou João Sanches, diretor de Comunicação da empresa. “Agimos segundo a política de acesso, formulada em conjunto com as Nações Unidas, Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial.” Por essa política, o preço do remédio varia de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação e a quantidade de pessoas adultas infectadas. Como na Tailândia mais de 1% da população é portadora do HIV, o preço lá é mais baixo. “Estamos desapontados com a decisão do Ministério da Saúde. Não acreditamos que essa é a melhor solução para os pacientes”, disse Sanches. Ele informou que, além do desconto, a Merck ofereceu outras vantagens.

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Saúde recomenda quebra de patente

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Decisão sobre Efavirenz cabe a Lula; governo marca assinatura de decreto para hoje, mas espera proposta da Merck BRASÍLIA O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enviou parecer ao Palácio do Planalto propondo a quebra da patente do medicamento Efavirenz, fabricado pela multinacional Merck e destinado a pacientes com Aids. A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja agenda de hoje prevê uma cerimônia às 12 horas para assinar o ato de licenciamento do medicamento anti-retroviral. O Estado apurou que o governo pretende esperar até a hora do evento para que o laboratório faça uma oferta de redução de preço. Se isso ocorrer e a proposta for vantajosa, a cerimônia pode ser suspensa. O ministro Temporão quer a quebra da patente alegando que a mesma pílula do remédio vendida no mercado nacional por US$ 1,59 sai a US$ 0,65 na Tailândia (cerca de R$ 3,20 e R$ 1,30, respectivamente). Desde o final dos anos 90, o governo brasileiro ameaça adotar esse procedimento. Começou na gestão do ex-ministro José Serra (PSDB), atual governador de São Paulo, que à frente da pasta da Saúde entre 1998 e 2002 ameaçou conceder licença compulsória de patente de medicamentos essenciais - como os técnicos se referem à quebra de patente -, tirando a exclusividade de fabricação dos laboratórios que não aceitassem negociar a redução de preços. Nem o governo tucano nem o petista, porém, chegaram ao final do processo. Em 2005, o governo Lula também ameaçou quebrar a patente do Kaletra, outro anti-retroviral (como são chamados os medicamentos para pacientes com Aids). Voltou atrás depois de negociar com o laboratório Abbott, fabricante do remédio. O processo que poderá resultar no licenciamento compulsório do Efavirenz começou em novembro, com reuniões entre o governo e o laboratório Merck. Na semana passada, o ministério divulgou nota para informar que as diversas reuniões com o fabricante não resultaram em um acordo que atendesse ao interesse público. Por conta disso, o ministro Temporão assinou, na semana passada, a portaria 866, que declara o interesse público na concessão da licença para uso não comercial do anti-retroviral. O laboratório Merck propôs reduzir em 30% o valor do Efavirenz. O Ministério da Saúde, no entanto, recusou a oferta. Ao mesmo tempo, o governo recebeu propostas da indústria indiana, que fabrica versões genéricas do medicamento, por US$ 0,44 cada pílula (R$ 0,90). ABRANGÊNCIA Dos cerca de 200 mil pacientes que recebem os anti-retrovirais no País, 38% utilizam o Efavirenz, estima o governo. O Ministério da Saúde considera que o valor do medicamento compromete o programa DST-Aids, já que há um aumento no número de pessoas com a doença. Só neste ano, o governo gastará US$ 42,9 milhões (R$ 86 milhões) com a compra do medicamento. Isso equivale a um gasto anual de US$ 580 (cerca de R$ 1.160) por paciente tratado com o anti-retroviral. Pelas contas do governo, é possível gastar US$ 30 milhões (ou R$ 60 milhões) com a compra total do medicamento, representando economia nos próximos anos. O ministério alega que a licença compulsória é amparada pela legislação brasileira e por acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre aspectos de direitos de propriedade intelectual. Pela lei brasileira, o fabricante recebe royalties pela quebra de patente.

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Temendo riscos, governo sempre ficou na ameaça

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA REVISTA DA FOLHA As ameaças de licenciamento compulsório são freqüentes no Brasil desde a gestão do ex ministro da Saúde José Serra (1998 2002). Na gestão do ex ministro de Lula Humberto Costa, o governo não passou da declaração de utilidade pública do remédio Kaletra. Para o setor que trata de assuntos da Aids no ministério, porém, é certo há anos que a margem de negociação com laboratórios se reduz. No fim de 2004, o então coordenador de DST/ Aids, Pedro Chequer, previu um colapso na distribuição de medicamentos se o país não iniciasse a produção. Mas áreas do governo levavam em conta o risco de retaliações. A ausência de um laboratório nacional que pudesse fabricar os remédios tampouco permitia que os ministros fossem além da ameaça. Países adotaram o licenciamento e foram apoiados pela Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o laboratório Farmanguinhos poderá fazer o remédio no futuro.

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Brasil pode determinar hoje quebra de patente de remédio anti-Aids

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

BRASÍLIA e NOVA YORK. O Ministério da Saúde rejeitou a proposta de redução de preço do remédio anti-Aids Efavirenz, produzido pelo laboratório americano Merck Sharp & Dohme, e recomendou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que decrete o licenciamento compulsório do medicamento. Isso significa quebrar a patente do produto com o pagamento de royalties à empresa farmacêutica, algo inédito no país. Segundo o ministério, o licenciamento levará à economia de US$ 30 milhões (R$ 60 milhões) neste ano, com queda de preço de 72%. Sem confirmar que Lula vá seguir a recomendação do ministro da Saúde, José Gomes Temporão — o laboratório pode apresentar uma nova oferta no último momento —, o Palácio do Planalto divulgou a agenda de hoje do presidente, que prevê solenidade de assinatura do decreto ao meio-dia. A empresa ofereceu desconto de 30%. — Toda a questão é a defesa da sustentabilidade econômica do programa brasileiro de controle da Aids — disse Temporão, após se reunir com líderes governistas e deputados. O Efavirenz é consumido por 70 mil dos 180 mil pacientes com HIV que têm tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS). Até o fim do ano, serão 75 mil. O governo paga ao Merck Sharp & Dohme US$ 1,59 por cápsula. Se decretar o licenciamento compulsório, a idéia é passar a comprar o remédio genérico produzido na Índia, ao preço de US$ 0,44 por cápsula. Ou seja, uma redução de 72%. No último dia 25 de abril, o Ministério da Saúde deu o primeiro passo para o licenciamento, ao editar portaria em que declara o Efavirenz remédio de interesse público. A portaria levou o laboratório na última sexta-feira a aumentar a oferta de redução de preço: de 2% para 30%, com a promessa de transferir a tecnologia de produção em 2010, dois anos antes do fim do prazo de validade da patente, que termina em 2012. O Ministério da Saúde, no entanto, recusou a proposta, que baixava o preço da cápsula para US$ 1,10. O argumento foi que o Merck Sharp & Dohme vende o mesmo produto à Tailândia por US$ 0,65. Em 2001, o então ministro da Saúde José Serra declarou como de interesse público o remédio anti-Aids Nelfinavir, fabricado pelo Roche. O licenciamento compulsório não foi decretado, porque a empresa reduziu o preço em 40%. Em 2005, já no governo Lula, o então ministro Humberto Costa fez o mesmo com o Kaletra, produzido pelo Abbott, que baixou o preço em 46%. — Ponderamos que a Tailândia tem, proporcionalmente, mais pacientes com HIV, e quando o medicamento foi lançado no Brasil, em 1999, a Merck já concedeu descontos que chegam a 70% — disse João Sanches, do laboratório.

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Depois de quebrar patente, Tailândia sofre retaliações

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA REVISTA DA FOLHA Enquanto o Brasil prepara seu primeiro licenciamento compulsório, a Tailândia já sofre com retaliações à mesma medida o país quebrou patentes de três remédios no ano passado, entre eles medicamentos das gigantes farmacêuticas Merck e Abbott. A última ameaça à Tailândia veio do governo norte americano, que colocou o país em uma lista de "violadores de patentes", que pode prejudicar a economia do país asiático, afastando investidores houve protestos na frente da embaixada norte americana no início da semana e o governo tailandês mantém os licenciamentos. A Abbott, empresa farmacêutica com sede em Chicago, anunciou em março que não pretende mais lançar novas drogas na Tailândia. As drogas que tiveram as patentes quebradas pelo governo tailandês são o Kaletra, da Abbott, Stocrin, da Merck, e o Plavix, contra derrames. Desde março, ONGs vêm protestando no mundo inteiro contra o que entendem ser, em resumo, uma retaliação desumana do laboratório Abbott, pedindo inclusive o boicote a produtos da empresa. Afirmam que a Tailândia teve base legal para tomar a medida, calcada, segundo o ministro da saúde tailandês, Mongkol Na Songkhla, na necessidade de assegurar acesso amplo às drogas de alto custo. O licenciamento compulsório prevê o pagamento de royalties às empresas quando as drogas começarem a ser fabricadas, tem destacado ainda o ministro. A empresa desistiu dos processos de registro de sete novas drogas no mercado tailandês, entre elas a versão termoestável (que não precisa de refrigeração) do Kaletra, batizada de Aluvia, melhoria essencial em países tropicais e em desenvolvimento como a Tailândia. "A Tailândia escolheu quebrar patentes de uma série de remédios, ignorando o sistema de patentes, e decidimos não introduzir novos medicamentos no país", diz Dirk van Eeden, porta voz da Abbott para produtos contra o HIV. (FL)

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Empresa se diz decepcionada com a decisão

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA A Merck Sharp & Dohme informou ontem à tarde, por meio de sua assessoria de imprensa, estar "surpresa" e "decepcionada" com a decisão do governo Lula de quebrar a patente do medicamento Efavirenz. Segundo a assessoria, a empresa disse que havia solicitado prazo até a sexta feira passada, dia 27 de abril, para fazer a contraproposta, que dependia de aprovação da sede, nos Estados Unidos. Porém, diz ter sido avisada da intenção do governo na terça feira anterior, dia 24. Segundo a empresa, o desconto oferecido de 30% atende ao interesse brasileiro porque leva em conta a ampliação do programa de atendimento público universal de pacientes de Aids, além de critérios estabelecidos pela ONU em 2001, como a taxa de prevalência da doença e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). "Esses critérios são problema deles, não do governo brasileiro", rebateu ontem o ministro da Saúde.

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Laboratórios vêem risco de saúde pública se Brasil quebrar patente

2007-05-03T00:00:00-03:00maio 3, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Ministério da Saúde pode decretar pela primeira vez a licença compulsória da patente de um medicamento contra Aids  Em uma das decisões mais polêmicas já tomadas na área de saúde pública, o governo brasileiro pode anunciar nos próximos dias a quebra da patente do medicamento Efavirenz, usado em larga em escala no Brasil para prolongar a sobrevida de pacientes com Aids. Na semana passada, o governo informou que esperaria até hoje uma proposta do laboratório americano Merck Sharpe & Dohme, detentor da patente, para uma redução "satisfatória" dos preços. Se não houver acordo, o Ministério da Saúde poderá encaminhar amanhã pedido para que presidente Luiz Inácio Lula da Silva decrete a licença compulsória da patente de remédio. O presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus, afirmou que vê risco de saúde pública caso o governo leve adiante o processo para a licença compulsória. Nesse caso, o Brasil planeja importar medicamentos semelhantes de três empresas da Índia (Ranbaxy, Cipla e Aurobindo), que poderiam fornecê-lo a um preço 70% menor. Tannus afirmou, entretanto, que não há testes que mostrem que o medicamento indiano será tão eficiente quanto o produzido pela Merck. Ele informou que o Efavirenz consegue proporcionar uma sobrevida média de 100 meses a pacientes com Aids e que o remédio indiano pode não atingir os mesmos resultados. "A Índia tem o pior sistema de tratamento de Aids do planeta e vende esses remédios apenas para exportação", afirmou. "Se a pessoa não melhorar com o remédio, o governo vai ter de pagar o custo de internação e de outros tratamentos bem mais caros." Já a Merck afirmou que a licença compulsória "não é a melhor solução para as duas partes e, principalmente para os pacientes". Em sua defesa, o Ministério da Saúde disse que as indústrias da Índia que poderão fornecer o medicamento ao Brasil têm certificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e seguem padrões mais rigorosos até mesmo que os adotados dentro do Brasil. O governo brasileiro paga hoje US$ 1,59 por cada comprimido do Efavirenz e quer reduzir esse custo para US$ 0,65 – mesmo valor pago pela Tailândia, que também ameaçou decretar a licença compulsória. O medicamento é utilizado por 75 mil dos cerca de 200 mil pacientes que deverão procurar a rede pública de saúde neste ano para o tratamento da Aids. O ministério afirma que poderá importar medicamento semelhante da Índia ao custo de US$ 0,45 por comprimido mais 1,5% de royalties a serem pagos à Merck. A economia até 2012, quando expiraria a patente do Efavirenz, poderia chegar a US$ 236,8 milhões, segundo cálculos do governo. A Merck afirma que o preço do medicamento no Brasil hoje já é 86% menor do que o cobrado nos Estados Unidos. A empresa também diz que levou em consideração o número de pacientes e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para conceder esse desconto ao Brasil. O Ministério da Saúde, entretanto, afirma que nenhum outro país tem um programa público de tratamento à Aids do tamanho do brasileiro e que isso ainda não está embutido no preço. O governo desembolsa R$ 900 milhões por ano apenas com os remédios do programa. Comércio e investimentos O presidente-executivo da Interfarma também afirmou que o Brasil poderá perder investimentos no setor farmacêutico e também enfrentar problemas comerciais com os Estados Unidos caso transforme a ameaça de quebrar a patente em realidade. "O tratamento da Aids exige sempre o desenvolvimento de novos medicamentos. Mas será que as empresas vão querer lançar medicamentos mais avançados no país caso não tenham a garantia da proteção da patente?", questiona. "É igual investir em petróleo na Bolívia. A Petrobras fez de tudo para ajudar os camaradas e agora eles querem tomar tudo para eles. Você acha que haverá novos investimentos?" O escritório de representação comercial dos EUA (USTR) manifestou na última segunda-feira preocupação com a possibilidade de quebra de patente e afirmou que espera que o governo brasileiro ouça todos os interessados na questão antes de tomar uma decisão. Os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores afirmam, porém, que o licenciamento compulsório está previsto na legislação brasileira e também está de acordo com as regras da OMC. Os EUA já chegaram a questionar o mecanismo na OMC, mas retiraram o processo após forte pressão de ONGs. A estratégia do Brasil tem sido usar a ameaça de licenciamento compulsório para forçar a negociação dos preços pagos. Foi assim com o Kaletra, outro remédio anti-Aids produzido pelo laboratório Abott. Após pressão governamental, a empresa concordou em baixar o preço do medicamento em 46%.

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abril 2007

Brasil poderá quebrar patente

2007-04-29T00:00:00-03:00abril 29, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

BRASÍLIA (Folhapress) - O Brasil planeja comprar da Índia a versão genérica do remédio anti-Aids efavirenz caso o detentor da patente, o laboratório Merck Sharpe & Dohme, não reduza o preço em pelo menos 136% até o dia 1º de Maio. A ameaça de quebra de patente faz parte da estratégia do governo para pressionar o fornecedor na negociação de preços para 2007. O governo paga hoje US$ 1,59 por comprimido. O pedido de redução para US$ 0,65 - preço pago pela Tailândia - foi recusado. Se o governo de fato optar pela compra do genérico na Índia, ao preço de US$ 0,45, estima que fará uma economia de US$ 30 milhões por ano, sem ameaçar a qualidade e o abastecimento do medicamento, que é utilizado por 75 mil dos 180 mil pacientes de Aids atendidos pelo rede pública de saúde. Três laboratórios na Índia - Ranbaxy, Cipla e Aurobindo - já foram consultados e poderiam atender a demanda brasileira a partir de agosto, quando acaba o atual estoque da Merck. Se esse novo contrato for fechado, o Brasil pagará royalties de 1,5% para a Merck. Na última semana foi publicado no "Diário Oficial'' da União a portaria que declara de interesse público os direitos de patente desse anti-retroviral. O governo prevê que, se houver uma contraproposta, ela será avaliada. Se não for satisfatória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um decreto que determina o licenciamento compulsório da patente por três anos. Com isso, o custo por paciente com esse medicamento pode cair de US$ 580 por ano para US$ 163,22. PROTESTO A organização não-governamental Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero, promoveu um ato, na última semana, na frente do Consulado Americano, na Boa Vista, em favor da decisão do governo tailandês em quebrar as patentes de remédios antiretrovirais. A mobilização também apoiou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que considerou o medicamento de utilidade pública. "Derrubar as patentes é muito importante inclusive para Pernambuco, que possui o Lafepe, um laboratório que tem plenas condições de desenvolver antiretrovirais", acrescentou Alessandra Nilo, coordenadora do Gestos. Após a mobilização, o grupo entregou uma Carta Aberta ao Consulado.

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Fabricante defende negociação

2007-04-26T00:00:00-03:00abril 26, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

A multinacional Merck Sharp & Dohme (MSD), fabricante da Efavirenz, defende a manutenção da negociação do preço com o governo federal. Segundo o diretor de comunicação da empresa, João Sanches, o Ministério da Saúde teria concordado em negociar até 1.°de maio. “Não achamos que o licenciamento compulsório, popularmente chamado de ‘quebra de patente’, é a melhor solução para ninguém”, diz o diretor de comunicação da empresa, João Sanches. Segundo ele, o Brasil transmite um sinal ruim para a comunidade internacional ao se inclinar para essa direção, uma vez que o preço do medicamento seguiria critérios acordados em fóruns estrangeiros. E reforça o investimento em pesquisa realizado pela empresa. “É essencial que a pesquisa continue”, afirma. Os critérios internacionais a que se refere dizem respeito à determinação do preço diferenciado cobrado pelo laboratório: US$ 0,65 por comprimido de 600 mg na Tailândia, US$ 1,59 no Brasil. Sanches afirma que a disparidade entre os valores é determinada pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada país e da taxa de incidência de HIV que apresenta. A Tailândia está em 74.º lugar no ranking do IDH; o Brasil, em 69.º. “Desde que o Efavirenz chegou ao mercado brasileiro, houve uma redução de 78% no preço”, diz o representante da MSD. Ele se recusou a detalhar o valor oferecido pela empresa em resposta à solicitação do ministério. O Brasil conta atualmente 600 mil portadores de HIV e uma taxa de incidência de 19,2 casos por 100 mil habitantes.

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