maio 2007

Deputados e ONGs comemoram a medida

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para ex-ministro Alceni Guerra, é preciso deixar claro que ação não será indiscriminada  BRASÍLIA e RIO. Parlamentares da bancada da Saúde no Congresso comemoraram ontem a decisão do governo de decretar o licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz. Segundo o deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), o Brasil estava pagando preços muito elevados para adquirir um produto essencial no tratamento da Aids: - Foi uma medida extrema, mas correta. Medicamento não é perfumaria. O governo mostrou que necessidade social vem em primeiro lugar. Para o ex-ministro da Saúde e deputado Alceni Guerra (DEM-PR), a decisão foi importante, considerando que o país gasta cerca de R$ 1 bilhão para atender a pouco mais de 200 mil doentes. Mas, na sua avaliação, o governo precisa deixar claro que a medida não será usada de forma indiscriminada: - É uma decisão circunstancial, que não foi baseada em posição ideológica. Não se trata do rompimento de acordos internacionais de propriedade intelectual. Segundo ele, caso contrário, o Brasil poderia perder investimentos em pesquisa farmacêutica, que também são importantes para o país. Já Rafael Guerra destacou: - É importante dar garantia de patente a quem atua de forma correta no país. Para o deputado Dr. Rosinha (PTPR), a medida foi correta: - Com lucro e morte de um lado e a vida de outro, o presidente Lula escolheu a vida. Ganhamos com a decisão, porque vamos gastar menos com o medicamento para Aids e, com isso, poder adquirir produtos para outras patologias. Lula também recebeu apoio da Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (Rebrip): "Essa decisão histórica vem se somar aos esforços da sociedade civil no sentido de lutar pela garantia ao acesso aos medicamentos, pela sustentabilidade das políticas públicas de saúde, como o acesso universal e irrestrito aos anti-retrovirais para o tratamento das pessoas que vivem com HIV/Aids", diz um comunicado. Para a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), além de baratear o tratamento, o licenciamento compulsório trará ganhos em termos de transferência de tecnologia para o país. O coordenador-geral da Abia, Veriano Terto, discorda do argumento da indústria farmacêutica de que, sem patente, não há pesquisa: - As três principais classes de medicamento usadas hoje no combate à Aids são do início da década de 90. Desde 1994, quando os acordos internacionais de propriedade intelectual se tornaram mais rigorosos, o avanço foi pequeno e só uma classe de novos medicamentos surgiu. CRONOLOGIA AGOSTO 2001: Após nove meses de negociações, o então ministro da Saúde, José Serra, solicitou a licença compulsória do Nelfinavir, da Roche. No mesmo dia, a Roche concordou em reduzir o preço da droga em 40%. DEZEMBRO 2003: O então ministro da Saúde, Humberto Costa, ameaçou licenciar a produção do Nelfinavirl. No mês seguinte, os preços de cinco drogas caíram 37%: Nelfinavir, Lopinavir, Efavirenz, Tenofovir e Atazanavir. JUNHO 2005: O presidente Lula e o ministro da Saúde, Humberto Costa, declararam de interesse público o antiretroviral Kaletra, do laboratório Abbott. No mês seguinte, o preço do medicamento foi reduzido por seis anos. O preço da unidade do Kaletra caiu de US$ 1,17 para US$ 0,63, com efeito a partir de março de 2006, o que representa uma economia de US$ 339,5 milhões entre 2006 e 2011.

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Decisão irá afugentar investidores, prevê Câmara dos EUA

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Vice-presidente da entidade diz que medida do governo brasileiro foi um "grande passo atrás" para o desenvolvimento do país A PhRMA, entidade de pesquisa dos EUA, disse que respeito à propriedade intelectual assegura um fluxo constante de remédios  DE WASHINGTON  A decisão do governo brasileiro de quebrar a patente de um remédio da Merck afugentará os investidores do país. A opinião é da Câmara do Comércio dos EUA, entidade que representa mais de 3 milhões de empresas norte-americanas. "O Brasil vem trabalhando para atrair investimentos de indústrias inovadoras que dependem do respeito à propriedade intelectual, e essa ação muito provavelmente mandará esses investimentos para outro lugar", afirma Daniel Christman, em nota divulgada pela câmara norte-americana. Para o vice-presidente de assuntos internacionais, a decisão representa "um grande passo atrás para o desenvolvimento do país" e acontece "poucos dias depois de o Brasil ser reconhecido" em sua luta pelo respeito aos direitos intelectuais. Ele se refere à "promoção" do país na lista antipirataria divulgada anualmente pelo USTr, o escritório de comércio exterior dos EUA, que tirou o país da segunda pior classificação. Posição igual tem PhRMA, entidade de pesquisa bancada pela indústria farmacêutica norte-americana. "Estamos extremamente desapontados com o fato de o Brasil ter tomado essa ação sem continuar as negociações com a Merck", escreve seu presidente, Billy Tauzin. "Respeito à propriedade intelectual é importante para que haja um fluxo constante de remédios novos e melhores." Não por acaso, é o que pensa também a Federação Internacional da Indústria de Medicamento, entidade que reúne fabricantes do mundo inteiro na Suíça: "Embora permitida sob certas circunstâncias pela Organização Mundial do Comércio, a quebra de patente não é a melhor solução para facilitar o acesso a medicamentos". Reação oposta teve a AIDS Healthcare Foundation, uma das principais entidades de apoio a pacientes e pesquisas de HIV/Aids. "Ao anunciar sua intenção de quebrar a patente, o Brasil está de novo mostrando a outros países o caminho a ser seguido para a obtenção de drogas contra a Aids acessíveis", disse Michael Weinstein, presidente da ONG. Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa do USTr, o órgão do governo norte-americano que poderia falar sobre o assunto, não se pronunciou. Frases "Os Médicos Sem Fronteiras tratam 80% dos seus 80 mil pacientes com genéricos indianos e as pessoas estão muito bem" GABRIELA CHAVES farmacêutica da Abia "[O segmento de genéricos] é o segmento que mais cresce" ODINIR FINOTTI presidente da Pró-Genéricos

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Patente quebrada

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Brasil tem o direito de licenciar droga anti-Aids e boas razões para fazê-lo; isso não implica que decisão seja sem custos NÃO HÁ dúvida de que a saúde pública deve prevalecer sobre interesses comerciais. Assim, é em princípio correta a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do anti-retroviral efavirenz (Stocrin), comercializado pelo laboratório Merck Sharp&Dohme. No Brasil, a droga é utilizada por 75 mil pacientes de Aids (38% do total) atendidos pela rede pública. O governo optou pelo licenciamento compulsório -nome técnico da quebra de patente- por julgar que o desconto oferecido pela Merck era insuficiente. Cada comprimido de 600 mg de efavirenz saía por US$ 1,59 para o Ministério da Saúde. O laboratório dispôs-se a baixar mais 30%. O governo considerou pouco. Na Tailândia, a mesma Merck comercializa o mesmo efavirenz por US$ 0,65 a unidade. O Brasil diz que vai agora comprar o medicamento de fabricantes indianos de genéricos por US$ 0,45 o comprimido -uma economia anual de US$ 30 milhões. Outro argumento que parece ter pesado é o de que as margens de negociação com os laboratórios vinham se estreitando. O Brasil já ameaçara quebrar patentes de drogas anti-Aids em 2001 (nelfinavir, da Roche) e 2003 (Kaletra, da Abbott). Como nunca concretizara tal gesto, a indústria farmacêutica estava se mostrando cada vez mais reticente em baixar seus preços. A licença compulsória é referendada pela legislação brasileira no caso de emergências sanitárias ou de interesse público (art. 71 da lei nº 9.279/96). Tal disposição encontra amparo em acordos internacionais, como o Trips, que regula o direito de propriedade intelectual. Mesmo os EUA, país que mais se queixa de licenciamentos compulsórios, recentemente cogitaram de quebrar a patente do antibiótico ciprofloxacina, manufaturada pela Bayer, quando estiveram às voltas com ataques de antraz, após o 11 de Setembro. Só que o fato de o Brasil ter o direito de quebrar a patente e algumas boas razões para fazê-lo não significa automaticamente que a decisão seja sem custos. No curto prazo, poderemos sofrer retaliações legítimas de laboratórios. A exemplo do que já fizeram com outras nações que emitiram licenças compulsórias, eles poderão deixar de lançar por aqui seus novos produtos, privando portadores das mais variadas moléstias de drogas potencialmente úteis. Não se pode esquecer que a indústria farmacêutica -apesar de todos os recentes casos pouco abonadores em que se meteu- responde por parte da pesquisa médica e pelo principal do desenvolvimento de novos princípios ativos. Não interessa a ninguém quebrá-la, o que fatalmente ocorreria se todo medicamento útil se tornasse "patrimônio da humanidade", como quer o presidente Lula.

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Lula quebra patente de pílula anti-AIDS

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

SAÚDE // Remédio é consumido por 75 mil pacientes na rede pública e medida vai representar economia de cerca de R$ 61 milhões Brasília - Pela primeira vez, o governo decidiu concluir o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, ontem, decreto de licenciamento compulsório do Efavirenz, do norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado por 75 mil pacientes da rede pública no tratamento de pacientes com AIDS. A medida inédita permite, por período não estipulado, a importação de versões genéricas e até a fabricação do medicamento no país, o que pode ocorrer num segundo momento. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por US$ 0,45 (aproximadamente R$ 0,91), valor inferior ao US$ 1,56 (em torno de R$ 3,16) cobrado pelo laboratório Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará US$ 30 milhões (cerca de R$ 61 milhões) por ano com os genéricos, um dinheiro que poderá ser revertido para o tratamentode 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório por ano chega a US$ 42,9 milhões (aproximadamente R$ 87 milhões). O pagará ao laboratório Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo "quebra de patente". "Não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina, o dado concreto é que o Brasil não pode ser tratado como se não merecesse respeito", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente criticou o Merck, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. "Pagar US$ 1,6 por um remédio vendido em outro país por US$ 0,60 é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico", disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade em que Lula anunciou a medida. Eles aplaudiram com entusiasmo odiscurso do presidente. "Toda descoberta deveria ser fixada como patrimônio da humanidade, o inventor, o criador poderia ganhar o seu dinheiro, mas isso deveria ser da humanidade", disse. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros." Desde a gestão de José Serra, atual governador de São Paulo, na pasta da Saúde (1998-2002), o governo ameaçava os laboratórios multinacionais com licença compulsória. Primeiro, há um processo de negociação para reduzir os preços dos medicamentos. Depois, o governo divulga portaria declarando o produto de interesse público. Por fim, o presidente da República assina decreto de quebra de patente. Em duas ocasiões, o chegou a anunciar a quebra de patente, mas o governo acabou recuando. Em 2001, o então ministro José Serra anunciou portaria tornando a patente do anti-retroviral Nelfinavir, do suíço Roche, de utilidade pública. O mesmo ocorreu com o medicamento Kaletra, do norte-americano Abbott, em 2005, na gestão do petista Humberto Costa. Depois de repercussão internacional a favor do governo, os dois laboratórios negociaram a redução dos preços. EUA criticam ação Washington - O governo norte-americano afirmou ontem estar "desapontado" com o fracasso das negociações entre o governo brasileiro e a Merck a respeito da patente do Efavirenz, remédio contra AIDS do laboratório. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos, que trata de questões de propriedade intelectual, afirmou que está examinando os detalhes do anúncio de quebra de patente feito pelo governo brasileiro. "Nós achamos que é do interesse de todos os nossos parceiros comerciais negociarem de forma enérgica com os detentores de patentes que podem ser afetados por medidas como essa", respondeu a assessoria do Escritório. "Estamos desapontados porque os esforços do Brasil e da empresa americana detentora da patente para chegar a um acordo aparentemente fracassaram." A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, entidade de classe que reúne mais de 3 milhões de empresas norte-americanas, criticou ontem a decisão do governo. "Apenas alguns dias depois de o Brasil ser reconhecido por uma melhor aplicação das leis de proteção à propriedade intelectual, vem essa quebra de patente - isto é um retrocesso", disse o vice-presidente para relações internacionais da Câmara, Daniel W Christman. "O Brasil está se esforçando para atrair investimentos em indústrias inovadoras, que se apóiam em propriedade intelectual, e essa atitude vai levar investidores a escolherem outros países". Na segunda-feira, o Brasil foi retirado da lista de pirataria dos EUA, que adverte países que descumprem leis de proteção à propriedade intelectual e prevê retaliações. A defesa da propriedade intelectual é um dos pré-requisitos para que o país seja mantido no Sistema Geral de Preferências (SGP), que concede a isenção de tarifas para exportação de inúmeros produtos para os Estados Unidos. Contradições - A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) afirmou que a licença compulsória do Efavirenz "parece uma grande contradição". Segundo a Febrafarma, "a decisão levanta dúvidas em relação a manifestações de que o quer criarum complexo industrial da saúde no país, argumentando que a indústria da saúde é a que mais produz inovação e riqueza no mundo".

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Governo anuncia hoje quebra de patente de remédio anti-Aids

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Jose Gomes Temporão, ministro da Saúde: nove reuniões com a empresa O governo anuncia hoje, em cerimônia no Palácio do Planalto, a decisão de licenciar compulsoriamente a venda, no Brasil, do medicamento usado no tratamento da Aids Efavirenz, cuja patente pertence ao laboratório Merck-Sharp&Dohme. Com a medida, o país poderá comprar um medicamento genérico equivalente ao Efavirenz, de laboratórios da Índia, por menos de um terço do preço pago atualmente, o que, segundo calcula o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, garantirá uma economia de US$ 30 milhões anuais para o ministério. A decisão poderá ser suspensa se houver algum acordo de última hora com a Merck, e a empresa, ontem à noite, ainda relutava em comentar a decisão. "Esperamos que, no último momento, o bom senso prevaleça e não seja necessária essa medida", comentou para o Valor o diretor de Comunicação da empresa, João Sanchez. Ontem à noite, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informaram ao Valor que o presidente estaria disposto a suspender a decisão, caso a empresa oferecesse um acordo "aceitável" até o horário da cerimônia de anúncio do licenciamento compulsório, prevista para o meio-dia de hoje. João Sanchez argumentou que a empresa já ofereceu um desconto de 30% sobre os preços atuais do Efavirenz, que se somaria a uma redução de preços de 77% desde o lançamento do produto, em 1998. "É um desconto extremamente favorável", argumentou. "Alegar o interesse público em uma situação como essa cria uma incerteza grande e insegurança em relação ao marco regulatório no setor". Só a Tailândia, "uma ditadura", lança mão de licenciamento compulsório hoje em dia, argumenta o executivo da Merck. Para o ministro Temporão, que ontem ainda se reuniria à noite com o presidente e outros ministros envolvidos na decisão, a economia de US$ 30 milhões na compra do produto permitirá ao país dirigir essas verbas para tratamentos "caríssimos" de pacientes de Aids com doenças oportunistas, como a tuberculose ou com hepatite. Ele argumenta que o Brasil usa uma prerrogativa permitida pelo acordo sobre propriedade intelectual (Trips, na sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC), que prevê o pagamento de royalties à empresa que terá sua patente licenciada compulsoriamente. O desconto oferecido pela Merck baixaria o preço da cartel de medicamento, de US$ 1,59 para cerca de US$ 1,10; os indianos venderão por US$ 0,45, espera o ministro. As empresas indianas que fornecerão ao Brasil são pré-qualificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e poderão iniciar a venda dos produtos imediatamente, sem risco de interrupção no tratamento dos doentes, explicou Temporão. A decisão de licenciamento compulsório, segundo o ministro, foi tomada pelo governo, com participação também da Casa Civil, da Advocacia geral da União e do Ministério das Relações Exteriores, depois de pelo menos nove reuniões com a empresa, uma delas do próprio Temporão e do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, com o presidente da Merck no Brasil, Oscar Ferenczi - na qual o executivo fez a primeira oferta de desconto, de "apenas" 2%, segundo o ministro. As propostas de desconto no preço e de contratos de transferência de tecnologia eram "totalmente inadequadas" na avaliação de Temporão. Ele se queixa de que a segunda proposta de redução de preços e transferência de tecnologia, apresentada na noite de sexta-feira passada, não deixa claro se o país será obrigado a comprar matéria-prima apenas da Merck, ou poderá buscar melhores preços em outros fornecedores. "Para o Brasil, também é absolutamente fundamental que, ao fim do processo de transferência de tecnologia, o país tenha autonomia para comercializar os produtos genéricos com quem bem entender", acrescentou o ministro, que criticou a falta dessa definição na proposta da Merck. "Nos termos em que a transferência estava colocada era absolutamente impossível uma análise séria." "Mandei carta à Merck dizendo, em duas páginas, que a proposta deles não atendia ao interesse público e às expectativas do governo brasileiro", contou Temporão. "O Brasil, neste momento tem vários contratos de transferência de tecnologia com empresas multinacionais de ponta, como a GlaxoSmithKline (com Farmanguinhos) e a Aventis (com o Butantan) e temos projetos de ampliar essa estratégia", mencionou o ministro. Outros sete produtos anti-Aids, do coquetel de 15 medicamentos, ainda são protegidos por patentes, mas o Brasil decidiu licenciar compulsoriamente o Efavirenz porque é usado em 77 mil pacientes e é o mais utilizado, devido à facilidade que traz ao tratamento, com menos efeitos colaterais e a dispensa de outros remédios. "A tendência é se ampliar o uso desse medicamento", prevê o ministro. Outro medicamento muito usado, o Kaletra, que não tinha alternativas genéricas, passou a ser comprado com desconto próximo a 50%, lembra ele. A Merck alega que o preço do Efavirenz já é o mais baixo do coquetel anti-Aids, e, apesar de ser fornecido a quase 42% dos pacientes, representa só 17% do gasto total. "O Brasil vai pagar 1,5% de royalties pelo remédio; se o laboratório considerar inadequado, pode recorrer", diz Temporão.

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Governo Lula decide quebrar patente de remédio anti Aids

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Ministério da Saúde rejeitou a contraproposta de desconto de 30% pelo Efavirenz Medicamento é usado por 75 mil pacientes na rede pública; o laboratório Merck deverá ir à Justiça contra a medida inédita no país DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu autorizar o licenciamento compulsório do remédio Efavirenz, o que, na prática, representa a quebra da patente do medicamento. A decisão, que segue recomendação do Ministério da Saúde, será anunciada hoje em cerimônia às 12h no Palácio do Planalto. Após recusar a contraproposta de desconto de 30%, feita pelo laboratório Merck Sharp&Dohme, um dos maiores do mundo, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) enviou ontem ao Palácio do Planalto a proposta de licenciamento compulsório do antiretroviral, usado hoje por cerca de 75 mil pacientes de Aids na rede pública, a um custo de US$ 43 milhões por ano. Com o licenciamento compulsório, o país pode tanto iniciar a produção nacional da droga como importar genéricos. Sem isso, só a Merck poderia vendê lo no país, pois é dona da patente do medicamento aqui, o que significa exclusividade de comercialização. Embora a decisão não tenha sido anunciada oficialmente, foi confirmada informalmente por assessores da Presidência e consta na agenda de Lula como "cerimônia de assinatura de ato de licenciamento compulsório de medicamento antiretroviral". Procurada pela Folha por volta das 21h, a Merck declarou que não havia sido informada. Será a primeira vez que o Brasil licencia um remédio protegido por patente já houve ameaças em 2001 e 2003, relativas ao Nelfinavir (Roche) e ao Kaletra (Abbott). E até hoje, poucos países fizeram isso como Tailândia, Moçambique, Malásia e Indonésia. No caso da Tailândia, o país enfrenta retaliações do laboratório Abbott e até do governo norte americano. "Já tivemos reuniões demais com o laboratório. Em nenhum momento apresentaram uma proposta séria e consistente", disse Temporão, que evitou, porém, confirmar a decisão. Para ele, "é pouco provável" que ocorram novas negociações. Participaram da decisão também a Casa Civil e o Ministério das Relações Exteriores. A Folha apurou que o laboratório não tem condições de apresentar preços menores ao governo e deve ir à Justiça para manter a patente. Segundo executivos da Merck, a empresa tenta, desde o último dia 24 de abril, realizar reuniões para explicar melhor seus motivos e encontra portas fechadas no ministério. O Brasil tenta desde novembro pressionar o laboratório Merck, sem sucesso, a reduzir o preço do Efavirenz de US$ 1,59 para US$ 0,65 por comprimido de 600mg. Na semana passada, o Ministério da Saúde declarou o medicamento de "interesse público" e anunciou a intenção de comprar a versão genérica da Índia por um preço de US$ 0,45 por comprimido. A economia estimada seria de US$ 30 milhões por ano. Mesmo assim, foi dado um prazo para a Merck fazer uma contraproposta. Na última sexta, o laboratório ofereceu um desconto de 30%, que foi considerado "insuficiente" pelo governo, segundo Temporão. Além disso, o desconto seria válido até 2010, não 2012, data em que a patente expira. O licenciamento prevê o pagamento de 1,5% em royalties como remuneração à Merck por ter inventado o remédio. Além disso, o Brasil fica vedado de comercializar o produto. O país tem estoque do Efavirenz da Merck até agosto. E afirma que não haverá desabastecimento porque três fabricantes da Índia, os laboratórios Ranbaxy, Cipla e Aurobindo, já foram consultados sobre o fornecimento para o país. Esses genéricos são pré qualificados pela OMS (Organização Mundial da Saúde).  Colaboraram EDUARDO SCOLESE, da Sucursal de Brasília e FABIANE LEITE, da Revista da Folha

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Governo quebra patente de remédio

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília. Pela primeira vez, o Brasil vai pedir a quebra de patente de um medicamento usado para tratar a Aids. Hoje, a partir do meio-dia, o presidente Lula comunica a perda de exclusividade na produção da Merck do anti-retroviral Efavirenz. O Ministério da Saúde enviou ontem ao Palácio do Planalto minuta de decreto que permite o licenciamento compulsório do medicamento depois de seis meses de negociações com o laboratório Merck para reduzir o preço do comprimido, vendido ao Brasil por US$ 1,65. O governo brasileiro recusou a última oferta da Merck, de desconto de 30% no valor do produto, que cairia para US$ 1,15. A proposta foi considerada insuficiente pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende a venda do anti-retroviral para o Brasil pelo mesmo preço pago pela Tailândia - US$ 0,65 por comprimido. O mecanismo adotado pelo governo é semelhante à quebra de patente, mas mantém o pagamento de royalties ao fabricante, conforme as regras da Organização Mundial do Comércio. O Laboratório Farmacêutico de Pernambuco deverá ser autorizado a iniciar a produção de 30 milhões de unidades do medicamento, em parceria com o Instituto Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz, até o fim do ano. O governo também poderá comprar a versão genérica do Efavirenz, que custa US$ 0,44 por comprimido, de laboratórios pré-qualificados pela Organização Mundial da Saúde. Com o medicamento genérico, o custo anual do tratamento para o governo cairia para US$ 165 por paciente. Hoje, o Brasil desembolsa US$ 580 por ano em medicamentos para o tratamento de um paciente de AIDS. Pouco depois de enviar a minuta do decreto para o Planalto, Temporão defendeu também a restrição à venda de bebidas alcoólicas. - Há uma epidemia de mortes e violência causada pelo consumo de álcool. Isso vai demandar uma série de iniciativas para regulamentar o comércio de bebida alcoólica.

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Laboratório público se prepara para produzir medicamento

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

O Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fecharam uma parceria para realizar pesquisas em torno do medicamento Efavirenz, usado no tratamento da Aids. A expectativa tanto do laboratório quanto da fundação é que, em breve, a patente do remédio seja quebrada, possibilitando a fabricação. Hoje, a produção do Efavirenz está restrita à Merck. O governo federal está anunciando esforços no sentido de quebrar a patente do medicamento. Mas, enquanto isso não for feito, a droga não pode ser fabricada no país por outras empresas. Na semana passada, o Ministério da Saúde declarou o Efavirenz remédio de interesse público. Na prática, isso significa um primeiro passo na tentativa da quebra de patente. De acordo com Luciano Vasquez, presidente do Lafepe, o laboratório realiza pesquisas sobre o Efavirenz há dois anos, e já investiu R$ 1,5 milhão. "A parceria com a Fiocruz traria capacidade de produção em larga escala. A partir da quebra da patente, podemos iniciar a fabricação em seis meses", diz Vasquez. A idéia é que o remédio seja produzido no Farmanguinhos, laboratório da Fiocruz no Rio. O preço do medicamento poderia ser até 40% inferior ao praticado atualmente.

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Ministério da Saúde aumenta pressão sobre a Merck

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília e São Paulo, O Ministério da Saúde enviou ontem ao Palácio do Planalto minuta de decreto que permite o licenciamento compulsório da patente do anti-retroviral Efavirenz, fabricado pela Merck, usado no tratamento da Aids, depois de seis meses de negociações com o laboratório para reduzir o preço do comprimido, vendido ao Brasil por US$ 1,65 a unidade. A decisão caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo recusou a última oferta da Merck, de desconto de 30%. A proposta foi considerada insuficiente pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende a venda do anti-retroviral para o Brasil pelo mesmo preço pago pela Tailândia, de US$ 0,65 por comprimido de 600 mg. Sem acordo, a Saúde quer o licenciamento compulsório para uso público não comercial. O mecanismo é semelhante à quebra de patente, mas mantém o pagamento de royalties ao fabricante, conforme regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Se a medida for acatada pelo presidente, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) será autorizado a iniciar a produção de 30 milhões de unidades, em parceria com o Instituto Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O governo também poderá comprar a versão genérica do Efavirenz, que custa US$ 0,44. "Estamos desapontados pela rejeição do governo a uma oferta que consideramos justa. A empresa solicitou com freqüência reuniões pessoais a fim de discutir um acordo aceitável. Continuamos flexíveis, abertos e comprometidos com as negociações", disse João Sanches, diretor de comunicação corporativa da Merck Sharp & Dohme, em nota.

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ONGs comemoram, mas temem riscos

2007-05-04T00:00:00-03:00maio 4, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Para especialista, temor é que, com a quebra de patente de remédio anti Aids, laboratório se recuse a registrar novas drogas no Brasil Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda, diz que é hora de o governo pensar também em produzir as substâncias ativas dos medicamentos  DA REVISTA DA FOLHA Organizações não governamentais que defendem os interesses de portadores do HIV prometem manifestações de apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva hoje em razão da decisão de quebrar a patente do Efavirenz, mas não deixam de falar dos riscos e das necessidades após essas medidas. Veriano Terto, coordenador geral da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e especialista em patentes, aponta o risco de retaliações como negativa de registro de novos remédios no Brasil, medida que já foi anunciada pelo laboratório Abbott contra a Tailândia, que também quebrou patentes. Para ele, precisa ficar claro que o Brasil tomou uma medida legal na visão de vários especialistas do setor. "A medida do governo brasileiro apenas reforça o que disse a declaração de Doha da Organização Mundial do Comércio em 2001, que a defesa dos interesses comerciais não pode se sobrepor aos interesses da saúde pública." Outra preocupação, a partir de agora, é com a garantia de recursos para sustentar a produção nacional. Mário Scheffer, ativista do Grupo Pela Vidda/ SP, afirma ainda que é hora de o governo pensar também em como produzir os sais, a substâncias ativas dos medicamentos. O país até agora tem capacidade de apenas misturar sais comprados de fornecedores internacionais das indústrias de genéricos, explica, e mais a frente o problema de custos e abastecimento poderá ser não com quem vende o remédio pronto, como a Merck, mas justamente com quem garantirá a matéria prima aos laboratórios nacionais de genéricos. Scheffer e outros ativistas devem fazer manifestação hoje na praça da Sé, no centro de São Paulo. "É um marco importante, desde a decisão de declarar o medicamento de utilidade pública, já sabíamos que seria algo mais sério." Desde 2001, a Abia e outras entidades vêm pressionando pelo licenciamento compulsório, tema da maioria dos dias internacionais de luta contra a Aids dos últimos anos. A entrada de José Gomes Temporão no Ministério da Saúde é considerada um dos desencadeadores da medida a ser anunciada hoje pelo governo. Sanitarista reconhecido, o ministro desfruta de fácil diálogo com movimentos sociais e também com Lula, de quem se aproximou desde que participou do enfrentamento da crise dos hospitais da União no Rio de Janeiro, em 2005. Outro ponto que pode ter contribuído para a medida, avaliam as ONGs, é o fato de conhecidos defensores do licenciamento compulsório, como o brasileiro Pedro Chequer, estarem em órgãos da ONU, que deu suporte a outras nações que fizeram a quebra de patente desse tipo de remédio. Chequer atualmente trabalha na UnAids na Argentina, braço da ONU para a Aids, e recentemente, em conversa com a Folha, questionou se o Brasil não faria a quebra de patentes. Chequer e Temporão estudaram juntos.

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