maio 2007

Um duro remédio

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Em decisão inédita, presidente Lula anuncia a quebra da patente de Efavirenz, usado no tratamento da Aids Pela primeira vez na história, o governo brasileiro cumpriu a ameaça de quebrar a patente de um medicamento usado no coquetel anti-Aids. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o decreto de licenciamento compulsório do medicamento Efavirenz. A alegação é que o laboratório norte-americano Merck, detentor da patente do remédio, recusou-se a reduzir o preço. O Brasil pagava US$ 1,59 por comprimido de Efavirenz. Com a medida, o preço será de US$ 0,45, o que resultará numa economia de US$ 30 milhões por ano. Depois de assinar o decreto, Lula avisou que pode recorrer novamente à medida. Ele disse que, entre o comércio e a saúde, o governo fica com a saúde. "Isso vale para este remédio e vale para tantos outros quantos forem necessários", afirmou. "É importante deixar claro: não importa se a firma for americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado." O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto, em auditório lotado de representantes de ONG ligadas à saúde. Lula reclamou do preço alto cobrado pelo Efavirenz. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros", disse, ameaçando. "Amanhã pode ser outro comprimido, se não tivermos preços justos." O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, minimizou as declarações de Lula. Afirmou que não há nenhum outro caso que necessite da quebra de patente. Segundo o ministro, existe um medicamento que tem o preço considerado alto pelo governo, mas as negociações com o fabricante "estão caminhando muito bem". Temporão afirmou, entretanto, que o anúncio da quebra de patente faz parte da política governamental de tornar os medicamentos acessíveis. O licenciamento compulsório permitirá ao Brasil importar o genérico do Efavirenz, fabricado na Índia e vendido a US$ 0,45 o comprimido de 600 miligramas, até que seja possível produzi-lo no Brasil. A expectativa do governo é iniciar a produção no país dentro de um ano. De acordo com o Ministério da Saúde, há três laboratórios indianos (Cipla, Ranbaxy e Aurobindo), testados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que podem atender o país. Temporão afirmou que a quebra de patente será por cinco anos, com possibilidade de prorrogação. Nesses cinco anos o Brasil economizará US$ 236,8 milhões. O ministro ressaltou que, atualmente, 75 mil dos 200 mil doentes de Aids usam o medicamento, fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A tendência é aumentar a quantidade de usuários. "Esses números mostram de maneira clara e inequívoca a necessidade do licenciamento compulsório", afirmou. Lula afirmou que ao receber a proposta de quebra de patente determinou o exame do assunto pela Advocacia Geral da União (AGU) e pelo Ministério das Relações Exteriores. Ele queria ter certeza de que a medida tinha respaldo legal, tanto na legislação brasileira quanto internacional, e não seria questionada. Segundo Temporão, a medida tem respaldo nos acordos internacionais de comércio e já foi adotada por diversos outros países, como Itália e Canadá. O ministro disse que chegou a ser procurado pelo embaixador dos EUA, Clifford Sobel, que se dispôs a intermediar a negociação com o laboratório. Mas o máximo de desconto oferecido pela Merck foi de 30%, proposta recusada. Para viabilizar o programa, seria preciso um desconto de pelo menos 60%.

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Para laboratório, decisão cria instabilidade

2017-01-10T17:18:19-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Merck afirma que governo brasileiro não se interessou em negociar preço do Efavirenz, mas nega que haverá retaliações Com a quebra da patente, outras empresas poderão deixar de investir em algumas pesquisas no Brasil, diz diretor do laboratório DA REPORTAGEM LOCAL Após lamentar o ato do governo brasileiro de quebrar a patente do Efavirenz, remédio usado no tratamento da Aids, a Merck Sharp & Dohme, fabricante do produto, acusou ontem o Ministério da Saúde de não querer negociar preços e afirmou que a decisão poderá causar instabilidade no setor farmacêutico brasileiro. De acordo com o diretor de comunicação corporativa da Merck, João Sanches, a empresa lamenta a decisão, já que os fabricantes precisam de segurança e garantia para continuar pesquisando. "Ao nosso entender, era desnecessária [a decisão] porque estávamos tentando negociar", disse Sanches. O diretor disse que a empresa havia feito uma proposta ao governo de redução de 30% do valor do remédio (de US$ 1,57 para US$ 1,10). "Eles não quiseram negociar, disseram que não atendia ao interesse público. Chegamos a fazer uma nova proposta por telefone, abaixo do US$ 1,10, e nem recebemos resposta. Acho que o governo não tinha interesse em fazer a negociação." A proposta do Ministério da Saúde era a de comprar o remédio por US$ 0,65, valor praticado em países considerados subdesenvolvidos, de acordo com critérios da ONU, ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é superior a 1% do número total de habitantes (no Brasil, representa 0,85% da população). Em países com situação econômica similar à do Brasil, o preço do comprimido de 600 mg do medicamento é de US$ 1,80. Sem retaliação Apesar de acusar o Ministério da Saúde de não querer negociar o preço do medicamento, Sanches disse que a empresa não deixará de trazer novos produtos ao Brasil. "Não faremos retaliação, seria uma irresponsabilidade", afirmou. "Mas pode ser que haja empresas que não queiram correr o risco de ter sua propriedade intelectual quebrada pelo governo brasileiro, que deixem de investir em algumas pesquisas ou até que optem por não montar fábricas aqui." A quebra da patente, diz, cria uma instabilidade no setor. "Essa é uma área que precisa de estabilidade a longo prazo para que as pesquisas progridam e possam ter recursos. A longo prazo, eu não tenho a menor dúvida de que essa decisão vai afetar o ambiente de negócios, a atração de investimentos, a geração de empregos, não só para multinacionais como para empresas nacionais porque foi deixado claro que a decisão não é só para esse produto." Recurso na Justiça O diretor também disse que a Merck ainda estudará se entrará com algum tipo de recurso judicial. "É muito cedo para avaliarmos o que faremos daqui para frente, ainda estamos analisando o teor do decreto. É prematuro dizer se entraremos em uma briga judicial", disse. "Não existe jurisprudência para casos como este em todo o mundo. Na Tailândia, por exemplo, onde houve quebra de patente, o caso ainda está tramitando e não tomamos uma decisão. Mas lá o país vive uma ditadura. É diferente." A Merck, afirmou Sanches, já reduziu em 77% o preço do Efavirenz desde 1998, quando começou a vender o produto para o Mistério da Saúde. "O problema é que o novo ministério não reconhece esse histórico." Frases "Ao nosso entender, era desnecessária [a decisão] porque estávamos tentando negociar" JOÃO SANCHES diretor de comunicação corporativa da Merck, fabricante do Efavirenz "A fala do presidente mostrou que a questão não é um problema individual com a Merck. Qualquer um está sujeito" GABRIEL TANNUS presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa "Não vejo como a mudança de comprador [da Merck para os fabricantes na Índia] pode impulsionar o desenvolvimento do setor" CIRO MORTELLA presidente-executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica "Esperamos que essa não seja apenas uma ação política para mostrar à sociedade como o governo é forte. O preocupante é que este ato não incentiva o desenvolvimento da pesquisa" ALEXANDRE GEYER presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais "A proteção à propriedade intelectual é fator crítico para assegurar o crescimento da inovação e do desenvolvimento tecnológico do Brasil" CÂMARA AMERICANA DE COMÉRCIO em nota oficial

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Lula confirma licenciamento compulsório de medicamento antiAids

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinaram o licenciamento compulsório do medicamento antiAids Efavirenz, utilizado no tratamento de cerca de 75 mil portadores do vírus HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi adotada pelo governo após uma longa negociação com o laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme, produtor do remédio, mas que não chegou a um acordo. O preço do medicamento vendido ao Brasil era 136% maior na comparação com o valor de venda à Tailândia. É a primeira vez em que o Brasil adota esse tipo de medida. Lula avaliou que, se for preciso, o Brasil vai tomar a mesma decisão em relação às empresas produtoras de medicamentos se não houver "preços justos". "Não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O dado concreto é que o Brasil não pode ser tratado como um país que não merecer ser respeitado. Ou seja, pagamos US$ 1,60 quando o mesmo remédio é vendido para outro país a US$ 0,60. É uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas do ponto de vista político e econômico. É um desrepeito. Como se o doente brasileiro fosse inferior a um doente da Malásia", afirmou. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o governo tomou a decisão porque os preços do laboratório não consideraram a "realidade brasileira", em referência o acesso da população ao tratamento, aumento do consumo do remédio no país, e o fato de o Brasil ter um programa de combate à Aids que tem reconhecimento internacional. Apesar de o preço do medicamento ser o mesmo desde 2003, o aumento no consumo cresceu. Em 1999, eram 2.500 pessoas utilizando o remédio. Hoje, são 75 mil, de acordo com dados do Ministério da Ssaúde. Recebi, nos últimos quatro ou cinco dias, inúmeros telefonemas do embaixador americano [Clifford M. Sobel]. Conversei longamente com ele. Conversei com o presidente mundial da Merck. Falei que o Brasil está o tempo todo aberto a uma proposta séria e consistente da empresa, mas esta proposta não se materializou", disse José Gomes Temporão. Na sexta-feira passada, a empresa enviou uma proposta de redução de 30%, contudo, de acordo com Temporão, os técnicos do governo avaliaram que para garantir a continuidade do programa era preciso um desconto mínimo de 60%.

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Aids: Brasil compra guerra

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

(CAPA) A decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do Efavirenz, medicamento usado no tratamento contra a Aids, permitirá que o país economize US$ 30 milhões por ano. Em vez de pagar US$ 1,59 por comprimido ao laboratório americano Merck Sharp & Dohme, o Brasil desembolsará US$ 0,45 por genérico produzido na Índia - uma redução de 72% no preço. A medida provocou a reação imediata de representantes da indústria farmacêutica. Segundo eles, a iniciativa pode ter repercussões negativas sobre os investimentos estrangeiros no país.

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Para Merck, decisão causa instabilidade

2017-01-10T17:18:20-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

São Paulo O porta-voz da Merck, Sharp & Dohme, João Sanches, disse ontem que a quebra de patente do Efavirenz cria instabilidade para novos investimentos, no Brasil, em drogas inovadoras destinadas ao tratamento da Aids. - Lembro que vamos anunciar nos Estados Unidos um medicamento contra Aids que poderá ter sucesso onde todos os atuais ainda encontram resistência. Apesar da declaração, Sanches informou que a empresa não cancelará pedidos de registro de patentes no Brasil, o que seria uma forma de retaliação e privaria o país de drogas novas contra a doença. - Isso seria irresponsabilidade da empresa com os pacientes. Antes da manifestação da empresa, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmara acreditar que Merck, Sharp & Dohme e outras multinacionais do setor farmacêutico não retaliarão ou deixarão o Brasil. Por um motivo simples: o país está entre os 10 maiores mercado do mundo. Segundo Sanches, executivos da subsidiária brasileira e da matriz norte-americana constataram que a perda da patente do anti-retroviral no Brasil é irremediável. Nos próximos dias, pretendem fazer uma avaliação da situação e traçar uma nova estratégia para a empresa no país. - É uma situação inédita para nós no mundo. Na semana passada, a empresa propôs baixar o preço unitário do Stocrin (feito a partir do Efavirenz e principal medicamento do coquetel anti-Aids distribuído pelo governo) de US$ 1,59 para US$ 1,10. Diz ter tentado ainda, na quinta-feira, marcar uma reunião com representantes do governo para reduzir mais o valor. Os interlocutores do Ministério da Saúde, conforme o relato de Sanches, teriam dado como resposta o anúncio da quebra de patente. Segundo o governo, o preço do remédio importado da Índia será de US$ 0,45 a unidade. A empresa alega que, embora o Efavirenz represente em volume 42% do coquetel anti-Aids, o custo é só de 17% do total. - Se o governo precisa reduzir custos, poderia começar por medicamentos que representam mais dentro do coquetel. O porta-voz vê poucas possibilidades de briga judicial contra o governo brasileiro, caso que ocorre na Tailândia, onde há queda-de-braço entre o governo e outras farmacêuticas devido à quebra de patentes. - Lá há um caso específico pois é quase uma ditadura. A disputa causou um ruído diplomático entre o Brasil e os Estados Unidos. O embaixador norte-americano no país, Clifford Sobel, negociou pessoalmente com o ministro da Saúde a fim de proteger os interesses da farmacêutica. Sobel disse que a empresa "pode viver sem o Brasil se o Brasil pode viver sem a Merck, já que o país representa 1,5% do faturamento mundial da companhia". Ao ser indagado sobre como os investidores e o mercado financeiro veriam a empresa abrindo mão dessa receita, Sanches disse que não havia resposta imediata. O preço unitário que o Brasil pediu à empresa foi de US$ 0,65, o mesmo praticado pela Merck Sharp & Dohme em países da África e Ásia. Tais valores foram fixados em acordos internacionais com a seção de Aids da Organização da Nações Unidas (ONU). - Temos duas variantes para o preço. Uma é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), outra é o divisor de 1% da população adulta com o vírus da Aids. O preço de US$ 0,65 encaixa-se nos países com IDH baixo e mais de 1% da população infectada. Já o Brasil deveria pagar US$ 1,80 pois tem IDH médio e menos de 1% infectados.

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Lula licencia droga anti-Aids e ameaça repetir a dose

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

BRASÍLIA (Reuters) - Ao assinar, nesta sexta-feira, o decreto de licenciamento compulsório (quebra de patente) do medicamento anti-Aids Efavirenz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que poderá aplicar a medida, inédita no Brasil, sempre que os fabricantes não praticarem "um preço justo" na importação de medicamentos. "Nós estamos aqui dando um passo importante, isso vale com esse remédio, assim como vale para outros remédios... Se não tiver preço justo, temos que tomar essa decisão", disse Lula em cerimônia no Palácio do Planalto, diante de representantes dos cerca de 200 mil pacientes atendidos pelo Programa Nacional DST-Aids, do Ministério da Saúde. Pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo brasileiro poderá agora substituir o Efavirenz, fabricado pela Merck, por genéricos produzidos na Índia, pagando cerca de um quarto do preço praticado pelo laboratório norte-americano. O Brasil pagaria à Merck, este ano, 42,9 milhões de dólares para distribuir Efavirenz gratuitamente a 75 mil pacientes, segundo o Ministério da Saúde. "DESGRAÇA" Esta é a primeira vez que o governo brasileiro recorre ao licenciamento compulsório, previsto no acordo de propriedade intelectual (Trips) da OMC. O Brasil pagará à Merck 1,5 por cento sobre o preço pago ao fornecedor da droga substituta do Efavirenz, pelos direitos de patente. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros...Não só do ponto de vista ético é uma grosseria, como do ponto de vista político-econômico é um desrespeito. Entre o econômico e a nossa saúde, vamos ficar com a nossa saúde", disse o presidente. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, desde novembro de 2006 houve oito reuniões entre governo brasileiro e a Merck para negociar uma redução de preço. O Brasil vinha pagando 1,59 dólar por comprimido e queria uma redução para 0,65 dólar, mesmo preço praticado pela Merck na Tailândia. "Fomos procurados pela Embaixada dos Estados Unidos e tivemos até uma reunião com o presidente mundial do laboratório, mas infelizmente não nos apresentaram uma proposta aceitável", disse o ministro na cerimônia. O processo legal para o licenciamento compulsório do Efavirenz foi iniciado em 25 de abril, quando o ministro declarou a droga "de interesse público". Dois dias depois, a Merck ofereceu reduzir o preço da pílula em cerca de 30 por cento (próximo a 1,10 dólar), mas o ministro rejeitou a oferta. "A única proposta que poderíamos aceitar seria igualar o preço para o Brasil ao preço da Tailândia. Não levaram em conta sequer o fato de que 75 mil pacientes usam Efavirenz no Brasil, contra cerca de 17 mil na Tailândia", disse o ministro Temporão. "RESPEITO" Em seu discurso Lula afirmou que "o Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não pudesse ser respeitado." O representante dos pacientes de Aids no Conselho Nacional de Saúde, José Marcos Oliveira, discursou na cerimônia e elogiou o licenciamento, que classificou como "momento histórico." "Esta é uma resposta do governo ao movimento social organizado. Os interesses econômicos jamais estarão acima do direito à saúde e do direito à vida", disse Oliveira. O ministro José Temporão disse que o licenciamento foi "uma decisão madura, dentro da legislação internacional e das leis brasileiras", mas não será adotado como regra quando houver possibilidade de negociar preços com os laboratórios. "Estamos neste momento negociando com um grande laboratório a redução de preço de outro produto e as negociações caminham muito bem", disse o ministro. "Acho que este foi um caso muito especial em que o Brasil de maneira firme defendeu o interesse público", acrescentou, responsabilizando a Merck pela frustração das negociações sobre o Efavirenz. O ministro disse que o Brasil pagará 0,45 dólar por pílula a fornecedores indianos de um genérico do Efavirenz, e não 0,44 dólar como havia informado na quinta-feira o Ministério da Saúde. "A compra começará a ser feita imediatamente, por meio de organismos internacionais, como Unicef e Organização Pan-Americana de Saúde", disse o ministro, acrescentando que o Efavirenz será substituído pelo genérico indiano a partir de setembro. ELOGIOS E CRÍTICAS O médico Artur Kalichman, coordenador do programa DST/Aids de São Paulo, manifestou satisfação com a decisão do governo, ressaltando que todos os esforços foram feitos para um entendimento entre as partes. "É importante entender que o que guiou a decisão foi o acesso ao medicamento e não a quebra de patente. Foi um ato legítimo", destacou. A decisão do governo brasileiro também foi saudada pela ONG Médicos Sem Fronteiras. "Esse é certamente um avanço importante em termos de aumentar o acesso (a medicamentos). Estamos muito felizes que o Brasil tenha se movido na direção certa", disse Michel Lotrowska, da campanha de acesso a medicamentos essenciais da ONG. A Merck, fabricante do Efavirenz, se disse "profundamente decepcionada" e questionou a intenção do Brasil de solicitar o mesmo preço pago pela Tailândia pelo medicamento. "A solicitação do governo brasileiro de um preço de custo que a Merck pratica em países menos desenvolvidos e com níveis elevados de prevalência de HIV/Aids em adultos não reflete sua capacidade, como 12a economia do mundo, de pagar mais ...do que os países mais pobres...", disse em nota Oscar Ferenczi, diretor-presidente da Merck no Brasil. A Federação Internacional da Indústria Farmacêutica também emitiu nota, na qual afirmou que o licenciamento compulsório "é um caminho de confrontação que pode beneficiar interesses comerciais de empresas estatais locais... e elevar os custos das empresas inovadoras". (Reportagem adicional de Mair Pena Neto no Rio de Janeiro e Terry Wade em São Paulo)

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Decisão polêmica barateia remédio

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Governo anuncia a quebra de patente de medicamento para pacientes com HIV e cria crise com indústria farmacêutica Em uma decisão histórica, o governo brasileiro quebrou ontem pela primeira vez a patente de um medicamento. Comemorado por ONGs, o chamado licenciamento compulsório do remédio de combate à AIDS Efavirenz deverá reduzir em cerca de 70% o preço do produto, mas despertou críticas de multinacionais farmacêuticas e ameaças da Câmara de Comércio dos Estados Unidos. A decisão foi tomada depois de meses de negociação entre o governo e o laboratório Merck sem que houvesse acordo. Conforme o Planalto, a atitude está de acordo com uma norma da Organização Mundial do Comércio que admite o licenciamento em caso de interesse público. O Efavirenz é o produto mais utilizado pelos doentes de AIDS brasileiros, englobando 38% dos tratamentos. Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros. Não só do ponto de vista ético é uma grosseria, como do ponto de vista político e econômico é um desrespeito. Entre o econômico e a nossa saúde, vamos ficar com a nossa saúde discursou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao assinar o decreto que formalizou a decisão, acrescentando que a mesma saída poderá ser adotada no futuro em relação a outros remédios. Na prática, a medida permite que, em vez de comprar o Efavirenz do laboratório Merck, detentor da patente, o produza o medicamento ou importe um genérico a preços bem mais baixos. Inicialmente, a intenção do governo é comprar o anti-retroviral da Índia. Três laboratórios indianos contam com licença da Organização Mundial da Saúde para vender versões genéricas aprovadas em testes de qualidade. Em cerca de um ano, o laboratório Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), teria condições de produzir. Para EUA, decisão brasileira pode espantar investimentos A medida deverá significar uma redução no preço de US$ 1,59 pago atualmente por unidade para cerca de US$ 0,45. Como, diferentemente de outros países, por lei o governo brasileiro custeia o tratamento anti-AIDS de um universo de 200 mil pacientes, o impacto da medida será significativo tanto para os cofres públicos quanto para a receita do laboratório. Até 2012, quando expira a patente do Efavirenz, deixarão de ser pagos cerca de R$ 474 milhões. O gasto anual brasileiro com anti-retrovirais hoje fica em R$ 984 milhões. O custo por paciente cairá de R$ 1,7 mil para cerca de R$ 326 ao ano. O reinvestirá os US$ 30 milhões economizados anualmente com a quebra de patente no programa DST/AIDS e na ampliação do acesso ao tratamento de outras doenças relacionadas à AIDS. A economia representa 4,6% do orçamento previsto para o programa neste ano, que é de R$ 1,3 bilhão. O decreto motivou reações de laboratórios e de empresas norte-americanas. A Merck divulgou nota dizendo que desde 1998 o custo do Efavirenz caiu 77% e já havia admitido reduzir em 30% o valor atual. Afirma ainda que "apenas países considerados subdesenvolvidos (...) ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é considerada alta (superior a 1%) os preços são mais baixos". O problema é que esses países não oferecem acesso universal pelo sistema público de saúde ao tratamento. Eles não levaram isso em conta e foram muito intransigentes na negociação rebate o diretor-adjunto do Programa Nacional de DST/AIDS, Carlos Passarelli. Nos Estados Unidos, a Câmara de Comércio dos Estados Unidos divulgou nota afirmando que a decisão brasileira pode espantar novos investimentos: "encerrar as negociações com a Merck e tomar sua propriedade intelectual envia um sinal perigoso para os investidores". O governo alega que a medida não é uma quebra de patente, já que se dispõe a pagar 1,5% do novo valor do medicamento para o laboratório a título de royalties, e afirma que Itália e Canadá tomaram atitudes semelhantes. Quanto a medicamentos anti-AIDS, Moçambique, Malásia, Indonésia e Tailândia tomaram essa resolução. Desses, a Tailândia enfrenta retaliações pela medida: o governo norte-americano colocou o país em uma lista de "violadores de patentes", e a farmacêutica Abbott anunciou que não pretende lançar drogas no país. ( marcelo.gonzatto@zerohora.com.br e silvia.lisboa@zerohora.com.br ) Variações de preço Preço unitário do Efavirenz (cápsula de 600 miligramas) em diferentes países do mundo (valores de 2007): Angola US$ 0,54* Tailândia US$ 0,65** África do Sul US$ 0,75* Brasil US$ 1,59** Bolívia US$ 1,80*** China US$ 1,80*** Estados Unidos US$ 13*** Informação da ONU, **Informação do , ***Informação da Merck OS EMBATES COM OS LABORATÓRIOS Agosto de 2001 O então ministro da Saúde, José Serra, pede licenciamento compulsório da patente do Nelfinavir (anti-retroviral fabricado pela Roche), após nove meses de negociações, mas no mesmo dia anuncia a interrupção do processo porque a Roche havia aceitado reduzir o preço do medicamento em 40% Dezembro de 2003 O então ministro Humberto Costa anuncia que pode adotar a medida em relação ao Nelfinavir Janeiro de 2004 O consegue reduzir o preço de cinco medicamentos: Nelfinavir, Lopinavir, Efavirenz, Tenofovir e Atazanavir, representando uma redução de 37% no valor dos anti-retrovirais Junho de 2005 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro Humberto Costa assinam declaração de interesse público do anti-retroviral Kaletra (Lopinavir + Ritonavir), fabricado pelo laboratório Abbott Julho de 2005 O emite comunicado sobre a conclusão de negociação com a Abbott, que garante redução no preço do medicamento por seis anos, acesso à nova formulação do Kaletra (conhecida como Meltrex) e transferência de tecnologia da formulação Lopinavir + Ritonavir. O laboratório concorda em reduzir o preço da cápsula de Kaletra de US$ 1,17 para US$ 0,63 a partir de março de 2006 uma economia de US$ 339,5 milhões entre os anos de 2006 e 2011 Maio de 2007 Pela primeira vez, uma negociação do com um laboratório não chega a um acordo. O governo toma uma decisão inédita e quebra a patente do anti-retroviral Efavirenz, da Merck

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Produção de genérico pode ser em Farmanguinhos

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

centro produtor de vacinas e kits para diagnóstico de doenças infecto-parasitárias da América Latina, a Farmanguinhos, no Rio, já fabrica boa parte dos medicamentos que compõem o coquetel anti-Aids distribuído pelo governo brasileiro a portadores do HIV. Com o anúncio de quebra de patente realizado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) - ligada ao Ministério da Saúde - pode se tornar referência mundial na produção do anti-retroviral genérico do Efavirenz, produzido pela Merck, Sharp & Dohme. O investimento pesado em pesquisa para a produção dos medicamentos anti-Aids começou em 2001, quando o então ministro da Saúde, José Serra, ameaçou quebrar a patente de outro anti-retroviral, o Nelfinavir. À época, Serra pretendia estimular o Laboratório Farmoquímico Cristália, localizado na cidade de Itapira, a 180 quilômetros de São Paulo, a produzir o princípio ativo de quatro medicamentos anti-retrovirais. O Cristália foi o primeiro laboratório no Brasil a fazer a síntese da composição química da matéria-prima usada na produção desses medicamentos. Até então, a maioria dos insumos era importada. Além dos remédios anti-Aids, Farmanguinhos também negocia com um instituto ucraniano fabricante de insulina o registro do produto - usado por mais de 600 mil brasileiros - para produzi-lo na unidade da Fiocruz. A estimativa é que em quatro anos a economia chegará a mais de R$ 300 milhões e, em 15 anos, a cerca de R$ 1,2 bilhão.

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Para ONGs, indústrias continuarão tendo interesse no país

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Mercado brasileiro é muito grande para sofrer retaliações dos Estados Unidos, afirmam representantes de entidades Em ato de apoio à decisão de Lula, as organizações defenderam a quebra de patente de remédios contra o câncer e a hepatite C DA REVISTA DA FOLHA Entidades e organizações não-governamentais que se mobilizaram em apoio à decisão do governo Lula de quebrar a patente do Efavirenz disseram ontem que a medida não trará riscos ao país. Isso, porque, segundo as entidades, a indústria farmacêutica continuará tendo interesse no mercado brasileiro e vários outros países também consomem a versão genérica do medicamento produzido na Índia. "Os Médicos Sem Fronteiras [ONG francesa] tratam 80% dos seus 80 mil pacientes com genéricos indianos e as pessoas estão muito bem", afirmou Gabriela Chaves, farmacêutica da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids). O ex-coordenador do programa brasileiro de Aids, Pedro Chequer, que hoje trabalha para a Unaids (braço da ONU para a Aids) na Argentina, disse que o Brasil tem condições de fabricar com qualidade o Efavirenz e outras drogas contra a Aids, como o Kaletra e o Tenofovir. Chequer destacou ainda que países desenvolvidos já quebraram patentes em outras áreas, caso dos EUA e Canadá e que não acredita em retaliações dos EUA. "Somos um mercado muito grande para eles." As entidades e ONGs criticaram ainda argumento de representantes da indústria de que o licenciamento compulsório pode afastar novos investimentos em pesquisas. Para eles, não é verdade que a indústria tenha tanto interesse em inventar novos medicamentos. Citaram estudos que mostram que dois terços das drogas aprovadas nos EUA entre 1989 e 2000 eram só modificações. Gabriela Chaves aponta ainda que a indústria farmacêutica usa boa parte dos milhões de dólares investidos para criar uma nova droga em marketing. Para manifestar apoio ao decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cerca de 80 pessoas ligadas a ONGs que atuam em defesa dos portadores de HIV se reuniram ontem à tarde, na catedral da Sé, centro de São Paulo. Além de apoiar a decisão, as entidades cobraram novas quebras de patentes de outros remédios para Aids, além de medicamentos para câncer e hepatite C. Genéricos Representantes de genéricos não quiseram se manifestar sobre a quebra de patente. Odnir Finotti, presidente da Pró-Genéricos preferiu defender o setor. "O volume [de vendas] hoje nos dá crédito de que as pessoas que optam estão sendo tratadas e beneficiadas." Os fabricantes de genéricos detêm 15% das vendas de medicamentos.

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Lula quebra patente de droga

2007-05-05T00:00:00-03:00maio 5, 2007|Categories: Notícias Antigas ?|

Medida permite importação de versões genéricas de combate à AIDS BRASILIA (AE) - Pela primeira vez, o governo decidiu concluir o processo de quebra de patente de um medicamento de laboratório multinacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o decreto de licenciamento compulsório do Efavirenz, do norte-americano Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento de pacientes com AIDS. A medida inédita permite, por período não-estipulado, a importação de versões genéricas e até a fabricação do medicamento no País, o que pode ocorrer num segundo momento. A partir de setembro, o pretende distribuir na rede pública o genérico produzido por laboratórios da Índia. Cada pílula do anti-retroviral será comprada por US$ 0,45, valor inferior ao US$ 1,56 cobrado pelo laboratório Merck. O governo, único comprador do medicamento no Brasil, estima que economizará US$ 30 milhões por ano com os genéricos, um dinheiro que poderá ser revertido para o tratamento de 200 mil pessoas com AIDS. O valor pago ao laboratório por ano chega a US$ 42,9 milhões. O pagará ao laboratório Merck, a título de royalties, 1,5% do valor total de compra dos genéricos o que atende, na avaliação do governo, aos acordos de comércio internacional e suaviza o termo "quebra de patente". "Não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina, o dado concreto é que o Brasil não pode ser tratado como se não merecesse respeito", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente criticou o Merck, que estaria cobrando pelo anti-retroviral no Brasil valor mais elevado que em países como a Tailândia. "Pagar US$ 1,6 dólar por um remédio vendido em outro país por US$ 0,65 é uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas político e econômico", disse. Pacientes que usam o Efavirenz e funcionários do Programa Nacional DST e AIDS participaram da solenidade em que Lula anunciou a medida. Eles aplaudiram com entusiasmo o rápido discurso do presidente. "Toda descoberta deveria ser fixada como patrimônio da humanidade, o inventor, o criador poderia ganhar o seu dinheiro, mas isso deveria ser da humanidade", disse. "Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros". Em entrevista após a solenidade, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que não foi possível um acordo com o presidente mundial do Merck. O laboratório propôs reduzir em 30% o valor do medicamento. O embaixador dos Estados Unidos, Clifford Sobel, telefonou, segundo o ministro, para falar da preocupação com a medida que atingia uma empresa norte-americana. Temporão não escondeu o entusiasmo com a decisão do Planalto de aceitar seu pedido de quebra de patente. Economia será revertida em programa DST/AIDS BRASÍLIA (Folhapress) - O reinvestirá os US$ 30 milhões economizados anualmente com a quebra da patente do antiretroviral Efavirenz no próprio programa DST/AIDS e na ampliação do acesso ao tratamento de outras doenças relacionadas com a AIDS. A economia representa 4,6% do orçamento previsto para o programa neste ano, que é de R$ 1,3 bilhão. "É importante chamar a atenção que, com essa decisão, o Brasil vai economizar por ano o equivalente a US$ 30 milhões. Esses recursos serão reinvestidos no programa DST/AIDS e na ampliação do acesso dos nossos pacientes ao tratamento de outras patologias que convivem com a AIDS, como, por exemplo, a hepatite B e hepatite C'', afirmou o ministro José Gomes Temporão. Pelos cálculos da Saúde, até 2012 - quando expirará a patente do antiretroviral - a economia a ser alcançada com a quebra da patente será de US$ 236,8 milhões. Esse valor considera os preços ofertados pela Merck no contrato de 2007. Temporão explicou que o montante também já inclui os gastos do governo com o pagamento de royalties ao laboratório. O governo pagará 1,5% de royalties sobre o volume de recursos gastos na importação do antiretroviral genérico produzido na Índia. O percentual foi definido pelo governo com base na regras da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para o caso de licenciamento compulsório de medicamentos antiretrovirais, o padrão recomendado varia de 0,5% a 4%. O ministério informou que, se a empresa contestar o índice de 1,5%, o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) poderá arbitrar a remuneração. Ontem, os custos do governo com os preços praticados pela Merck são de US$ 580 por paciente/ano. Isso representa um gasto anual de US$ 42,9 milhões. No total, o orçamento da Saúde prevê gastos de R$ 984 milhões com compra de medicamentos de combate à AIDS. A Merck adota uma política de preços diferentes de acordo com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e/ou a prevalência do vírus da AIDS no país. O governo destaca que essa política desconsidera, por exemplo, o grau de acesso da população ao medicamento. Durante as negociações, o Brasil pediu, no mínimo, o mesmo preço cobrado na Tailândia -cerca de US$ 0,65 por comprimido. A Merck não aceitou a proposta. Licença é contraditória SÃO PAULO (AE) - A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) afirmou em nota à Imprensa que a decisão do Governo Brasileiro de decretar a licença compulsória do medicamento Efavirenz, usado no tratamento da AIDS e desenvolvido e fabricado pelo laboratório Merck Sharp&Dohme, "parece uma grande contradição". Segundo a Febrafarma, "a decisão levanta dúvidas em relação as manifestações recentes do , segundo as quais o principal objetivo da pasta é criar um complexo industrial da saúde no País, argumentando que a indústria da saúde é a que mais produz inovação e riqueza no mundo, além de empregos de alta qualificação". A entidade alega que se o País pretende adotar medidas estratégicas de incentivo à inovação e se propõe a viabilizar um complexo produtivo da saúde, o recurso à licença compulsória, nos termos em que se deu, parece uma grande contradição. "Como o governo pretende alcançar essa meta ao optar pela mera importação de medicamentos e matérias-primas para anti-retrovirais a pretexto de reduzir gastos? Como conciliar a alavancagem de laboratórios nacionais e a atração de investimentos externos recorrendo às importações por meio de mecanismos de exceção?", questiona a Febrafarma. A licença compulsória, alega a Federação, no contexto em que está sendo decretada, abre caminho apenas para a troca de fornecedores internacionais, sem contribuir em nada para a consolidação de uma indústria farmacêutica forte e inovadora no País.

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